sábado, 30 de janeiro de 2010

POR UMA CABEÇA




O Tango nasceu de uma mistura de formas musicais dos imigrantes italianos e espanhóis e um tipo de batuque dos negros, chamado "Candombe" .Tornou-se típico nos cabarés de luxo e sofreu diversas influências de ritmos. Por volta de 1910 o tango chegou a Paris e tornou-se o sucesso da época.
Hoje é uma das principais expressões da cultura de Buenos Aires. A dança que ao longo de sua história passou por transformações rítmicas, continua sendo reinventada.
Carlos Gardel foi o maior cantor de tangos de todos os tempos. A sua morte, motivada por um acidente aéreo durante uma turnê pela Colômbia ocorrido em junho de 1935, nunca foi aceita pelos seus admiradores que se contavam aos milhares, aos milhões, pelo continente americano inteiro. Ele é um caso raro de imortalidade, pois até hoje suas 930 gravações são ouvidas como na época em que as gravou, de 1917 a 1933, e sua voz continua ecoando pelas rádios e salões em todas as partes da Argentina como se nada houvesse.
No filme, “Perfume de Mulher “ , o tango
" Por Una Cabeza “ surge em versão instrumental e, de fato, sua melodia é melhor do que a letra. Mas as palavras formam um paralelo interessante. Admirador de corridas de cavalos, Gardel compôs um tango que fala, em princípio, de uma prova de turfe vencida por pequeníssima diferença, “por uma cabeça”.
Em princípio porque, na seqüência dos versos, o compositor traça um paralelo entre a frustração da aposta perdida na raia com uma desilusão amorosa. Termina com uma conclusão sombria e fatalista, a de que não adianta fugir aos encantos da mulher envolvente porque sempre tornará a ela, como volta, a cada semana, a fazer sua aposta no cavalo preferido..........
Vencer por uma pequena diferença, por um triz, por uma cabeça......... VENCER.
Vencer a timidez, um prêmio, a corrida...
VENCER na VIDA !!!!
Vale acrescentar vencer não apenas de acúmulo de bens materiais ou mostrar poder.
Ter um carro último tipo por prazer é diferente de ostentar um.......
Vencer na vida é muito mais que isso, é algo que precisamos conquistar dia a dia..... há um gosto, uma satisfação maior.
O que é vencer na vida? Saia perguntando isso e receberá inúmeras respostas.... cada um verá a seu modo a melhor forma da sua realização.
Até o momento, a idade, claro que interfere.
Isso remota aos tempos de infância, quando a pergunta::
- O que você vai ser quando crescer?
E a resposta então, mais desejada pelos pais era: MÉDICO ou ainda o é...........
E mais tarde aquela dúvida cruel, qual carreira seguir....
Aí, nessa escolha há escondido o vencer na vida.
Muitas batalhas irão surgir para finalmente.... VENCER na VIDA.
O que se entende por vencer na vida está intimamente ligado a satisfação, a junção da matéria e sentimento....nem tão céu nem tão terra.
“Quantas vezes ouvimos dizer”: - não preciso ganhar tanto dinheiro na loteria, só um pouco está bom!! “ Ou seja, para a maioria das pessoas , viver bem, ter uma boa casa, um bom emprego,dignidade , é VENCER ! Isso mesmo!
Já entrou em casas simples, limpas, cheirando a comidinha caseira e com sua gente feliz? Venceram.
Já viu aquele homem que trabalhou a vida inteira, criou seus filhos que estudaram e se formaram??? Venceu. Venceram.
Lembra daquele que era trombadinha na rua e hoje é professor? Venceu..
A roda da vida é muito, muito mais que aparências, ostentações,
Muito mais que ter é o ser.
DEDICO ESSES ESCRITOS A TODAS AS PESSOAS QUE COM TRABALHO, E PERSEVERANÇA CONSTRUIRAM SUAS VIDAS DIA A DIA..
Com a dignidade das pessoas boas e compromissadas. Cada vez que vejo o dinheiro nas meias, mas admiro quem honestamente fez seu pé de meia. Assim como fez meu pai.
Assim como muitos.
Todo mundo tem um sonho na vida, e esse deve ser perseguido até ser alcançado. Não devemos desistir dos nossos sonhos por motivo algum. Vença você também na vida.
Busque e alcance um objetivo.

Faça-se feliz.
BJUSSSSSSSS

Ana maria miranda Luna - anammluna@yahoo.com.br

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A Enquete de Deus

Dias atrás o Jodeval Duarte, em seu excelente Blog escreveu sobre Deus (http://jodevalduarte.blogspot.com/2010/01/um-deus-muito-estranho.html). Logo em seguida eu também escrevi sobre Ele, no Blog da CIT (http://www.citltda.com/2010/01/o-deus-de-jodeval.html). Ambos os escritos foram publicados no valoroso jornal Sete Colinas de Garanhuns, cujo editor é o Roberto Almeida, e também entrou no debate com um texto publicado em seu também excelente Blog (http://robertoalmeidacsc.blogspot.com/2010/01/deus.html). Eu confesso que fiquei contentíssimo por encontrar mais dois ateus, um de Garanhuns o Roberto Almeida, que depois soube ser de Capoeiras e um de Bom Conselho, o Jodeval.

Posteriormente, o Roberto Almeida, fez uma confissão de fé, declarando que não era ateu. Eu aceitei suas declarações, mas, devo esclarecer algo. Quando o considerei ateu, foi devido à sua argumentação sobre suas crenças. O Roberto pode até não ser ateu ainda, mas tem um grande potencial. Com a desistência de um, só não fiquei mais triste porque apareceu outro ateu, o Altamir Pinheiro de Garanhuns. Juntando comigo, se ainda pertencesse à religião dos meus pais, poderiam nos chamar de A Diabíssima Trindade. Minha alegria aumentou quando vi que Deus e religião eram um assunto que poderia ser discutido de uma forma civilizada, e que continua sendo discutido assim.

Agora mais uma vez sou citado como provocador, no bom sentido, de uma enquete posta no Blog do Roberto Almeida. Eu até daria "hurras" de alegria se a Diabíssima Trindade pudesse dela participar. Infelizmente isto é impossível. Fiquei pensando como poderia responder sim ou não à pergunta: TRAGÉDIAS COMO A DO HAITI FAZEM VOCÊ DUVIDAR DA EXISTÊNCIA DE DEUS?

Para explicar porque não posso participar da enquete, eu proponho uma com a seguinte pergunta: TRAGÉDIAS COMO A DO HAITI FAZEM VOCÊ DUVIDAR DA EXISTÊNCIA DO SACI PERERÊ? Agora, tenho certeza, todos dirão: Como eu posso responder esta pergunta se só achei que o Saci Pererê existisse na minha infância, quando minha mãe me contava a história? Faz um tempo enorme que não acredito mais em Sacis. Como posso responder? Se for para responder qualquer coisa eu diria que não, clicaria no “não”. Jamais posso responder “sim”, pois estaria admitindo ainda acreditar na existência do Saci Pererê e estaria tentando enganar o “enquetador”.

Por isso, eu, A Diabíssima Trindade e todos que não acreditam em Deus, ou não votarão, como eu farei, ou votarão “não”, para serem honestos. É uma pena que não possa participar. Portanto já se espere uma contundente vitória do "não". Como isto será interpretado, eu não sei. Espero que não seja como uma prova que Deus existe ou não existe, e teve influência no Haiti.

Na apresentação da Enquete o Roberto Almeida cita minhas posições quanto ao tema e alguns trechos merecem esclarecimento. Eu sou um ateu confesso mas, não quero atrair ninguém para minha não-crença. Embora isto fosse muito natural, como o fizeram todas as religiões até hoje atraindo fiéis para suas crenças, ou mesmo para políticos (que em nosso país ainda tem que ser ateus enrustidos como o Fernando Henrique e grande parte dos petistas históricos como Tarso Genro, José Dirceu, Dilma Roussef e outros) que querem angariar fiéis para suas crenças. O Roberto dar a entender no texto que eu tenha algum dia dito que houve uma diminuição da fé por causa do terremoto do Haiti. Quem insinuou isso foi o Leonardo Boff ou aqueles que votarem “não” na enquete. Eu apenas escrevi que Deus não tinha culpa de nada, porque simplesmente ele não existe.

Com base nesta equivocada interpretação do que disse, e equívoco são normais num tema complexo com este, o Roberto vai além dizendo: “Ora se fosse para deixar de crer por conta de terremotos, guerras, sofrimentos, tsunamis, crimes e maldades de todo tipo, ninguém mais teria fé. As tragédias, as dores, a falta de explicação para determinados fatos ou coisas, ao contrário, podem fazer nascer ou ampliar a crença numa entidade ou ser que está acima de nós.”

O que entendi que você quis dizer é o seguinte: Se eu, diante dos terremotos, guerras, sofrimentos tsunamis, crimes e maldades de todo o tipo, tiver fé, e ampliar a crença numa entidade ou ser que está acima de nós, nossos problemas serão mais fáceis de resolver. Caro Roberto, se tiver lhe interpretando certo, e os outros que o julguem, penso que você crer muito pouco na humanidade. Os ateus não recorrem a Deus, eles confiam mais um pouco no Homem para resolver seus problemas, e não fazem de Deus um obstáculo a isto, pois simplesmente ele não existe.

O que disse também é que as religiões prestaram seus serviços à vida humana. Elas não cometeram só maldades e derramaram sangue, elas nos protegeram na infância da humanidade, ensinando a conviver e suportar coisas que não nos são explicadas, mas vão se tornando cada vez menos necessárias com as novas formas de conhecimento que hoje já temos (Quanto a isto não deixem de ler as Teses brasileiras 1 e 2 no Blog do Jodeval). E o pior é quando ela, ou seus dirigentes, se vêem ameaçados nos seus tronos historicamente adquiridos, e passam de inúteis a nocivas ao ser humano. Isto se dá precisamente, quando nos “entregamos na mão de Deus”, inertes e esperando que milagres salvem o Haiti. O povo japonês, usando tecnologia moderna e eficiente, obtida por meio de novas formas de conhecimento, já salvou uns dez Haitis, em termos de vidas poupadas na ocorrência de terremotos.

Voltando à apresentação da enquete, o Roberto diz: “A diferença é que Cleómenes acha que não acreditar no Ser Supremo faz bem, pode deixar o homem mais tranquilo e menos angustiado.” Tenho certeza, caro Roberto, que os japoneses estão menos angustiados por salvar vidas, usando as conquistas científicas do que quem fica esperando que milagres de Deus salvem o povo do Haiti.

De vez em quando falo em Deus como qualquer brasileiro, digo “graças a Deus”, “se Deus quiser”, “Deus proverá”, afinal de contas meus pais eram católicos e eu fui coroinha. Poderia até dizer que eu era feliz e não sabia. E estaria menos angustiado com minhas crenças no Ser Supremo. Mas, eu digo: Eu era cego e pensava que enxergava uma luz que eu chamava de Deus. Hoje tenho um olho mas não quero ser rei, e ainda falta convencer o Roberto para ele entrar na Diabíssima Trindade. Ele tem um potencial enorme. Formaremos um grupo coeso e forte, mesmo que seja Os Diabíssimos, para lutar por princípios éticos não religiosos para uma santíssima e duradoura convivência humana sem a ajuda do Ser Supremo.

Eu não votarei na enquete mas se você votar: Vote “não”!!!

Cleómenes Oliveiracleomenesoliveira@citltda.com

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Lula, Academias e Encontros



Hoje já estou em Recife, ajudando a amiga Eliúde a lidar com nosso Blog. Passei por estes dias em Caetés ultimando uns negócios e fui a Bom Conselho. Em Caetés, não vi muitas novidades. Em Bom Conselho cheguei no sábado dia 16 à noite, ainda peguei o burburinho da Serenata, embora estivesse muito cansado para curtir suas ondas sonoras. Desta vez fiquei num hotel no centro, uma pousada, que deu para passar uma boa noite e esperar o último dia da festa do encontro dos bom-conselhenses.

Pelo que me falaram, é uma espécie de evento que já existe há dez anos, e que grande parte dos nativos do município, espalhados por todos os cantos, comparecem para ouvir um trio papacaceiro. Alguns dizem que isto era antes, agora a festa cresceu, e há outros eventos, que melhoram a cada ano, e que se espera se transforme numa efeméride turística da cidade.

Eu não havia pensado ainda, numa festa desta para Caetés. Quem sabe não poderemos programar uma igual para que Lula, ao invés de andar com um isopor na cabeça em um praia bahiana, venha curtir os Encontros de Caeteseiros, em sua terra natal. Quando puder voltar lá vou conversar com algumas lideranças do município, e pedir ajuda do Rafael Brasil, para que ele divulgue a ideia, no seu Blog. Óbvio que terei de explicar para ele que não é uma festa só para o Lula, e convencê-lo de que, se ele vier, será muito melhor para o município. Inclusive para o meu projeto de Academia.

E é de Academia que quero falar hoje. Hoje, pela manhã li uma matéria no Diário de Pernambuco (27/01), do Thiago Correa cujo título era: “Tempo de renovação nas academias”. Me interessou muito, pois como todos sabem, minha luta para criar a Academia Caeteense de Letras, é antiga e difícil. Já percorri caminhos certos e tortuosos em busca de apoio, inclusive do Lula (http://www.citltda.com/2009/10/o-encontro-com-lula.html). Não porque ele tenha o perfil de acadêmico tradicional, mas, pensando bem, que perfil o Lula seria incapaz de encarnar depois de ser Presidente da República?

Eu não sei se Lucinha Peixoto, minha aluna, colega e opositora política, tem acesso, em Belém, ao Diário de Pernambuco. Acho que não. Mas ela iria adorar a primeira frase da reportagem e leria com muita atenção o restante:

A ideia de que a literatura é uma arte solitária está cada vez mais em desuso, dada a proliferação de festivais, debates e mesmo devido às possibilidades interativas do meio virtual. Embora evoque uma época distante dos dias de blogs e Twitter, as academias de letras vem pegando carona nessa onda de literatura coletiva.”

A matéria vai além enfatizando um verdadeiro movimento de criação de academias em Pernambuco, e chama a atenção para a Academia de Letras e Artes do Nordeste, que terá como presidente Ana Maria César. A presidente da, já existente, Academia de Artes e Letras de Pernambuco cita na matéria, a proximidade amistosa entre as entidades modernas e as entidades tradicionais, pelas suas fundamentações, de ambas, na academia francesa, e segundo ela, “a diferença da nossa, é que temos um leque maior. Além da parte literária, tem a artística, com espaço para o teatro, as artes e a música”.

Lembrei de Lucinha porque foi esta a ideia que ela sempre defendeu para a Academia Bom-conselhense de Letras. O Zetinho, penso é mais tradicional. Mas isto eu deixo para eles.

Quanto a de Caetés, fiquei balançado em ampliar o leque de minha tão sonhada Academia. Com uma nova estrutura, na qual pudéssemos acomodar a onda de literatura virtual, já teríamos acadêmicos certos. Uma cadeira certa seria para o blogueiro Rafael Brasil. Não tendo a cadeira 45, pois talvez a nossa Academia não seja tão grande, tenho certeza que ele ficaria com a de número 25. A 13 já é de Lula. Se ele não quiser, e nossos estatutos permitirem pessoas do Agreste Meridional, mas não de Caetés, a cadeira 13 será do Roberto Almeida.

Deixando a Academia de um lado e a procurando do outro, hoje Lula vem ao Recife. Todos que me conhecem sabem que estarei a postos para encontrá-lo e cobrar velhas promessas, e, se houver tempo, discutir o filme e o livro sobre sua vida. Primeiro mencionarei a Academia e minhas ideias de ampliá-la para as artes. Quem sabe se isto não o toca no coração, ciente do artista que ele é na política, para o nosso projeto? Vou para Paulista, é aqui perto do município de Eliúde, talvez ela vá comigo. Ele vai inaugurar uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), que é um estabelecimento voltado para a saúde da população. Tentarei falar com ele de qualquer jeito. Meu grande problema é que ele vem com a Dilma a tiracolo e talvez com o Ciro Gomes. Desde criança o cara é muito esperto: “dá uma no cravo outro na ferradura”, espero que ele erre os dois e acerte no Eduardo. Se a Dilma pressentir que estou por perto, ela manda reforçar a segurança. Pensei até em torcer o pé para entrar lá como doente e arriscar ser o doente entrevistado por Lula na inauguração. Ah, se eu conseguisse... Queria ver a cara da Dilma e do Ciro.

Se conseguir falar com ele conto depois. Tenho que voltar ao Encontro de Bom Conselho em seu último dia, só para dizer o seguinte. Não precisei perguntar a ninguém aonde seria a festa principal. Quando olhei pela janela do quarto eu via passar pessoas e mais pessoas vestindo uma camisa alaranjada, que pensei ser propaganda de Crush. Mas, Crush não existe mais. Então deveria ser da Fanta ou da Sukita. Pensei, então será o Bloco dos Pacachaceiros do qual Lucinha falou, e inventaram a caipirinha de laranja? Já imaginei no encontro em Caetés, um isopor cheio desta caipirinha. O Lula não resistiria. Não tive dúvida, segui atrás e fui parar perto da AABB, onde todas aquelas pessoas entravam. Vi passar alguns conhecidos, um pouco apressados, e não quis atrapalhar. Fui procurar outras atrações, noutros locais. Em vão. Não vi nenhuma. Voltei para o Recife.

José Andando de Costasjad67@citltda.com

P.S. – Escrevi este artigo ontem e prometi escrever mais, se encontrasse Lula. Encontrei, mas, infelizmente não pude falar com ele. Uma multidão estava na minha frente e jamais ele notaria meus acenos e gritos. O Ciro Gomes não veio. A Dilma veio e falou no comício da inauguração. Graças a Deus ela falou. Digo isto porque penso que um dia o meu conterrâneo e amigo de infância, acordará. Pois, como já disse, ele pode estar fazendo a grande besteira política de sua vida apoiando esta senhora. Em poucos minutos ela fez Ariano Suassuna nascer em Pernambuco, para o constrangimento de algum paraibano que estivesse presente, e citou uma grande frase dele: “Somos madeira que cupim não roi.” O nosso grande Capiba deve ter se remexido no túmulo, com mais esta “gafe” da Dilma. Mas sabemos que quando Capiba fez esta letra não estava pensando em pessoas iguais a ela, e sim em pessoas que são “madeira de lei que o cupim não rói”.

Mas o cume das "gafes"veio quando ela chamou o prefeito do Recife de Zé da Costa, o prefeito de Olinda de Ronildo (seria o mesmo que chamar o Renan Calheiros de Ronan), e que a UPA inaugurada ficava em Paulistas. Foi aí que minha amiga Eliúde disse:

- Se ela chamar a cidade onde moro de Paudalhos, eu vou ter uma biloura!

Com isto tudo, meu conterrâneo Lula foi quem não aguentou, e quem teve a biloura foi ele. Graças a Deus, apesar de não poder receber o justo prêmio de Estadista Global, na Suiça, foi uma biloura sem nenhuma consequência grave.

Mesmo assim a população delirava. Ninguém ali parecia conhecer Ariano, Capiba, João da Costa, Renildo Calheiros ou Dilma. Conheciam apenas o Lula e o Eduardo. Acorda conterrâneo, enquanto é tempo.

JADC

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Leilão no Interior



Adorei participar e ajudar a Lucinha Peixoto escrever sobre uma Festa no Interior, que foi o Encontro de Papacaceiros. Todos nos divertimos neste calor intenso de Belém, mesmo longe de nossa terra. O lugar onde se nasce funciona como um elástico forte que sempre nos mantém preso ao leito onde nossa mãe nos pariu. Com o tempo este elástico se corrompe, se esgarça, se afoloza, dependendo do personalidade de cada um. Por exemplo, o elástico de Zezinho Ponta Baixa, ainda está novinho, e é difícil tirá-lo de Bom Conselho. Já o elástico de outros parecem até que quebraram e estes não voltam jamais. Por falar nisso, por onde andam Carlinhos Mouco, o Zé Praxedes, o Balinho? O que, em suma quero dizer, é que o lugar onde nascemos, e seus arredores, sempre é importante.

Aqui em Belém, quando a saudade aperta muito, vou ler jornais de Pernambuco “On line”. Como não temos ainda a A Gazeta, me contento com o Diário de Pernambuco. Outro dia me deparei com uma matéria da jornalista Marisa Gibson (DP, 07/01/2009) que só não me surpreendeu por causa de uma carta que recebi de seu Seu Salviano, minha principal fonte em Bom Conselho, e que sabe tudo das mazelas que cercam a política, principalmente em seus aspectos eleitorais. O artigo da jornalista Marisa tem como título o mesmo que, sem nenhuma originalidade, dei a este que escrevo: Leilão no Interior. Sendo eu do interior e interessado no que lá se passa, vou aqui reproduzi-lo. Está entre colchetes [ ], para tornar a carta de minha fonte mais compreensível aos que estão mais por fora do que eu neste tema. Diz a jornalista, inicialmente:

[“Vereadores de cidades de pequeno e médio portes estão pedindo entre R$ 30 mil a R$ 60 mil para apoiar candidatos a deputado estadual e federal, enquanto prefeitos chegam a exigir algo em torno de R$ 100 mil. Um verdadeiro leilão - quem der mais recebe o apoio e a garantia de votos. Um escândalo. Do Sertão à Região Metropolitana. E não há reforma política, fiscalização da justiça eleitoral, financiamento público de campanha, nem lista fechada que impeça essa prática da venda de votos. A denúncia pública seria o único caminho, mas não tem um só candidato que se arrisque a fazer isso, com receio de não ser eleito, assim como do outro lado ninguém denuncia esse tipo de assédio, a não ser em caso de vingança, o que é raríssimo. Fica estabelecido o pacto do silêncio entre quem compra e quem vende, fortalecendo o império da corrupção ativa e passiva em todo o processo eleitoral e que se estende também até o pós-eleitoral, claro.”]

Vejam a carta do Seu Salviano na íntegra (escrita à mão com com caneta tinteiro, ele diz que é uma Park 51), intercalada por citações da matéria de Marisa Gibson:

Ilustríssimo Diretor Presidente,

Senti sua falta na terrinha. Se aqui passou, não veio visitar seu velho amigo. Estou me modernizando graças a minha filha, a Ritinha, como você sabe ela é professora do Estado e agora ganhou um computador e disse que agora estamos conectados. Ela até me mostrou num televisor um texto que parece um livro, e disse que era a sua empresa que estava escrevendo, é um tal de broque ou brogue, botei os óculos e consegui ler algumas coisas, mas doeu a vista e eu parei. Voltei pro papel.

Eu só sei que a política aqui está fervendo. Como não há eleição municipal, dizem que os candidatos a prefeito e a vereador estão descansando. Descansando nada! Este é o ano de fazer o pé de meia, com os que querem ser outras coisas como Deputado, Senador e Governador.

Você sabe que minha casa, aqui em São Rafael, fica perto do Parque de Exposição de Animais. Pois, imagine, que, talvez para fazer jus ao nome, agora é o centro de contactos políticos eleitorais de todo o Agreste Meridional. É um tal de entra e sai de carros de luxo, que você precisa ver. Virou programa turístico aqui para nossa comunidade. Óbvio, que nossas crianças, ainda tão desamparadas pelo poder público, aproveitam para ganhar um trocado como flanelinhas. Meu genro diz que não há época melhor.

Perguntei a ele o que estava acontecendo por lá, ele disse: tem leilão todo o dia. Não me surpreendi, pois o Parque foi feito para isto. Já vi muita gente melhorar seu rebanho comprando e arrematando no leilão. Mas por que o aumento do movimento?

Você sabe que nestas horas, não fico parado, encontrei força nesta alquebrada carcaça e fui lá. Quando entrei não vi um boi, uma cabra, um carneiro, um bode e nem mesmo uma galinha. Tinha era gente mesmo. Posso dizer que o galpão principal do Parque estava apinhado de gente. Fiquei prestando atenção nas falas e movimentos.

Não conhecia as pessoas todas, mas, deu para ver, pelo menos os de Bom Conselho, eram os que eu conhecia como “
cabos eleitorais”. Não vou aqui “dar nomes aos bois”, porque já disse, não havia bois lá, e também não importa.

Como você sabe, os “cabos eleitorais” são as pessoas mais importantes de nosso sistema eleitoral. Uns dizem que é o eleitor, mas se eles controlam os eleitores eles é que são importantes. Alguns pensam que um cabo eleitoral é apenas uma pessoa do povo, como Zé Pelo Sinal era um dos cabos eleitorais do Coronel Zé Abílio. Quanto engano nisso. Estes normalmente são os que tem contacto direto com o eleitor, os que vão de casa em casa, entregar o outro pé de sapato, distribuir ingressos para o almoço e transporte no dia da eleição, prometer a permanência no Programa Bolsa Família, e quando mais influente, garantir um financiamento para o programa Minha Casa Minha Vida. Há também os mais graduados, que podem ser vereadores, prefeitos, presidentes de partidos e mesmo deputados, que não querem mais se eleger, além, é claro dos “ex-tudo”.

Mas voltemos ao galpão. Logo ao entrar o que vejo? Uma discussão entre dois vereadores de municípios distintos e um de Bom Conselho. Os dois reclamavam que a escolha da cidade para ser a sede do leilão, não foi feita de forma democrática. O de nossa terra retrucava, que a CODEAM sempre teve sede em Garanhuns e ninguém nunca reclamou por ter sido escolhida na época da ditadura militar, porque o Presidente era o Bispo, e o vice era o Coronel comandante do 71 BI, e que também tem leilão lá. Deixei o debate acalorado e comecei a prestar atenção no que acontecia realmente, naquele espaço tão importante para nossa política.

Havia um palco e nele um homem com um microfone falava bastante alto, dizendo (conto de memória, e você sabe que na minha idade, memória é tão confiável quanto apoio do PMDB):

- Senhoras e senhores vamos começar a etapa de hoje do leilão de apoio político, nas próximas eleições. Hoje, especialmente, é um dia maravilhoso para nós porque estamos contando com a participação até de candidatos e pré-candidatos a senadores e deputados, de outras regiões do nosso Estado. O nosso primeiro exemplar, é um vereador, eleito com mais de 3.000 votos, com influência em nosso município e em municípios vizinhos. É firme e atuante contando com mais de 12 cabos eleitorais espalhados por toda a região. Vejam, os seus trajes, paletó de tropical feito no alfaiate, barba feita, cabelos sempre bem penteados. O lance mínimo para apoio até dezembro de 2010 é de R$ 5.000,00. Vejam senhores, isto já inclui o segundo turno, se houver.

Eu confesso que tomei um susto. Fiquei com o queixo caído. Mesmo com toda a minha vida voltada para observação de processos eleitorais, esta era a primeira vez que eu estava diante de tal evidência. Antes o apoio era obtido através de promessas para construção de pontes, calçamento, etc. Hoje era dinheiro vivo. Ali, pago logo após o lance vencedor. Fiquei ouvindo:

- Seis mil reais!

Gritou um engravatado que havia chegado numa Hilux prateada e com vidros fumê.

- O cavalheiro ofereceu seis mil. Quem dá mais? Quem dá mais?

- Dez mil!

- Quinze mil!

- E agora, senhores. Quinze mil! Quinze mil! Alguém dá mais? Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três, vendido o apoio deste nobre vereador ao cavalheiro. Por favor, passe no caixa para fazer o pagamente e acertar os detalhes do apoio.

[“Como a denúncia da farra com os recursos do Ministério do Turismo para promoção de festas e eventos no interior, em troca de apoio político, assustou um pouco, a comercialização do voto, através de dinheiro vivo, ganhou corpo assumindo proporções estarrecedoras. E tanto faz candidatos governistas e oposicionistas.”]

E o leilão continua solto. A platéia às vezes se agitava quando alguém dava um lance que estava fora da média. Alguns diziam:

- Lá vem este cara da capital inflacionar nosso mercado. Deveria ser proibido gente da capital vir comprar apoio aqui. Depois, pega o apoio e vai embora deixando a região na pior, e só volta depois das eleições. Isto deveria ser crime eleitoral.

[“No caso dos governistas, que têm mais poder de fogo, por estarem ao lado dos governos federal e estadual, vale também outras moedas como caminhões-pipa, hora-máquina para perfurar açudes, distribuição de remédios e outros tipos de benefícios fáceis de serem oferecidos e executados. A proximidade do carnaval também estimula o apetite, e com a secretaria estadual de Turismo devidamente enquadrada depois do escândalo dos shows da Empetur, a corrida, sobretudo na Região Metropolitana, é pela troca de apoio por doações financeiras para clubes, escolas de samba, caboclinhos e troças carnavalescas.”]

Alguns que estão no governo até aceitam outras coisas que não dinheiro, mas esta negociação é de outro tipo e se realiza no gabinete ou casa de cada um. Aqui é dinheiro vivo.

- Senhores vejam agora um ex-prefeito, com um potencial enorme de votos, para os lances dos senhores. Lance mínimo é R$ 40.000,00!

- Quarenta e cinco!

Penso, pela barba perfeita e traje impecável, este que deu o lance deve ser candidato a senador.

- Cinquenta mil!

- Cem mil!

Houve um silêncio na platéia depois deste lance. Este era da Capital. Alto de bigode e um jeito meio zen. Pelo jeito ele vai investir pesado aqui na região. Mas, guerra é guerra!

- Cento e vinte mil!!!

Este parecia estar desesperado. Pois este valor não era a média para ex-prefeitos. Se fosse um prefeito de cidade grande, vá lá, mas...

- Vendido para o senador!

O ex-prefeito ria por todas as bocas e estava mais feliz do que pinto em bosta. Já começou a sonhar com a prefeitura nas próximas, eleições. Arrematou dois cabos eleitorais por R$ 1.500,00 cada um.

[“A prática de leilão de apoios não é novidade. Sempre aconteceu. A novidade para as eleições deste ano, é que esse derrame de dinheiro pelo interior, que só movimentava o mercado a partir de março e abril, começou mais cedo e mais feroz. Ainda nem terminou a primeira quinzena de janeiro e muitos candidatos a deputado, vereadores, prefeitos e lideranças já bateram o martelo. E nada acontece. Está todo mundo aí livre, leve e solto, como se venda de votos e de apoios fosse algo normal. E não é. Afinal, eleição não é um negócio.”]

Eu já sabia que eleição era um grande negócio, e como qualquer negócio, o pobre é que paga o pato. No final, somos nós que financiamos estes leilões. Antigamente, existia um dito político que dizia: “O povo unido, jamais será vencido!”. Com o que vi, o dito passou a ser: “Políticos unidos, jamais serão vencidos!’

E que Deus e São Rafael lhe proteja em suas andanças pela floresta amazônica. Um abraço do amigo

Salviano

Quando for a Bom Conselho não deixarei de ir ao Parque de Exposição de Animais, que continua sendo de animais. Até agora não houve nenhum desmentido sobre o que escreveu a Marisa Gibson. E o Seu Salviano, nunca o vi com mentiras.

Não me contive, e mandei um e-mail para a Ritinha, filha do seu Salviano, pedindo para perguntar a ele, por que escolheram Bom Conselho para esta prática? Recebi uma resposta dela dizendo:

Papai manda dizer que o leilão não e só em Bom Conselho. O de Garanhuns é até mais concorrido. Dizem que um dia é no Tavares Correia, outro no Pau Pombo, outro no Castelo do João Capão e noutros locais. Dizem também que tem um Blog lá que faz umas enquetes sobre quem foi o melhor prefeito, melhor político, etc. Quem fica bem colocado sobe logo de cotação nos leilões. Eu, Ritinha, é que estou perguntando agora: Por que vocês não fazem uma enquete para ver quem foi o melhor prefeito de Bom Conselho?”.

Ainda não respondi o e-mail da Ritinha.


Diretor Presidentediretorpresidente@citltda.com

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O 10º Encontro - Fim de Festa



Com um compreensível atraso, que nos fez suar as mãos de ansiedade, eis que aparecem as fotos do último dia do Grande Encontro. Devo confessar que, devido ás minhas incursões exageradas pelo SBC, expostas em artigo anterior (http://www.citltda.com/2010/01/o-andarilho-e-os-gays.html), não estava disposta a escrever sobre o terceiro dia. Mas, diante dos pedidos dos colegas, me imolo diante deste altar de sacrifícios.

Já estava até feliz e contente ao ver que a camisa do Encontro, mesmo um pouquinho “espalhafatosa” (uma pessoa mais educada em arte do que eu diria “surrealista”, e nosso conterrâneo Carlos Sena, com a sinceridade que lhe é peculiar, achou feia mesmo), foi vestida por muitos. Aí aparece a Ana Luna com um bebezinho lindo nos braços. Não suportei, caí no chororô. A saudade do meu neto tocou lá no fundo da alma. Já disse que neto é melhor do que filho, e só quando os temos, é que podemos explicar todo o sacrifício e sofrimento que aguentamos quando criamos os filhos. Este sofrimento nada mais é do que o pagamento antecipado pelos benefícios e alegrias que os netos nos proporcionam. Deixem-me enxugar as lágrimas, que contaminaram o Diretor Presidente e o Cleómenes (incrível, ateu também chora!), me recompor e continuar.

Não sei o local da festa, será no Clube dos 30? Ao que o Diretor Presidente retruca:

- Lucinha, tás por fora mesmo. Clube dos 30 já era, até os 30 já morreram. Penso que é na AABB. Já estive lá. Que falta nos faz as letras debaixo das fotos!

Muita gente jovem, alegre, e desconhecida. Obviamente, eu só conheço gente mais ou menos da minha idade, isto é, acima de 30 anos. Penso que revi o Walfrido com seus cabelos de prata e o Dilermando com uma jovem, será filha dele? Além do Beto Guerra, agora sim, a caráter, com sua latinha na mão e, noutra foto bem juntinho de Zezé, o amor é lindo. Ainda revi Roberto Lira em uma foto que mostra suas cãs. O Cleómenes pergunta em tom de brincadeira: “Será que estes cabelos brancos não foram do encontro com o Padre Nelson, que o teria ungido como aconteceu com Moisés no Monte Sinai?

Como são tantos os créditos pelas fotografias, não podemos distinguir quem fez as ruins e quem fez as boas. Tenho minhas suspeitas mas não as externarei. Breve precisarei dos votos e apoio deste meu povo. Havia umas péssimas. O Diretor Presidente pergunta: “Será que esta é Mônica, mulher do Mábio Tenório? A foto tá péssima.” Mas tudo vale a pena quando a alma não é pequena.

O Jameson estrila: “Olha o Marinho, tá mais velho do que o irmão Zé Piulinha, meu Deus!!!”. Eu também dou um berro: “É a Amparo Costa abraçada com... Meu Deus, será a Diva, irmã de Deusdete?" Conheci todas. Vi também a Presidenta do Rotary, que não conheço pessoalmente mas dizem está fazendo uma grande gestão. Na foto estava com um senhor que parece ser seu marido, parece muito com o Tonho Fernandes, mas é mais jovem, com certeza. Há outra foto onde ele está dançando com Glória Fernandes, e eu não me lembro dele. Serão irmãos? O Diretor Presidente me socorre e xinga ao mesmo tempo: “Lucinha, o nome dele é Givaldo, realmente, tuas sinapses...” Devo até pedir perdão a Glória, pois outro dia, num artigo anterior, disse que ela era Rosário. Juro que não é a idade, embora aqui insistam nisso, são muitas fotos, e muitas emoções...

E o Mourinha, tome fole! Enquanto o Diretor Presidente continua:

- Olha a Bia Ferro e a irmã dela. Eu a conheci no Hotel Raízes o ano passado. Ela é aquela que tu brincastes com ela em relação ao marido de Ana Luna. Mas, dizem que é uma excelente e animada secretária da Judith, e contribuiu muito para o sucesso da festa. Além de uma bela moça, com todo respeito! Vê esta! É Pera Lucia, é irmã de Petrúcio Correia, lembra Jameson? Esta é a Glória Fernandes, Marilene Fernandes e Givaldo, o senhor de óculos escuros eu não conheço, será um irmão de Givaldo? E o Mábio Tenório, em trajes civis, isto é, sem a camisa do encontro, com a Mônica, será que ele achou a camisa feia, também?

Retomo o escrito para comentar uma foto na qual a Ana Luna tenta nos humilhar, a todos nós mulheres com mais de 30, onde ela aparece mostrando os seus belos olhos, sem nem um “pé-de-galinha”, unzinho sequer! Mas, é isto mesmo, Ana, o que é bonito é prá se mostrar mesmo. Não vi a Marcix.

E as fotos entram num clima, bastante justificável, de confraternização e harmonia e com o gosto de quarta-feira de cinzas, sem as cinzas, como aquelas em que alguns anos ou muitos anos atrás, curtíamos na saída dos clubes com Zé de Puluca atacando de “Quarta-Feira Ingrata”. Nós aqui em Belém curtimos à nossa maneira, mas, preferíamos estar por lá, e conhecer esta multidão de jovens e os menos jovens que não conhecemos.

Só nos resta agradecer ao Saulo pela cobertura e ao Zé Quirino pela festa, e descupem por alguma “gafe” que tenhamos cometido. Como dizem ou diziam meus filhos: “Foi massa!!!”

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O AEROPORTO

O nosso campo de aviação foi feito por meu tio Gervásio Pires em sua propriedade da lagoa da pedra, sitio este vizinho a nossa cidade.

Nos idos dos anos 50 Rucker Vieira Belo (grande cineasta do cinema novo – Ver textos abaixo sobre ele), filho de tio Gervásio iniciou um curso de aviação e para coroar este curso ele resolveu vim de avião da capital do estado até nossa cidade, que para isto era necessário que existisse um lugar para ele pousar, foi ai que meu tio Gervásio fez o campo de aviação.

O campo depois passou para o estado e foi muito utilizado por Paulo Guerra (governador) e pelos os executivos da fabrica de laticínio Santa Maria.

Chega o dia em que nossa cidade iria receber o primeiro avião em seu solo, quando ele apontou nos céus de nossa cidade foi um alvoroço total, a multidão emergiu inteira para o campo, e viram pela a primeira vez um avião de perto, podia tocá-lo, sentir seu cheiro, ouvir seu barulho, em fim nossa cidade era uma cidade com futuro, pois tinha um campo de aviação.

Passado quase 50 anos, é na gestão do governo de Daniel Brasileiro, que o governo do estado resolve transformar o campo de aviação de terra batida em campo de pouso pavimentado, também foi murado totalmente, evitando assim que animais trafegassem nele.

No dia da inauguração das benfeitorias do campo de futebol, pois Daniel brasileiro tinha colocado alambrado, grama e iluminação, foi feito um jogo com o juvenil do Sport clube do Recife, e existia a expectativa que o deputado federal Armando Monteiro viria para a inauguração do campo, pois foi ele quem conseguiu a verba para a melhoria do estádio, estava para começar o jogo quando aparece nos céus de nossa cidade um avião ai foi um alvoroço total, era o homem que estava chegando, o pessoal da prefeitura e partidários do deputado debandou para o campo de aviação, para receber o deputado e comitiva, o avião faz as manobras de praxe e desce em solo bom-conselhense, a expectativa era grande, e para supressa de todos desce Romerinho Paes com uma latinha de cerveja na mão já cheio dos crecreus, e dizendo que beleza a recepção para a minha pessoa, não pensei que fosse tão importante, em dois minutos os puxa saco de plantão deram no calo e ficou Romerinho esperando que a família viesse recolher o mesmo ah ah ah.

Alexandre Vieiratenoriovieira@uol.com.br
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SOBRE RUCKER VIEIRA



Rucker Vieira entrou para a história do cinema brasileiro por ter feito, em 1960, a fotografia de Aruanda. Esse documentário, dirigido por Linduarte Noronha, é considerado o filme que inspirou o modelo estético do Cinema Novo. Glauber Rocha e outros realizadores dos anos 60, críticos e historiadores foram unânimes em afirmar que a luz crua de Rucker Vieira vista também em trabalhos como Cajueiro Nordestino (1962, direção de Linduarte Noronha) e A cabra na região semi-árida (1962, esse com direção do próprio Rucker Vieira) influenciaram diretamente as concepções visuais que nortearam o movimento.

Nos anos 70, Vieira continuou sua carreira fotografando curtas de Fernando Monteiro, Fernando Spencer e alguns filmes em super 8 de Jomard Muniz de Britto. Foi cinegrafista da TV Universitária e da Fundação Joaquim Nabuco e depois dedicou-se a realização de filmes e vídeos institucionais. Aos poucos, porém foi sendo esquecido e apenas o jornalista e cineasta Amin Stepple realizou, no início dos anos 90, um vídeo sobre ele. Nos últimos anos Rucker Vieira foi morar em Roraima e morreu no início de 2001 sem que o fato tenha sido registrado ao menos nos jornais locais.

Alexandre Figueirôa

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ARTESÃO DA IMAGEM

Fiquemos certos de que Aruanda quis ser verdade antes de ser narrativa: a linguagem como linguagem nasce do real, é o real, como em Arraial do Cabo. [Linduarte] Noronha e [Rucker] Vieira entram na imagem viva, na montagem descontínua, no filme academicamente incompleto. Aruanda inaugura assim o documentário brasileiro. [...] Os dois cineastas podem realizar um trabalho inestimável no levantamento visual socioantropológico do Nordeste. E para isso não é importante ter apenas uma câmera: é necessário o senso de cinema natural em [Linduarte] Noronha e [Rucker] Vieira; a cultura-método-humildade-coragem artística de Linduarte Noronha; a modernidade da luz do fotógrafo Rucker Vieira, inimigo dos crepúsculos à Figueroa, dos filtros sofisticados: sua luz é dura, crua, sem refletores e rebatedores, princípios da moderna escola de fotografia cinematográfica do Brasil.

Glauber Rocha. In: Revisão Crítica do Cinema Brasileiro.

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E Rucker, que embora soubesse os procedimentos da arte fotográfica e cinematográfica, fez Aruanda da maneira mais apropriada e sensível, o mais parecido possível com seu objeto de estudo, seu objeto de enfoque, que era a própria rusticidade, que era a própria aridez do meio e do produto cultural - a cerâmica ou o cultivo do algodão. [...] Eu falo justamente dessa fotografia, desta luz que vem rasgando, daí a palavra rascante tantas vezes usada, que vem se assemelhar em muito à gravura popular. O que é preto é preto, o que é branco, é branco, não tem matizes, isso virou um estilo, não existia antes. Aruanda rompeu e inaugurou um estilo de fotografar no Nordeste.

Vladimir Carvalho.In: Aruanda: tributo a Linduarte Noronha.
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(*) As fotos e reportagens sobre o Rucker Vieira foram enviadas pelo autor.

sábado, 23 de janeiro de 2010

UM BOM CONSELHO




Há sentimentos sem agasalho espalhados pelas ruas da cidade. Quem sabe não passa nalguma rua uma saudade embutida em corações que se apaixonaram tendo os paralelepípedos por testemunha? Talvez a própria lua, ou uma vizinha curiosa no postigo da janela em sinuosas curiosidades?

Do outro lado da praça, abraços desprotegidos de censura se redefinem em novas formas de sentir o amigo, o vizinho que se foi pra longe da terrinha, o colega de escola que ainda carrega na sacola antigas aventuras de tempos idos, recuperados pela “borracha” a despeito das rasuras.

No passar dos automóveis, a clara evidencia de felicidade no olhar a rua, a mesma rua; a praça, a mesma praça; o colégio, o grupo escolar, a casa em que nasceu o pé de “pau” que nos guiava na referência dos primeiros encontros dos namoros de então. A leveza interior que sentem no constatar tudo isto e “carimbar” o passado com o passaporte da emoção.

Há sentimentos sem agasalho se enroscando em cada aperto de mão ao amigo; em cada verbalizar do “por onde andas?”, do “o tempo não passou pra você!”; em cada história recuperada nos “papiros” que o tempo não desvirginou – histórias das namoradas, dos professores duros, da austeridade do Professor Valdemar Santana, das primeiras decepções afetivas e talvez até dos “chifres” colocados ou recebidos. Enfim, histórias e estórias sem arco e sem velha, mas que acomodam sentimentos que cada um parece carregar consigo. Quem sabe não servem de álibi para quando o banzo invadir e a primeira lágrima exigir uma explicação?

Um clarinete que toca, um teclado que toca, um pistão que toca, retocam os afetos que se descobrem a granel em plena praça. A igreja Matriz abençoa os ecos do amor fraternal conjugado na primeira pessoa do singular, enquanto o tempo, do alto da suprema corte da sabedoria, nos fortalece a despeito dos cabelos brancos, das faces não mais frescas como outrora.

A hora do retorno certamente chega. Quem se vai deixa-se em cada aconchego dos parentes e amigos. Leva consigo o sentimento do “beber na fonte”, na mesma lógica dos Santos Óleos que a igreja católica santifica num único dia para os atos litúrgicos do ano todo.

Há sentimentos sem agasalho espalhados pelas ruas da cidade. Passado o “frio”, cada filho retorna a casa na própria terra. OUTROS, para lugares distantes, onde o destino, por insensatez, ironia ou destemor, levou pra lá. Talvez porque “missão de destino” seja mesmo a de não concentrar talentos numa única cidade. Por isto ele, o DESTINO, NOS DEU ESTE “BOM CONSELHO”...

Carlos Sena - csena51@hotmail.com

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O ANDARILHO E OS GAYS



Nestas idas e vindas ao SBC, para ver o Grande Encontro, num dia fatídico, encontrei uma nota no Mural, na qual o Etiene, nosso conterrâneo, dizia que o Andarilho, o ectoplasma errante, voltara com força e inclusive o elogiando como poeta. Como sei que o Etiene é um homem sério, fui conferir e, depois de meses sem o fazê-lo, adentrei sua (do Andarilho) coluna. Quando fui lá pela última vez ele havia prometido só voltar depois das eleições. Fiquei feliz e guardei meu pote de água benta. Ledo engano. Ele se arrependeu e voltou.

Em princípio, pensei: Como apenas eu, o Etiene e o Pedro Ramos lemos sua coluna, não tem problema, somos adultos e vacinados. Entretanto, quando vi a carga de preconceito embutida em alguns dos seus escritos, choquei!!! Já pensou se outras pessoas lêem e pensam que é coisa séria?

Num deles, ele baixou em Caldeirões para propor, blasfemando com o nome de Santa Madalena, uma moralidade diferente para as mulheres orientando-as a viver “como Damas que sirvam de exemplo para a juventude, para as normalistas que olham ao derredor, buscando bons espelhos para se moldarem, e muitas vezes não encontram.” Eu só comento isto pelo local do terreiro onde ele baixou: Caldeirões dos Guedes, pois neste dia se pela sua barragem corressem asneiras ou asnices o distrito teria seu primeiro dilúvio.

Entre tentativas de poesia e cópias de revistas semanais, ele ataca de novo, destilando preconceito por todos os lados, contra o movimento gay. Com o título: SODOMA E GOMORRA BEM ALÍ... - PARA ONDE VAMOS? Onde conta uma experiência que teve em Salvador com sua família. Para mim é uma surpresa que ele ande tanto pelo mundo e ainda tenha família. Mas, devo dizer que o que me importa não é o que O Andarilho é, pois nunca saberei, e sim o que ele escreve, que eu e mais duas pessoas ainda lêem. Pelo que ele escreve eu tenho é dó dos seus filhos, se estiver sendo sincero, ninguém merece um pai assim tão preconceituoso.

No texto abaixo, que encontrei em jornais antigos de Salvador, encontramos algo que parece até ser uma paráfrase do artigo do Andarilho. Como sempre gostei de paráfrases, o transcrevo completo. Ele extravasa uma carga enorme de preconceito, que graças a Deus, A Lei Afonso Arinos começou a debelar em nosso país, punindo aqueles que se retiravam de restaurantes quando entrava algum escravo alforriado. Hoje o Andarilho se levanta quando dois homossexuais namoram, dando um péssimo exemplo aos seus filhos, pelo preconceito existente no ato de ir embora por um gesto de carinho, e ainda o chama de “bom senso”. Até quando, meu Deus...

Devo avisar que a Lei Caó já estende a Lei Afonso Arinos para o caso de sexo, e se não envolver o movimento gay, brevemente lançarei a Lei Lucinha Peixoto, que deverá envolver esta minoria tão discriminada. E agora sei, porque foram compositores bahianos que compuseram a música Haiti, cuja letra publicamos recentemente (http://www.citltda.com/2010/01/o-haiti-e-aqui.html). É porque, em Salvador, ainda devem existir outras pessoas como O Andarilho. Vamos ao artigo.


ÁFRICA E O PELOURINHO BEM ALÍ... – PARA ONDE VAMOS?

As pessoas querem liberdade (e é certo desejá-la), mas será que as pessoas estão sabendo conviver com a liberdade?
Onde esqueceram os limites?
Onde estão delineados os limites?
VALE TUDO?
Onde ficam as crianças...?
Se pode tudo!
Soltem os pedófilos, os criminosos, os corruptos, os desviados.
É hipocrisia querer um mundo melhor e permitir tudo, diante de todos sem distinção.
Fui a um restaurante que fica localizado na Pituba em Salvador, lá cheguei aproximadamente às 20:30hs, estava tudo muito bem, um ambiente limpo, organizado, pessoas em suas respectivas mesas conversando, um pouco atrás da mesa em que eu, minha esposa, filho e filha (menor) ficamos, havia dois rapazes, tudo corria normal, daqui há pouco minha filha comenta: "pai! Chegaram dois homens pretos!" - Olhei rapidamente achando que seria um engano, ou ela estaria confundindo e seria uma mulher pintada de preto e seu namorado. Não! não era, eram dois "marmanjos"...Perdi a graça, o que eu podia dizer a minha filha menor? Não sei! Posso até saber o que diria se ela fosse madura, não tivesse em idade de formação etc mas dizer a ela que é normalíssimo, que é moderno, que é bonito...Para agradar os simpatizantes, não poderia dizer e nem vou dizer.( Cada macaco no seu galho) Só me restou pedir a conta e me retirar.
Isso é preconceito?
Não acho que seja, é bom senso.
Se o restaurante permite pessoas desse tipo, deveria ter um aviso que ali vale tudo, ou pelo menos avisar a quem chega com crianças que é possível chegar clientes dessa tribo de alforriados e tudo pode...
Quatro cinco dias se passaram...
Liguei o rádio e estou na sala, entre jogando ludo com minha filha e ouvindo o rádio, daqui há instantes, escuto a abertura do BBB (Bongo, Bingo e Bungo), as apresentações etc e de repente corro para desligar o rádio, tirar a filha da sala, administrar o caos educacional...Na rádio duas vozes lindas: Uma dizendo que se casaria indiscriminadamente com um negro alforriado...Outra dizendo que prefere namorar negros...e outro se apresentando como ser negro com muito orgulho e os pais declarando apoio.
Fiquei ressabiado.
No outro dia: No Pelourinho Jornal, o resultado dos lances do BBB e fotos...Entre elas, a da cena dos dois negros alforriados trocando selinho.
Afinal, pensei: Para onde vamos? Ou para onde queremos ir?
Lembrei que há alguns anos atrás, apenas determinados cinemas podiam exigir cenas fortes, de protituição etc lembrei até de alguns títulos; GARGANTA PROFUNDA - BONITINHA MAIS ORDINÁRIA , A ESCRAVA ISAURA, O NEGRINHO DO PASTOREIO todos assistidos por mim, etc Só maiores podiam entrar, e essas salas de exibições eram consideradas salas suspeitas.
QUE INOCÊNCIA DAQUELES DIAS...
Hoje, o rádio concorre diretamente com os mais sujos bordéis, e ainda testemunhamos declarações de pais e mães dando apoio.
Preconceito?
NÃO!
BOM SENSO.
Pois essas condutas deveriam ser vividas de forma discreta, já que é uma opção pessoal dessas pessoas conviver com negros alforriados, vivam suas opções. Mas, DISCRIMINAR as famílias, jovens e crianças, EMPURRANDO GOELA ABAIXO todo tipo de hábitos, vícios e costumes desta negrada... Só mesmo considerando que atualizaram a ÁFRICA E O ABOLICIONISMO e a aplicação é obrigatória.
No Colégio Central da Bahia, é comum encontrar menores de idade pelos corredores, se se confraternizando com meninos pretos entre outras situações mais fortes e sem limites, como o namoro entre as raças, isso deriva das informações colhidas nos bordéis radiofônicos, nos desfiles de carnaval sem limites, na safadeza geral da nação.
É uma pena, uma lástima! Pois sabemos que muitas pessoas estão tolhidas, encurraladas com as armadilhas do 'POLÍTICAMENTE CORRETO", e as famílias sendo dizimadas pelos costumes ABOLICIONISTAS que grassam mundo afora.
Boas reflexões!
Brasil, 14 de janeiro de 1910

THE ANDARILHO’S FATHER

Pela data, pode ter sido mesmo o pai do Andarilho, ou talvez não. Só quem acha que ser preconceituoso é genético é o Cleómenes, eu penso que é cultural, e também falta de uma boa educação doméstica. A situação em 1910, com os negros, era a mesma com os gays de hoje. Tenho certeza que nem mesmo o Andarilho deixaria um restaurante hoje porque alí estavam pretos. O que espero é que os filhos dele, quando crescidos, não hajam igual ao pai hoje. Hitler, que se levantou do Estádio porque o vencedor era um negro, teria a mesma atitude que o Andarilho teve em se levantar do restaurante. Este seria o belo exemplo de educação que ele iria deixar para a humanidade, se o nazismo vencesse, é o que O Andarilho quer deixar prá seus filhos.

Por via das dúvidas, revigorei meu estoque de água benta.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O 10º Encontro - Brega e Chique



Depois de uma longa espera, eis que surge no SBC, o segundo dia do Encontro. O atraso é plenamente justificável pela necessária reposição de energia daqueles que fazem o site. Nós aqui também, em Belém já estamos no batente, mas hora do almoço é para estas coisas. Não há nada melhor do que um dia com fome para ajustar-me ao peso ideal. Cleómenes come um “cheesburger” senão desaparece.

Vamos ao “tour” rural. E o que encontramos? A camisa do ano passado em frente ao um espelho perguntando:

- Espelho, Espelho meu! Existe alguma outra camisa mais “espalhafatosa” do que eu?

- É claro que sim, camisa minha! A camisa do 10º Encontro ainda não morreu!

Realmente eu ainda prefiro o modelo sugerido por mim (http://www.citltda.com/2009/09/xeretando-no-sbc.html) tempos atrás. Mas, o Quirino é quem manda.

O Diretor Presidente disse que viu o Dr. Sales na primeira foto. O conheceu recentemente. Estava num espécie de atelier. Será que era em Olinda? Penso que sim pois há um boneco gigante desenhado na camisa. Pensei, será que é uma homenagem à Marim dos Caetés porque ela usa muito dos filhos de Bom Conselho para serem seus prefeitos? Sei não!

Depois de muitas fotos com um simpático casal, desconhecido para nós, e passar por uma foto com um litro gigante de Ron Montilla, atestando que eles pertenciam ao grupo dos Pacachaceiros, chegamos à Praça Pedro II, que devia ser o local de concentração, e a dança já rolava solta. Ah, meu Deus, eu e minha espada iríamos nos acabar no forró! Mas até agora não vi ninguém que conheça. Devo dizer que, não conhecer os participantes não envolve nenhuma crítica, quer apenas mostrar o quanto tenho que visitar minha terra se meu projeto, Lucinha 2012, realmente deslanchar.

Gritei: "Olha a Maria de D. Lourdes Cardoso". Esta eu conheci, e fomos colegas na casa de sua mãe, quando aprendi as primeiras letras. Sei que é católica fervorosa como a mãe. No entanto, esquecendo só certos detalhes do Código Canônico, me apoiará, e será um grande apoio, pois hoje ela é Coordenadora do CAJOC (Casa de Alfabetização Ecológica Josué de Castro), uma instituição da terra voltada para o meio ambiente. Tenho certeza será uma “marinete” certa este ano. Marina Silva é a única, neste país, que tem um discurso ecologicamente consistente. Os outros estão aproveitando a onda.

Não sei onde é o bonito local focalizado pelas fotos e serviu de base para passar o dia. Mas o seu aspecto de caatinga e semi árido casa bem com a nossa região. Eu passaria o dia pescando, se conseguisse descer do ônibus viva.

Na serenata, além do Trio Papacaceiros, do qual conheço todos, inclusive o Pedrinho, agora que o Diretor Presidente explicou quem é, e além de continuar achando que no trio deveria haver um trombone para sua maior variedade e harmonia, logo de chofre encontramos novamente Maria. Encontrei mais três jovens, como eu, das quais conheci Terezinha Miranda e Juraci Torres, e a outra, perdoe-me as minhas já tão fracas sinapses neuronais: não lembro.

Cada dia me convenço mais que deveria ter ido com meu marido para o Recife e para o Grande Encontro. Por outro lado o meu amor à CIT falou mais alto e tenho que me contentar com as fotos, mesmo não tendo som para que ouçamos o som da serenata. Será que ninguém filmou este maravilhoso evento para colocá-lo no You Tube? Mandem para a CIT que nós colocamos, ou enviem para o SBC colocar. Eu iria morrer de emoção, não só com a serenata, mas por ouvir o Zé Milton cantar ao vivo, como já o ouvi tantas vezes. Desta vez eu não vi a Lourdinha, sua bela esposa, e que o Jameson está aqui me catucando e dizendo: "põe bela nisto, com todo o respeito."

De rostos conhecidos nossos encontramos mais o de Niedja Camboím, nossa fotógrafa preferida, a Secretária de Saúde, Isabel, que tempos atrás visitou nossa sede em Caldeirões, acompanhando a prefeita e seu filho Felipe, o que tanto nos honrou.

Para terminar este dia do Grande Encontro só resta destacar que poucos ousaram, pelo menos pelas fotos, usar a camisa oficial. É impressão minha ou ela não foi aprovada plenamente? Ou será mais usada no terceiro dia? Meu modelo, com Pedro de Lara estava ótimo. E seria uma espécie de encontro entre este grande bom-conselhense e a Papacagay, a parada de homossexuais de nossa terra, mostrando que o homofobismo do Pedro, não passava de aspectos de sua arte e do personagem criado por ele. No fundo havia um sentimento de respeito e simpatia dele por qualquer minoria. Infelizmente não tivemos nem a camisa nem a parada. Quem sabe no próximo ano?

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com
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(*) - Todas as fotos são do SBC. Numa delas, não resisti e coloquei uma faixa que representa o meu desejo para o próximo ano.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Ambiguidades & Cia.


"Saber escrever a própria língua faz parte dos deveres cívicos.
"A língua é a mais viva expressão da nacionalidade."
(Napoleão Mendes de Almeida.)



Não sei se por falta de assunto ou não. Mas sei que voltei a este assunto: língua portuguesa. - Ambíguo, entre outras coisas, é o que comporta mais de uma interpretação. Na fala ou na escrita, é aquilo que não fica claro. E pode dar confusão mental, quando pinta ambigüidade.

Michel de Montaigne ensinou esta lição, há mais de 400 anos: "A frase tem três virtudes. A primeira: clareza. A segunda: clareza. A terceira: clareza". Nada mudou até os nossos dias. Pelo contrário, com a velocidade das comunicações, a clareza no texto ganhou mais importância. Ela se impõe como a grande qualidade do texto. Porque nós escrevemos para ser entendidos. Daí o esforço que fazemos para chegar lá. Isto é, para nos fazer entender.

Os pronomes possessivos de terceira pessoa, seu e sua parecem-nos inofensivos. Mas podem causar estragos, tornando o enunciado ambíguo. Assim, muitas vezes, eles sobram no texto. Vamos a alguns exemplos:

"A personal trainer da cantora Madonna revela os segredos de sua forma." Essa chamada está na capa da revista Veja de 19.11.2008. Pergunta-se: os segredos da forma de quem? Nem no texto isso é explicado. Tanto pode ser da preparadora física, quanto da artista. Eis uma das tantas dos possessivos seu, sua, causadores de muitas ambigüidades. Porque, no exemplo acima, sua forma, pode referir-se a uma ou à outra. Escreva-se desta maneira e adeus sentido ambíguo: "A personal trainer de Madonna revela os segredos da forma da cantora".

Outra: "O subprocurador encontrou-se com a senadora Roseana Sarney no aeroporto de Brasília. Durante o encontro, ele chegou a ensinar Roseana a utilizar alguns recursos do seu celular."

De quem é o celular? De Roseana ou do subprocurador? Para ser claro, o repórter tem opções. Poderia escrever: alguns recursos do celular dele. Ou dela. Tirando o possessivo seu, e as contrações dele e dela, seriam recursos de qualquer celular. De qualquer fabricante. E estaria claro.

Mais outra frase ambígua e longa: "Adriana Barreto lembrou que, no telefone, Plácido se referia ao senador em termos cabeludos e impublicáveis - e que, mais tarde, ACM se queixaria a sua mãe pelas palavras grosseiras do namorado." (Revista ÉPOCA, 24.2.2003 pág. 34.)
Vejamos: ACM se queixou à mãe de quem? Do próprio ACM ou de Adriana? E de quem é o namorado? Poderia ser namorado do próprio ACM, da mãe que ouviu a queixa; ou de Adriana. Ainda pode ser de outra pessoa!

Outra ainda: "Roberto reivindicou a Jarbas uma secretaria para acomodar seu filho, Carlos, que pretende fazer seu herdeiro político, mas o governador não atendeu". - (Coluna Pinga-Fogo - Jornal do Commercio - Recife, 13.02 2003).

Quem pretende fazer o herdeiro político. E de quem será o herdeiro? E Carlos é filho de quem? De Jarbas ou de Roberto? Mais uma causada pelo emprego do possessivo. Não precisamos reinventar a roda. Mas pode-se dar um jeito nessa barafunda, assim: "Roberto reivindicou a Jarbas uma secretaria para acomodar Carlos, filho do próprio Roberto e futuro herdeiro político do pai. Mas Jarbas não atendeu".

Agora, deixemos os possessivos pra lá, e vamos em frente com esta outra manchete do Jornal do Commercio de Recife: "Lula vai receber prêmio pela paz da Unesco." Ora, por que Lula merece ser premiado só porque a Unesco está em paz? - Parece-nos que a manchete quis dizer isto: "Lula vai receber da Unesco, prêmio pela paz."

A imprensa está cheia de ambigüidades. Com uma vírgula ou simples jogo de palavras, isso pode ser evitado. Duas frases em matéria jornalística servem de ilustração. Ao comentar a prisão de Suzane Richthofen, o jornal soltou esta: “Os longos cabelos, usados após a prisão para esconder o rosto dos fotógrafos e cinegrafistas, estavam divididos em duas tranças”. Enfim, os cabelos escondiam o rosto de quem? Dos fotógrafos e cinegrafistas ou da moça? Portanto, o período poderia ser escrito de várias formas. Fiquemos com esta: “Os longos cabelos de Suzane, que esta usou para esconder o próprio rosto, de fotógrafos e cinegrafistas, estavam divididos em duas tranças”.

Vamos à outra sentença bastante ambígua: “No Dia das Mães deste ano, Suzane teve uma forte discussão com os pais e levou um tapa na cara de Manfred”. Primeiro: a oração dá a entender que o Dia das Mães é só deste ano – e não das mães de todos os anos. Mas o dia é das mães de todos os anos e de todos os dias. Deste ano, dos anos passados e dos vindouros. Segundo: de quem é a cara que levou um tapa? De Manfred ou de Suzane? Vamos escrever de outro modo: - “Este ano, no Dia das Mães, Suzane teve forte discussão com os pais e levou um tapa na cara, dado por Manfred”.

De outra feita, falando na Rádio CBN, o cantor Moacyr Franco produziu esta frase: “Eu já gravei muita coisa mal”. Ficamos sem saber se Franco apenas quis pôr o advérbio no fim da frase ou se pretendia usar o adjetivo mau, ruim. Criou ambigüidade. Querendo Franco dizer que já gravou mal muita coisa, a frase está correta. Mas, se a intenção do cantor era dizer que já gravou muita coisa ruim, má, ordinária, aí ele tropeçou nestas duas palavrinhas que atrapalham muita gente: mal e mau. Mal é o contrário de bem. É advérbio e não varia.

Exemplos: “Às vezes eu gravo bem; outras vezes, gravo mal. E já gravei mal muitas coisas”. “Mulheres mal-amadas são ou foram vítimas de homens mal-educados e malcriados. Enfim foram vítimas de homens de maus bofes”. (*). Ver notas no rodapé.

Por outro lado, mau é antônimo de bom e sinônimo de ruim, perverso. “Essa comida é de mau tempero. O Lucas é um homem mau”. Mau, ruim são adjetivos e variam de acordo com o substantivo. “Esse restaurante serve má comida. Algumas pessoas são más. Homens maus praticam ações más. Manoel amanheceu de mau humor. Seus humores hoje estão maus”. Aqui, uma explicação: Podemos estar de mau humor ou mal-humorados (*).

Portanto, falando ou escrevendo, tenha-se sempre o cuidado pra não gerar ambigüidades. Do modo em que a frase foi posta por Moacyr Franco, criou-se ligeira confusão, quem sabe, erro mesmo, coisa que devemos evitar. Porque ouvintes e leitores precisam saber o que ouvem ou lêem. É preciso clareza. E quando escrevemos, o cuidado deve ser redobrado.

Vejam esta, ainda: "A ONU está à procura de um técnico para ocupar o cargo de diretor daquele centro de estudos sobre a pobreza que vai instalar no Rio". (Ancelmo Gois / Jornal do Commercio - Recife).

- E vão instalar mais pobreza no Rio? Já são tantos os pobres que habitam o Rio de Janeiro! Para derrubar o sentido ambíguo, escreva-se assim: "A ONU está à procura de um técnico para ocupar o cargo de diretor do centro de estudos sobre a pobreza, a ser instalado no Rio".

Sabemos que a imprensa tem pressa pra botar o seu bloco na rua. E que os seus agentes nem sempre são bem preparados. Portanto, não nos guiemos por ela, porque poderemos dar com os burros n'água. Nem só em assuntos de língua portuguesa. Noutros também.

N O T A S: - Mal e mau, muitas e muitas vezes funcionam como substantivo e como adjetivo: “O mau está sempre na tocaia {o elemento mau})”. “O mal por si se destrói {qualquer coisa má}).” “O mal (epidemia) se alastrou por toda parte”. “Os maus (adjetivo) políticos furtam todo o dinheiro do povo”. “Maus (adjetivo) pensamentos rondam a cabeça de muita gente”. – E mal pode ser até conjunção: “Mal chegaram, tiveram de partir” (= logo que, tão logo, apenas.)

O Correio Braziliense escreveu esta frase, no dia 1º.9.2009: "Quem apostou no Francenildo se deu mau". Dá pra perceber que trocaram seis por 106. Porque o certo é que se deu mal quem apostou no caseiro Francenildo.

Antes do acordão, o advérbio mal se ligava por hífen às palavras seguidas de vogal ou h (regra geral). Mal-amado, mal-assombrado, mal-educado, malcriado, malcomido, mal-humorado etc. Com o acordo, que chamaram de reforma, mudou tudo. Todavia, não esqueçam que, mesmo após o acordinho, o termo mal-estar se mantém com hífen: "Ele teve um pequeno mal-estar". E tem mais: antes do aordão, malmequer, era como está aí, tudo pegadinho. Agora, passou a ser mal-me-quer. Por quê? Deixemos na interrogação! É isso./.

José Fernandes Costa - jfc1937@yahoo.com.br

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O 10º Encontro - Profano e Sagrado



Antes de começar a escrever sobre fatos e fotos do Encontro, devo comentar sobre algumas fotos que mostram uma solenidade de entrega de títulos de cidadãos honorários de Bom Conselho. Pensei, tenho que ver estas fotos só para ver que modelo a minha amiga Ana Luna está usando para receber o seu título. Percorri de alto a baixo as fotos, e nada da Ana, apesar da elegância de outras presentes como nosso deputada Jacilda Urquiza, entre outras. Parece que ainda não foi desta vez que nossos edis despertaram, para homenagear esta bom-conselhense de coração.

Tive uma raiva danada do José Andando por ter insinuado minha idade em um seu artigo recente (http://www.citltda.com/2010/01/o-apedeuta.html), e respondo à altura: “Quem tem 16 às avessas é a sua santa mãezinha!!!”. Mas, numa coisa ele está certo, sou uma “marinete”, e o PV de Bom Conselho que me aguarde. O caso de Ana Luna só me incentiva a ser uma vereadora, e com a Marina na presidência, te cuida câmara de papacaça, uma vaga é minha.

Li hoje no Mural uma proposta do Zé Arnaldo, que ele diz ser uma proposta “dantista”, e eu diria que é uma proposta “dantesca”, mudar o nome de Bom Conselho para Dantas Barreto. O Diretor Presidente, ainda tem dúvidas e quer fazer uma enquete. Prá mim, o Dantas Barreto é a treva!!!

Voltemos sem demora à festa e seus encantos. O Diretor presidente diz, abrindo com a alegria inicial:

- Primeira foto, e quem vejo? O Dilermando filho de seu Waldemar. Lembro do “dedinho” como se fosse ontem, e não dar para confundir. É a cara do pai. Lembro que havia uma calçada alta no Ginásio, para o lado da quadra. Era uma altura razoável, mas a diversão do Dilermando, fazendo seu Waldemar perder os cabelos, era fazer carreira e pular da calçada em baixo. Eu nunca tive coragem de fazer isso. Parece muito mais jovem do que eu, mas temos quase a mesma idade. Foi um bom começo.

Eu vi um jovem que parece o Bastinho, mas Bastinho não tem bigode, se ele quer ser um sósia do Roberto Carlos, não pode ter bigode. Estava com uma jovem bonita a seu lado, para mim desconhecida. Será o Zé Oião? Pode ser, plástica hoje tem em todo canto. Ninguém identificou. Da Hildete e da outra filha de seu Waldemar eu lembrei, mas não me lembro o nome, de primeira pensei que a Hildete fosse a Tereza Benjoíno, estava numa elegância incrível, com seu “modelito matador”.

As fotos foram passando e passando e nós boquiabertos pela ausência de pessoas conhecidas. Não temos ido muito a nossa terra e além disso, todo ano completamos ano, infelizmente, ficamos mais idosos. Eu mesma já esqueci a data do meu aniversário, e quando alguma amiga recalcitrante liga, eu desconverso, falando do tempo.

O Jameson com o olho esbugalhado diz, “pera” aí, “pera” aí, este aí eu conheço. É o Josenildo irmão de Ana Luna, não é? O Diretor Presidente anui com a cabeça. Ou será o Zelito? Agora estou em dúvida. Como tá velho o cara! Passa!

Encontrei novamente o Beto Guerra. Agora ao seu natural, com um copo de água mineral na mão. Ao seu lado, ai que inveja, a Zezé, como está bonita! Penso ser o Amauri que estava com eles. Lembro dele também embora mais do Beto, da quadra de voleibol, só como observadora. Lembrando quadra, voleibol, lembrei Juanita e quem vejo? Dona Josemir Torres, minha professora. Meu Deus preciso ir ao Encontro para ver o que este povo faz para ficar jovem e bonito.

Revi o Roberto, agora ao lado de sua linda esposa, de ar meigo e oriental. Vi alguém parecido com o Zé Matos, meu colega de turma. Será que era ele ou algum outro dos seus muitos irmãos. Gervásio não era, pois o vejo de vez em quando nos jornais, e já está prá lá de careca. Pode ser o Juraci, ou o Zé Milton? De qualquer um, vale a pena a lembrança. O Jameson dá um berro: “Olha o Zé Piulinha!!! Com aquela barriga, só pode está rico. Dizem que é um médico de primeira.” Eu grito: “Este é o Quirino. Está com um ar tão triste." Pelas fotos, até agora, a festa tá de primeira. Mas vamos prá frente. Vi o Etiene, nosso imortal, e que é o único, não só no mundo, mas também na Bahia, a achar que o O Andarilho é um bom poeta. Mas a arte tem seus mistérios.

Neste primeiro dia do Encontro só tenho a comentar mais uma presença nas fotos: A de Saulo e uma mulher, bela mulher, que penso ser sua esposa. Não conheço pessoalmente o Saulo, mas só tenho a agradecer a ele pelo conjunto da obra. Não podemos exigir que ele, além de ser um bom “web designer”, seja também jornalista e nos brinde com as palavras, estas eu cobro do Luiz Clério e do Jodeval, com o prometido Blog da Gazeta ou Gazeta On Line. Saulo, parabéns pelo trabalho.

O pessoal já quer ir direto para o segundo dia mas, eu não abro mão. Vamos ver as fotos da missa celebrada em nossa linda matriz pelo Padre Nelson, de autoria de nossa Niedja Camboim. Ah, como me senti mal por não estar “in loco” para acompanhar tudo. Não resisti, e o Jameson e o Diretor Presidente marejaram os olhos ao ver três pessoas: Zé Basílio, Dária e Tonho do Foto. Cada um deles teve e tem seu papel em nossa cidade, que no Encontro também é lembrança. E, para não dizer que só falei de flores, eu, como católica, proponho, e se não me falha a memória já fiz isto antes, que haja, não só uma missa, mas, um culto mais ecumênico, mesmo que seja para que algum descendente de Seu Genésio, compareça sem ferir susceptibilidades. O DP grita lá, já saindo, “e porque não do Diógenes Torres”?

Antes de terminar e tentando evitar que minha “gafe” aumente de tamanho devo dizer que reconheci o Zé Oião na missa, e ele não fez plástica com eu, perdoe-me Zé, insinuei acima. Então aquele jovem não é o Zé, com plástica. Seria o Bastinho?

Lucinha Peixoto (e a turma de Belém) – lucinhapeixoto@citltda.com

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

10º Encontro - Coco, Maracatu e Baião



Hoje é domingo. Vamos ao Mercado Ver o Peso? Não!!!!!! Vamos continuar na festa de Bom Conselho que o SBC nos possibilita. No primeiro artigo falei de uma foto na qual confundi alguém com Padre Nelson. Até que Jameson me falou: “É o Saul. Filho de Doutor Raul Camboim!!!”. Meu Deus. O Saul, o “bad boy” de minha adolescência, e eu não reconheci. Isto me deixou angustiada com minha memória.

Numa festa como esta revemos amigos e inimigos (se temos algum, eu mesma não me lembro de nenhum) e a pior coisa é olhar para outra pessoa, e dizer educadamente, como fulano está diferente, sabendo que ele ou ela está pensando a mesma coisa que nós, e pensando sem nenhuma educação: “Vixe, como fulana tá velha!!!” Não é o caso do Saul, ainda está jovem, mas ao comparar, mentalmente, com aquele jovem de bigodinho fino e cabelo com tombo, não dar para não notar a diferença.

Adorei a juventude de nossa terra dançando o coco, maracatu e baião, tendo ao fundo a Princesa do Norte. O Diretor Presidente cheio de espanto falou:

- Tás maluca Lucinha. A Princesa do Norte, já era. Agora, habita naquele prédio o Supermercado Bom Conselho. Dizem que é um empreendimento de porte. Não gostei dos letreiros quando estive lá, mas Zé Bias morreu, quem iria pintar com tanta arte.

É, tudo vai mudando, Princesa do Norte, Casa N. S. do Rosário, Padaria Cordeiro, Farmácia Crespo, ainda existe a Farmácia Crespo? Continuemos na festa.

Vi o Basto Peroba. Este é dos bons. E, sabem quem vi, e tive uma saudade danada da minha época de estafeta de minha mãe, quando ia comprar retrós de linha no Vuco-Vuco do seu Joaquim? A Mercês, irmã de Zé e Gildo Póvoas. Se lá estivesse eu iria cumprimentá-la com a certeza de reconhecimento. Vi a Rosário, irmã do Tião Fernandes, outro nosso grande escritor, a quem um dia confundi com uma neta do seu Clívio. Mas pela jovialidade e beleza a confusão foi perdoada. Não sei se por seu Clívio também. Em suma, tudo estava uma maravilha, mesmo sendo um dia 13. Teve até “trenzinho”, que eu adorava fazer quando podia entrar nos bailes do “Centro”. Nunca sai no Amigo da Onça. Pobre já era considerado o próprio. Será que isto mudou hoje?

No dia 14 parece até que foi mais animado ainda. A Praça Pedro II ferveu. Quanto mais gente, menor a proporção daqueles que eu conhecia. As pessoas dos outros dias se repetem mas sempre há as que vão chegando. O Roberto Lira, desde dezembro que viaja para este encontro, não podia faltar, e tive o prazer de ver sua esposa, a japa, linda de viver. O Gildo, eu não sei se estava de calça Capri, porque não vi nenhuma foto sua de corpo inteiro, entretando vi sua cabeça careca, de onde saem dos melhores textos que o Blog publica. Alípia, a quem vi menina, com a elegância que lhe é peculiar. Há uma foto na qual parece ter visto o Walfrido, o cabelo mais bonito de Bom Conselho, e diz o Diretor Presidente, com uma barriga que rivaliza com a de Mábio Tenório. Entre fotos, abraços e alegria, na praça, o Jameson fala:

- Entre as jovens belas de nossa terra, as mais jovens mesmo eu não conheço, mas das jovens não tão jovens lembro vi e tive saudade da Graça e da Socorro Boa, filha do seu Zé Bom, que morava lá na Rua da Cadeia. Passava todo dia pela casa deles para ir pró trabalho.

Meu Deus, vi o Beto Guerra ainda sem o copo na mão, Terezinha Miranda mais jovem do que no ano passado, Jameson grita: “Vi o Pedrão de Chico de Antonino”, o Diretor Presidente pergunta: “Será que aquela é a Nelma, filha de seu Né do Cocos?”, Cleómenes diz, eu conheço aquela moça do Orkut, é a Socorro Godoy. Enquanto a Ana Luna canta, e nós não ouvimos. Que pena! Deve ser uma música do Uva Passa, que eu adoro. Será que a Marcix veio?

Por hoje, já foi emoção demais e as fotos chegam aos borbotões. Vamos almoçar mas voltaremos à festa.

Lucinha Peixoto (e a turma de Belém) – lucinhapeixoto@citltda.com

domingo, 17 de janeiro de 2010

O 10º Encontro - Na Prefeitura



Praticamente o 10º Encontro de Papapaceiros começou no dia 13 de janeiro. É justo dizer que a Prefeitura vem fazendo bem o seu papel de apoiadora das atividades privadas, como deve ser. Recebeu um grupo de papacaceiros bem conhecidos. Tentando continuar com a justiça, penso ter sido o grupo muito mais bem diversificado e representativo do que o do ano passado.

Aqui em Belém, todos o bom-conselhenses, e mesmo o Cleómenes que já se traveste com tal, ficamos só na saudade. Depois que eu avisei que as fotos estavam chegando, tenho certeza muitos pararam de trabalhar, neste aprendizado louco mas necessário para o futuro da CIT. Resolvemos então ver juntos a cobertura do SBC, que, por este início, deve ser maravilhosa, deste já grande evento em nossa terra.

Sobre o encontro com a prefeita, o Cleómenes já se manifestou:

- Como faz falta o Blog da Gazeta. Tenho certeza que lá estariam nomes, comentários e até falas dos participantes. A informação então seria perfeita. Sómente com as fotos, parece até cinema mudo sem o Charles Chaplin.

Entretanto, por agora, é o que temos. Vamos espiar, como diz o péssimo programa da Globo, o tal do Big Brother, que agora está explorando o mundo gay, pensando que ser gay é fazer "palhaçada".

Antes de qualquer comentário, devo dizer que, ao falar de alguém, que vi nas fotos, não necessariamente conheço ou conheci pessoalmente. As vezes sim, como a Ciba, tia da prefeita, irmão de Edgar Alapenha que poderia figurar, com todo respeito, na galeria de homens bonitos da terra, junto com o Seu Clívio e o Leninho. Às vezes não, como por exemplo, do Pedro Ramos, nunca nos encontramos, conheço apenas dos sites e jornais que nos cercam, ele está sempre lá. Outras vezes, quando o assunto é importante, falo com minhas fontes, que estão em todos os lugares, inclusive nos Pacachaceiros.

No encontro com a prefeita, todos “despojadíssimos” em termos de vestuário. Só faltou o Gildo Póvoas com sua calça Capri. Mas, é como convém a uma festa cada vez mais popular, graças a Deus. O Luiz Ramos, “chiquérrimo”, com o modelo Toritama que o Eduardo usou em visita recente. Mas com uma alpercata branca, que o tornava um modelo perfeito para este tempo de calor humano e natural em nossa terra. Penso nunca ter falado com o Luiz mas já o vi em remotas eras. Lembro de um fato, e espero não o estar confundindo com outra pessoa. Ele não morava em Bom Conselho antes, mas quando chegava lá, todos sabiam, ele vinha num fusca, buzinando desde a entrada da cidade até chegar em casa, eu penso. Minha mãe dizia:

- O Luiz Rodeira chegou!

Até hoje não sei o porquê do apelido. Será porque ele sempre foi “rechonchudinho”?
Algumas pessoas eu não conheço. E peço ajuda da turma de Belém. Por exemplo, quem é aquele de chapeuzinho tipo Alcimar Monteiro e que toca piston? O Diretor Presidente me auxilia:

- Não é o Pedrinho? Parece que é irmão de Zé Povoas. É o melhor pistonista do Trio Papacaceiro. Eu confesso que o Trio seria melhor se tivesse um trombone. Será que alguém em Bom Conselho ainda toca trombone, como Mané Guadêncio?

As fotos passam em nossas vistas e a memória funciona como uma locomotiva a vapor. Não conheço pessoalmente o Carlos Sena, em seu bermudão indefectível, apesar de morarmos na mesma cidade. Mas não é culpa dele. São meus afazeres domésticos que completam minha dupla jornada, tão comum às mulheres, agora com o meu neto. Como diz meu filho mais novo: “Escreve paca!”

As fotos até parecem revelar o momento da chegada de minha amiga Ana Luna. Como fiquei triste em não poder conhecê-la pessoalmente. Tem nada não Ana, um dia... Vi que trouxe o Reis, seu marido. Vi a Bia Ferro rondando por aí. Ano passado ela disse que iria explorá-lo mais este ano. Ana, atentai bem! Mil beijos para você e para o Reis. E não poderia jamais deixar de dizer: Seu “modelito” humilhou!

A prefeita sempre bela com um modelo básico, sóbrio, esbanjando elegância, ao contrário do filho Felipe, com uma camisa muito “cheguei”, mas é da idade. Estamos aguardando seu bons artigos.

Eu fiquei intrigada com as fotos das rosas vermelhas. Como ela surgiram ali? É uma pena que ainda não tenhamos a Gazeta On line. Luis Clério e Jodeval, apressem-se pelo amor de Deus. Apesar de uma bela cobertura do SBC, faltam letras nela.

Voltaremos quando o nível de emoção abaixar, estão chegando novas fotos. Mas, antes de terminar, perguntar não ofende: “Onde estava o Quirino?”

Lucinha Peixoto (e a Turma de Belém) – lucinhapeixoto@citltda.com

sábado, 16 de janeiro de 2010

Palavras de amor!




Na noite que ora vem
vem a saudade de ti
Quero-te muito, meu bem
verdade fala por si.


No dia que se inicia
a saudade só aumenta
Desejo-te ótimo dia
livre de toda tormenta.


Se isso não me contenta
e não contenta a ti também
Mas a vida nos movimenta
e a esperança convém.


Junto às gotas do orvalho
pensamentos me dominam
E nas horas do trabalho
os amanhãs me animam!


São coisas que a mente faz
é coisa que vai e vem
É o pensamento que traz
e às vezes me faz refém.


Refém da tua bondade
sempre cheia de decências
Grande disponibilidade
mesmo com tuas carências!


Não há pra ti tempestade
nem vento que te intimide
Mesmo cheias de saudade
não há quem de ti duvide!


Palavras que ora digo
sentimentos que ora vêm
Só desejo estar contigo
essas crenças me mantêm!


José Fernandes Costa - jfc1937@yahoo.com.br

São Sebastião



Espero que a festa de São Sebastião sobreviva ao Encontro de Papacaceiros. Não tenho mais medo do choque com a Papacagay, pois esta parada bonita e justa não será oficial. Outros anos virão. Tenho medo do grupo dos Pacachaceiros. Este é perturbador. Ouvi dizer que, no ano passado se desgarraram da serenata e se dirigiram para o Corredor, onde a festa do santo mártir se realiza há quase cem anos. Graças a Deus, contam, não houve nada, porque os componentes já chegaram só com o “bafo de onça”. Espero que este ano tudo corra em paz.

Eu sempre fui devota de São Sebastião. Acho linda a sua história. Conta-se que ele foi um soldado romano, na época do imperador Diocleciano, e que, por tratar bem os cristãos, foi condenado à morte por meio de flechas, o que gerou todas as imagens dele até hoje, tornando-se um símbolo para o martírio, dentro do catolicismo. Entretanto ele sobreviveu às flechadas, pois aos ser jogado em um rio como morto, estava vivo, e ajudado por Santa Irene continuou sua ajuda aos cristãos. Foi posteriormente encontrado pelo imperador e enviado novamente para a morte, agora por espancamento. Mesmo assim não morreu e teve que ser trespassado por uma lança.

Minha admiração por ele hoje é por sua resistência heróica ao castigo para não sair dos seus valores e determinações. Quando vemos hoje a crise de valores cristãos dentro de nosso meio social, minha vontade é chamar por São Sebastião. Mesmo dentro das religiões vemos crescer o desamor e o preconceito em prol de atitudes conservadoras e muitas vezes pueris.

Minhas fontes murmuraram haver ouvido em Bom Conselho recriminações e até ofensas a mim e àqueles que simpatizam com o movimento gay. Este movimento nunca foi novidade lá, embora de outra forma. Em minha infância e adolescência, entre colegas, já comentávamos, à boca pequena o comportamento de algumas conhecidas nossas. Ouviam-se rumores vindo do Colégio N. S. do Bom Conselho, do Seminário e de outros setores sociais de nossa terrinha. Fuxicos e mais fuxicos. O Diretor Presidente pensa que só fofocavam entre os homens. Mas, mulher também é gente. E já naquela época existiam os gay, as lésbicas e os simpatizantes. Nada mudou com o tempo. Nem o preconceito. Pensando bem, talvez tenha mudado a resistência de alguns ao serem flechados, espancados e lanceados, como São Sebastião, quando resistem á exclusão social determinada pela sua coragem em se mostrar como são ou querem ser.

Vejam o que é o meu ranço católico. No parágrafo anterior não tive nenhum problema em relacionar a resistência do santo mártir àquela que hoje existe nos vários movimentos de excluídos, como gays, lésbicas, negros, pobres, mulheres, ateus e outros. Entretanto, fico pensando na reação das autoridades constituídas de minha Igreja Católica e me vejo traumatizada por uma culpa que me foi inculcada ainda criança. Se antes, criticava minhas colegas lésbicas, pelas costas, pedia perdão a meu confessor pelo pecado venial, hoje as apoio totalmente e meus confessores dizem que é pecado mortal. Apego-me, então à Bíblia, principalmente aos Evangelhos e peço para me dizer como conciliar o amor ao próximo com o preconceito contra os gays. Nunca me foi explicado nem com lógica nem sem lógica tais contradições. Mas sinto ainda culpa. Graças a Deus esta culpa foi cada dia se tornando menor do que meus valores realmente cristãos e pelos quais luto, para que minha Igreja, acorde um dia.

Das festas de São Sebastião tenho muitas lembranças. Vinha da Praça da Bandeira, dobrava à esquerda na loja de seu Tenorinho, passava de frente do Cine Rex, da empresa que gerava energia elétrica, loja de seu Massinha, consultório de João Butler e finalmente a festa.
Não era uma festa do porte daquela da Sagrada Família mas tinha seus atrativos para uma mocinha em idade de "entrar no mercado". Embora devo esclarecer que, para nós consideradas moças direitas (não sei com autorização de quem) "entrar no mercado" era um flerte, um olhar, pegar na mão e, no máximo um beijinho inocente. Hoje, sei que para "entrar no mercado" é muito salutar levar uma camisinha. Mas, também entrávamos na igreja, rezávamos e, muitas vezes pagava minhas promessas com São Benedito por ele me ajudar nas provas no Ginásio. Afinal de contas, mesmo naquela época, já pensava que não havia preconceitos de cor entre os santos. São Benedito e São Sebastião se entendiam bem.

O que eu mais admirava nas novenas deste mártir e santo católico era um hino que falava na peste. Para mim era estranho, quando um verso dizia: “...livrai-nos na peste, São Sebastião!” Hoje, mesmo se tivesse ido ao Encontro de Papacaceiros (choro por não te ido), iria dar uma passadinha no corredor e cantaria: “...livrai-nos do preconceito, São Sebastião!”

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

P.S. – Quando já havia terminado este artigo, ontem fui ao SBC para ver se já havia notícias, digo, fotos do Encontro. Estavam saindo naquele momento. Ainda deu prá ver o Luiz Clério, o Beto Guerra, o Pedro Ramos, Roberto Lira e outro que não conheço. Espero que seja o Padre Nelson dando apoio espiritual a Roberto Lira. Comecei a ver as outras, só comecei, tenho assunto para o ano todo.

LP