sábado, 20 de fevereiro de 2010

História do Brasil Politicamente Incorreta - Os Índios



Fiz minhas provas finais no curso e se conhecimento engordasse eu estaria com mais de 120 quilos, e nem ligaria para nem invejaria a Giselle Budchen. A gordura intelectual é localizada na cabeça. Infelizmente, muitas de nosso sexo fazem lipoaspiração até no cérebro. Marina Silva nunca quis saber disto.

Continuo comentando o livro do Leandro Narloch: Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil. (Ver http://www.citltda.com/2010/02/historia-do-brasil-politicamente.html). Num dos capítulos ele trata dos habitantes deste Brasil antes do nosso Descobrimento: os Índios. Lembrei logo que há uma tribo de índios numa cidade vizinha de Bom Conselho, Águas Belas, de onde vieram muitos deles habitar em nossa cidade. Minha memória funciona para lembrar uma família que morava na Rua Joaquim Nabuco, dos quais me lembro dos pais, e dos filhos, mas, só me lembro o nome de dois deles: O Valderêdo e o Paulo Índio. O Diretor Presidente me assessora e diz que se lembra também de seu Pedro Índio, que era pai de Almir, e que estudou no Ginásio. Diz que ele era amigo do Paulo Índio, e contou ao ele a seguinte estória:

"Almir e Paulo Índio foram almoçar num restaurante em Recife, o Alvorada, que ainda hoje existe. É uma “galeteria” lá prás bandas dos 4 Cantos, nas Graças (que saudade!). Chegando lá pediram um galeto completo. Começaram a comer e carregaram demais nos acompanhamentos de arroz, feijão e farofa, não aguentando comer o galeto todo. Um pouco envergonhados de pedir ao garçom para enrolar o resto do frango para levar para casa, Paulo Índio disse para o garçom:

- Por favor, você pode embrulhar este resto de frango num papel prá gente levar para o nosso cachorro. Ele adora galeto!

Ficaram conversando e rindo por ter saído daquele embaraço, para comer o frango “sobrante” depois. Após alguns minutos chega o garçom com um pacote que dava dois do que eles pensavam. Então o garçom disse:

- Como sei que cachorro adora um ossinho de frango, juntei ao frango de vocês o resto de alguns outros almoços. Hoje o cachorro de vocês engorda!

Saíram Almir e Paulo Índio, com um pacote enorme de ossos procurando o primeiro cachorro que encontrasse. "

Saiamos de nossos índios particulares e voltemos aos nossos índios gerais, os antigos habitantes do Brasil. O que o autor do livro acima tem como objetivo básico é desmistificar acontecimentos que de tempos em tempos mudam, para beneficiar o grupo A ou o grupo B, politicamente. Um destes mitos é que os nossos índios tenham sofrido o pão que o diabo amassou nas mãos dos portugueses, nossos colonizadores. Muito pelo contrário, os nossos índios é que foram beneficiados na historia e que as transformações por que passaram os silvícolas durante o período colonial foram feitas pelos próprios índios e não pelos colonizadores.

Por exemplo, em 1646, os jesuítas que tentavam evangelizar os índios no Rio de Janeiro tiveram um problema. As aldeias onde moravam com os nativos, pela proximidade dos engenhos que produziam a malvada da cachaça, levavam os índios a ingeri-la, o que provocava “ofensas a Deus, adultérios, doenças, brigas, ferimentos, mortes” e ainda fazia o pessoal faltar às missas. Sem a Lei Seca para contornar o problema os missionários resolveram mudar as aldeias para um lugar mais longe dos engenhos, evitando que os índios “tomassem umas”. “Não deu certo. Foi só os índios e os colonos ficarem sabendo da decisão para se revoltarem juntos. Botaram fogo nas choupanas dos padres, que imediatamente desistiram da mudança.” Penso que hoje acontece o mesmo com a FUNAI.

Outra concepção errada da história, segundo o autor, é pensar que tudo que se fez no Brasil foi feito pelos portugueses sozinhos. Na verdade, basta pensar em números para saber que os portugueses precisavam dos índios amigos para a maioria das suas missões. Isto começava na descida dos navios. Se não houvesse participação amiga dos indígenas seria quase impossível chegar à terra. E este apoio não foi tão fácil de adquirir como contam nossos livros com espelhos e miçangas, nem com objetos de ferro. Isto só pôde ser feito através de alianças com chefes de tribos contra outras tribos, auxiliando-as nas guerras. “Naquela época, um tupinambá achava um botocudo tão estrangeiro quanto um português. Guerreava contra um tupiniquim com o mesmo gosto com que devorava um jesuíta.

Ele mostra que, como os europeus também gostavam de guerras, o potencial bélico interno, entre os índios, se multiplicou, e todos queriam o apoio dos portugueses, fazendo prisioneiros entre outras tribos para oferecê-los aos estrangeiros. “O extermínio e a escravidão dos índios não seriam possíveis sem o apoio dos próprios índios, de tribos inimigas”. Ele conclui: “Quem mais matou índios foram os índios”.

Prosseguindo com sua história politicamente incorreta, o autor pergunta: Onde estão os índios hoje? Para responder a isto ele começa com um exemplo. “Durante os três primeiros séculos da conquista portuguesa, nenhuma família teve mais poder na vila que deu origem a Niterói, no Rio de Janeiro, quanto os Souza ....O homem que criou a dinastia dos Souza de Niterói chamava-se Arariboia. Era o cacique dos índios temiminós, que ajudaram os portugueses a expulsar franceses e tupinambás do Rio de Janeiro.” Foi assim, com outros índios, que com o passar do tempo não se reconheciam mais como tal, e assim foram se integrando à sociedade brasileira, sem nenhuma menção às suas origens indígenas. A história simplista da extinção dos nativos não passou de uma mistura racial saudável. Por análise genética, chega-se a conclusão que atualmente temos mais de 15,2 milhões de ameríndios, que é mais de quatro vezes a população indígena de 1500. Extinção que nada...

Outro fato verdadeiro, e contrário à historiografia oficial, é que os índios ficaram fascinados com os europeus. “Até a chegada de franceses, portugueses e holandeses ao Brasil, os índios não conheciam a domesticação de animais, a escrita, a tecelagem, a arquitetura em pedra.” Quando viram uma galinha, quase tinha medo dela. Estavam assentados em jazidas enormes de ferro, mas não tinham chegado nem a Idade do Ferro e dependiam da sorte nas caça e na coleta de vegetais, e por isso passavam períodos de fome. “Não desenvolveram tecnologias de transporte. Não conheciam a roda. A roda.” Mas, eles não eram idiotas completos como conta a história, que eles se vendiam por quinquilharias. O que eles queriam e admiravam era outro tipo de riqueza, ferramentas e costumes que os portugueses trouxeram e que haviam sido conquistados de outras culturas e civilizações. As facas, os machados, a domesticação de animais, reduziam o seu tempo de trabalho e aumentavam sua certeza no futuro. “Os índios adotaram não só a tecnologia européia. Assim como os portugueses ficaram encantados com as florestas brasileiras, eles se fascinaram com a natureza que veio da Europa. Vocês sabiam que a banana não é uma fruta brasileira, assim como a jaca, a manga, a laranja, o limão, o café, a tangerina, o arroz, a uva, e até mesmo o coco (não havia coqueiros no Brasil antes do descobrimento)? Além disso, galinhas, porcos, bois, cavalos e cães eram novidades revolucionárias, que os índios não demoraram em adotar. “Poucos anos depois de conhecerem a galinha, os índios já vendiam ovos para os portugueses.” Igual fazemos hoje com os programas de computadores.

O que achei mais importante foi a desmistificação do índio puro e em harmonia com a natureza, que o José de Alencar nos deixou. Quando os portugueses chegaram os índios já tinham feito um belo estrago no meio ambiente. As pragas e as ervas daninhas quando apareciam, e já existiam naquela época, acreditem, sem enxadas e pestecidas, sem saber adubar o solo, simplesmente procuravam outras matas virgens para queimar e transformar em roças. E lá iam eles criando as capoeiras. O autor diz que os índios caipós usavam tanto o fogo que daí veio o nome da tribo – “caiapó” que significa “que traz fogo à mão”. Na verdade, em cinco séculos, não se pode dizer quem fez mais mal a mata, se os índios ou os não índios. Foi por causa de leis ambientais portuguesas que se conseguiu preservar centenas de espécies nativas. “Os portugueses ensinaram os índios a preservar a floresta.” O Peri do Guarani de José de Alencar escondia o fogo.

Outro ponto importante de que trata o livro é sobre o que sofreram os índios, nos primeiros contactos com os colonizadores, em termos de doenças trazidas por eles como a gripe, varíola e sarampo, que foram a principal causa de morte entre os índios. No entanto isto não aconteceu só no Brasil, nem só aos índios. Os portugueses já vinha sofrendo este contágio de outras partes, tanto da Europa como Ásia e África, e quando chegaram ao Brasil, pensavam que eram eles que ficariam doentes. “Ao chegarem à América, espanhóis, franceses, portugueses e holandeses, penaram com doenças novas e as transmitiram pelo mundo.” Entre elas estavam o purupuru, bouba e a sífilis. “A sífilis causou tragédias na Europa.”

E, seria cômico se não fosse trágico, um dos maiores problemas encontrados pelos portugueses pelas bandas de cá foi o bicho-de-pé americano. Eu quando menina, tive bicho-de-pé, pego andando descalça pelos quintais de Bom Conselho. Minha mãe usava uma agulha para extirpar o parasita, e ela sabia que o remédio preventivo era manter os pés limpos e arejados. Os índios também já haviam descoberto a lidar com o bicho-de-pé, mas muitos europeus perderam o pé antes de assimilar a tecnologia autóctone. Para concluir, nossos índios tinham o hábito de fumar tabaco e é provável, que a primeira plantação de tabaco para exportação do mundo tenha sido uma roça paulista de 1548. Hoje a “Organização Mundial de Saúde estima que o fumo vai matar 1 bilhão de pessoas no século 21”. O autor conclui:

Culpa dos índios? Claro que não. Os índios e seus descendentes não têm nenhuma responsabilidade sobre um hábito que copiamos deles....Da mesma forma, quem hoje se considera índio poderia deixar de culpar os outros por seus problemas.”

Vocês sabiam que Zumbi teve muitos escravos? Aguardem. E repito, se a ansiedade for muita, comprem o livro, vale a pena.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

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