segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A PARTIDA


Eu não entendia.
Perdoa, pai!
O que você sentiu naquele momento?
Dizia que deixara a terra dele com dor no coração...
Eu não entendia....
O sangue nordestino, o lugar onde nasceu, a gente querida que faz parte da vida.
Dizia mangar. Mangava?
O que era isso, mesmo??
Tinha um xodó.
Tinha os amores, a casa, a identidade.
Eu, definitivamente, não entendia porque a saudade amargava "qui nem jiló".
Que existia uma estradinha, um lugar chamado "Caixa D'água ",
uma igrejinha dos Timóteos....ele falava tanto , um lugar, Calderões , um dia vou viver lá.
Hoje eu sei que houve um momento de despedida, choro, o coração teria acelerado?
Houve um ônibus, uma mala...para onde mesmo??
Uma partida que nada mais é que uma chegada. Um começo.
No turbilhão de casas novas, indiferentes, ele procurou a profissão, a estabilidade,o bem estar. Mas a cabeça sempre lá, naquele pequeno ponto do mapa.
Veio, viu e venceu.

Deixou o maior legado aos filhos: estudo e o exemplo da honestidade.
Presente maior, o humor e o amor pela terra que deixou.
Amo o cheiro da manga, da castanha assada, cheiro do candeeiro. Adoro o cheiro da bosta da vaca ou boi, sei lá quem fez......
Não importa! Tem cheiro da terra, de terra, de gente, de lar, do lar......
Cheiro de terra molhada.
Cheiro de família.
Cheiro de pai e de mãe e de pão quentinho...
Bem estar. Estar bem.
Um dia ele voltou ao aconchego tal qual a música....
Obrigada por me ensinar que o m é mê.
Que o n é nê e o f é fê.
Que importa?
Entendo tudo agora e agradeço.
Obrigada, pai, por me fazer amar seu mundo que virou meu.
"Quer dançar mais eu?
- É dançar comigo, pai.
Que seja, filha
"
Assim, seja, pai.
Amém.

bjusssssssssss

ANA LUNA - anammluna@yahoo.com.br
São Paulo
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(*) As fotos da Igreja dos Timóteos, de Caldeirões e uma casa em Caldeirões, são do acervo da CIT.

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