quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

AS AVENTURAS DE NIÉ



Nunca perguntei seu verdadeiro nome, apenas sei que todos o chamam de NIÉ, isto é o bastante para este grande bom-conselhense responder ao chamado.

Oriundo da Barra do Brejo, onde morou por muitos anos, casado com uma filha de seu Luiz de Fio, sempre militou no comércio, sendo uma pessoa muito falante não tinha dificuldade de se comunicar com as pessoas, o juízo do nosso personagem é pouco, tem um parafuso a menos, isto não quer dizer que seja doido é o que nós podemos chamar de meio avexado.

Nosso personagem era dono da mercearia que tinha sido do finado Obadias, dentro do possível a mercearia ia bem, ele morava na casa que tinha por trás da mercearia, porém certo dia estava Nié rezando na cama antes de dormir, como um bom cristão estava ajoelhado sobre o colchão ao terminar a oração e fazer o sinal da cruz, ouve um estampido e um som de vidro quebrado, em seguida ouve um baque na parede é quando acende a luz e constata que uma bala tinha atravessado o seu quarto e se alojado na parede, a bala tinha passado a dois dedos da sua cabeça. Naquela época em nossa cidade todo mundo andava armado e não tinha um dia que não houve tiro na rua.

No outro dia vendeu a mercearia e foi embora para Maceió, quem comprou a mercearia foi Adelmo, que com esta mercearia terminou ficando rico, presume-se que se ele tivesse continuado com a mercearia teria ficado rico.

Nosso amigo depois de perambular por Maceió, tentado tudo quanto foi de profissão voltou para sua terra natal, daí por diante tem estado conosco todo este tempo levando alegria com suas conversas e opiniões, principalmente nas eleições, pois o mesmo é doente por política, iniciando sua participação votando em Manuel Luna.

Nié foi aproveitado no governo de Dr. Daniel, no cargo de chefe do almoxarifado, sempre competente e honesto.

Nosso personagem não perdia uma caminhada, sempre animado levantando os braços e vibrando com força e determinação, quando a coisa esquentava, ele agarrava uma neguinha, podia chover canivete que ele não perdia a caminhada. Certo dia numa caminhada na Rua José do Amaral, a animação estava acima do normal, a música da campanha tinha pegado, e nós estávamos vendo que o nosso candidato tinha reais condições de ganhar, e lá vai Nié levantando os braços com força, é quando por um descuido uma velhinha ia passando na hora em que ele ia levantando os braços, não deu outra a mão de Nié pegou no rosto da velhinha, o boné da velhinha voou longe, a dentadura da velhinha caiu no meio da multidão e o povo passou por cima, pense na bagaceira, e a velhinha gritando quero minha dentadura quero minha dentadura, que dentadura que nada, só tava o pó, pois a quantidade de gente era muito grande e passaram por cima dela.

Alexandre Tenório - tenoriovieira@uol.com.br

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