quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Cueca Nunca Mais



Hoje acordei triste. Não é a primeira vez e, tenho certeza, não será a última. Por obra do destino nasci na mesma cidade do Lula, nosso presidente. Este fato é muitas vezes tido pelos outros como motivo para me parabenizar e elogiar, até pelo fato de que, assim alguns pensam, o solo que pariu um presidente é fértil e merece toda atenção. Eu tenho cá minhas dúvidas. Penso que ele nascer por aqui foi um flato da história, e flatulência histórica, como qualquer uma flatulência, pode não cheirar ou cheirar mal, o difícil é cheirar bem. Neste caso específico, tenho a honra de dizer que ela cheirou bem.

Lula é presidente do Brasil há quase sete anos. Nunca houve na história deste país alguém mais apoiado do que ele, de mais sorte do que ele, mais popular do que ele. Se ele quisesse seria um presidente perpétuo como quer e está conseguindo o fruto de um flato venezuelano que cheira mal, o Hugo Chaves. Ele, sabiamente diz que não quer, ou, ao menos, finge que não quer. E antes que o Diretor Presidente ande colocando, à minha revelia, palavras na minha boca, escrevendo que eu disse tal ou qual coisa nos meus encontros com Lula, o que foi lamentável da parte dele, sinto apenas em ter de concordar com ele, naquilo que disse que eu disse sem eu o ter dito.

E acrescento agora suspeitas sobre as reais intenções de Lula ao escolher a Dilma como sua candidata a presidente em 2010. Estaria pensando ele em prorrogar o seu mandato via Dilma? Teríamos, oito anos mais um interregno “dilmário” e mais oito anos depois? Não penso que aquela criança com quem brinquei muito, se tivesse este raciocínio, fosse por maldade. Quando ele pedia fruta a seu Juca, já tendo alguma no bolso, apenas agia como uma criança que seria um homem previdente, e como bom político que já era naquela época, tentava legitimar seu ato. Como dizia sua mãe, “o espinho quando tem de furar, de pequeno traz a ponta”.

E agora posso voltar e dizer porque acordei triste. Vi na TV, pela segunda vez, no governo Lula, alguém enfiando o dinheiro na cueca. Da outra vez, no primeiro mensalão, eu só ouvi dizer, agora eu vi. E não só foi na cueca. Foi nas meias, nas bolsas, nas sacolas, antes de chegar aos cofres podres e abarrotados dos corruptos. Mesmo sabendo que o envolvimento das pessoas “cuequeiras” foram relacionadas ao governo de Brasília, está tudo tão pertinho! Eu não disse quando encontrei o Lula, mas poderia dizer, se o encontrasse de novo:

- Meu amigo Lula, não é todo dia que a história produz um flato cheiroso. Este cheiro é quase único em nosso país. Começamos a ver isto desde os tempos de suas lutas sindicais e políticas. Quem esquecerá a luta contra a ditadura, a campanha pelas Diretas Já, o movimento dos Caras Pintadas, e principalmente, o inesquecível e ainda atuante Grupo Tortura Nunca Mais, que desde 1985, tem o seu apoio explícito, através das suas lutas em defesa dos direitos humanos, e é de uma importância ímpar no cenário nacional. Hoje, caro amigo, nossa tortura é a corrupção. Ela massacra cruelmente aqueles que querem trabalhar e ganhar seu pão honestamente. Antes podíamos falar em Partido P ou Partido T, no momento já se fala no Partido D, E e M. E muitas letras mais virão? Não estaria na hora companheiro, de você mostrar que não saiu de Caetés em vão, e tentar justificar sua história cheirosa, antes que a corrupção a torne fedorenta por demais? Sei que você jamais colocaria aquelas frutas, da fazenda de seu Juca, na cueca, pois na época não as usávamos, mas se faz absolutamente necessário, combater este instrumento que nos oprime e que nos humilha, porque está se tornando um sinônimo de corrupção. Aqui eu proponho que você, do alto de seus 80% de aprovação popular, faça um movimento em direção ao posto de estadista, de quem este país precisa tanto, e apoie o movimento que hoje tento criar em Caetés: “Cueca Nunca Mais”.

Não sei se o nosso Presidente iria me ouvir até o fim e apoiar-me, pois se ele não sabia da cueca do PT, como iria saber hoje da cueca do DEM? Quem sabe, ele me daria mais “cinquentinha” para começar o movimento? Eu aceitaria, pois sei que ele jamais iria tirar a nota de sua cueca, pois estou certo, ele não a sujou quando criança, não a sujaria agora.

Convido a todos para nosso primeiro ato, que começará aqui em Caetés e se repetirá em todas as praças das cidades do Agreste Meridional, esperando que haja o apoio de outras cidades por este país afora, com nosso grito de guerra: “Cueca Nunca Mais!!!”

José Andando de Costasjad67@citltda.com

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