sexta-feira, 19 de março de 2010

BOM CONSELHO FALANDO PARA O MUNDO - RÁDIO PAPACAÇA






Todos aqui na CIT, quem é de Bom Conselho é óbvio, vivem ligados na Rádio Papacaça. Lucinha disse que já pegou até a missa e já conhece a voz do Padre Nelson. O Jameson, que estará viajando em breve, infelizmente, para Belém, pois não podemos cobrir a proposta pelo seu “passe”, feita pelos “clubes” de Belém, agora não perde um jogo de futebol, seu esporte favorito, pela rádio.


Eu também comecei a ouvi-la dias atrás, e mais especificamente, no dia 09/03/2010, fui no site durante um programa chamado Show da Manhã. O que logo me chamou atenção foi a voz do locutor, do Paulo Dantas. Lembrei muito do nosso locutor preferido há muito: Ricardo Trajano. Voz grossa, suave, dicção perfeita, entonação adequada, enfim, um excelente locutor. Fiquei feliz pela qualidade técnica da Rádio Papacaça. E mais ainda por, naquele programa, ser levantado um tema que me levou a escrever este texto.

Houve uma denúncia da população sobre a má qualidade do sinal de TV recebido na cidade. Imediatamente eu lembrei de minha infância e adolescência, quando ver TV era um sacrifício em Bom Conselho, não só pela qualidade dos programas, mas pela péssima recepção que tínhamos deles.

Eu era um privilegiado por pertencer à classe que pôde comprar um aparelho de TV logo no início das transmissões, ou seja, nunca fui um “televizinho”, como se falava na época daqueles que acompanhavam os programas das janelas das casas vizinhas. As de lá de casa, minha mãe tinha todo o prazer de abrir e ainda chamar as pessoas para entrar e sentar. Menino sentava no chão e se fizesse barulho durante as novelas, as próprias mães mandavam ir brincar de “garrafão” na rua. Não sei avaliar hoje, mas parecia haver um concurso de quem tinha mais “televizinhos”. Tenho certeza, para minha mãe o prêmio era, ao sair à rua pela manhã, ouvir os “bom-dias” e cumprimentos efusivos das colegas.

Todos da nossa idade vivemos a era que chamo pré-tv em Bom Conselho. Era a “Era do Rádio”. Nossos ouvidos se desenvolveram mais do que nossa visão, durante nossa infância. Quando aparecia um aparelho de TV em algum comitê eleitoral, gerava um “enchurrada” de meninos vindo de todos os lugares para ver aquela tela acesa e uns chuviscos que se mexiam, que eles diziam ser as imagens. Ficávamos alguns minutos e íamos brincar de “bicho”, “rouba-bandeira”, “queimado”, “academia”, “garrafão”, “bandido e mocinho”.

Diga-se desta última brincadeira, “mocinho e bandido”, tinha como base os seriados e filmes do Cine Rex: Nyoka, Flash Gordon, Zorro e os filmes de Roy Rogers, Rocky Lane, Bill Elliot (não sei se assim era escrito). Este último usava um chapelão, o qual era usado também pelo pai do Juarez, do Louredo e do Zé Rato Branco, e por isso ele era conhecido como Seu Mané Bill Elliot. Era um dos avós do Alexandre Tenório, que deveria ser um bebê na época. Este já pertence a Era da TV (vejam o que ele escreveu aqui no Blog sobre o campeonato das cidades).


Foi nesta brincadeira que aprendemos a brigar com os punhos cerrados como boxeadores. Era a forma de lutar dos atores da época. Eu nunca vi o Rocky Lane em posição de karatê nem vestido de ninja. Era soco na barriga e no queixo, e o bandido pronto para ir para a cadeia, onde o xerife o aguardava para a cela comum. Atualmente os bandidos vão para cela especial, com ar condicionado e aparelho de televisão. Tem um monte de doutores entre eles.

Voltemos a era da TV. Preto e Branco, sinal péssimo, programas ao vivo, todos. Até os comerciais. O “vídeo-tape” só apareceria anos depois. Ficávamos esperando, durante os comerciais, as anunciantes esquecerem o texto durante a apresentação. Dia desses, nas andanças nos consultórios médicos, li em uma daquelas revistas que ficam lá para não pensarmos em doenças, a seguinte história: Durante um programa da TV Jornal, TV preto e branco, horário nobre do seriado A Feiticeira, uma moça apareceu para fazer propaganda das geladeiras Kelvinator, que eram fabricadas ali na Imbiribeira. Antes as geladeiras fechavam como portas de automóveis, e agora, estas modernas tinham as portas com fecho magnético, como é hoje. Durante, o comercial a moça dizia:


- Esta é a melhor geladeira. E fecha au-to-ma-ti-ca-men-te!!!


Ao bater a porta, a geladeira não fechou. Mais uma vez e nada. A geladeira não fechava de jeito nenhum. Por trás das câmaras, alguém que não sabia que o comercial era ao vivo, gritou:


-Dulce, bate e segura esta merda!!!


Lembro ainda de um programa que eu achava muito bom: “Times Square”. Parecia aqueles musicais americanos, mas em português. Para falar a verdade, posso dizer que só vi televisão mesmo, com pouco chuvisco, quando vim para Recife.

Pelo que ouvi na Rádio Papacaça nada mudou em Bom Conselho, quanto ao sinal de TV. O que difere hoje é que, ao invés de colocar “bom-bril” na antena para uma melhor recepção, o Paulo Dantas liga para o secretário da Prefeitura, o Breno Alapenha, e recebe uma promessa de que o "problema será resolvido ainda hoje". Então, caros bom-conselhenses, o Big Brother daquele dia deveria estar garantido. A noveleira Lucinha, se o problema do sinal continuar vai ter muitas dificuldades para “viver a vida” em Bom Conselho.


Para não dizer que só falei de flores e sinais de TV, quero cumprimentar a todos que fazem esta rádio, com uma programação o mais neutra possível. Digo isto, porque sei quanto sofrem os meios de comunicação nos anos eleitorais, quando querem se manter dentro de sua missão de informar as pessoas dentro dos padrões mínimos de ética democrática, seja lá o que for isto. Para mim é apenas uma atitude, por parte daqueles que a fazem, de dar oportunidade iguais àqueles que querem um privilégio de serem escolhidos no dia da eleição. Sei quanto isto é difícil, e o maior exemplo está aqui em nossa empresa: A Lucinha já começou a campanha dois anos antes, a dela e a de Marina Silva, quando ela nem foi lançada candidata à presidência. Para chegar perto da ética que falei acima, estou abrindo o Blog da CIT para outros candidatos ou defensores de outros candidatos. Espero que o Hélio Urquiza faça o mesmo.

Diretor Presidentediretorpresidente@citltda.com




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(*) Fotos obtidas no site da Rádio Papacaça.

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