terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Uma Tragédia para o Bem



Enquanto o Cleómenes está “arrebentando” no Correio Sete Colinas, órgão noticioso de nossa cidade vizinha, Garanhuns, por ter escrito um artigo mostrando as contradições da existência de Deus, nós outros, não tão descrentes, durante os últimos dez dias, ficamos apelando para que Ele resolvesse uma contradição fundamental para nossa empresa, e que envolve todos os nossos funcionários.

Entretanto, antes de fazê-lo, me remeto ao passado, longínquo para nós, e infinitesimal para Deus, de nossa época de criança. Esta compulsão sempre surge quando o nome de Garanhuns me é mencionado, o escrevo ou o leio de alguma forma. Posso dizer que durante o tempo em que habitei minha cidade de Bom Conselho, Garanhuns foi a localização geográfica da qual mais ouvi falar. Minha avó dizia, “pegamos o carro de boi e fomos pegar o trem em Garanhuns”, isto quando queria ir para Recife. Meu pai dizia, “para comprar melhor tem que ser em Garanhuns”. Minha mãe dizia, “eu prefiro ir ao Dr. Lessa em Garanhuns, o Dr. França não resolve”. Muitos diziam, “tem que levar para o Dom Moura em Garanhuns”, e assim por diante. Sem contar o que mais gostava, que era ir a Garanhuns, andar na Av. Santo Antônio, comer maçã argentina, e um bolinho que havia na Pastelaria Suíça.

Sai de Bom Conselho e fui crescendo e criando aquele apego ao nosso torrão natal e começando a ver Garanhuns como uma cidade, a qual havia sido a solução dos nossos problemas, transformar-se no nosso pesadelo. Através dos estudos, comecei a ver que, como diz os versos do Billy Blanco, “o que dá prá rir, dá prá chorar, é só questão de peso e de medida, questão de hora e de lugar, mas isto são coisas da vida”, Garanhuns era a cidade para a qual trabalhávamos. Meu pai se matava de trabalhar no comércio e na agricultura e quem ficavam ricos eram os atacadistas, comerciantes, médicos e advogados de Garanhuns. Depois descobri que Palmeira dos Índios também teve sua dose de culpa.

Não irei aqui fazer análises profundas sobre o que acontecia com nossa cidade em relação a Garanhuns, para que eu a ficasse vendo sempre como o Brasil ver a Argentina. Ou seja, a Argentina é um país bonito, florido, etc. mas sempre gostamos de ficar à sua frente, e falamos mal dele. Sei que isto é uma bobagem sem tamanho de um bom-conselhense, que como todos, tem o bairrismo como uma característica quase idiossincrática. Pensando bem, é o velho “complexo de vira-lata”, se não podemos ser iguais a eles, falemos mal deles, mas, tentando fazer o que eles fazem. “O time do Sete de Setembro é um time de pernas de pau, a ABA é muito melhor, pois o nome parece com a AGA.”

No entanto, alguém é culpado por isto, e não só o vira-lata. Nossos líderes, políticos, empresariais, religiosos, etc. nunca ousaram no passado, sair de Bom Conselho. E quando digo sair, não é viajar, geográficamente, é sair da mesmice do passado, vendo que ele pode ser diferente. Continuamos ainda, no fundo, acreditando que “a opinião pública é um cheque sem fundo”, pois se deixa comprar e corromper pelas mesmas pessoas vivas ou mortas há anos.

Há algum sinal de mudança? Não tenho elementos ainda prá julgar por completo. Mas, vi no excelente blog do Roberto Almeida (http://robertoalmeidacsc.blogspot.com/2010/01/prefeita-de-bom-conselho-responde-dr.html), de Garanhuns, um nosso vice-prefeito e nossa atual prefeita, discordando sobre coisas de política. Eu diria que estavam lavando “a roupa suja”, e não quero dizer aqui qual era a sujeira, pois algumas são até bem-vindas, como aquela que vem na fralda do neto de Lucinha Peixoto, quando está com prisão de ventre, e é motivo de muita alegria. Eu só quero dizer que, como diziam em minha infância: “roupa suja se lava em casa”. O Blog da CIT, um autóctone, também está à disposição.

Agora volto ao meu assunto principal deste escrito: uma tragédia. Explico ou tento explicar. Todos sabem que o sonho de todo bom-conselhense hoje é ir ao Encontro de Papacaceiros no mês de janeiro. Fomos lá o ano passado e este ano, prometi a todos que fazem a CIT, por serem quase todos da terrinha, liberá-los para ir ao glorioso evento. Mas, no meio caminho tinha uma pedra: um curso em Belém. Removi a pedra com uma negociação de horários, que livrava com folga as datas da referida festa.

Como todo empresário do ramo das diversões e comunicações sabe, podem perguntar ao Luis Clério, ao Saulo Bezerra, ao Sílvio Santos, ao Jodeval Duarte ou mesmo Roberto Almeida ou Marinho, para se levar à frente nossos empreendimentos, muitas vezes precisamos fazer sacrifícios, e levamos juntos nossos funcionários e colaboradores. No caso da CIT Ltda, empresa que dirijo, não com mão de ferro, mas, com pata de caranguejo, houve um problema junto aos nossos locadores, que antes recebiam em $RE (nossa moeda própria: Risos e Emoções), e agora só querem receber em $R (Reais), não aceitam nem dólares, pois alegam que hoje é moeda podre. Então, depois de semanas de infrutífera negociação com eles, resolvemos deixar nossa, não tão suntuosa sede na Rua da Aurora.

Para aqueles que nos acompanham, desde o início, não é novidade que já tivemos sucursal até no exterior, então, veio a crise, da “marolinha”, e fez-nos mudar planos e metas, quanto a locais e funcionalidade. Agora somos sem-teto. Ao invés de comerçarmos a invadir prédios públicos abandonados, como o Parque Dona Lindu aqui em Recife, nos reunimos, no que já está sendo chamada a Cúpula de Belém, e chegamos a uma solução para o problema. Fazer o que todo mundo hoje, no nosso ramo, faz: cada um fica na sua casa e usamos vídeos conferências programadas para o nosso trabalho. Não teremos mais uma sede física. Estaremos em toda parte e em nenhuma parte. Neste momento estamos fazendo isto. Estamos em Belém, Eliúde em Paudalho, Zé Andando em Caetés e a coisa funciona. Uma grande solução. Todos adoraram, até saber das consequências.

Para que este projeto dê certo e a CIT possa continuar servindo aos seus milhares de clientes, é preciso aprender a usar equipamentos. Hoje vivemos de informação, quem não se informa, dança. Para que isto fosse feito, sem solução de continuidade, deveríamos aproveitar um curso que está sendo dado em Belém, e que se estende até o início de fevereiro. Pelo bem da empresa e do emprego, todos concordaram, embora com reações diferentes.

Lucinha quase desmaiou, quando seu marido não aceitou a solução e resolveu voltar para Recife. Sandoval, mais frio, disse: “Abaixo a Ditatura!”. Jameson, que tinha alguns planos de ficar em Belém mais um tempo, não ligou muito. O pior foi ver o Cleómenes, que já havia prometido uma “loura suada” ao Roberto Lira no Encontro, dizer, em tom de brincadeira, é claro: “Seja feita a vontade de Deus!”.

Por isso tudo, é com pesar que aviso aos nossos amigos do Grande Encontro, que só poderemos acompanhá-los de longe. Esperamos que os fotógrafos do SBC façam uma grande cobertura para que, mesmo assim, possamos curtir a festa. Espero que todos nos compreendam que é para o bem de nossa empresa. Como dizia minha mãe: “Vão os anéis e ficam os dedos”. Em nosso caso se vai a festa mas ficará uma CIT mais forte, cada um em sua casa, com seu laptop em punho, como está agora a Eliúde. Este é o bem da tragédia. Espero até que a Eliúde e o Zé Andando compareçam ao Encontro para serem nossos representantes lá. Mas, isto é com eles.

Sobrou um problema. Antes tínhamos um endereço físico, onde as pessoas iam nos visitar e o correio entregava nossas correspondências. E agora? Na reunião Lucinha falou:

- Por que não falamos com o nosso ex-diretor-presidente? Ele tem um endereço fixo e foi ele que começou esta bagunça de empresa, que era pior no tempo dele! Nem podíamos escrever! Talvez ele tenha uma solução melhor!

Não sei se o Zé Carlos vai poder nos ajudar, se colocarmos a questão em outros termos. Podemos prometer a ele um estágio aqui na CIT, agora mais virtual ainda, para o seu neto, dizem que o menino adora um computador. Sei lá, quando voltarmos veremos. Eu estou arrasado. Mas o objetivo é não diminuirmos nosso ritmo de trabalho. Bom Conselho é a causa, e seja feita a vontade de Deus.

Diretor Presidentediretorpresidente@citltda.com

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