sábado, 13 de março de 2010

Lula e Cuba 2 - A Missão

Lendo o Diário de Pernambuco de hoje (13.03.2010) deparei-me com a coluna do Sebastião Nery, de quem estou lendo um livro primoroso de História do Brasil, chamado A Nuvem. Lembrei-me de meu artigo anterior: Lula e Cuba (http://www.citltda.com/2010/02/lula-e-cuba.html), e diante das lembranças do Nery, quanto aos tempos revolucionários de Sierra Maestra, resolvi citar aqui, a socióloga, citada por ele, Maria Lúcia Barbosa, que escreveu um artigo sobre o título: Cinismo Explícito.

Pensei em até dar o mesmo título a esta humilde quase cópia, mas diante da situação tão esdrúxula em que se meteu meu amigo de infância e conterrâneo Lula, parafraseei um filme do Rambo, que ele, pelas declarações em uma conferência sobre cultura, já deve ter assistido umas 90 vezes. Com as teclas, a socióloga, que como eu e o Nery, um dia amamos os Beatles e os Rolling Stones, além de Fidel e Guevara, deixando o intróito do Nery:

Fidel

Anistiados, continuaram com os mesmos sonhos da juventude e por isso ajudaram Lula a construir o PT. Agora, eles já não chamam mais Fidel de Fidel. São os Irmãos Castro. E não chamam Lula de Lula. É Luiz Inácio. Nem Fidel é o mesmo nem Lula o mesmo. Fidel é um ditador esclerosado. Lula, uma vulgar impostura.

Na Gazeta do Povo, aqui de Curitiba, leio um indignado, sofrido, valente, verdadeiro e primoroso artigo ("Cinismo Explicito") da socióloga Maria Lucia Barbosa que, como todos nós, um dia amou os Beatles, adorou Fidel e ajudou Lula a fundar o PT.

Lula

1 - "Justamente em 23 de fevereiro último, quando Luiz Inácio aportava eufórico nos braços dos queridíssimos irmãos Castro, um cubano negro, operário, "preso de consciência", de nome Orlando Zapata Tamayo, teve o mau gosto de morrer depois de ter sido torturado nas masmorras cubanas e enfrentado uma greve de fome como meio de pedir condições humanas para os demais encarcerados e liberdade para seu país."

2 - "O martírio de mais um cubano nem de longe poderia incomodar os irmãos Castro, acostumados a esse tipo de morte, para eles insignificante e rotineira. Entretanto, um grupo de dissidentes cubanos que esperavam que Luiz Inácio intercedesse por eles, tendo enviado uma carta nesse sentido ao governo brasileiro, deve ter se desiludido com a indiferença do "Cara", suas esquivas, suas palavras sem nexo. E mais decepcionados ainda devem ter ficado se puderam ver a foto de Luiz Inácio junto aos Castro."

Marco Aurélio

3 - "A cena, para quem tem um mínimo de sensibilidade e capacidade de indignação, era algo vil, torpe, nauseante. Um show explícito de cinismo do déspota de Cuba irmanado ao salvador da pátria brasileiro. Aviso sinistro para os ingênuos que acreditarem no seletivo Programa de Direitos Humanos elaborado pelo PT, a ser posto em prática pela comissária (Dilma) de Luiz Inácio."

4 - "Luiz Inácio culpou Zapata Tamoyo por sua morte. Marco Aurélio Garcia comentou com ares de enfado que violações de direitos humanos há em toda parte. E Raúl Castro, depois de pôr culpa nos Estados Unidos, afirmou:

- "Em meio século não assassinamos ninguém, aqui ninguém foi torturado".

Cuba


5 - "Desde 1959, mais de 100 mil cubanos foram presos. Entre 15 mil e 17 mil pessoas foram fuziladas. A Unidade Militar de Apoio à Produção (UMAP) funcionou entre 1964 e 1967. Produziu verdadeiros campos de concentração para onde foram levados religiosos católicos (como o arcebispo de Havana, Monsenhor Jaime Ortega), protestantes, homossexuais e quaisquer indivíduos considerados "potencialmente perigosos para a sociedade". Maus-tratos, isolamento, subalimentação era o regime dos campos da UMAP."

6 - "No violentíssimo regime penitenciário cubano, inclusive, são exploradas as fobias dos detidos. À tortura física se junta a tortura psíquica. As celas não costumam ter água nem eletricidade e o preso que se pretende despersonalizar é mantido em completo isolamento".

Cabana

7 - "Entre as mais tenebrosas prisões cubanas pode ser citada a de Cabana. Em 1982 cerca de cem prisioneirosforam ali fuzilados. A "especialidade" de Cabana eram as masmorras de dimensões reduzidas chamadas de "ratoneras" (buracos de ratos). Cabana foi desativada em 1985, mas as torturas e execuções prosseguiram em Boniato, prisão de alta segurança onde reina violência sem limites."

8 - "No universo carcerário de Cuba a situação das mulheres não é menos dramática. Mais de 1.100 mulheres foram condenadas por motivos políticos desde 1959. As presas, entregues ao sadismo dos guardas, passam por sessões de espancamento e humilhações de todos os tipos".

Bandidos

9 - "Entrevistado pela Associated Press sobre a existência de mais dissidentes cubanos em greve de fome, sua Excelência saiu-se com essa: "Imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo fizessem greve de fome e pedissem a liberdade"

10 - "Luiz Inácio concorda com os irmãos Castro no sentido de que presos políticos cubanos são bandidos de alta periculosidade para a sociedade e não defensores da liberdade. Segundo, ele não larga a campanha, pois bandidos só em São Paulo. Culpa de Serra, naturalmente.

Lamentavelmente o presidente do Brasil não se dá ao respeito."”

A alguns destes fatos, eu já havia me referido. Digo mais. Não esperava que o Lula, a quem acompanhei de longe durante todos estes anos, vibrando com suas vitórias, chegasse a este ponto, que talvez não é caso, dele não se dá ao respeito, mas sim de não ter prestado atenção e meditado no dito popular que sua mãe, D. Lindu, dizia sempre a nós: “Quem nunca comeu mel, quando come se lambuza.” O meu amigo Lula está se lambuzando todo do mel dos 90% de popularidade, e quando ele menos esperar os ursos podem comê-lo todo, e aí era uma vez meu amigo.

Recentemente ele foi à Segunda Conferência Nacional da Cultura, e para um homem que há pouco tempo dizia que havia colhido “menas” laranjas do que pretendia, agora quer prestar uma colaboração “inestimável” á cultura deste país. E ele prestou, enquanto não ficava vendo só enlatados na TV, e percorrendo o mundo com ares de rei da cocada preta, porque conseguiu fugir das "marolas" da crise. Meu amigo, vamos cair na real.

Fiquei arrepiado quando ele pronunciou o nome de nossa Caetés. Esperei até que lembrasse do nosso “papo” sobre a Academia Caeteense de Letras, e anunciasse sua inclusão no PAC, pois a Dilma estava presente. Não ainda. Ele partiu para dizer que agora: “Pernambuco está tão chique que, em Caruaru, teve um terremotozinho. Vocês viram nos jornais? Não é mole Pernambuco!” Isto depois de ter ido ao Haiti, depois de não ter ido à posse do Chile, países muito chiques, por tiveram terremotos maiores do que os nossos. E a platéia delirava! Será que ao mencionar nossa Caetés, ele queria torná-la chique, igual a Caruaru, ou igual ao Haiti!?

Repito, isto só pode ser um efeito maior da crise de abstinência do fumo. Eu já recomendei um “tabaqueiro” para ele (http://www.citltda.com/2010/03/um-tabaqueiro-para-lula.html). Se não der resultado companheiro e amigo Lula, tenha cuidado, nem todo fumo de rolo das feiras de Caetés o salvarão. Como você mesmo dizia antigamente: “Menas arrogância, Lula! Menas.”

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

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