segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Paulo Tavares



Soube da morte de Paulo Tavares. Eu o conheci quase 35 anos atrás. Morava na Penha, onde moravam também Dodó, Socorro, Luiz Ramos, Juvani, Alípia, Plínio e Priscilla. Ele morava num local diferente. Minha memória não consegue mais chegar lá. Era um tempo bom pela mocidade e um tempo ruim pela saudade do nordeste. Além dos citados que me refugiavam de vez em quando em sua casa, havia seu Naldo, Dona Marieta, Marcos Tobias e Ielda na Abolição, Albenides no centro, Mozart e Tânia, não me lembro o bairro. Como nordestino saudoso não escolhia canto, muitas vezes refugiei-me também no consultório do Marcos Prezideu, penso que era em Ramos. Naquela época, até conversa de dentista era agradável. Estava falando com um conterrâneo.

Disse acima que conheci o Paulo Tavares. Isto não é verdade. O tempo em que falei com ele tinha um objetivo em mente, que turva qualquer relação normal: tirar da casa dele uma sua filha. Nestes casos a conversa é sempre formal e um pouco tensa por mais que tenhamos um enorme senso de humor, o que se aplica a mim e penso que também se aplica a ele. Neles apenas a inteligência aparece, e a dele era privilegiada. Fui a sua casa várias vezes e também conheci sua esposa e outros filhos, e para não cometer nenhuma indelicadeza não tentarei dizer seus nomes.

Óbvio era, que, com o meu objetivo sempre chegava alegre à sua casa e não esperava que, na posição dele, a recíproca fosse verdadeira. Só entendemos estes sentimentos quando ficamos mais velhos e temos filhas. Os marmanjos chegam querendo ser engraçados, rindo pelos cotovovelos, prevendo os atos que vão praticar, e nós os pais, também sabendo, ficamos sempre com aquela cara de alguém que já fez aquilo um dia.

De qualquer jeito era um bom-conselhense no Rio na casa de outro bom-conselhense unidos em torno de uma jovem. Os meus objetivos não se concretizaram, mas neste mundo virtual, com sites e blogs fiquei acompanhando o Paulo Tavares, com esta visão de ex-futuro-sogro.

Sempre o acompanhei nos encontros dos papacaceiros em Bom Conselho, inclusive sua filha e uma coisa sempre me chamou a atenção. Depois de 35 anos, eles não envelheceram, o Paulo que vi nas fotos do último encontro era o mesmo de que lembro em sua casa na Penha. E onde ele hoje estiver tenho certeza que o reconhecerei. Como é de praxe tenho que dar os pêsames à sua família. Se escrevi demais para fazer isto me desculpem, foi porque ele fez parte de uma pequena parte da minha vida.

Tenho certeza que onde ele estiver, e quando eu for prá lá também o reconhecerei de pronto. Não mais quererei levar uma filha sua de sua nova morada e viveremos uma camaradagem alegre, como contam ter sido a sua com quem conviveu. Descanse em paz, Paulo Tavares.

José Carlos Cordeirojosecarlos.cordeiro@gmail.com

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