quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

RESCALDO DO QUE FOI SALVO DE NOSSOS OLHOS



Caro DOC, bons dias, tardes e noites para quem está quase acima da linha do Equador.

Eu, ainda estou aqui em Berlândia, com certeza bem abaixo da linha do Equador e sem comer caruru, tacacá ou pato no tucupi, como vocês citeiros aí em Belém. Eu também vou me mandar, já já, vou ficar a beira do caminho de Bom Conselho (Recife) esperando o Encontro dos Papacaceiros onde, com certeza, vamos degustar juntos a tal loura suada. Vou tentar que essa espera ocorra sem meditação transcendental e sim com uma atenção passiva (refletir sem tentar logo de saída pôr ordem à confusão que muitas vezes surge em nossa mente ao contato com idéias novas, como essas sobre nossos genes imortais que você, em nossos diálogos, vem me ajudando na compreensão). Essa atenção passiva, penso ser necessária por entender que o cérebro é um sistema autopoiético e a não-interferência imediata em seus processos (evita os automatismos concordo/discordo) permitirá que eu me beneficie dos frutos dessa auto-regulação, que é sistêmica e acontece quando conseguimos que nossa mente fique quieta.

Tenho utilizado em nossos diálogos termos como autopoiese, sistema autopoiético, sistema de gaia, etc. Sei que às vezes eles podem não ser inicialmente compreendidos, principalmente fora do contexto de quem estar lendo a respeito. A minha expectativa é que o interesse pelo assunto possa levar a uma familiaridade com estes termos. Para isso, a quem possa se interessar, os livros de Fritjof Capra disponíveis na biblioteca do Blog da CIT são um bom começo para essa familiaridade. Aproveito a oportunidade e suplico que não me vejam (não por você amigo DOC, mas por outros que possam nos ler) como alguém que quer aparentar alguma erudição, até porque, eu NÃO A TENHO MESMO, sem falsa modéstia. Amigo DOC, você é testemunha que, como já manifestei anteriormente, nossos diálogos têm como principal objetivo a nossa superação/forma(ta)ção pessoal. Publicar nossos diálogos é uma conseqüência, ou melhor, um objetivo adicional, na expectativa que outros compartilhem das nossas inquietudes. Voltando aos referidos termos e tendo em vista, como bem lembrado por você, que “outras pessoas nos lêem” vou tentar trazer uma conceituação, mesmo que superficial, para alguns desses termos se bem que, como neófito (pricipiante e não cristão-novo) nos estudos epistemológicos, sei que vou deixar a desejar.

Como observado acima, podemos nos familiarizar com esses termos na leitura de alguns livros de Capra que, ao meu juízo, são de fácil e agradável leitura. Os conceitos, abaixo apresentados, foram extraídos de http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1gina_principal – onde a verificação e/ou familiarização pode ser mais rápida.

“Autopoiese ou autopoiesis (do grego auto "próprio", poiesis "criação") é um termo cunhado na década de 70 pelos biólogos e filósofos chilenos Francisco Varela e Humberto Maturana para designar a capacidade dos seres vivos de produzirem a si próprios. Segundo esta teoria, um ser vivo é um sistema autopoiético, caracterizado como uma rede fechada de produções moleculares (processos), onde as moléculas produzidas geram com suas interações a mesma rede de moléculas que as produziu. A conservação da autopoiese e da adaptação de um ser vivo ao seu meio são condições sistêmicas para a vida. Por tanto um sistema vivo, como sistema autônomo está constantemente se autoproduzindo, autorregulando, e sempre mantendo interações com o meio, onde este apenas desencadeia no ser vivo mudanças determinadas em sua própria estrutura, e não por um agente externo. De origem biológica, o termo passou a ser usado em outras áreas por Steven Rose na neurobiologia, por Niklas Luhmann na sociologia, e por Gilles Deleuse


“A hipótese de Gaia, também denominada como hipótese biogeoquímica, é hipótese controversa em ecologia profunda que propõe que a biosfera e os componenetes físicos da Terra (atmosfera, criosfera, hidrosfera e litosfera) são intimamente integrados de modo a formar um complexo sistema interagente que mantêm as condições climáticas e biogeoquímicas preferivelmente em homeostase. Originalmente proposta pelo investigador britânico James E. Lovelock como hipótese de resposta da Terra, ela foi renomeada conforme sugestão de seu colega, William Golding, como Hipótese de Gaia, em referência a Deusa grega suprema da Terra – Gaia. A hipótese é frequentemente descrita como a Terra como um único organismo vivo. Lovelock e outros pesquisadores que apoiam a ideia atualmente consideram-a como uma teoria científica, não apenas uma hipótese, uma vez que ela passou pelos testes de previsão.
O cientista britânico, juntamente com a bióloga estadunidense Lynn Margulis analisaram pesquisas que comparavam a atmosfera da Terra com a de outros planetas, vindo a propor que é a vida da Terra que cria as condições para a sua própria sobrevivência, e não o contrário, como as teorias tradicionais sugerem.


Vista com descrédito pela comunidade científica internacional, a Teoria de Gaia encontra simpatizantes entre grupos ecológicos, místicos e alguns pesquisadores. Com o fenômeno do aquecimento global e a crise climática no mundo, a hipótese tem ganhado credibilidade entre cientistas.”

Após esse arremedo de conceituação dos temos Autopoiese e hipótese de Gaia, fico na expectativa que nossos diálogos possam estar nos autoproduzindo, autorregulando e, quem sabe, venham a interagir com outros seres vivos de Papacaça ou d’alhures.

Um abração autopoiético,

Roberto Lira - rjtlira@yahoo.com.br

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