segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O AEROPORTO

O nosso campo de aviação foi feito por meu tio Gervásio Pires em sua propriedade da lagoa da pedra, sitio este vizinho a nossa cidade.

Nos idos dos anos 50 Rucker Vieira Belo (grande cineasta do cinema novo – Ver textos abaixo sobre ele), filho de tio Gervásio iniciou um curso de aviação e para coroar este curso ele resolveu vim de avião da capital do estado até nossa cidade, que para isto era necessário que existisse um lugar para ele pousar, foi ai que meu tio Gervásio fez o campo de aviação.

O campo depois passou para o estado e foi muito utilizado por Paulo Guerra (governador) e pelos os executivos da fabrica de laticínio Santa Maria.

Chega o dia em que nossa cidade iria receber o primeiro avião em seu solo, quando ele apontou nos céus de nossa cidade foi um alvoroço total, a multidão emergiu inteira para o campo, e viram pela a primeira vez um avião de perto, podia tocá-lo, sentir seu cheiro, ouvir seu barulho, em fim nossa cidade era uma cidade com futuro, pois tinha um campo de aviação.

Passado quase 50 anos, é na gestão do governo de Daniel Brasileiro, que o governo do estado resolve transformar o campo de aviação de terra batida em campo de pouso pavimentado, também foi murado totalmente, evitando assim que animais trafegassem nele.

No dia da inauguração das benfeitorias do campo de futebol, pois Daniel brasileiro tinha colocado alambrado, grama e iluminação, foi feito um jogo com o juvenil do Sport clube do Recife, e existia a expectativa que o deputado federal Armando Monteiro viria para a inauguração do campo, pois foi ele quem conseguiu a verba para a melhoria do estádio, estava para começar o jogo quando aparece nos céus de nossa cidade um avião ai foi um alvoroço total, era o homem que estava chegando, o pessoal da prefeitura e partidários do deputado debandou para o campo de aviação, para receber o deputado e comitiva, o avião faz as manobras de praxe e desce em solo bom-conselhense, a expectativa era grande, e para supressa de todos desce Romerinho Paes com uma latinha de cerveja na mão já cheio dos crecreus, e dizendo que beleza a recepção para a minha pessoa, não pensei que fosse tão importante, em dois minutos os puxa saco de plantão deram no calo e ficou Romerinho esperando que a família viesse recolher o mesmo ah ah ah.

Alexandre Vieiratenoriovieira@uol.com.br
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SOBRE RUCKER VIEIRA



Rucker Vieira entrou para a história do cinema brasileiro por ter feito, em 1960, a fotografia de Aruanda. Esse documentário, dirigido por Linduarte Noronha, é considerado o filme que inspirou o modelo estético do Cinema Novo. Glauber Rocha e outros realizadores dos anos 60, críticos e historiadores foram unânimes em afirmar que a luz crua de Rucker Vieira vista também em trabalhos como Cajueiro Nordestino (1962, direção de Linduarte Noronha) e A cabra na região semi-árida (1962, esse com direção do próprio Rucker Vieira) influenciaram diretamente as concepções visuais que nortearam o movimento.

Nos anos 70, Vieira continuou sua carreira fotografando curtas de Fernando Monteiro, Fernando Spencer e alguns filmes em super 8 de Jomard Muniz de Britto. Foi cinegrafista da TV Universitária e da Fundação Joaquim Nabuco e depois dedicou-se a realização de filmes e vídeos institucionais. Aos poucos, porém foi sendo esquecido e apenas o jornalista e cineasta Amin Stepple realizou, no início dos anos 90, um vídeo sobre ele. Nos últimos anos Rucker Vieira foi morar em Roraima e morreu no início de 2001 sem que o fato tenha sido registrado ao menos nos jornais locais.

Alexandre Figueirôa

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ARTESÃO DA IMAGEM

Fiquemos certos de que Aruanda quis ser verdade antes de ser narrativa: a linguagem como linguagem nasce do real, é o real, como em Arraial do Cabo. [Linduarte] Noronha e [Rucker] Vieira entram na imagem viva, na montagem descontínua, no filme academicamente incompleto. Aruanda inaugura assim o documentário brasileiro. [...] Os dois cineastas podem realizar um trabalho inestimável no levantamento visual socioantropológico do Nordeste. E para isso não é importante ter apenas uma câmera: é necessário o senso de cinema natural em [Linduarte] Noronha e [Rucker] Vieira; a cultura-método-humildade-coragem artística de Linduarte Noronha; a modernidade da luz do fotógrafo Rucker Vieira, inimigo dos crepúsculos à Figueroa, dos filtros sofisticados: sua luz é dura, crua, sem refletores e rebatedores, princípios da moderna escola de fotografia cinematográfica do Brasil.

Glauber Rocha. In: Revisão Crítica do Cinema Brasileiro.

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E Rucker, que embora soubesse os procedimentos da arte fotográfica e cinematográfica, fez Aruanda da maneira mais apropriada e sensível, o mais parecido possível com seu objeto de estudo, seu objeto de enfoque, que era a própria rusticidade, que era a própria aridez do meio e do produto cultural - a cerâmica ou o cultivo do algodão. [...] Eu falo justamente dessa fotografia, desta luz que vem rasgando, daí a palavra rascante tantas vezes usada, que vem se assemelhar em muito à gravura popular. O que é preto é preto, o que é branco, é branco, não tem matizes, isso virou um estilo, não existia antes. Aruanda rompeu e inaugurou um estilo de fotografar no Nordeste.

Vladimir Carvalho.In: Aruanda: tributo a Linduarte Noronha.
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(*) As fotos e reportagens sobre o Rucker Vieira foram enviadas pelo autor.

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