segunda-feira, 22 de março de 2010

Sobre médicos





Hoje escrevo sobre um tema que é tabu. Dele, as pessoas não falam às claras. Só às escondidas. Têm medo. Vamos a ele, por ser oportuno.

Agripino Grieco foi um crítico mordaz e observador arguto. Nascido no fim do século XIX, faleceu em 1973. Vejam algumas frases dele, sobre médicos: "Médico, por não ter um só cliente, suicidou-se: tinha que matar alguém." "O médico L, matou um cidadão a tiros. Como se não bastasse um simples receituário." "Médico a querer cuidar do pai. Assustadora possibilidade de parricídio." "O médico, deixando de clinicar, passou a escrever. Lucraram os doentes, mas a literatura saiu perdendo." A alguns pode parecer brincadeira. Mas Agripino Grieco sabia do que falava.

Este escrito vem a propósito de um artigo que li no Diario de Pernambuco, de 27.2.2010, de título "Doutor em quê?", escrito por um pós-graduando em Direito. O articulista diz que, ao prestar socorro a um seu familiar, deparou-se com fato lamentável, na emergência de um hospital particular, em Recife. Ele preferiu não citar o nome do hospital. Disse que uma enfermeira, sempre solícita, chamava uma jovem médica, tratando-a pelo seu primeiro nome, sem antepor o indesejado "doutora". E a mediquinha desfilava acima e abaixo, com seu telefone celular, que mais parecia um adereço. A enfermeira perguntava à médica, qual a dosagem de medicamento deveria ser aplicado em outro paciente.

Chamou pela terceira vez, sem receber nenhuma atenção. Até que a médica se irritou e disse à enfermeira: "Até parece que você não sabe ler", mostrando o pernóstico Drª, bordado no jaleco, seguido do seu nome. E acrescentou: "Passei por uma faculdade para chegar aqui. Dessa forma, eu não atendo ninguém". O autor do texto disse que viu as lágrimas nos olhos da humilde enfermeira, por ter passado por tamanha humilhação, frente a vários pacientes. A cena causou revolta em todos. Porém, recobrando o fôlego, a enfermeira respondeu de imediato: "Desculpe, doutora, mas a questão não é o seu título, e sim, a vida de uma pessoa. E, a propósito, eu também sou formada em enfermagem, pela Universidade Federal de Pernambuco".

Ora, "doutor" não é pronome de tratamento. É só um título acadêmico, conferido a quem defende tese. Pode ser também, título honorífico, concedido a quem se engaja numa causa e nela se destaca. Isso é uma verdade que não exige prova. É, portanto, um axioma. - Conversa, puxa conversas: há uns cinco anos, li, na Folha de São Paulo, o desabafo de uma psicóloga. Ela falava com segurança e exemplificava com detalhes. Afirmou e reafirmou que os médicos, em geral, não consideram, nem um pouquinho, os outros profissionais da área de saúde. - Porém, esses relatos não me trouxeram nenhuma novidade.

Durante toda a minha vida, conheci pouquíssimos médicos educados. Conto nos dedos, talvez dois ou três. Entre estes, cito o doutor Agnaldo Jurema, otorrinolaringologista, já falecido. Este era médico e amigo dos que lhe procuravam. Conversava com o paciente, olhava para ele, perquiria e ouvia. Vinha receber o cliente na porta de sua sala, chamando-o pelo nome, antecedido de senhor ou senhora. E mais, coisa raríssima no meio médico: se o doutor Agnaldo atrasasse 20 minutos no horário da consulta, pedia desculpas ao paciente.

Outro, foi o doutor Hélio Ferreira de Araújo, na cidade de Palmeira dos Índios (AL). O doutor Hélio era tão cuidadoso que todos os seus receituários eram datilografados numa Olivetti velha. Isso foi no tempo da máquina de escrever. Contrariava, assim, esse mau costume dos médicos, na sua grande maioria, que produzem aqueles garranchos, para mais se distanciarem dos seus clientes. Por falar em garranchos imprestáveis, causadores de tantos enganos em balcões de farmácias, há uma ginecologista em Garanhuns, cujos garranchos nos seus receituários, já me fizeram ligar de Recife pra Garanhuns, para poder comprar um medicamento para uma sobrinha minha. Em quatro farmácias, ninguém conseguiu ler. Uns diziam pode ser isso; outros, pode ser aquilo etc.

Saindo dos garranchos para outro tipo de desconsideração, há um certo medalhão no Unicordis - Espinheiro, que atrasa cerca de três horas, sistematicamente, para atender pacientes com hora marcada. Todos os dias a pisada é essa. Creio que esses ditos pacientes, além de pacientes, são masoquistas. Porque eu não me submeto a um desrespeito desse tipo, ainda que o tal médico fosse o mais preparado cardiologista de Recife. Já disse isso a dois dos seus colegas.

Tenho comigo, duas entrevistas de médicos, nas páginas amarelas da revista Veja. A mais recente, de 14.10.2009, com o título: Caixa-preta na cirurgia, é do doutor Ben-Hur Ferraz Neto, chefe do Programa de Transplantes do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e um dos médicos mais conceituados em transplantes de fígados. Nela, o doutor Ben-Hur, entre outras verdades ditas, apresentou duas propostas que, infelizmente, ele nunca vai conseguir vê-las concretizadas: a primeira é o uso de monitoramento eletrônico nas salas de cirurgias, tal como as caixas-pretas dos aviões. Porque é ali que o doente está totalmente indefeso: anestesiado, semidespido, à mercê de médicos e auxiliares destes. A segunda proposição: que a consulta médica só deveria ser paga a partir da segunda, isto é, da volta do paciente ao médico. Porque, na primeira, o doente não sabe como vai ser recebido pelo médico. Isto é, ele corre sério risco de pagar pra ser mal-atendido (por um estúpido). Se isso ocorrer, o pobre paciente já perdeu o dinheiro e vai procurar outro médico. Também no escuro, ou seja, correndo o mesmo risco de dar de cara com outro casca-grossa.

Na outra entrevista (revista Veja, de 11.9.2002 - amarelas), cujo título é: Médicos ditadores, o doutor Luiz Roberto Londres, dono da Clínica São Vicente, um dos hospitais mais renomados do Rio de Janeiro, depois de muitas assertivas, diz: "Médicos que dão mais importância a si próprios do que aos pacientes devem ser evitados". E continua: "Nos dias de hoje, o paciente é tratado como um número de estatística, um corpo desprovido de vontade e de história". Essas frases são uma verdade cristalina. Os médicos passam uma superioridade tão aterradora, que, numa simples consulta, o cliente não se arrisca a outra coisa, a não ser concordar com eles. Isso chega a ser burrice dos usuários de serviços médicos.

Voltemos aos meus exemplos: certa vez, após esperar 3h40 para ser atendido numa volta a um médico, por pura incompetência dele, eu lhe disse: a sorte de vocês é que médicos não morrem. Ele se espantou e disse: que é isso, eu já perdi vários colegas só este ano. Eu, então, respondi-lhe: duvido, porque eu conheço médicos com 300, 400, 500 e mais anos. Aí ele pediu que eu parasse com isso, para entrar no tema que me levara ali. Trocou de medicamento e de nada adiantou. Foi quando me indicaram o doutor Sérgio Paulo, que me curou com um simples creme Canesten e uns comprimidos anti-inflamatórios.

De outra feita, voltei para entregar exames a um neurologista do hospital Português. Aguardei a minha hora. Quando a atendente me mandou entrar, eu bati na porta e entrei. O dito médico estava conversando com outro. Eu dei bom-dia. Nenhum dos dois respondeu. Fiquei em pé olhando pra eles. Daí a pouco, puxei uma cadeira e me sentei, já que não fora convidado a sentar. Foi o bastante para que os dois se levantassem e saíssem da sala, sem nada dizer. Nem me olharam. Esperei 15 minutos e me preparei pra sair. Foi quando o dono da sala entrou. E eu disse: já estava de saída. E ele: como, se ainda não lhe atendi? Eu retruquei: pela maneira como eu fui recebido, posso dispensar seu atendimento. Ele calou-se. Mostrei os exames e nem escutei o que ele disse a respeito. Nunca mais voltei lá. E só posso voltar, se for levado por outra pessoa, desacordado. Isso vale também para o cardiologista do Unicordis.

Creio que nas faculdades de medicina deve existir uma cadeira própria pra ensinar arrogância, superioridade, prepotência e mau tratamento. E que essa disciplina deve ser pré-requisito para colar grau em medicina. Assim, os médicos estariam aptos para exercer essa enorme distância que existe entre eles e os pobres mortais. Mas há mínimas exceções na regra geral. E essa regra geral nos leva a supor que médicos não morrem, como eu já disse a um deles. Só as vítimas deles é que morrem. Essas vítimas são apelidadas pelos médicos, de pacientes.

Na semana passada, em conversa com um médico amigo meu, este contou-me um fato também inusitado: um médico fez uma cirurgia num rapaz e, no dia, seguinte, foi visitar a vítima da cirurgia. Então, perguntou-lhe como estava. Ao que o rapaz respondeu, inocentemente: estou bem, graças a Deus. E o médico: graças a Deus, não, graças a mim. Esse é fato verídico, não é enfeite, não.

Há poucos dias, levei minha esposa a uma urgência hospitalar. Ela foi atendida por uma médica educada, que a pôs para receber soro. Mas, às 19h, terminou o seu plantão e veio um médico para rendê-la. Logo de chagada, ele demonstrou toda a sua boçalidade. Minutos depois, ele entrou no ambulatório, vizinho à sala de repouso e me perguntou: como está dona Conceição? Eu lhe respondi: daqui a pouco, vamos aferir a situação dela. Ele prontamente entendeu que eu estava querendo ser igual a ele, e cortou ligeiro, dizendo: se é assim, eu vou lhe deixar aqui no plantão e vou embora pra casa. Eu não engoli e retruquei, no mesmo tom: e amanhã você vai fazer duas audiências ali no Fórum, em meu lugar. Ele calou-se.

Quem quiser saber mais um pouquinho sobre médicos e o que mais acontece nos corredores da medicina, leia o livro: "SEM ANESTESIA, o desabafo de um médico - OS BASTIDORES DE UMA MEDICINA CADA VEZ MAIS DISTANTE E CRUEL", do doutor Alex Botsaris (Editora Objetiva Ltda. - Rio - 322 páginas). Botsaris é clínico geral e acumpunturista no Rio de Janeiro, formado em 1981. Ele começa narrando como se deu a morte de um filho seu, que foi levado a um dos melhores serviços de terapia intensiva para neonatos, num hospital do Rio de Janeiro. O seu livro é recheado de casos clínicos, estudos científicos e dados de pesquisas. Nos agradecimentos iniciais, o doutor Botsaris cita 28 médicos e médicas que colaboraram na elaboração do seu livro.

Se algum médico, por acaso, ler este texto, não há por que se ofender. Poderá até fazer uma auto-análise. Se ele for exceção, que bom! Se não for, paciência. Não é problema meu. É dele mesmo. E quem quer que seja, pode pedir-me mais esclarecimentos sobre o que ora afirmo. É isso./.

José Fernandes Costa - jfc1937@yahoo.com.br

domingo, 21 de março de 2010

Um Texto Erótico



Mais uma vez recebo uma mensagem do amigo José Fernandes. Desta vez ele me repassa um texto atribuído ao Carlos Drummond de Andrade, que o Blog da CIT não poderia deixar de compartilhar com todos os seus leitores.
Ainda mais, depois de ter lembrado dos famosos amores históricos e literários de: Romeu e Julieta, Tristão e Isolda, Dirceu e Marília, Desdêmona e Otello, quando dei uma passada ontem no Mural do SBC e descobri um novo amor: Barão e Baronesa. Fazia tempo que não aparecia algo de novo por lá. O poema a seguir é dedicado ao amor de Barão e Baronesa, sem "mas" nem meio "mas", pois o amor é sempre de utilidade pública, mesmo aqueles eróticos como o que segue.
Sorvam a verve do nosso poeta maior:



“Terrível é meu pensamento a teu respeito,
e ardente é o meu desejo
de apertar-te em minha mão,
numa sede de vingança incontestável pelo
que me fizeste ontem.
A noite era quente e calma e eu estava em minha
cama, quando, sorrateiramente,
te aproximaste.
Encostaste o teu corpo
sem roupa no meu corpo nu,
sem o mínimo pudor!
Percebendo minha
aparente indiferença,
aconchegaste-te a mim e
mordeste-me sem escrúpulos.
Até nos mais íntimos lugares.
Eu adormeci.
Hoje quando acordei,
procurei-te numa ânsia ardente,
mas em vão.
Deixaste em meu corpo e no lençol,
provas irrefutáveis do que entre nós ocorreu
durante a noite.
Esta noite recolho-me mais cedo,
para na mesma cama te esperar.
Quando chegares,
quero te agarrar com avidez e força.
Quero te apertar
com todas as forças de minhas mãos.
Só descansarei quando vir
sair o sangue quente do seu corpo.
Só assim, livrar-me-ei de ti,
Pernilongo
Filho da Puta!”



O riso é a mais sublime das emoções, por isso Deus deu o riso ao homem e só a ele. Espero que vocês tenham rido e se emocionado com o belo poema. Se isto aconteceu, a CIT Ltda encheu “as burras”. Estamos dentro de nossa missão. Sobre as mensagens amorosas de Barão e Baronesa, escreverei depois, se eles não forem censurados. Espero que não.


Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

sexta-feira, 19 de março de 2010

BOM CONSELHO FALANDO PARA O MUNDO - RÁDIO PAPACAÇA






Todos aqui na CIT, quem é de Bom Conselho é óbvio, vivem ligados na Rádio Papacaça. Lucinha disse que já pegou até a missa e já conhece a voz do Padre Nelson. O Jameson, que estará viajando em breve, infelizmente, para Belém, pois não podemos cobrir a proposta pelo seu “passe”, feita pelos “clubes” de Belém, agora não perde um jogo de futebol, seu esporte favorito, pela rádio.


Eu também comecei a ouvi-la dias atrás, e mais especificamente, no dia 09/03/2010, fui no site durante um programa chamado Show da Manhã. O que logo me chamou atenção foi a voz do locutor, do Paulo Dantas. Lembrei muito do nosso locutor preferido há muito: Ricardo Trajano. Voz grossa, suave, dicção perfeita, entonação adequada, enfim, um excelente locutor. Fiquei feliz pela qualidade técnica da Rádio Papacaça. E mais ainda por, naquele programa, ser levantado um tema que me levou a escrever este texto.

Houve uma denúncia da população sobre a má qualidade do sinal de TV recebido na cidade. Imediatamente eu lembrei de minha infância e adolescência, quando ver TV era um sacrifício em Bom Conselho, não só pela qualidade dos programas, mas pela péssima recepção que tínhamos deles.

Eu era um privilegiado por pertencer à classe que pôde comprar um aparelho de TV logo no início das transmissões, ou seja, nunca fui um “televizinho”, como se falava na época daqueles que acompanhavam os programas das janelas das casas vizinhas. As de lá de casa, minha mãe tinha todo o prazer de abrir e ainda chamar as pessoas para entrar e sentar. Menino sentava no chão e se fizesse barulho durante as novelas, as próprias mães mandavam ir brincar de “garrafão” na rua. Não sei avaliar hoje, mas parecia haver um concurso de quem tinha mais “televizinhos”. Tenho certeza, para minha mãe o prêmio era, ao sair à rua pela manhã, ouvir os “bom-dias” e cumprimentos efusivos das colegas.

Todos da nossa idade vivemos a era que chamo pré-tv em Bom Conselho. Era a “Era do Rádio”. Nossos ouvidos se desenvolveram mais do que nossa visão, durante nossa infância. Quando aparecia um aparelho de TV em algum comitê eleitoral, gerava um “enchurrada” de meninos vindo de todos os lugares para ver aquela tela acesa e uns chuviscos que se mexiam, que eles diziam ser as imagens. Ficávamos alguns minutos e íamos brincar de “bicho”, “rouba-bandeira”, “queimado”, “academia”, “garrafão”, “bandido e mocinho”.

Diga-se desta última brincadeira, “mocinho e bandido”, tinha como base os seriados e filmes do Cine Rex: Nyoka, Flash Gordon, Zorro e os filmes de Roy Rogers, Rocky Lane, Bill Elliot (não sei se assim era escrito). Este último usava um chapelão, o qual era usado também pelo pai do Juarez, do Louredo e do Zé Rato Branco, e por isso ele era conhecido como Seu Mané Bill Elliot. Era um dos avós do Alexandre Tenório, que deveria ser um bebê na época. Este já pertence a Era da TV (vejam o que ele escreveu aqui no Blog sobre o campeonato das cidades).


Foi nesta brincadeira que aprendemos a brigar com os punhos cerrados como boxeadores. Era a forma de lutar dos atores da época. Eu nunca vi o Rocky Lane em posição de karatê nem vestido de ninja. Era soco na barriga e no queixo, e o bandido pronto para ir para a cadeia, onde o xerife o aguardava para a cela comum. Atualmente os bandidos vão para cela especial, com ar condicionado e aparelho de televisão. Tem um monte de doutores entre eles.

Voltemos a era da TV. Preto e Branco, sinal péssimo, programas ao vivo, todos. Até os comerciais. O “vídeo-tape” só apareceria anos depois. Ficávamos esperando, durante os comerciais, as anunciantes esquecerem o texto durante a apresentação. Dia desses, nas andanças nos consultórios médicos, li em uma daquelas revistas que ficam lá para não pensarmos em doenças, a seguinte história: Durante um programa da TV Jornal, TV preto e branco, horário nobre do seriado A Feiticeira, uma moça apareceu para fazer propaganda das geladeiras Kelvinator, que eram fabricadas ali na Imbiribeira. Antes as geladeiras fechavam como portas de automóveis, e agora, estas modernas tinham as portas com fecho magnético, como é hoje. Durante, o comercial a moça dizia:


- Esta é a melhor geladeira. E fecha au-to-ma-ti-ca-men-te!!!


Ao bater a porta, a geladeira não fechou. Mais uma vez e nada. A geladeira não fechava de jeito nenhum. Por trás das câmaras, alguém que não sabia que o comercial era ao vivo, gritou:


-Dulce, bate e segura esta merda!!!


Lembro ainda de um programa que eu achava muito bom: “Times Square”. Parecia aqueles musicais americanos, mas em português. Para falar a verdade, posso dizer que só vi televisão mesmo, com pouco chuvisco, quando vim para Recife.

Pelo que ouvi na Rádio Papacaça nada mudou em Bom Conselho, quanto ao sinal de TV. O que difere hoje é que, ao invés de colocar “bom-bril” na antena para uma melhor recepção, o Paulo Dantas liga para o secretário da Prefeitura, o Breno Alapenha, e recebe uma promessa de que o "problema será resolvido ainda hoje". Então, caros bom-conselhenses, o Big Brother daquele dia deveria estar garantido. A noveleira Lucinha, se o problema do sinal continuar vai ter muitas dificuldades para “viver a vida” em Bom Conselho.


Para não dizer que só falei de flores e sinais de TV, quero cumprimentar a todos que fazem esta rádio, com uma programação o mais neutra possível. Digo isto, porque sei quanto sofrem os meios de comunicação nos anos eleitorais, quando querem se manter dentro de sua missão de informar as pessoas dentro dos padrões mínimos de ética democrática, seja lá o que for isto. Para mim é apenas uma atitude, por parte daqueles que a fazem, de dar oportunidade iguais àqueles que querem um privilégio de serem escolhidos no dia da eleição. Sei quanto isto é difícil, e o maior exemplo está aqui em nossa empresa: A Lucinha já começou a campanha dois anos antes, a dela e a de Marina Silva, quando ela nem foi lançada candidata à presidência. Para chegar perto da ética que falei acima, estou abrindo o Blog da CIT para outros candidatos ou defensores de outros candidatos. Espero que o Hélio Urquiza faça o mesmo.

Diretor Presidentediretorpresidente@citltda.com




--------------




(*) Fotos obtidas no site da Rádio Papacaça.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Bom Conselho - Dia Internacional da Mulher



Nesta ano da graça de 2010, não escrevemos especificamente sobre o nosso grande dia 08 de março, onde as mulheres de todo mundo riem ou choram, pela lembrança delas mesmas. Geralmente, as que riem são aquelas que tiveram a coragem de lutar por uma melhor condição neste mundo ainda machista. As que choram não tiveram ainda a chance de lutar. Não há uma distribuição geográfica disto. Mesmo com todos os avanços em nossa terrinha de papacaça ainda há mulheres que choram no seu dia. Os pais e namorados machões ainda existem por lá, embora graças a Deus, estão em via de extinção pela idade ou pela aculturação.

A ideia de escrever um pouco tardiamente sobre o tema foram as fotos de comemoração do 08 de março, publicadas no SBC, que está se tornando um “fotolog”. Não é um blog nem é um portal, por falta de letras, ficou como um bom “fotolog”, e isto é muito bom. Não se diz muita besteira como no Blog da CIT, e mostram-se as belezas através das lentes dos nossos habilidosos fotógrafos. E se, como diz o Carlos Sena, que o dia da mulher é todo dia, eu nunca vou estar atrasada em falar de nós.

Eu já adoro ver as fotos. Imaginem quando eu for aí em Bom Conselho e conhecer a todos e todas. Gosto de ver até quem não conheço, pois certas horas não importa quem está vestindo o que, o importante é o vestido em si. Os homens jamais entenderão isto. Com raríssimas exceções, como o Saulo que sempre aparece impecável, com sua camisa a meia manga e seu indefectível óculos escuros, no rosto ou a tira-colo. O Luiz Clério, o caçador de fantasmas da CIT, também veste bem, mas parece ser mais uma obra de alguém feminina da família do que uma obra sua. Quanto a Zé Oião, que também tenho certeza lembra de mim, está ao seu natural. Se eu não soubesse diria que ele é dentista. Não gostei também daquela blusa listrada da Paula, mulher dele, mas não esquente, amiga, noutras ocasiões você sempre esteve muito bem.

Havia um gay elegantérrimo com uma camisa dizendo: “Cobra D’água. Made in Brazil”. Não o conheço mas desde já o convido para a Papacagay, que agora, por sugestão do Alexandre, será no Carnaval. Preparem as fantasias porque estarei lá com vocês. Se ele não se considerar gay, e tiver preconceitos contra isto, é uma pena. Mas quem sabe como penso, quando uso as palavras mulher, negro, amarelo, judeu, gay, lésbica, sabe que para mim são apenas adjetivos com zero preconceito, apesar de saber que eles ainda existem. Se ele é assumido, meus parabéns, você é uma pessoa corajosa. Para mim xingamento é a palavra “enrustido” ou “preconceituoso”. Ah! Sim! Parece que estão pensando em mudar o Encontro dos Papacaceiros para o Carnaval também. Será muito mais animado e muito mais gente poderá comparecer.

Eu não posso mais falar dos modelos de nossa prefeita Judith Alapenha. Sinto-me humilhada e posso até dar impressão de que estou humilhando as outras. São simplesmente impecáveis. Infelizmente, isto se aplica, ao inverso, à nossa vice-prefeita, Dida, mas, quem sabe este seja o seu estilo. A Carla Bruni também tem o seu. Meu Deus, será que vão dizer que estou dizendo isto porque ela é do PT? Jamais! Eu não faço política com moda, para mim isto é uma coisa sagrada.

Havia outras pessoas elegantes, inclusive todos aqueles do Centro de Convivência de Idosos, com suas fardas de muito bom gosto. A ex-secretária de saúde, Isabel, que, apesar de parecer que ia ou vinha do laboratório, usava uma “batinha” branca “chiquérrima” combinando totalmente com a calça preta. Amei! Já a Niedja, deve ter vindo tirar fotos e se esqueceu, ficando de frente das câmeras, já a vi em melhores condições de vestimenta.

Finalmente, mas não menos importante, vi e revi a Socorro Godoy, agora com a responsabilidade de zelar pelo bem estar de nossas mulheres. Foi uma grande iniciativa da prefeitura a de ter colocado isto em suas mãos. Sei que você vai encontrar pessoas que pensam ainda que a mulher nasceu para ser rainha, mas, do lar. Foi feita para ser uma eterna companheira do homem, mas como foi feita de sua costela, então não pensa. Sempre é dela a última palavra desde que o marido concorde. Que, quando assume um cargo como o seu, aparece sempre um marido para atrapalhar, e quando não o faz, o povo pensa que faz, etc. etc. Eu poderia gastar aqui teclas e mais teclas com os preconceitos que se acumularam contra a mulher, principalmente em nossa terrinha. Por isso, o preço da liberdade é a eterna vigilância. Não sei quem disse isto mas estava certo.

Quando aparece um deputado, parece que é o Isaltino Nascimento, (nunca vi um homem mais feio e mas mal vestido), é preciso ficar atenta, qualquer movimento para pedir votos, bota prá fora. É por isso que meu lema seria agora: Mulher vota em Mulher! Infelizmente, a Dilma também é mulher. Então vai ser: Mulher vota em Marina.

Para não fugir do tema, uso também dos “modelitos” da Socorro. Ficam elegantérrimos para gente um pouquinho acima do peso, como nós.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com
-------------
(*) Fotos do SBC.

terça-feira, 16 de março de 2010

RECIFE - A SEGUNDA PÁTRIA



No dia em que escrevo é o aniversário de Recife e de Olinda. Não vou historiar sobre estas duas belas cidades, que olham uma para outra há mais de 470 anos. Relação entre irmãs, nem sempre pacífica e sem desentendimentos. No final, como boas irmãs, elas se entendem. Vê-las-ei por outro ângulo. O de uma terceira cidade tão distante e tão perto. Bom Conselho.

Os vínculos entre estas três cidades são evidentes. Noves fora política partidária, Olinda teve dois dos seus melhores prefeitos vindos de Bom Conselho. Alguém já disse que uma das grandes vocações dos jovens de Bom Conselho era ser prefeito de Olinda. Este é um vínculo visível e real mas, o principal é aquele que por muito tempo, junto com o Recife, existiu, o de ser a Meca das pessoas de Bom Conselho, em busca de estudo e oportunidades.

Deter-me-ei em Recife, pois este foi o meu caso. Terminado o Curso Ginasial no Ginásio São Geraldo, que sempre nos iluminou e prometia que nos daria no futuro o segredo da vitória. Mas, aonde? Ficar entre os quatro muros da terrinha era muito pouco para mim, embora reconheça que cada um tem seus objetivos e, assim alguns ficaram e fizeram lá sua vitória. Eu e outros que pretendíamos mais e tínhamos condições materiais para isto, emigramos, e, sem cálculo preciso, o destino de 90% era, inicialmente o Recife. Alguns ainda iam dar um passeio por Garanhuns, mas terminavam no Recife.

O Recife foi a segunda pátria de muitos de Bom Conselho. Uma pátria bonita, nem sempre generosa mas, sempre acolhedora. Cada um tinha a sua dificuldade específica. Alguns em seus apartamentos alugadas em local nobres, outros em pensões insalubres, outros em casas de parentes, outros ainda em casas próprias para onde traziam outros que não as tinham. E todos a procurar colégios, para estudar pela manhã, pela tarde, pela noite. Todos, de uma forma ou de outra conseguiam o seu canto. Para aqueles pouco estudiosos, mas com grana, ainda restava o Carneiro Leão, que diziam ser PP, pagou passou. O mais procurado era o Colégio Estadual de Pernambuco, o chamado Ginásio Pernambucano. Eu fui para lá mas, não foi fácil conseguir vaga. Era uma verdadeira Universidade, pela qualidade de seus professores, os quais encontrei muitos deles depois na UFPE.

Este colégio me dá saudade, não somente pelos colegas que tive ou pelas boas horas pelas quais lá passei. Me dá saudade maior é de uma educação pública de qualidade. Posso até dizer que ele foi um marco da educação pública no Brasil. Com a decadência do Colégio Estadual, perto da década de 80, a educação pública foi também a pique.

Mas não é só de educação que quero falar deste Recife mais do que quatrocentão. Havia o Gemba, na Rua da Aurora, que tinha um sorvete obrigatório para quem ia assistir a alguma filme no Cine São Luiz, e que tinha um paletó para entrar. O Art-Palacio, o Cine Trianon, o Cine Moderno, e mesmo o mais novo deles o Cine Veneza. Naquela época ainda existia um cinema em cada bairro. Em Casa Amarela podíamos ir para escolher entre três, inclusive o Albatroz.

As ruas calmas e tranquilas, mesmo nos dias de semana, com dois ou três fuscas passando pela ponte Duarte Coelho, os passeios entre as Ruas Nova e Imperatriz, com a visita obrigatória à Viana Leal, onde andei pela primeira vez numa escada rolante. Ali eu não sabia que ainda ia rolar tanto pelo vida e pelo mundo. Uma olhada na vitrine muito bem feita da Slopper e nos cartazes dos cinemas ali perto.

Esperar, em dias de competição que os barcos a remo singrassem o Rio Capibaribe, enquanto admirava as belezas do Teatro Santa Isabel e mesmo o modernismo do prédio dos Correios. Não havia assaltantes, ladrões, e nem mesmo víamos policiais.

Mas nem só do espírito vive o homem, principalmente o homem novo e hormonalmente instável. Barão do Rio Branco, Rua da Guia, Rua do Bom Jesus, enfim, Recife Antigo, hoje um ponto turísticos de nossa “quatrocentona” cidade. Naquela época não íamos lá para correr atrás do Bloco da Saudade, íamos para não fazer grandes esforços manuais e não ficar na saudade. Muitos dos bom-conselhenses machões que conheci na minha época, e que contavam grandes façanhas sexuais nas reuniões das praças e rodoviária de Bom Conselho, chegaram aqui mais virgens do que a Venus de Milo. Normalmente, esta virgindade era curada com uma doença venérea na Rua da Guia e adjascências.

Camisinha naquela época só de bebê pagão. Tínhamos a maior vergonha de chegar na farmácia de Ivan e comprar, e mesmo aqui em Recife, arriscávamos na loteria. Parece mentira mas nunca acertei no azar grande. Na pensão onde morava, meus colegas, depois do passeio, passavam três dias indo ao banheiro preocupados, e quando gemiam, eram logo alijados do convívio no banheiro. Tinha que começar no Benzentacil, e usar outro banheiro, até parar de pingar.

Atualmente é muito diferente. Mas, sabe de uma coisa, vamos ficar por aqui para não conspurcar nossa saudade de nossa bela segunda pátria.

Diretor Presidentediretorpresidente@citltda.com

BOM CONSELHO - IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS



-----------
(*) Fotos do acervo da CIT Ltda.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Pitacos (in)devidos




Eu disse ao Diretor Presidente da CIT, que iria comentar um texto dele, publicado neste blog, no dia 28.2.2010. O DP não me pediu nenhum pitaco sobre seus escritos. Mas, de enxerido que sou, fico nessa de meter a colher no angu dos outros. Por isso, qualquer dia vou ser pegado pelo pé, por esse tal de Ibama, que anda se metendo com os papagaios dos outros. Vejam vocês que o Ibama, querendo dar uma de fiscalizador do meio ambiente, achou de aplicar multa de cinco mil reais, numa pobre mulher que só queria ter o periquito junto dela.

Aqui, já comecei a tergiversar. E quem diz que vai comentar uma coisa, não tem que se meter com papagaios e periquitos, porque, se não, dá o maior rebu. Pensando assim, os sábios aconselham fazer uma coisa a cada vez. Se quiser fazer direitinho.

Pois vamos lá: o DP pediu desculpas aos colegas da CIT, por tê-los chamado de péssimos escritores (sem aspas). Quem pede desculpas, demonstra humildade. Mesmo quando a falta não é grave. E se houve falta na frase do DP, esta não foi grave. Nós entendemos que foi uma brincadeira que aflorou num ambiente sadio, e que não magoou ninguém. Isso é o que eu penso; se bem que todo penso é torto.

Mas, para provar que foi uma tirada de brincadeira, somada ao ímpeto do escritor, a Eliúde já veio danada pra Catende, escrevendo e publicando a sua crônica "O baba ovo", cheia de jocosidades. Ascenso Ferreira que se cuide. Já que a Eliúde é exímia nas letras, como vem demonstrando a cada investida nessa paróquia, os escritores e escritoras que botem as suas barbas de molho. (Por Deus, não confundam essa paróquia, com a paróquia de dom Dedé, o vingativo).

Quanto ao professor Zé Andando, é fato que nós concordamos com o Lula, se bem que discordemos do acordinho pornográfico, que chamaram de reforma ortográfica, pra inglês ver. E, neste instante, prefiro não me lembrar das palavras do Lula, com respeito ao grande Orlando Zapata. Feliz ou infelizmente, o Zapata era muito menor, em poderio político, do que o Fidel, el gran comandante de Cuba. Aliás, ex-gran comandante. Porque o Fidel já está gagá. Mesmo assim, botou outro gagá em seu lugar, o mano muy democrático Raul. Este, não é o Alfonsín, mas é muy democrático também. Y haya democradura en Cuba libre!

Mas, sem tergiversações, volto ao episódio em que escapou inteira a mesa da CIT, onde o pessoal se sentou para discutir "relações". Graças aos bons ventos, não quebraram nem as pernas da mesa, nem a própria. E nisso aí, o Zé Andando foi cruel. Botou o dedo na ferida e cutucou. Não sei se o Zé insinuou ou se disse com todas as letras que, quem senta sem ser em pessoa, são fantasmas, coisas do além. Todavia (eu sempre me metendo em todas as vias). É um costume danado esse meu. Mas, como ia dizendo e não disse por causa das vias, eu não acredito, nem tenho medo de fantasmas.

De outro modo, essa do Cleómenes ter ficado em Belém, foi uma boa pra ele. Pois além de embolsar uns tantos milhões de reais por semana, ainda se diverte com as nossas mal tecladas linhas. O mundo é dos vivos, porque os heróis estão nos cemitérios.

Quanto à Lucinha ser beata, peço licença pra discordar do DP. A Lucinha é religiosa consciente. Quando as coisas negativas maculam a igreja dela e contraria a sua linha de pensamento, ela bota a boca no mundo. E saiam da frente, porque ela fala com segurança e sem medo! Mas, que deve ter beatos e beatas em Bom Conselho, batendo com os chifres uns nos outros, assim como tem em todos os cantos, ah, isso tem. Não me sobra a menor dúvida quanto a essa beataria aloprada.

E por falar em todos os cantos, lembrei-me de uma poesia que assim começava: "Bahia de Todos os Santos / Tem puta por todos lados e cornos por todos os cantos". Mas isso era só uma brincadeira de moleques da minha juventude, pra tentar tirar o bom humor dos colegas baianos. Só que por mais que a gente cantasse esses versinhos, os nossos bons colegas baianos, não estavam nem aí. E o mais que faziam era dizer um palavrão e nos mandar para aquele lugar. Numa boa! Baiano é como os antigos carros a álcool, não esquentam fácil (facilmente).

Outra coisa que não pegou bem, foi o DP botar o Galvão Urubueno nessa história. Porque o Urubueno grita mais do que arara no cio. E os seus berros são de mau agouro. Se a CIT já tem várias coisas alinhavadas e em estado avançado, viva. Porque as falas do Galvão Urubueno já estão em estado avançado de putrefação.

Porém, o que me deixou mais emocionado, foi saber que a minha "Poesia com nome...", varou o mundo e foi aportar na Praça Sáens Peña. E lá encontrou um bom-conselhense querendo se suicidar, pulando do chão para o chão. Disse o DP que, lendo a poesia pra Marina, o conterrâneo desistiu da morte iminente. Contudo, eu penso diferente: o desgosto do nosso amigo, foi por ver a descaracterização daquela praça que, por tantos e tantos anos, concentrou grande parte da cultura e da beleza do Rio de Janeiro. A Tijuca e sua saudosa praça, com seus suntuosos cinemas, disputava e ganhava da Cinelândia, no centro do Rio. E hoje, a praça está muito mudada, abrigando inúmeras igrejas evangélicas. Onde foi o Cine Carioca, agora está instalada a igreja universal do reino de Edir Macedo. Vejam que contraste!

Agora, sobre a Lucinha Peixoto me agradecer por isso ou por aquilo, ela pode continuar no seu necessário descanso, porque só em saber disso, eu já senti os agradecimentos da Lucinha. Quanto a ela se utilizar da poesia para fazer a campanha da estimada Marina Silva, nem precisa mais pedir autorização. Já está autorizada, porque a Marina candidata merece muito mais. Eu não uso aquela poesia na campanha da Dilma, porque sei que aí não casa Zabé com Tomé. A companheira Dilma Russa está muito longe do perfil suave da Marina Silva. Portanto, sei que ela não quer louvação com poesias. Ainda mais uma poesia que exalta a Marina. Aí a nossa Dilma iria ficar muito puta (da vida)! Não que fosse ser puta da vida fácil. Ah, isso não cabe na minha candidata, não. Mas me alegra saber que há eleitores para a Marina Silva, pois ela é uma grande mulher, curtida nos sofrimentos dessa Vida Severina.

Para não mais me alongar, aviso ao DP que ele também não tem por que me agradecer. E que a forma da postagem, foi ótima. Mais: pode chamar-me de Zé, que não há nenhum problema. Não corremos o risco da reportinha do Jânio Quadros. Nem de longe, nem de perto. Sou vacinado contra homem. E imagino que o DP também o seja. E, quanto ao título que você usou, meu Caro Diretor Presidente, caiu bem que só. Foi salpicos pra todos os lados. Seria ruim se você houvesse mudado o título pra perdigotos.

Nos mais, ficam aqui registrados os meus mais sinceros agradecimentos ao Diretor Presidente, extensivos a todos os que compõem e tocam a CIT. Também não confundam tocar a CIT, com tocar cítara. - Aí também, é demais também, como dizia o cumpade Amarílio, lá na Parmera dos Índios. É isso./.

José Fernandes Costa - jfc1937@yahoo.com.br

domingo, 14 de março de 2010

I BloggerPE



Este fim de semana foi meu o plantão aqui na CIT. Normalmente é um ócio só. Desta vez não foi. Sempre leio os Blogs da Região e até de fora. Durante a semana havia um burburinho incrível sobre a realização de um encontro de blogueiros num hotel de luxo em Muro Alto no litoral sul de Pernambuco.

Como dizia o Wagner Marques: “Será um momento interessante. Até porque isso levará a nós de Garanhuns trocarmos ideias com uma infinidade de “bloggers”.” Mesmo esta infinidade se reduzindo a 40, a ideia de reunir pessoas desta nova forma de comunicação, não pode ser desprezada.

Aqui no Blog da CIT ainda discutimos a possibilidade de alguém nos representar no encontro mas, quando vimos o Hotel em que seria realizado, e seus preços, desistimos. O hotel Beach Class é coisa de rico mesmo. E por aí se mede a importância dada ao encontro. Nossos colegas, de todo o Estado (eram seis de Garanhuns, a maior delegação segundo o Blog do Roberto Almeida), acorreram ao encontro sem nem pestanejar.

Vi em um dos Blogs que a prefeitura de Garanhuns patrocinou o transporte, o que é razoável e salutar, pois deve ter havido algum critério de escolha dos Blogs da cidade para obterem esta ajuda. Falo isto, porque é óbvio que se há algum dinheiro público envolvido, certos valores, como impessoalidade em seu gasto, devem sempre existir. Por isso penso que todos foram tirando dinheiro dos seus próprios bolsos.

Eu penso até que, devido à natureza dos veículos envolvidos hoje na área de comunicação e mesmo educação, deveria haver uma participação do poder público em sua realização. Entretanto, sei que não houve esta participação, porque não soube de nenhum critério de escolha impessoal de qual Blog iria e de qual não iria.

Eu, como um ser híbrido, que sou de Caetés, mas escrevo num Blog de Bom Conselho, não vi nenhum blogueiro destas cidades por lá, pelo menos pelas fotos e pela transmissão televisiva da conferência do Fernando Bezerra Coelho em Suape. Pode ser por um defeito ou lentidão de nossos conexões. A minha aqui em Recife, que é patrocinada pela CIT é tão lenta quanto a que tinha em Caetés. Numa hora, a imagem ficou tão congelado, que mesmo sem conhecer pessoalmente o Ronaldo César, a imagem quando ele estava falando ficou tanto tempo parada que seria impossível, agora, encontrá-lo e não reconhecê-lo.

Embora em Caetés só tenha um Blog, que eu saiba, o do Rafael Brasil ele não iria, pelas convicções que demonstra, para ver Fernando Bezerra Coelho, tentar reforçar sua indicação para o Senado, na Região. Ele já vem tentando isto há algum tempo. Penso até que o senhor da Hilux de que fala um artigo do Diretor Presidente (http://www.citltda.com/2010/01/leilao-no-interior.html) sobre o Leilão de votos em Bom Conselho era ele. Espero que ele se dê melhor desta vez, do que como se deu sendo presidente do Santa Cruz. Se o "santinha" não for campeão pernambucano ele não será candidato nem a vereador, no Recife. Mas o Roberto Almeida já deu o furo da possibilidade de sua candidatura para Senador.

De Bom Conselho, também não vi ninguém, também não conheço outro Blog de lá, a não ser o nosso, já que não sei se o do Jodeval é de Bom Conselho ou de Garanhuns, mas ele também não estava lá. Juro que tivemos vontade de ir, mas os custos eram proibitivos e não recebemos nenhuma proposta de ajuda por parte da prefeita, Judith Alapenha, não sei porquê. Até que foi bom. Não corremos o risco de ter nosso Blog taxado de “chapa branca”.

Não consegui ver toda a programação ao vivo, minha conexão é pior do que a Sibéria, congela todo tempo. Mas, deu tempo de ver alguma coisa da apresentação das obras de Suape pelo Fernando Bezerra e algumas participações como a do Ronaldo César perguntando o que o governo esperava dos blogs. Óbvio que o conferencista disse o óbvio. Esperava que os blogs informassem a região sobre as obras governamentais e que deveriam até ser instrumentos de críticas de suas ações. Eu, estou aqui apenas, fazendo aquilo que ele disse que era para fazer, críticas. Iguais a que fez o autor de um Blog chamado: “Só Faltou o Gol”, dizendo que o nome foi inspirado no time do qual ele é presidente. Eu, também aqui devo elogiar suas obras, por tirar dinheiro do seu próprio bolso para custear aquela expedição de quase quarenta pessoas naquele passeio. Digo isto porque seria um absurdo que aquilo tenha sido pago com o meu dinheiro.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com
----------------
(*) Fotos do Blog do Wagner Marques e do Blog do Roberto Almeida

sábado, 13 de março de 2010

Lula e Cuba 2 - A Missão

Lendo o Diário de Pernambuco de hoje (13.03.2010) deparei-me com a coluna do Sebastião Nery, de quem estou lendo um livro primoroso de História do Brasil, chamado A Nuvem. Lembrei-me de meu artigo anterior: Lula e Cuba (http://www.citltda.com/2010/02/lula-e-cuba.html), e diante das lembranças do Nery, quanto aos tempos revolucionários de Sierra Maestra, resolvi citar aqui, a socióloga, citada por ele, Maria Lúcia Barbosa, que escreveu um artigo sobre o título: Cinismo Explícito.

Pensei em até dar o mesmo título a esta humilde quase cópia, mas diante da situação tão esdrúxula em que se meteu meu amigo de infância e conterrâneo Lula, parafraseei um filme do Rambo, que ele, pelas declarações em uma conferência sobre cultura, já deve ter assistido umas 90 vezes. Com as teclas, a socióloga, que como eu e o Nery, um dia amamos os Beatles e os Rolling Stones, além de Fidel e Guevara, deixando o intróito do Nery:

Fidel

Anistiados, continuaram com os mesmos sonhos da juventude e por isso ajudaram Lula a construir o PT. Agora, eles já não chamam mais Fidel de Fidel. São os Irmãos Castro. E não chamam Lula de Lula. É Luiz Inácio. Nem Fidel é o mesmo nem Lula o mesmo. Fidel é um ditador esclerosado. Lula, uma vulgar impostura.

Na Gazeta do Povo, aqui de Curitiba, leio um indignado, sofrido, valente, verdadeiro e primoroso artigo ("Cinismo Explicito") da socióloga Maria Lucia Barbosa que, como todos nós, um dia amou os Beatles, adorou Fidel e ajudou Lula a fundar o PT.

Lula

1 - "Justamente em 23 de fevereiro último, quando Luiz Inácio aportava eufórico nos braços dos queridíssimos irmãos Castro, um cubano negro, operário, "preso de consciência", de nome Orlando Zapata Tamayo, teve o mau gosto de morrer depois de ter sido torturado nas masmorras cubanas e enfrentado uma greve de fome como meio de pedir condições humanas para os demais encarcerados e liberdade para seu país."

2 - "O martírio de mais um cubano nem de longe poderia incomodar os irmãos Castro, acostumados a esse tipo de morte, para eles insignificante e rotineira. Entretanto, um grupo de dissidentes cubanos que esperavam que Luiz Inácio intercedesse por eles, tendo enviado uma carta nesse sentido ao governo brasileiro, deve ter se desiludido com a indiferença do "Cara", suas esquivas, suas palavras sem nexo. E mais decepcionados ainda devem ter ficado se puderam ver a foto de Luiz Inácio junto aos Castro."

Marco Aurélio

3 - "A cena, para quem tem um mínimo de sensibilidade e capacidade de indignação, era algo vil, torpe, nauseante. Um show explícito de cinismo do déspota de Cuba irmanado ao salvador da pátria brasileiro. Aviso sinistro para os ingênuos que acreditarem no seletivo Programa de Direitos Humanos elaborado pelo PT, a ser posto em prática pela comissária (Dilma) de Luiz Inácio."

4 - "Luiz Inácio culpou Zapata Tamoyo por sua morte. Marco Aurélio Garcia comentou com ares de enfado que violações de direitos humanos há em toda parte. E Raúl Castro, depois de pôr culpa nos Estados Unidos, afirmou:

- "Em meio século não assassinamos ninguém, aqui ninguém foi torturado".

Cuba


5 - "Desde 1959, mais de 100 mil cubanos foram presos. Entre 15 mil e 17 mil pessoas foram fuziladas. A Unidade Militar de Apoio à Produção (UMAP) funcionou entre 1964 e 1967. Produziu verdadeiros campos de concentração para onde foram levados religiosos católicos (como o arcebispo de Havana, Monsenhor Jaime Ortega), protestantes, homossexuais e quaisquer indivíduos considerados "potencialmente perigosos para a sociedade". Maus-tratos, isolamento, subalimentação era o regime dos campos da UMAP."

6 - "No violentíssimo regime penitenciário cubano, inclusive, são exploradas as fobias dos detidos. À tortura física se junta a tortura psíquica. As celas não costumam ter água nem eletricidade e o preso que se pretende despersonalizar é mantido em completo isolamento".

Cabana

7 - "Entre as mais tenebrosas prisões cubanas pode ser citada a de Cabana. Em 1982 cerca de cem prisioneirosforam ali fuzilados. A "especialidade" de Cabana eram as masmorras de dimensões reduzidas chamadas de "ratoneras" (buracos de ratos). Cabana foi desativada em 1985, mas as torturas e execuções prosseguiram em Boniato, prisão de alta segurança onde reina violência sem limites."

8 - "No universo carcerário de Cuba a situação das mulheres não é menos dramática. Mais de 1.100 mulheres foram condenadas por motivos políticos desde 1959. As presas, entregues ao sadismo dos guardas, passam por sessões de espancamento e humilhações de todos os tipos".

Bandidos

9 - "Entrevistado pela Associated Press sobre a existência de mais dissidentes cubanos em greve de fome, sua Excelência saiu-se com essa: "Imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo fizessem greve de fome e pedissem a liberdade"

10 - "Luiz Inácio concorda com os irmãos Castro no sentido de que presos políticos cubanos são bandidos de alta periculosidade para a sociedade e não defensores da liberdade. Segundo, ele não larga a campanha, pois bandidos só em São Paulo. Culpa de Serra, naturalmente.

Lamentavelmente o presidente do Brasil não se dá ao respeito."”

A alguns destes fatos, eu já havia me referido. Digo mais. Não esperava que o Lula, a quem acompanhei de longe durante todos estes anos, vibrando com suas vitórias, chegasse a este ponto, que talvez não é caso, dele não se dá ao respeito, mas sim de não ter prestado atenção e meditado no dito popular que sua mãe, D. Lindu, dizia sempre a nós: “Quem nunca comeu mel, quando come se lambuza.” O meu amigo Lula está se lambuzando todo do mel dos 90% de popularidade, e quando ele menos esperar os ursos podem comê-lo todo, e aí era uma vez meu amigo.

Recentemente ele foi à Segunda Conferência Nacional da Cultura, e para um homem que há pouco tempo dizia que havia colhido “menas” laranjas do que pretendia, agora quer prestar uma colaboração “inestimável” á cultura deste país. E ele prestou, enquanto não ficava vendo só enlatados na TV, e percorrendo o mundo com ares de rei da cocada preta, porque conseguiu fugir das "marolas" da crise. Meu amigo, vamos cair na real.

Fiquei arrepiado quando ele pronunciou o nome de nossa Caetés. Esperei até que lembrasse do nosso “papo” sobre a Academia Caeteense de Letras, e anunciasse sua inclusão no PAC, pois a Dilma estava presente. Não ainda. Ele partiu para dizer que agora: “Pernambuco está tão chique que, em Caruaru, teve um terremotozinho. Vocês viram nos jornais? Não é mole Pernambuco!” Isto depois de ter ido ao Haiti, depois de não ter ido à posse do Chile, países muito chiques, por tiveram terremotos maiores do que os nossos. E a platéia delirava! Será que ao mencionar nossa Caetés, ele queria torná-la chique, igual a Caruaru, ou igual ao Haiti!?

Repito, isto só pode ser um efeito maior da crise de abstinência do fumo. Eu já recomendei um “tabaqueiro” para ele (http://www.citltda.com/2010/03/um-tabaqueiro-para-lula.html). Se não der resultado companheiro e amigo Lula, tenha cuidado, nem todo fumo de rolo das feiras de Caetés o salvarão. Como você mesmo dizia antigamente: “Menas arrogância, Lula! Menas.”

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

BOM CONSELHO - IGREJA DE SANTO ANTÔNIO






------------

(*) Fotos do acervo da CIT Ltda.

sexta-feira, 12 de março de 2010

O BABA-OVO



Como alguns devem lembrar e outros lembrarão quando os meus artigos, ou minhas crônicas, estiverem juntinhos num livro, eu vivi um tempo em São Paulo, mais especificamente em Guarulhos. Não vou aqui descrever ruas e situações do bairro onde morava porque hoje leio sobre aquela cidade, e fora o aumento dos carros e da criminalidade tudo parece o mesmo. O bom mesmo é lembrar de pessoas. Entre uma conversa no laptop e outra lembrei de seu Pedro Anésio. Este era o seu nome, não sei se completo, penso que havia outro no final mas nunca soube como era. Esta é um pouco de sua história.

Ele era amigo do meu pai e da família, em geral. Era zelador de minha escola e fazia uns bicos noutro órgão público mas eram bicos particulares, fazendo alguns serviços para as pessoas que lá trabalhavam. Todos os chamavam seu Pedro. Era casado e tinha dois filhos um pouco mais velhos do que eu e nos encontrávamos de vez em quando.

Ele sabia ler e escrever direitinho, dizem que aprendeu quando foi numa missão no exército para um outro país e lá aprendeu a falar a língua de lá, parece que era espanhol, e também a escrevê-la, ao chegar aqui foi um pulo para ler e escrever este português que eu ainda arranho.

Uma das características dele, notada por quem convivia por um pouco tempo, era sua incapacidade de discordar das pessoas e além disso, tudo que ele dizia era no intuito de concordar com o seu interlocutor. Meu pai dizia:

- Estou para conhecer alguém que tenha algum atrito com seu Pedro!

Realmente era difícil ou impossível de encontrar. O Padre Bernardo, lembro bem, alto loiro, fabricado dentro do padrão de qualidade Europeu, era o mais ignorante dos homens. Ignorante no sentido de que só falava como se fosse dar “patadas”, e se o retrucassem, ele dava mesmo:

- Você pensa que o solo sagrado de nossa igreja é o seu cocho de capim para você vir aqui comer nele? Retire-se, imediatamente...

Dizia ele enquanto eu comia um biscoitinho inocente depois da comunhão. Naquela época, quando nos confessávamos ficávamos sem comer até depois da comunhão. Se qualquer coisa fosse ingerida configurava um pecado mortal. Dizem que a Aparecida uma amiga minha comeu escondido uns amendoins e ficou com cara de paçoca por um mês. Quem se atreveria?

Pois bem, nem o Padre Bernardo dizia um tantinho assim do Seu Pedro. E vice-versa. O Padre sempre dizia:

-Ah! Se houvesse pelo menos uns poucos paroquianos como ele!

Lembro de um diálogo dos dois que resume um pouco suas personalidades.

- Seu Pedro, o senhor não tem comparecido à Igreja como deveria. O que está acontecendo?

- O senhor tem razão padre. Agora virei mais vezes!

- Quanto tempo faz que o senhor não se confessa? Não comunga?

- Pouco tempo padre, mas se o senhor quiser eu me confesso agora.

- Não é preciso ser todo o dia Seu Pedro, só quando o senhor sentir que tem algum pecado.

- Será que eu tenho, Padre?

- Seu Pedro, o senhor está me irritando. Quem deve saber isto é o senhor!!!

- Perdoe Padre, devo me confessar por isso?

- Não Pedro vai cuidar dos teus afazeres!

E lá ia Seu Pedro procurando alguém para não discordar. Se alguém passava por ele durante a noite e dizia bom-dia, ele olhava para o céu e respondia: “pois não é que já está amanhecendo, bom-dia!

Havia um jornalzinho na escola onde eu estudava e Seu Pedro falou com o diretor para escrever numa coluna chamada Mural, onde todos colocavam opiniões sobre vários assuntos da igreja, das pessoas e até da política do município. O Diretor concordou com prazer. Uma vez o Dr. Castanho, parece que ele era advogado, colocou uma poesia de sua lavra no jornal, não me lembro toda mas apenas da seguinte estrofe:

“Os dias se vão ligeiros
Como urubus altaneiros
Que apesar dos aceiros
Acham carniça ligeiros”

Seu Pedro, no outro número colocou uma notinha no Mural, elogiando a poesia do Dr. Castanho:

Parabéns ao Dr. Castanho pela velocidade dos seu urubus. Uma obra prima!”

E o Dr. Castanho, não via nem o que estava escrito depois dos parabéns, e se enrolava na sua vaidade de poeta das aves negras. O Pedro continuava benquisto por toda a comunidade.

Ele tocava serafina na igreja. Aquele instrumento era sua vida. Eu penso que toda aquela bondade planejada para com todos era só para ter o privilégio de tocar a serafina nas festas, e principalmente, quando havia encontros da comunidade. Ele era chamado sempre. Com este comportamente não discordante todos gostavam dele e em resposta, ninguém era capaz de falar mal dele, salvo o Padre e alguns amigos, que ele nem considerava. Alguns deles diziam:

- Pedro, tu não estás vendo que Herculano está te fazendo de besta, está explorando teu prestígio em proveito próprio? Ele diz que tua serafina é o melhor da redondeza, mas quando a festa é mesmo de santo ele chama o Elias prá tocar!

- Vocês tão é com inveja, Elias toca algumas vezes quando eu não quero.

Mesmo com todas estas críticas o Seu Pedro continuava sem discordar de ninguém, e ninguém discordava dele em público. Entretanto, quando ele se aproximava, entre amigos se dizia: "Lá vem o baba-ovo! "

Quando eu vim para o Nordeste ele ainda era vivo, soube que tocou a serafina a vida toda, morreu com 82 anos. Eraldo, meu irmão, disse que hoje ninguém sabe nem quem foi Seu Pedro. Se cada história tivesse uma moral eu diria que a de Seu Pedro tem uma: “Para viver muito babe o ovo, para ser lembrado, morda ele”.

Eliúde Villelaeliude.villela@citltda.com

quinta-feira, 11 de março de 2010

Um "Tabaqueiro" para Lula



Li outro dia que o meu conterrâneo Lula resolveu parar de fumar e diz que está sendo difícil porque ele tem este vício há 50 anos. Como o conheci muito bem e sei que sou da mesma idade, corrijo logo a informação sobre o cinquentenário de fumo. Esperto como ele é, a informação deve ter sido passada para haver mais uma comemoração: Lula 50 anos de fumo. Sei que é mais, se contarmos o rapé de seu Juca.

Antes, uma nota esclarecedora. O rapé, também conhecido por nós naquela época como tabaco ou torrado, era um pó feito da planta de fumo de corda queimado e pilado, isto é, esmagado com a mão-de-pilão. Era um pó preto de cheiro forte, que penso ser o verdadeiro cheiro do fumo. Quanto mais fino, melhor o tabaco. Ele era, ou é, pois muita gente no interior ainda mantém o hábito, usado melando as narinas com aquele pó preto. Ele é viciador igual ao cigarro, pois as substâncias do fumo são absorvidas pelo organismo da mesma maneira.

Normalmente, naquela época, quem “dava um tapa” no tabaco, era também fumante do fumo de rolo, na seda ou na palha. Não quero dizer aqui que o Lula era viciado no fumo desde criança. Ele era, e me incentivava a ser, curioso, e experimentava tudo que via pela frente, mesmo que corresse alguns riscos, vide agora a indicação de Dilma para presidente.

O tabaco era guardado numa latinha ou, alguns vezes, numa espécie de depósito feito de chifre, não sei se de boi, ou de bode, com uma tampinha onde havia um couro que ao puxá-lo abria o depósito que se chamava de “tabaqueiro”. Tudo isto para dizer que quando Lula, eu e a corriola víamos o “tabaqueiro” de seu Juca “dando sopa”, dávamos a nossa “cafungada”.

Antes que algum malicioso se atreva a comparar eu ou o Lula com o Maradona, e isto se espalhe pelo país inteiro pela penetração do Blog da CIT, devo avisar, o pó que cheirávamos era preto, e seus efeitos, apesar de ruins, eram muitos menos maléficos do que o do “pó branco”, que tanta desgraça tem causado hoje em dia. Que o diga o Imperador.

Por isso disse acima, se considerarmos o tabaco de seu Juca, Lula tem mais de 50 anos de fumo.

Eu continuei fumando também, desde aquela época, até, mais ou menos, uns 20 anos atrás. Sei que não é um vício fácil e nem tão inofensivo, apesar de ser socialmente lícito. Penso ser ele pior do que o vício do álcool. Pois seus efeitos são escondidos por muito tempo, e quando aparecem são quase sempre fatais. Tenho certeza que a biloura que Lula teve aqui em Pernambuco, e que o incentivou a parar de fumar, tem muito pouca coisa a ver com o fumo. Pelo contrário, o fumo é nosso protetor em situações de estresse e exaustão. Suas consequências são muito mais profundas, e espero que o meu conterrâneo tenha deixado o vício em tempo.

Disseram numa reportagem que ele continua “dando uns tapas” no cigarro, no escondidinho do Planalto. Espero que seja mentira, mas tem tudo para ser verdade. Deixar de fumar é um ato de vontade. Isto é muito simples de se dizer, só esquecem de avisar a nossa vontade. Tenho certeza, igual acontecia comigo, em qualquer momento de tensão, como, por exemplo ver a Dilma trocar nomes de gente e cidades toda hora, o nosso conforto é o sucessor do tabaco de seu Juca, o cigarro. Quando tentamos deixar o vício, e eu tentei umas 30 vezes, e chegamos perto do Eduardo Campos, que ainda fede a fumo, nossa vontade é tirar do bolso aquela cigarrilha, e correr para o banheiro, onde o Eduardo já deixou o cheiro de fumaça antes.

Eu nunca fui de dar conselhos, apesar de me expressar neste Blog de Bom Conselho. Nos tempos de criança adorávamos os espirros provocados pelo tabaco de seu Juca. Cada “cafungada” era um espirro, e nos divertíamos com isto. Quem sabe aí em Caetés não haja alguém que possa mandar um tabaqueiro bem cheio para o Lula. Talvez funcione como estes chicletes de nicotina, que eu só vivia mascando, e, quando cuspia chupava uma bala para tirar o gosto, e engordava feito um bacuri de porco. Mas, passa um pouco a vontade de fumar.

Uma vez me disseram, que o cachimbo funciona assim. Pois o fumante se habitua a não tragar. Só a mucosa da boca é que sofre, como as narinas sofriam com o rapé de seu Juca. Fiz uma tentativa. Quando pegava o cachimbo me achava o próprio Sherlock Holmes, dizendo: “elementar, meu caro Watson”. Não deu certo, não era nada elementar. Na primeira contrariedade, voltava com o meu cigarrinho, envergonhado pela pouca força de vontade, para o meu quartinho secreto.

Saio de minha rotina e dou um conselho ao meu conterrâneo, se ele quiser mesmo deixar de fumar, e, que Deus o livre, não quiser vir morrer aqui no Hospital Miguel Arraes, ou mesmo mais perto de sua terra, no D. Moura em Garanhuns, largue a campanha da Dilma, deixe ela tocar o barco sozinha, ela terá o mesmo sucesso que teve com o PAC. Vá ser Secretário Geral das Nações Unidas, você merece este descanso, pois o cargo é tão inútil e tranquilo, que dar até para parar de fumar.

O artigo terminaria no parágrafo anterior se eu não houvesse logo em seguida visto as declarações de Lula, em Brasília, sobre as greves de fome em Cuba, um assunto do qual já tratamos noutro artigo (http://www.citltda.com/2010/02/lula-e-cuba.html). Pasmem! Meu conterrâneo completou seu raciocínio sobre a greve de fome de prisioneiros políticos em Cuba, com as seguinte pérolas:

"Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano de deter pessoas em razão da legislação de Cuba, como quero que respeitem o Brasil".

"Acredito que a greve de fome não pode ser usada como um pretexto de direitos humanos para libertar as pessoas”.

“Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem a liberdade".

“Mas não posso questionar as razões pelas quais Cuba os deteve, como também não quero que Cuba questione as razões pelas quais há pessoas presas no Brasil".


Sei que meu conterrâneo nunca gostou de ler, mas isto nunca o impediu, pela sua sensibilidade, intuição e inteligência de governar bem o Brasil e melhorar a situação social do seu povo. Mas, vamos e convenhamos, não conhecer a legislação revolucionária cubana, comparando-o com a do Brasil, comparando os presos políticos de Cuba ao Fernandinho Beira-mar!? Ele não poderia estar em seu estado normal.

Foi a leitura do artigo de Lucinha Peixoto, no qual ela falou sobre crise de abstinência das pessoas pela falta da leitura do Blog da CIT (http://www.citltda.com/2010/03/vamos-tomar-o-leite-elege.html), que me deu um estalo. O problema do Lula, neste momento, é uma crise braba de abstinência do fumo. Está tudo explicado. Conterrâneo Lula, não comprometa seu governo, por enquanto fume escondido ou mande pedir um “tabaqueiro” em Caetés, enquanto a ONU não vem.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com
----------
(*) Fotos e charge da Internet.