sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Lula e Cuba



Pedi permissão aos dirigentes da CIT Ltda para sair do nosso exílio voluntário, que é a discussão do que faremos na era DC (depois de Cleómenes) em nosso Blog. Ele era realmente um dos nossos mais inteligentes participantes. Eu não o culpo por ser ateu. Muitas vezes eu também duvido de minhas crenças, diante de tantos absurdos.

Hoje vi umas declarações de meu conterrâneo Lula, sobre a morte de um cubano preso pelo regime político daquele país, regime que já tem idade para está mais velho e esclerosado do que seu fundador, o Fidel. O preso político Orlando Zapata, fez greve de fome até a morte. Indagado sobre o fato, o meu amigo de infância simplesmente saiu-se com esta frase:

Lamento profundamente que uma pessoa se deixe morrer por uma greve de fome. Eu, depois da minha experiência de greve de fome, pelo amor de Deus, ninguém que queira fazer protesto peça para eu fazer greve de fome que eu não farei mais”.

Eu realmente esperava mais dele. Aquela criança que conheci, que amava a liberdade até para matar passarinho e preá, e não passar fome, não podia ficar só nesta frase. Talvez ele esteja tão habituado ao seu país, este Brasilsão de famintos, que ele pensa ninguém mais morre de fome, porque tem o Bolsa Família. E, talvez pense que em Cuba também ninguém morra, porque 90% do povo vive no mesmo tipo de programa, ele acha que greve de fome é ilícita e asquerosa. O que sugeres então, oh! estadista mundial? Protestar queimando o corpo em praça pública? Pegar em armas e assaltar bancos como fizeram os grupos dos quais participava sua candidata a presidente? Ler um livro sobre a queda do Muro de Berlim em voz alta? Puxar a barba de Fidel até ele virar Raul? Gritar: Abaixo a Ditadura? Fazer greves em sindicatos no ABC de Havana? Fundar um novo Partido dos Trabalhadores, para enfrentar a ARENA castrista?

Não ouvimos do nosso Lula nenhuma sugestão para protestar contra uma ditadura muito mais cruel do que a que ele lutou um dia. No Brasil, quando se fala de esquerda e direita, é motivo de riso. Da esquerda se dizem as pessoas que lutam, contra as injustiças sociais, pela busca de liberdade, contra a miséria e a opressão. Da direita se dizem as pessoas que pensam tudo isto não passar de sonhos infantis, e que o mundo é realmente cruel e que se houver democracia, tem que ser “democracia à brasileira”. Aquela onde os poderosos detém a única noção de ordem e progresso na ponta da língua e manejam como ninguém esta bandeira.

Será Lula de esquerda? Será Lula de direita? Eu penso que este dilema nunca existiu para Lula. Para ele o mundo sempre se dividiu entre aqueles que estão “em baixo” e os que estão “em cima.” E já se foi o tempo em que ele, chorando, defendia o seu direito de roubar frutas maduras nos sítios de Caetés. Realmente, ele é paulista, e aprendeu naquela terra que a única ideologia válida é a dos que estão “em cima”.

Depois desta demonstração de insensibilidade à morte de alguém que luta pelos seus ideais, eu que defendia a ideia do Roberto Almeida da estátua do Lula em Garanhuns, embora só quando ele morresse, agora não defendo nem quando ele estiver morto e enterrado. E já estou em dúvida se, mesmo morto, ele poderia ser o patrano da Academia Caeteense de Letras, como sonhei um dia. É uma pena que ele tenha deixado passar a oportunidade de se tornar, de verdade, um estadista mundial, fazendo um discurso de condenação à existência de presos políticos naquele país. Pode ser que ele não tenha feito aconselhado pelo grande “diplomata” Marco Aurélio Garcia e pelo Franklin Martins para não perder o apoio do PT que ele fundou para ser de esquerda no Brasil e da direita em Cuba. Tomara que tenha sido isto, e, longe deles, no escondinho do quarto, junto com o Ditador Fidel, tenha se passado o seguinte diálogo:

- Companheiro Fidel, por que você não manda soltar estes presos político? Me contaram que um deles está preso porque roubou uma galinha. Matou a penosa para comer, e depois se descobriu que a galinha pertencia a um membro do Partido. O cara pegou, 20 anos por isso!

- Isto é exagero desta imprensa americana, companheiro Lula. Eles nunca dizem a verdade. Foram 3 galinhas!

- 3 galinhas? Mesmo assim, não justifica mais de 6 anos de prisão por galinha. Embora que lá no Brasil, agora estão agindo quase tão discricionariamente quanto aqui. Imagine você, caro comandante, que o governador de Brasília está preso por ter resolvido usar verba pública para comprar panetone. Aí já é demais! Aqui em Cuba também é um exagero. Eu não falei nada em público para não manchar nossa velha amizade mas, dá um tempo companheiro!

- O que você quer então, que entregue o país aos reacionários revanchistas? Eles vão me matar no mesmo dia!

- Companheiro Fidel, isto vai ocorrer de qualquer jeito, todos nós morreremos um dia. Se você não concorda, faça um protesto, faça uma greve de fome, e quem sabe Deus lhe deixa vivo?

- Então, Lula você quer uma Cuba Libre?


- Já faz 51 anos que eu não sinto o gosto de Cuba Libre. Mas, tanto 51 como Cuba Libre é tudo de cana, vamos comemorar com os dois. Mas a “saideira” tem que com 51. Tim! Tim! comandante.

Neste momento entra no quarto o ministro Celso Amorim e diz:

- Presidente, já está na hora de ir para o Haiti. E como eu já lhe disse, se alguém perguntar a respeito das mortes naquele país, repita o que falou em Cuba, trocando greve de fome por terremoto. Diga apenas que lamenta alguém se deixar morrer por terremotos. E pelo amor de Deus, não mencione os 51 anos da revolução cubana e nem Cuba Libre. Assim não perderemos nenhum apoio!

E lá foi a entourage para o Haiti, que também é aqui e não precisava nem sair, sem querer ser poeta rimador.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

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