sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

CINZA



Uma quarta-feira sem fantasias e sem ilusões. O Brasil é um país expert em fabricar ilusões e vestir muitas fantasias. Talvez, essa afirmação seja uma grande verdade, pelo menos quando observamos o quadro real da nossa realidade contemporânea, neste país que tanto amamos.

A alegria estava nas ruas! Mas, que alegria? O que festejávamos? Hoje, diariamente, milhares de crianças lotam as esquinas dos grandes centros urbanos, desfiguradas e sem fantasias, tentando sobreviver no País das ilusões. Nossa juventude, infelizmente, está sendo consumida pela ilusão das drogas, vestindo, assim, a fantasia do êxtase produzido pelos psicotrópicos. Os idosos, estes sim, são os que mais conhecem o gosto amargo da ilusão, pois acreditaram na fantasia da previdência social e no sonho de uma velhice tranquila.

Enfim, parece que têm razão os que afirmam: tudo é fantasia, é tudo ilusão. Senão vejamos: a policia na rua e a ilusão da segurança; escolas abertas e a ilusão da educação para todos; a expansão imobiliária e a ilusão da casa própria para todos; o aumento do salário mínimo e a ilusão de poder comprar; hospitais construídos e a ilusão da saúde; a instalação da CPIs e a ilusão da justiça social.

Na verdade, este é o cenário da realidade brasileira: a fantasia no corpo e a angústia n´alma; o bloco na avenida e a solidão nos lares; a música nos salões e o silêncio nos quartos solitários; as ruas ornamentadas e a vida desfigurada.

O caráter festivo é típico do povo brasileiro. Isso faz com que o clima carnavalesco contagie a todos. Observa-se que uns tempos pra cá o carnaval traz as marcas da vida mercantilizada. Também foi encampado pela competitividade comercial como acontece com tantas outras datas comemorativas. A naturalidade da diversão, tão útil e necessária para o psiquismo humano e coletivo, cede ao esquema consumista.

Já disse Vinicius de Moraes:

A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval.
A gente trabalha o ano inteiro,
Por um momento do sonho.
Pra fazer a fantasia de rei, pirata ou jardineira.
E tudo se acabar na quarta-feira
.”

Ao meu leitor, desejo uma santa Quaresma.

Maria Caliel de Siqueiramcaliel@hotmail.com

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