sábado, 12 de dezembro de 2009

Patrimônio Cultural Imaterial



Hoje, dia de folga, fui ao SBC, e desta vez fui ao Mural. Parei na primeira postagem. Soube que há um projeto na Câmara de Vereadores de Bom Conselho para tornar o Encontro de Papacaceiros em Patrimônio Cultural Imaterial e que o Zé Quirino é contra. Eu nem conheço o projeto, nem o vereador Carlos Alberto e nem mesmo o Zé Quirino. Fiquei triste, tristíssima. Quando me preparo para ir a este encontro e encontrar uma urna para votar no próximo organizador, que pode muito bem ser o próprio Zé Quirino, já sinto cheiro de brigas e golpes.

Eu até concordaria com o Zé Quirino em achar que o projeto é um pouco precipitado, pois o evento é muito novinho, historicamente, para a homenagem. Mas ele também se precipita em dizer que há gente, por trás disso, para derrubá-lo, se é verdade o que o vereador escreve em sua nota. Isto tem uma grande chance de ser verdade, pois, desde quando na história do nosso país, digo município, houve unanimidade sobre alguma coisa? Neste ponto, nossa gente está longe de ser o “burro” do Nelson Rodrigues.

Mesmo porque, no 9º Encontro já houve toda aquela celeuma em torno da eficiência da sua coordenação. Sugeri na época, junto com alguns colegas, que, para evitar qualquer tentativa de golpes e contra-golpes, houvesse eleições para a coordenação do próximo encontro. Penso que nada foi feito a respeito, pelo menos eu não soube de nada.

Da mesma forma que defendi a permanência do Zé Quirino naquela ocasião e critiquei aquela reunião, cujo mentor intelectual graças a Deus já nos deixou e neste momento deve estar andando por outras plagas, agora critico o Zé Quirino, por não ter planejado uma forma adequado de julgar sua coordenação (como uma eleição, por exemplo), e assim evitar, o que ele mesmo diz, que estão querendo tomar o lugar dele. Caro Zé Quirino eu tenho certeza que a pessoa, ou pessoas, que estão querendo tomar o seu lugar existem. É só usar a lógica das tramas políticas: o Encontro já cresceu o suficiente para influenciar o poder de alguns, de alguma forma. Se você pisar na bola vem alguém e derruba, ao invés de ajudá-lo.

Eu repito, estou tristíssima, pois sabemos que nem tudo que começa mal termina bem. E tudo pode dar errado outra vez. Pela Lei de Murphy (“Se alguma coisa pode dar errado, fatalmente dará”), que é implacável, devemos agir rápido e construir um mecanismo transparente de sucessão. Como o evento já está bem “grandinho” a eleição é o melhor sistema. Se você partir na frente, mesmo que o Encontro se transforme em Patrimônio Cultural Imaterial, você sairá ganhando, continuando na sua coordenação ou em sua história.

Existe até um Decreto Federal que regulamenta isto (Decreto 3.551/2000). Nele, é prevista a abertura de Livros onde serão registrados os eventos culturais. Por exemplo, no Livro de Registro dos Saberes, serão inscritos conhecimentos e modos de fazer enraizados no cotidiano das comunidades, no qual caberia o legado cultural do Ginásio São Geraldo e do Colégio N. S. do Bom Conselho. O Livro de Registro das Formas de Expressão, onde serão inscritas manifestações literárias, musicais, plásticas, cênicas e lúdicas onde teríamos obras de diversos artistas de Bom Conselho, inclusive os escritores, sem incluir os do Blog da CIT, porque o projeto não passaria no IPHAN. O Livro de Registro dos Lugares, onde seriam inscritos mercados, feiras, santuários, praças e demais espaços onde se concentram e reproduzem práticas culturais coletivas, no qual estariam nossa Praça Pedro II, Praça do Colégio, Igrejas, etc. E o Livro de Registro das Celebrações, onde seriam inscritos rituais e festas que marcam a vivência coletiva do trabalho, da religiosidade, do entretenimento e de outras práticas da vida social.

Será que, neste último livro poderíamos já incluir o Encontro de Papacaceiros? Junto com o 7 de setembro, a festa da Sagrada Família, a festa de São Sebastião, a procissão da Semana Santa, o Paga-Nada do Brás, o Bola de Ouro do Zé Pelo Sinal, o Amigo da Onça etc? Eu pensava que era cedo para isto. Agora digo que, se continuar esta “brigalhada” toda para pegar um cargo ou brigas geradas pela vaidade de alguns, que pensam até que irão para o céu se aparecerem no encontro, o projeto do vereador, ou qualquer outra iniciativa para que ele seja um patrimônio imaterial, não passaria de um engodo. Pois não saberemos, por muito tempo o que será o Encontro de Papacaceiros.Todos os bom-conselhenses perderemos.

É pena que esteja tão longe e tão assoberbada de trabalho para dar maiores e melhores sugestões. Agora mesmo estou fechando meu laptop aqui em Belém e partindo para Icoaraci, para me prover de cerâmicas maravilhosas. Para finalizar, digo que o Forróbom, A Exposição de Animais, a Festa da Casa da Caridade, ainda são atividades culturais recentes, o que se aplica ao Encontro dos Papacaceiros, para participar de algum dos livros de Registro.Isto se aplica mesmo que a Papacagay, que existiu na informalidade mesmo antes dos encontros, fosse permitida desfilar oficialmente.

Para não perder o epíteto de prolixa, vi o Blog do vereador Carlos Alberto e gostei da iniciativa. Parabéns vereador. Dar-lhe-ei parabéns outra vez quando o senhor apresentar um projeto que dê o título de cidadã honorária á amiga Ana Luna, ela merece e este será um projeto do qual, tenho certeza, nem o Zé Quirino reclamará.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com
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P. S. - Não é verdade o boato de que outro vereador quer propor o título de Patrimônio Cultural Imaterial para a CIT Ltda. Talvez daqui uns 10 anos, seja conveniente.

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