sexta-feira, 6 de novembro de 2009

REFLEXÕES I




Sempre procuramos ser o que não somos; e neste diálogo maluco que a vida nos faz ter conosco mesmo, ficamos a nos interrogar sobre o que é realmente ser. O que sou ou o que serei. E toda esta gama de sentimentos só nos vem á tona, dado ao ócio que por vezes somos obrigados a vivenciar. Não o ócio que nos leva a destruição das nossas bases e nossas filosofias. Mas ao ócio criativo que existe dentro de cada um de nós.
Somos seres pensantes e como tais não podemos desperdiçar os nossos pensamentos. Eles são rápidos, temos que registrá-los, pois as horas não param para escutá-los; como os nossos pensamentos, a vida se esvai tal qual o ponteiro de segundos do relógio: tic –tac -tic-tac e cada segundo soma-se para chegar a um minuto, e cada minuto soma-se para chegar a uma hora e às horas sucedem-se aos dias, que sucedem –se às semanas, aos meses e aos anos e os anos passam inexoravelmente, quer você queira ou não. Nada está parado, daí pensarmos tanto. O nosso pensamento tem que acompanhar o movimento do mundo, ou é o movimento do mundo que tem que acompanhar os nossos pensamentos?
Pensar é criar. E criar é sair do lugar comum. O lugar comum é comodismo. E comodismo é uma palavra muito forte, pois atravanca, atrapalha, trava, traz o “como o ontem”. E o ontem não faz o hoje e nem o amanhã. O ontem nos faz sonhar alguma coisa que já foi, e não tem mais força de ser no hoje. Por vezes precisamos do ontem, não como uma bússola a apontar o nosso destino, mas como uma referência daquilo que já fui e que não preciso ser mais no hoje. Por vezes preciso do ontem para contar aos meus filhos, aos meus netos no amanhã. Mas, não posso ficar preso no ontem.
Preciso do meu hoje para me reciclar, sempre! Para aprender mais, sempre! Para amar mais, sempre! Para andar mais, sempre. Para saber usar todos os verbos transitivos diretos nas minhas ações, mas no meu hoje. Não ontem, não amanhã.
O Sol nasce hoje, tenho que aproveitar agora. O Sol de ontem nem sei para onde ele foi; o de amanhã não sei se terei oportunidade de observar. A vida é agora. A vida é real.
Muitas pessoas passam a sua existência à procura do portão estreito que conduz a vida. E ele sempre esteve lá, a sua frente. Ele é o agora, o hoje que se escapa a cada palavra que você, leitor, está neste exato momento a ler.
É muito difícil se está onde está. Normalmente, ou se está no passado ou se está no futuro.
O presente por ser mais fácil de conjugar, por vezes esquecemos. Queremos o pretérito, ou o futuro, nenhum dos dois requer controle. E o controle é difícil. Pois não temos controle do que somos no agora.
Por isso temos obrigação permanente de tornar o agora consciente.
Só assim nos libertaremos da infelicidade, e da impermanência do ser.
Pensemos nisso!.

Gildo Póvoas - gildopovoas@hotmail.com

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