domingo, 3 de janeiro de 2010

Ano-novo, de novo.



Dois mil e dez. Queridos leitores e queridas leitoras: é copa do mundo e eleição. Todos no páreo - vai detonar a pistola para a corrida, a raia está preparada, os competidores a postos.

A África negra lotada de gente branca, amarela, verde, anil, parda, etc. Nas urnas eletrônicas os votos sutis virtuais (nem sempre virtuosos) mostrarão a maioria de quem tiver o privilégio da assunção para cargos de interesse público; vibrantes as multidões de fanáticos, isso no Brasil.

Haverá a procura exagerada por uma vida que supere a mediocracia instalada. Estamos mal-acostumados ao que nos servem no cardápio oficialesco engordurado, passado ao forno das impensadas paixões; o capital-nota derramado em peças mil onde se escondem membros exaltados.

A crença na melhoria de vida continuará a tocar seu samba. Esquemas confusos, planejamentos enigmáticos e cifrados, nunca decifrados, economicamente ativos, mas, na prática, de pouca eficácia. Aliás, de muita eficácia para os que deles se aproveitam.

A população desigual continuará se aninhando em mocambos, comunidades desdentadas, escassez de víveres, migalhas do rico epulão, excluídos numa inclusão lenitiva. A desigualdade crescerá infelizmente.

É bonito comemorar o ano-novo, de novo, numa rotina que beira a confraternização universal. Sabemos que estaremos entrando num túnel, cujo percurso durará exatamente 365 dias. Nele encontraremos surpresas sortidas para todos os gostos e desgostos como se explorássemos um imenso supermercado ou shopping.

Ingressaremos novamente num futuro efêmero, bizarro, onde projetos mil ficarão nas gavetas de nossas idéias ou zarparão ao domínio de outrem. Faremos juras de amor para com o próximo. E votos quase monacais de nunca mais pecar, por mea culpa, mea máxima culpa. Pecaremos, pecarão, talvez, impunemente.

Ao meu leitor, o primeiro abraço do ano.

Maria Caliel - mcaliel@hotmail.com

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