sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A Enquete de Deus

Dias atrás o Jodeval Duarte, em seu excelente Blog escreveu sobre Deus (http://jodevalduarte.blogspot.com/2010/01/um-deus-muito-estranho.html). Logo em seguida eu também escrevi sobre Ele, no Blog da CIT (http://www.citltda.com/2010/01/o-deus-de-jodeval.html). Ambos os escritos foram publicados no valoroso jornal Sete Colinas de Garanhuns, cujo editor é o Roberto Almeida, e também entrou no debate com um texto publicado em seu também excelente Blog (http://robertoalmeidacsc.blogspot.com/2010/01/deus.html). Eu confesso que fiquei contentíssimo por encontrar mais dois ateus, um de Garanhuns o Roberto Almeida, que depois soube ser de Capoeiras e um de Bom Conselho, o Jodeval.

Posteriormente, o Roberto Almeida, fez uma confissão de fé, declarando que não era ateu. Eu aceitei suas declarações, mas, devo esclarecer algo. Quando o considerei ateu, foi devido à sua argumentação sobre suas crenças. O Roberto pode até não ser ateu ainda, mas tem um grande potencial. Com a desistência de um, só não fiquei mais triste porque apareceu outro ateu, o Altamir Pinheiro de Garanhuns. Juntando comigo, se ainda pertencesse à religião dos meus pais, poderiam nos chamar de A Diabíssima Trindade. Minha alegria aumentou quando vi que Deus e religião eram um assunto que poderia ser discutido de uma forma civilizada, e que continua sendo discutido assim.

Agora mais uma vez sou citado como provocador, no bom sentido, de uma enquete posta no Blog do Roberto Almeida. Eu até daria "hurras" de alegria se a Diabíssima Trindade pudesse dela participar. Infelizmente isto é impossível. Fiquei pensando como poderia responder sim ou não à pergunta: TRAGÉDIAS COMO A DO HAITI FAZEM VOCÊ DUVIDAR DA EXISTÊNCIA DE DEUS?

Para explicar porque não posso participar da enquete, eu proponho uma com a seguinte pergunta: TRAGÉDIAS COMO A DO HAITI FAZEM VOCÊ DUVIDAR DA EXISTÊNCIA DO SACI PERERÊ? Agora, tenho certeza, todos dirão: Como eu posso responder esta pergunta se só achei que o Saci Pererê existisse na minha infância, quando minha mãe me contava a história? Faz um tempo enorme que não acredito mais em Sacis. Como posso responder? Se for para responder qualquer coisa eu diria que não, clicaria no “não”. Jamais posso responder “sim”, pois estaria admitindo ainda acreditar na existência do Saci Pererê e estaria tentando enganar o “enquetador”.

Por isso, eu, A Diabíssima Trindade e todos que não acreditam em Deus, ou não votarão, como eu farei, ou votarão “não”, para serem honestos. É uma pena que não possa participar. Portanto já se espere uma contundente vitória do "não". Como isto será interpretado, eu não sei. Espero que não seja como uma prova que Deus existe ou não existe, e teve influência no Haiti.

Na apresentação da Enquete o Roberto Almeida cita minhas posições quanto ao tema e alguns trechos merecem esclarecimento. Eu sou um ateu confesso mas, não quero atrair ninguém para minha não-crença. Embora isto fosse muito natural, como o fizeram todas as religiões até hoje atraindo fiéis para suas crenças, ou mesmo para políticos (que em nosso país ainda tem que ser ateus enrustidos como o Fernando Henrique e grande parte dos petistas históricos como Tarso Genro, José Dirceu, Dilma Roussef e outros) que querem angariar fiéis para suas crenças. O Roberto dar a entender no texto que eu tenha algum dia dito que houve uma diminuição da fé por causa do terremoto do Haiti. Quem insinuou isso foi o Leonardo Boff ou aqueles que votarem “não” na enquete. Eu apenas escrevi que Deus não tinha culpa de nada, porque simplesmente ele não existe.

Com base nesta equivocada interpretação do que disse, e equívoco são normais num tema complexo com este, o Roberto vai além dizendo: “Ora se fosse para deixar de crer por conta de terremotos, guerras, sofrimentos, tsunamis, crimes e maldades de todo tipo, ninguém mais teria fé. As tragédias, as dores, a falta de explicação para determinados fatos ou coisas, ao contrário, podem fazer nascer ou ampliar a crença numa entidade ou ser que está acima de nós.”

O que entendi que você quis dizer é o seguinte: Se eu, diante dos terremotos, guerras, sofrimentos tsunamis, crimes e maldades de todo o tipo, tiver fé, e ampliar a crença numa entidade ou ser que está acima de nós, nossos problemas serão mais fáceis de resolver. Caro Roberto, se tiver lhe interpretando certo, e os outros que o julguem, penso que você crer muito pouco na humanidade. Os ateus não recorrem a Deus, eles confiam mais um pouco no Homem para resolver seus problemas, e não fazem de Deus um obstáculo a isto, pois simplesmente ele não existe.

O que disse também é que as religiões prestaram seus serviços à vida humana. Elas não cometeram só maldades e derramaram sangue, elas nos protegeram na infância da humanidade, ensinando a conviver e suportar coisas que não nos são explicadas, mas vão se tornando cada vez menos necessárias com as novas formas de conhecimento que hoje já temos (Quanto a isto não deixem de ler as Teses brasileiras 1 e 2 no Blog do Jodeval). E o pior é quando ela, ou seus dirigentes, se vêem ameaçados nos seus tronos historicamente adquiridos, e passam de inúteis a nocivas ao ser humano. Isto se dá precisamente, quando nos “entregamos na mão de Deus”, inertes e esperando que milagres salvem o Haiti. O povo japonês, usando tecnologia moderna e eficiente, obtida por meio de novas formas de conhecimento, já salvou uns dez Haitis, em termos de vidas poupadas na ocorrência de terremotos.

Voltando à apresentação da enquete, o Roberto diz: “A diferença é que Cleómenes acha que não acreditar no Ser Supremo faz bem, pode deixar o homem mais tranquilo e menos angustiado.” Tenho certeza, caro Roberto, que os japoneses estão menos angustiados por salvar vidas, usando as conquistas científicas do que quem fica esperando que milagres de Deus salvem o povo do Haiti.

De vez em quando falo em Deus como qualquer brasileiro, digo “graças a Deus”, “se Deus quiser”, “Deus proverá”, afinal de contas meus pais eram católicos e eu fui coroinha. Poderia até dizer que eu era feliz e não sabia. E estaria menos angustiado com minhas crenças no Ser Supremo. Mas, eu digo: Eu era cego e pensava que enxergava uma luz que eu chamava de Deus. Hoje tenho um olho mas não quero ser rei, e ainda falta convencer o Roberto para ele entrar na Diabíssima Trindade. Ele tem um potencial enorme. Formaremos um grupo coeso e forte, mesmo que seja Os Diabíssimos, para lutar por princípios éticos não religiosos para uma santíssima e duradoura convivência humana sem a ajuda do Ser Supremo.

Eu não votarei na enquete mas se você votar: Vote “não”!!!

Cleómenes Oliveiracleomenesoliveira@citltda.com

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