quinta-feira, 11 de março de 2010

Um "Tabaqueiro" para Lula



Li outro dia que o meu conterrâneo Lula resolveu parar de fumar e diz que está sendo difícil porque ele tem este vício há 50 anos. Como o conheci muito bem e sei que sou da mesma idade, corrijo logo a informação sobre o cinquentenário de fumo. Esperto como ele é, a informação deve ter sido passada para haver mais uma comemoração: Lula 50 anos de fumo. Sei que é mais, se contarmos o rapé de seu Juca.

Antes, uma nota esclarecedora. O rapé, também conhecido por nós naquela época como tabaco ou torrado, era um pó feito da planta de fumo de corda queimado e pilado, isto é, esmagado com a mão-de-pilão. Era um pó preto de cheiro forte, que penso ser o verdadeiro cheiro do fumo. Quanto mais fino, melhor o tabaco. Ele era, ou é, pois muita gente no interior ainda mantém o hábito, usado melando as narinas com aquele pó preto. Ele é viciador igual ao cigarro, pois as substâncias do fumo são absorvidas pelo organismo da mesma maneira.

Normalmente, naquela época, quem “dava um tapa” no tabaco, era também fumante do fumo de rolo, na seda ou na palha. Não quero dizer aqui que o Lula era viciado no fumo desde criança. Ele era, e me incentivava a ser, curioso, e experimentava tudo que via pela frente, mesmo que corresse alguns riscos, vide agora a indicação de Dilma para presidente.

O tabaco era guardado numa latinha ou, alguns vezes, numa espécie de depósito feito de chifre, não sei se de boi, ou de bode, com uma tampinha onde havia um couro que ao puxá-lo abria o depósito que se chamava de “tabaqueiro”. Tudo isto para dizer que quando Lula, eu e a corriola víamos o “tabaqueiro” de seu Juca “dando sopa”, dávamos a nossa “cafungada”.

Antes que algum malicioso se atreva a comparar eu ou o Lula com o Maradona, e isto se espalhe pelo país inteiro pela penetração do Blog da CIT, devo avisar, o pó que cheirávamos era preto, e seus efeitos, apesar de ruins, eram muitos menos maléficos do que o do “pó branco”, que tanta desgraça tem causado hoje em dia. Que o diga o Imperador.

Por isso disse acima, se considerarmos o tabaco de seu Juca, Lula tem mais de 50 anos de fumo.

Eu continuei fumando também, desde aquela época, até, mais ou menos, uns 20 anos atrás. Sei que não é um vício fácil e nem tão inofensivo, apesar de ser socialmente lícito. Penso ser ele pior do que o vício do álcool. Pois seus efeitos são escondidos por muito tempo, e quando aparecem são quase sempre fatais. Tenho certeza que a biloura que Lula teve aqui em Pernambuco, e que o incentivou a parar de fumar, tem muito pouca coisa a ver com o fumo. Pelo contrário, o fumo é nosso protetor em situações de estresse e exaustão. Suas consequências são muito mais profundas, e espero que o meu conterrâneo tenha deixado o vício em tempo.

Disseram numa reportagem que ele continua “dando uns tapas” no cigarro, no escondidinho do Planalto. Espero que seja mentira, mas tem tudo para ser verdade. Deixar de fumar é um ato de vontade. Isto é muito simples de se dizer, só esquecem de avisar a nossa vontade. Tenho certeza, igual acontecia comigo, em qualquer momento de tensão, como, por exemplo ver a Dilma trocar nomes de gente e cidades toda hora, o nosso conforto é o sucessor do tabaco de seu Juca, o cigarro. Quando tentamos deixar o vício, e eu tentei umas 30 vezes, e chegamos perto do Eduardo Campos, que ainda fede a fumo, nossa vontade é tirar do bolso aquela cigarrilha, e correr para o banheiro, onde o Eduardo já deixou o cheiro de fumaça antes.

Eu nunca fui de dar conselhos, apesar de me expressar neste Blog de Bom Conselho. Nos tempos de criança adorávamos os espirros provocados pelo tabaco de seu Juca. Cada “cafungada” era um espirro, e nos divertíamos com isto. Quem sabe aí em Caetés não haja alguém que possa mandar um tabaqueiro bem cheio para o Lula. Talvez funcione como estes chicletes de nicotina, que eu só vivia mascando, e, quando cuspia chupava uma bala para tirar o gosto, e engordava feito um bacuri de porco. Mas, passa um pouco a vontade de fumar.

Uma vez me disseram, que o cachimbo funciona assim. Pois o fumante se habitua a não tragar. Só a mucosa da boca é que sofre, como as narinas sofriam com o rapé de seu Juca. Fiz uma tentativa. Quando pegava o cachimbo me achava o próprio Sherlock Holmes, dizendo: “elementar, meu caro Watson”. Não deu certo, não era nada elementar. Na primeira contrariedade, voltava com o meu cigarrinho, envergonhado pela pouca força de vontade, para o meu quartinho secreto.

Saio de minha rotina e dou um conselho ao meu conterrâneo, se ele quiser mesmo deixar de fumar, e, que Deus o livre, não quiser vir morrer aqui no Hospital Miguel Arraes, ou mesmo mais perto de sua terra, no D. Moura em Garanhuns, largue a campanha da Dilma, deixe ela tocar o barco sozinha, ela terá o mesmo sucesso que teve com o PAC. Vá ser Secretário Geral das Nações Unidas, você merece este descanso, pois o cargo é tão inútil e tranquilo, que dar até para parar de fumar.

O artigo terminaria no parágrafo anterior se eu não houvesse logo em seguida visto as declarações de Lula, em Brasília, sobre as greves de fome em Cuba, um assunto do qual já tratamos noutro artigo (http://www.citltda.com/2010/02/lula-e-cuba.html). Pasmem! Meu conterrâneo completou seu raciocínio sobre a greve de fome de prisioneiros políticos em Cuba, com as seguinte pérolas:

"Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano de deter pessoas em razão da legislação de Cuba, como quero que respeitem o Brasil".

"Acredito que a greve de fome não pode ser usada como um pretexto de direitos humanos para libertar as pessoas”.

“Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem a liberdade".

“Mas não posso questionar as razões pelas quais Cuba os deteve, como também não quero que Cuba questione as razões pelas quais há pessoas presas no Brasil".


Sei que meu conterrâneo nunca gostou de ler, mas isto nunca o impediu, pela sua sensibilidade, intuição e inteligência de governar bem o Brasil e melhorar a situação social do seu povo. Mas, vamos e convenhamos, não conhecer a legislação revolucionária cubana, comparando-o com a do Brasil, comparando os presos políticos de Cuba ao Fernandinho Beira-mar!? Ele não poderia estar em seu estado normal.

Foi a leitura do artigo de Lucinha Peixoto, no qual ela falou sobre crise de abstinência das pessoas pela falta da leitura do Blog da CIT (http://www.citltda.com/2010/03/vamos-tomar-o-leite-elege.html), que me deu um estalo. O problema do Lula, neste momento, é uma crise braba de abstinência do fumo. Está tudo explicado. Conterrâneo Lula, não comprometa seu governo, por enquanto fume escondido ou mande pedir um “tabaqueiro” em Caetés, enquanto a ONU não vem.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com
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(*) Fotos e charge da Internet.

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