sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

COMPLEMENTO DO RESCALDO...



Caro Dialogador-Ouvidor-Compartilhador – Cleómenes (DOC.C), BONS DIAS!!!!

Após alguns dias de atenção passiva, a beira do caminho para Recife, voltado para suas últimas manifestações sobre os genes egoístas/imortais, o calor refletido dessa reflexão está queimando os poucos neurônios que utilizo procurando um sentido para a vida. Por isso, sinto a necessidade de continuar o rescaldo desse incêndio tentando salvar, se é que é possível, alguma coisa dessa realidade, para mim desoladora, que você me apontou sobre nossa máquina de sobrevivência.

Antes de qualquer coisa, obrigado pelo seu esforço em tentar me fazer entender, com suas didáticas explicações, a essência da evolução da espécie pela seleção natural, através dos genes e assim sossegar minha inquietação de encontrar o sentido da vida. Obrigado mesmo e por favor – já ia dizendo “pelo amor de Deus”, ainda bem que lembrei em tempo que você é ateu e eu aprendiz de ateu e não pega bem socorrer a Ele – continue tentando abrir essa minha cabeça dura com seus oportunos esclarecimentos. Se você não conseguir esse feito lhe resta o consolo de estar ajudando a outros que nos lêem e possuem a cabeça menos dura que a minha. Com certeza, minha cabeça dura é devido ao (d)efeito que ocorre nos bu(cé)falos que só pensam em jogar tênis para endurecer a cabeça.

Alegria, alegria, alegria !!!! Algumas fendas podem estar se abrindo em minha cabeça, talvez, mais para deixar escapar meus sonhos do que para enxergar a realidade. Vou começar pelo princípio. A idéia da “sopa original” de Dawkins para mim é perfeita, desde que nela ninguém necessite se tornar um Caim. Em meus sonhos, no “panelão de sopa” da mãe Gaia, que é inicial e continuará ad infinitum, não faltará comida pra ninguém. Todos sobrevivem sem precisar matar ninguém, pois a sopa não é de “letrinhas”, não há individualidades. Nós seremos NADA, em compensação formaremos o TODO. Sei que essa idéia amedronta muitos que pensam em, na eternidade, continuar a ser alguém. Ninguém sentará a direita ou a esquerda do Deus da Lucinha, nem fará companhia ao “Anjão caído”. Esse é o meu paraíso. Para garantir minha vaga nele, já tomei minhas providências. Solicitei aos meus filhos à garantia que vou ser cremado e as cinzas jogadas no mar de Recife ou aqui mesmo em Bêrlandia, no rio Uberabinha. Não quero ser enterrado e voltar ao pó, como muitos profetizam. Quero após virar cinzas ser adicionado em água para voltar a compor a “sopa inicial”. Essa volta é para mim a verdadeira religião – religare, ou seja, ligar-me novamente com as origens. Se Deus não existir assim será e que a amiga Lucinha diga AMÉM!!!!

“Determinismo Genético”. Oh !!!!!! A luta começou. Aves que usam os ninhos dos outros para sobreviver e matam os filhotes do hospedeiro. Focas distraídas que caem na água, ou são empurradas, para salvação de outras. Leoas defendendo seus leônculos sabe-se lá a custa de que. E ainda, muitas mães pátrias protegendo seus filhos de filhos de outras mães pátrias, ou de filhos da mãe, sonegando a grana e mandando muita bala ou disseminado ébola. É só desolação, desolação, desolação. Enquanto não me torno um religado com as origens – no “sopão” da mãe Gaia –, vou deletar esses fatos do meu software antes que eles se tornem uma versão capaz de rodar no meu sonhador hardware. Se ele arrebentar nem o Rubem Alves pode me dá um alento.

Amigo DOC, não querendo ser desperto dos meus sonhos pelo determinismo genético, escutei uma voz incipiente que me diz: – Roberto, você não precisa ficar assim tão desconsolado com o “determinismo genético”, pode ser que em alguns pontos ele possa ser questionado, quem sabe até contraditado. Leia com um pouco mais de atenção o capítulo 6 do livro “As Conexões Ocultas”, de Fritjof Capra. O livro está disponível na biblioteca da CIT e nesse capítulo intitulado “A biotecnologia em seu ponto de mutação” são apresentados vários argumentos que estão forçando os biólogos moleculares a questionar muitos dos conceitos fundamentais sobre os quais baseavam-se originalmente todas as suas pesquisas. Só para diminuir um pouco essa sua desconsolação, veja esse trechozinho do referido capítulo:

A constatação da redundância genética contradiz frontalmente o determinismo genético e, em particular, a metáfora do "gene egoísta" proposta pelo biólogo Richard Dawkins. Segundo Dawkins, os genes se comportam como se fossem egoístas, competindo constantemente uns com os outros, através dos organismos que produzem, para deixar mais cópias de si mesmos. A partir desse ponto de vista reducionista, a disseminadíssima existência de genes redundantes não tem um sentido evolutivo. Já do ponto de vista sistêmico, reconhecemos que a seleção natural não se faz valer sobre os genes individuais, mas sobre os padrões de auto-organização do organismo. Como diz Keller, ‘É a própria permanência do ciclo de vida que... se tornou o objeto da evolução’.”

Caro DOC, fique certo que a interferência dessa voz(inha), ao apontar a possibilidade de contraditar o ‘determinismo genético” e eu poder seguir vivendo a vida menos desolado, ainda assim, continuo sem compreender o sentido da vida. Penso que, talvez, a vida só faria sentido se fosse para ser vivida na Ilha de Pala – ilha descrita por Aldous Huxley, em seu último romance. Na utopia criada por Huxley, aglutina-se o melhor realizado em todas as culturas e as potencialidades ainda não realizadas, um misto de filosofia budista, teorias de ciências biológicas é éticas. Lá, a religião é professada como uma forma de auto-conhecimento onde os deuses perdem a onipotência: “Os deuses são todos forjados pelo Homem e somos nós quem lhes puxa os cordelinhos e lhes confere, com esse ato, o direito de puxarem pelos nossos”. Entre outras favorecimentos, os habitantes da ilha são constantemente despertos pelos “minas”, pássaros que gorjeiam frases como “atenção” e “aqui nesse momento”, nos fazendo lembrar a importância de estar atento a todo instante ao momento presente. A sociedade na ilha de Pala é a antítese da sociedade opressora e mecanizada de “Admirável Mundo Novo” obra, também, de autoria de Huxley.

Amigo DOC, amigos uberlandenses dizem que eu tenho, como o John Lennon, uma (Yoko)Kayo. Eles estão enganados, eu não TENHO a (Yoko)Kayo, eu vivo a vida com a (Yoko)Kayo. O que eu tenho é o sonho que John Lennon imaginou.

Imagine (John Lennon)

Imagine que não exista paraíso,
É fácil se você tentar.
Nenhum inferno abaixo de nós,
Sobre nós apenas o céu.
Imagine todas as pessoas
Vivendo pelo hoje...

Imagine que não existam países,
Não é difícil de fazer,
Nada porque matar ou morrer,
Nenhuma religião também.
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz...

Imagine nenhuma propriedade,
Eu me admiro se você conseguir.
Nenhuma necessidade de ganância ou fome,
Uma fraternidade de homens.
Imagine todas as pessoas
Compartilhando o mundo todo.

Você pode dizer que sou sonhador,
Mas eu não sou o único.
Eu espero que algum dia você se junte a nós,
E o mundo viverá como um só.

Um abração, e vamos compartilhar esse sonho.

Roberto Lira - rjtlira@yahoo.com.br

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