quarta-feira, 10 de março de 2010

COMÍCIO EM BECO ESTREITO



Recebi um e-mail do amigo José Fernandes alguns dias atrás. Nele vinha um anexo com uma poesia de Jessier Quirino, artista paraibano, de cuja obra eu já havia tomado conhecimento em algumas ocasiões. Penso que ele mandou esta mensagem por saber minhas pretensões em ser candidata a vereadora em Bom Conselho nas próximas eleições. E por eu estar vivendo este momento, envolvida com o assunto, quando li o texto do Jessier, deixando de lado a liturgia do sexo feminino, quase faço xixi de tanto rir. E, no e-mail já havia um lembrete para esta possibilidade quando o Zé diz: “É VÉIA, MAS AINDA É BOA! - MAU HUMOR FAZ MAL À SAÚDE!”

Eu concordo inteiramente com ele. O mau humor é uma doença da qual nós dois estamos livres. Por isso, resolvi publicar o Jessier, cujas obras podem ser adquiridas na Editora Bagaço aqui em Recife. O nome da poesia é o mesmo a que dei a este meu escrito. Entremearei sua leitura com observações sobre minha possível candidatura, e repito, ainda não estou em campanha, estou apenas fazendo propaganda da excelente obra do Jessier Quirino.


Pra se fazer um comício
Em tempo de eleição
Não carece de arrodei
Nem dinheiro muito não
Basta um F-4000
Ou qualquer mei caminhão
Entalado em beco estreito
E um bandeirado má feito
Cruzando em dez posição.

Eu já tenho o carro e os becos para instalar meus comícios, quando não usar meu caixote: Tribuna 43, imitando o Eduardo em sua campanha para governador. O carro ainda não comprei, mas tenho um apalavrado. Os becos, todos bom-conselhenses conhecem. Talvez comece pelo Beco de Dr. Raul, agora rejuvenescido pelo Carnabeco do Alfredo. O Beco de Dona Júlia na Rua da Cadeia é outro forte candidato, apesar de não ser tão estreito. O Beco da Caixa D’água, que liga a Rua do Caborge com a Barão do Rio Branco, será outro. Sei que neste período de crescimento de nossa cidade vários becos foram criados, pelos quais nunca passei. Mas irei a todos, e com um “bandeirado” bem feito.

Um locutor tabacudo
De converseiro comprido
Uns alto-falante rouco
Que espalhe o alarido
Microfone com flanela
Ou vermelha ou amarela
Conforme a cor do partido.

O locutor “tabacudo” já tenho em mente e a flanela do meu microfone será verde, da cor das matas e florestas do nosso país, e que, nestas alturas, já estarão protegidas com a Marina Silva na presidência.

Uma gambiarra véa
Banguela no acender
Quatro faixa de bramante
Escrito qualquer dizer
Dois pistom e um taró
Pode até ficar melhor
Uma torcida pra torcer.


Nestas horas gambiarra é que não falta e no bramante estará escrito algo simples como: “Vote em Lucinha e proteja o Bulandi” ou “Lucinha não é uma mulher madura, é verde”. Oh! Meu Deus, quanta falta de inspiração, até lá, terei frase melhores. Quanto aos “pistom” já tenho uns em vista, no próximo Encontro de Papacaceiros entrarei em contato.

Aí é subir pra riba
Meia dúzia de corruto
Quatro babão cinco puta
Uns oito capanga bruto
E acunhar na promessa
E a pisadinha é essa:
Três promessa por minuto.

Confesso que não sei como está a oferta de todo este material de campanha em Bom Conselho, hoje em dia. Mas, as promessas que fizer, cumprirei. Pode até ser mais de três por minuto, porque o que já se desmatou em nosso município, haja promessa.

Anunciar a chegança
Do corruto ganhador
Pedir o "V" da vitória
Dos dedo dos eleitor
E mandar que os vira-lata
Do bojo da passeata
Traga o home no andor.

Protegendo o monossílabo
De dedada e beliscão
À cavalo na cacunda
Chega o dono da eleição
Faz boca de fechecler
E nesse qué-ré-qué-qué
Vez por outra um foguetão.

Até os poetas são machistas quando querem colocar só “home” no andor. Talvez ele queira dar uma maior proteção às mulheres, insinuando que comício em beco estreito é coisa de “home”. Ledo engano, Jessier, hoje as mulheres sabem muito bem proteger seus “monossílabos” de dedada e beliscão e sabem muito bem o que fazer com eles. Eles que se atrevam, e dirijo os foguetões para os “monossílabos” deles.

Com voz de vento encanado
Com o VIVA dos babão
É só dizer que é mentira
Sua fama de ladrão
Falar do roubo dos home
Prometer o fim da fome
E tá ganha a eleição.

E terminada a campanha
Faturada a votação
Foda-se povo, pistom
Foda-se caminhão
Promessa, meta e programa...
É só mergulhar na Brahma
E curtir a posição.

Sendo um cabra despachudo
De politiquice quente
Batedorzão de carteira
Vigaristão competente
É só mandar pros otário
A foto num calendário
Bem família, bem decente:

Ele, um diabo sério, honrado
Ela, uma diaba influente
Bem vestido e bem posado
Até parecendo gente
Carregando a tiracolo
Sem pose, sem protocolo
Um diabozinho inocente.

Com estas últimas estrofes eu não posso concordar. Aquele que me acusar de ladra será devidamente processado. O dinheiro público para mim é sagrado. Sei que muita gente atualmente não leva isto a sério. O dinheiro público não é mais respeitado. Ele é guardado em qualquer local, como meias, cuecas, calcinhas, sutiãs e até debaixo de perucas. É usado no Caixa 2 e para comprar panetones. Dizem que Brasília cheira mal. Minha mãe, quando eu era adolescente lá em Bom Conselho, usava uma frase, para quando alguém soltava um “pum”, normalmente uma criança ou um cachorro, que fazia o local ficar mal cheiroso: “Eita! Balançaram o pé de arruda”. Nunca vi uma frase tão apropriada para a situação de hoje.

Perdendo ou ganhando eu cumprirei minhas obrigações com aqueles que trabalharam na minha campanha. Óbvio que se perder terei que pedir um prazo maior para saldar as dívidas. Afinal de contas, o meu partido, o PV, pelo menos até agora ainda não arranjou um tesoureiro indecente. E eu espero que a Marina Silva, com esta estória de fazer um governo de conciliação, não concilie com tudo. Mas se acontecer isto, nem haverá comício pois desistirei da minha candidatura e voltarei a ser a rainha do lar, onde só lido com o dinheiro privado.

Se ao terminarem esta leitura, não houve nem um esboço de riso, voltem a ler somente a poesia do Jessier, na certa rirão. Tive as melhores das intenções.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com
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(*) As charges são de vários autores retirados do Blog do Josias de Souza.

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