domingo, 14 de fevereiro de 2010

CARNAVAL DE BOM CONSELHO - COMPLEMENTO



Os artigos sobre carnaval estão fidelíssimos ao tema. Reporto-me ao de Alexandre, pela atemporalidade. De fato o nosso carnaval já foi um dos melhores. Recordo, além do que ele dimensionou, aquilo que mais mexia comigo: A TURMA DO FUNIL. Eu ficava encantado com aquele turbilhão de energia pura, regada ao lança-perfume que, na época, era permitido e dava uma emoção diferente para os usuários. Normalmente, eu permanecia a distancia. O maior motivo era o medo da multidão, eo empurra-empurra, mas me lembro de um FUNIL enorme que chegava a caber uma criança dentro, salvo engano. Outro lado que me recordo é o mela-mela, pois fazia parte daquela forma de se brincar e melar ou molhar quem estivesse por perto. Voltando a Turma do Funil, lembro que havia casas que recebiam os foliões com comidas e bebidas de graça até umas horas.

No viés da tarde, gostava muito de ir ao centro da cidade ver AS MORENINHAS, O PAGA NADA, BOLA DE OURO e outros blocos que não me recordo mais. De fato, o nosso carnaval retrocedeu. A globalização não só acabou com muitos carnavais, como o fez com os cinemas, o Cine Brasília que nos diga. Mas faz parte, pois não se pode fazer omelete sem quebrar os ovos. Este é o preço do progresso, de uma Bom Conselho "NETada", plugada com o mundo, eivada pelas “Lan House”. Quem sabe no próximo carnaval a gente não tem aí o bloco "PEDIDÃO" na folia? Ou então a gente sai, cada um, como seu próprio bloco: DA ILUSÃO, DESEMPREGADOS EM FOLIA, BESTETU, OU VAI OVÃO, DEZ DENTADOS, DEZ ARMADOS, DEZ TITUIDOS, DEZ METIDOS, DEZ TUDO...

O importante é ALEXANDRISAR, quero dizer, resgatar a crônica dele e investir em criatividade. Claro que o passado já passou e fique bem, obrigado. Mas é preciso reconstituir uma nova proposta para a CARNE COM O AVAL de todos. Neste sentido, ouçam um Bom Conselho: felicidade custa pouco e vale a pena. Coloquemos nosso bloco na rua, mesmo que seja o do EU SOZINHO, acompanhado de ilusões por todos os lados.

Daqui, em plena efervescência do GALO, preparo-me para dar uns bordejos. Tenho medo, pois a nossa cidade está muito violenta e o carnaval é um terreno fértil para isto. Mas irei ver o povo na rua em sua maior expressão de naturalidade, inclusive tentando romper alguns paradigmas mantidos durante o ano. Vou ver o povo "soltando a franga" em todos os sentidos e fora dele. Mais no "fora dele", porque sou irreverente e acredito que as estruturas não só são feitas para manter um "status - co", mas para serem quebradas. Senão o mundo não teria chegado aonde chegou, a despeito de tanto preconceito que ainda existem e minam nossas estruturas.
Feliz carnaval para todos.

Carlos Sena - csena51@hotmail.com

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