quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Lula, Academias e Encontros



Hoje já estou em Recife, ajudando a amiga Eliúde a lidar com nosso Blog. Passei por estes dias em Caetés ultimando uns negócios e fui a Bom Conselho. Em Caetés, não vi muitas novidades. Em Bom Conselho cheguei no sábado dia 16 à noite, ainda peguei o burburinho da Serenata, embora estivesse muito cansado para curtir suas ondas sonoras. Desta vez fiquei num hotel no centro, uma pousada, que deu para passar uma boa noite e esperar o último dia da festa do encontro dos bom-conselhenses.

Pelo que me falaram, é uma espécie de evento que já existe há dez anos, e que grande parte dos nativos do município, espalhados por todos os cantos, comparecem para ouvir um trio papacaceiro. Alguns dizem que isto era antes, agora a festa cresceu, e há outros eventos, que melhoram a cada ano, e que se espera se transforme numa efeméride turística da cidade.

Eu não havia pensado ainda, numa festa desta para Caetés. Quem sabe não poderemos programar uma igual para que Lula, ao invés de andar com um isopor na cabeça em um praia bahiana, venha curtir os Encontros de Caeteseiros, em sua terra natal. Quando puder voltar lá vou conversar com algumas lideranças do município, e pedir ajuda do Rafael Brasil, para que ele divulgue a ideia, no seu Blog. Óbvio que terei de explicar para ele que não é uma festa só para o Lula, e convencê-lo de que, se ele vier, será muito melhor para o município. Inclusive para o meu projeto de Academia.

E é de Academia que quero falar hoje. Hoje, pela manhã li uma matéria no Diário de Pernambuco (27/01), do Thiago Correa cujo título era: “Tempo de renovação nas academias”. Me interessou muito, pois como todos sabem, minha luta para criar a Academia Caeteense de Letras, é antiga e difícil. Já percorri caminhos certos e tortuosos em busca de apoio, inclusive do Lula (http://www.citltda.com/2009/10/o-encontro-com-lula.html). Não porque ele tenha o perfil de acadêmico tradicional, mas, pensando bem, que perfil o Lula seria incapaz de encarnar depois de ser Presidente da República?

Eu não sei se Lucinha Peixoto, minha aluna, colega e opositora política, tem acesso, em Belém, ao Diário de Pernambuco. Acho que não. Mas ela iria adorar a primeira frase da reportagem e leria com muita atenção o restante:

A ideia de que a literatura é uma arte solitária está cada vez mais em desuso, dada a proliferação de festivais, debates e mesmo devido às possibilidades interativas do meio virtual. Embora evoque uma época distante dos dias de blogs e Twitter, as academias de letras vem pegando carona nessa onda de literatura coletiva.”

A matéria vai além enfatizando um verdadeiro movimento de criação de academias em Pernambuco, e chama a atenção para a Academia de Letras e Artes do Nordeste, que terá como presidente Ana Maria César. A presidente da, já existente, Academia de Artes e Letras de Pernambuco cita na matéria, a proximidade amistosa entre as entidades modernas e as entidades tradicionais, pelas suas fundamentações, de ambas, na academia francesa, e segundo ela, “a diferença da nossa, é que temos um leque maior. Além da parte literária, tem a artística, com espaço para o teatro, as artes e a música”.

Lembrei de Lucinha porque foi esta a ideia que ela sempre defendeu para a Academia Bom-conselhense de Letras. O Zetinho, penso é mais tradicional. Mas isto eu deixo para eles.

Quanto a de Caetés, fiquei balançado em ampliar o leque de minha tão sonhada Academia. Com uma nova estrutura, na qual pudéssemos acomodar a onda de literatura virtual, já teríamos acadêmicos certos. Uma cadeira certa seria para o blogueiro Rafael Brasil. Não tendo a cadeira 45, pois talvez a nossa Academia não seja tão grande, tenho certeza que ele ficaria com a de número 25. A 13 já é de Lula. Se ele não quiser, e nossos estatutos permitirem pessoas do Agreste Meridional, mas não de Caetés, a cadeira 13 será do Roberto Almeida.

Deixando a Academia de um lado e a procurando do outro, hoje Lula vem ao Recife. Todos que me conhecem sabem que estarei a postos para encontrá-lo e cobrar velhas promessas, e, se houver tempo, discutir o filme e o livro sobre sua vida. Primeiro mencionarei a Academia e minhas ideias de ampliá-la para as artes. Quem sabe se isto não o toca no coração, ciente do artista que ele é na política, para o nosso projeto? Vou para Paulista, é aqui perto do município de Eliúde, talvez ela vá comigo. Ele vai inaugurar uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), que é um estabelecimento voltado para a saúde da população. Tentarei falar com ele de qualquer jeito. Meu grande problema é que ele vem com a Dilma a tiracolo e talvez com o Ciro Gomes. Desde criança o cara é muito esperto: “dá uma no cravo outro na ferradura”, espero que ele erre os dois e acerte no Eduardo. Se a Dilma pressentir que estou por perto, ela manda reforçar a segurança. Pensei até em torcer o pé para entrar lá como doente e arriscar ser o doente entrevistado por Lula na inauguração. Ah, se eu conseguisse... Queria ver a cara da Dilma e do Ciro.

Se conseguir falar com ele conto depois. Tenho que voltar ao Encontro de Bom Conselho em seu último dia, só para dizer o seguinte. Não precisei perguntar a ninguém aonde seria a festa principal. Quando olhei pela janela do quarto eu via passar pessoas e mais pessoas vestindo uma camisa alaranjada, que pensei ser propaganda de Crush. Mas, Crush não existe mais. Então deveria ser da Fanta ou da Sukita. Pensei, então será o Bloco dos Pacachaceiros do qual Lucinha falou, e inventaram a caipirinha de laranja? Já imaginei no encontro em Caetés, um isopor cheio desta caipirinha. O Lula não resistiria. Não tive dúvida, segui atrás e fui parar perto da AABB, onde todas aquelas pessoas entravam. Vi passar alguns conhecidos, um pouco apressados, e não quis atrapalhar. Fui procurar outras atrações, noutros locais. Em vão. Não vi nenhuma. Voltei para o Recife.

José Andando de Costasjad67@citltda.com

P.S. – Escrevi este artigo ontem e prometi escrever mais, se encontrasse Lula. Encontrei, mas, infelizmente não pude falar com ele. Uma multidão estava na minha frente e jamais ele notaria meus acenos e gritos. O Ciro Gomes não veio. A Dilma veio e falou no comício da inauguração. Graças a Deus ela falou. Digo isto porque penso que um dia o meu conterrâneo e amigo de infância, acordará. Pois, como já disse, ele pode estar fazendo a grande besteira política de sua vida apoiando esta senhora. Em poucos minutos ela fez Ariano Suassuna nascer em Pernambuco, para o constrangimento de algum paraibano que estivesse presente, e citou uma grande frase dele: “Somos madeira que cupim não roi.” O nosso grande Capiba deve ter se remexido no túmulo, com mais esta “gafe” da Dilma. Mas sabemos que quando Capiba fez esta letra não estava pensando em pessoas iguais a ela, e sim em pessoas que são “madeira de lei que o cupim não rói”.

Mas o cume das "gafes"veio quando ela chamou o prefeito do Recife de Zé da Costa, o prefeito de Olinda de Ronildo (seria o mesmo que chamar o Renan Calheiros de Ronan), e que a UPA inaugurada ficava em Paulistas. Foi aí que minha amiga Eliúde disse:

- Se ela chamar a cidade onde moro de Paudalhos, eu vou ter uma biloura!

Com isto tudo, meu conterrâneo Lula foi quem não aguentou, e quem teve a biloura foi ele. Graças a Deus, apesar de não poder receber o justo prêmio de Estadista Global, na Suiça, foi uma biloura sem nenhuma consequência grave.

Mesmo assim a população delirava. Ninguém ali parecia conhecer Ariano, Capiba, João da Costa, Renildo Calheiros ou Dilma. Conheciam apenas o Lula e o Eduardo. Acorda conterrâneo, enquanto é tempo.

JADC

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