domingo, 10 de janeiro de 2010

O Apedeuta



Tu quoque, Brutus, fili mi? Esta frase, em latim, se supõe ter sido dita por Júlio César, imperador de Roma, durante uma revolta de senadores, que ocasionou sua morte. O verdadeiro significado dela reporta à atitude do imperador quando viu o seu fiel aliado Marcus Junior Brutus, entre os revoltosos. Com muitas traduções e controvérsias, ela quer dizer: “Até tu, Brutus, meu filho?”, “Tu também, Brutus?”, "Mesmo tu, Brutus?". Realmente o que nos indica a história por trás dela é a atitude de César, ao ver, entre aqueles que o estavam tirando a vida, alguém que ele amava como a um filho. Ele simplesmente parou de lutar pela própria vida. Ela não valeria a pena sem a amizade sincera de determinadas pessoas.

Lucinha Peixoto foi uma das minhas mais brilhantes alunas. Viva, inteligente, sagaz, parecendo ter o inverso de sua idade, ou seja 16 anos. Durante minha permanência na CIT sempre conversamos e tivemos nossos entendimentos e desentendimentos educados e cordiais, embora, às vezes, ela quisesse me contraditar na ponto dos pés. Hoje ainda a prezo, não como uma filha, eu só tenho 36 anos, ao inverso, mas como uma grande amiga. Tem defeitos? Muitos. Embora menos do que os que ela diz que tem. Um deles: não gostar do Lula, como presidente. Isto eu já sabia. Agora ela está tentando botar as "manguinhas" de fora, falando abertamente do meu conterrâneo.

Agora eu digo, fazendo uma coisa que ela adora fazer, parafraseando Júlio César: “Tu quoque, Lucinha, fili mi?", ou, “Até tu, Lucinha, minha filha?”. Entretanto não farei como o imperador romano, entregando o Lula, meu colega de infância, de bandeja, desistindo de defendê-lo. Ele merece minha defesa e a de todos os brasileiros.

Lucinha não é nada original ao chamá-lo de apedeuta, talvez o seja quando o chama de Apedeuta-mor, não sei. Sei que existem centenas de artigos em todos os lugares chamando o Lula de apedeuta. Penso que o seu perfil é adequado ao termo, isto é inegável. Pelo menos em uma das suas acepções, sendo substantivo ou adjetivo: sem instrução. Discordo quando querem dar ao termo outros significados mais deprimentes como ignorante, grosseiro ou estúpido, a não ser que dêem a estes termos os seus significados mais leves. Dizer que o povo está na “merda”, não é ser grosseiro, é dizer uma verdade em nosso país, ainda de pobres. Dizer que não sabia do mensalão não é ignorância e sim sagacidade política. E estúpido, pela nossa convivência em criança, sei que ele nunca foi.

Com tudo isto explicado, que mal há em ser um apedeuta ou sem instrução? Apenas os mistérios de nossa língua portuguesa, que será brasileira uma dia, pode explicar. Apedeuta é uma palavra horrível. Mesmo sem saber o significado, alguém, sendo chamado de apedeuta, pode mandar o agressor para o outro mundo, por legítima defesa da honra. Porém, aqueles que hoje chamam o Lula de apedeuta, visando menosprezá-lo no embate político/eleitoral que se aproxima, podem, como se diz, “cair do cavalo” outra vez.

Li uma nota sobre o Lula, do meu colega José Fernandes no Mural do nosso Blog. Apesar de termos discordâncias sobre a Reforma Ortográfica, tenho que elogiar a sensibilidade política dele. Além da correção linguística e gramatical do seu texto o que ele diz sobre o Lula é incontestável. E peço a devida vênia para aqui citá-lo:

Sem títulos de doutor, sem pós-graduação, sem graduação, sem ser professor da Sorbonne, Lula tornou-se uma liderança nas Américas, Caribe, e um pouco mais além. Não adianta dizerem que a corrupção foi estrondosa. Porque a corrupção é uma praga, desde que acharam o Brasil. Fernando Henrique, o sociólogo erudito, nunca quis que nada fosse apurado. E hoje, esse PSDB do finado Sérgio Motta, que tem um Eduardo Azeredo, uma Yeda Crusius, um Cássio Cunha Lima etc. Esse PSDB dos furtos do Rodoanel (SP), do Detran (RS), do mensalão do Azeredo (MG), das falcatruas do Cássio Cunha Lima (PB) etc. etc., quer nos dar lição de ética na política. É esse mesmo PSDB que queria o Zé Roberto Arruda, chefe da gangue do mensalão do DEMO (PFL), em Brasília, queria que o Zé Roberto fosse o vice de Zé Serra. E o mensalão do Zé Roberto vem de 2006. E todos já conheciam o Zé Roberto, desde quando ele fez dupla com o truculento Antônio Carlos Magalhães, vulgo ACM, e fraudaram a votação no painel eletrônico do Senado.”

Muitos dirão que defendo o Lula de forma interessada pois estou tentando que ele me ajude a fundar a Academia Caeteense de Letras, ou porque fui seu colega de infância. Ledo engano. Basta ver as estatísticas deste Brasil, antes e depois dele. O Brasil melhorou e muito. Não simpatizo, isto sim, em nada com a candidata que ele quer que o substitua, esta sim, uma apedeuta no mau sentido, apesar de dizer que tem mestrado e outros títulos, dentro de grandes controvérsias.

Penso até que, conhecendo a Lucinha coma a conheço, sua ênfase no apedeutismo de Lula, seja uma conseqüência de sua concordância comigo neste aspecto, de quem venha a ser a candidata de Lula. No fundo no fundo ela é uma Marinete. E não se surpreendam se ela se filiar ao PV brevemente. Se as conversas que tive com ela ainda valerem, o PV em Bom Conselho que se prepare para crescer, junto com Marina Silva e Lucinha Peixoto, nos próximos anos.

Pensando alto e escrevendo, eu diria que a candidatura de Dilma pode ser o grande erro político do meu tão bem sucedido conterrâneo. Ganhando ou perdendo, no embate eleitoral. Mas quem sou eu para falar? Em meu Caetés não conheço nem os políticos, e penso, nem eles me conhecem, a não ser para dizerem, “lá vem o Zezinho da Academia”. Hoje eu apenas digo a Lucinha, se os apedeutas deste país se unirem com o Lula (que ela chama de apedeuta-mor e eu discordo, seria um título mais adequado para o Costa e Silva) ele elegerá até Zé da Luz para presidente. Por isso eu conclamo aqui: Apedeutas do Brasil uni-vos. Não deixem o Lula ir em frente com a Dilma. Se for, ele pode repetir Júlio César, perguntando, no senado: Tu quoque, Dilma, fili mi?

José Andando de Costasjad67@citltda.com

P.S. – Estou em Recife para agradecer a Eliúde pelo presente de Natal: o livro da História de Lula, que li de um fôlego só, e venho assistir ao filme do qual ele se negou ver a estréia em sua terra. Depois escreverei a respeito. A raiva que tive já está passando, mas o esperarei em Bom Conselho, para a inauguração da Perdigão, completa. Neste ínterim darei uma ajuda à minha surpreendente aluna e amiga, Eliúde. Talvez espere os outros que estão em Belém vendo o peso no Mercado.

(*) - As imagens são um trabalho de Computação Gráfica feito pelo Jameson Pinheiro, que pede para avisar que para ver as fotos num tamanho maior é só clicar nelas e que qualquer semelhança, nelas, com pessoas ou fatos reais, é mera coincidência. A pintura original é de Vincenzo Camuccini, de 1798.

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