sexta-feira, 30 de abril de 2010

A Dor Suprema



Vi recentemente na TV, nos telejornais, um vídeo de uma mulher maltratando um bebê de sete meses. Como em outras ocasiões nas quais vi desta espécie de cena, que pululam na TV, pelo avanço tecnológico na área de imagens, fotos e vídeos, fiquei chocada mais uma vez, ao ponto de em certas ocasiões chegar às lágrimas. Meu marido teve o mesmo sentimento, e só não chorou porque neste mundo machista incutiram em sua cabeça que homem não chora. Deviam chorar mais e serem menos “sem-vergonhas”, que me desculpem alguns “com-vergonha.”

Fiquei pensando que eu estava ficando muito fraca, o que não era antes, apesar de pertencer ao chamado sexo “frágil”, entre aspas, assim mesmo. Entretanto, vi que não era isso. Antes de nascer o meu primeiro neto eu já havia esquecido que meus filhos um dia foram crianças bem pequeninhas como aquele bebê que vi ser maltratado. O meu primeiro pensamento ao ver o vídeo, foi pensar no meu neto. Quanto egoísmo! Mais um pecado em minha lista, além daqueles que cometo ao falar de minha Santa Madre Igreja em certos casos. Por que não pensava no neto dos outros? É o ser humano em sua plenitude de animal.

Meu neto tem uns meses a mais do que aquele bebê. Também tem uma babá. No mundo moderno as mulheres foram à luta e trabalham, saem de casa, entraram na briga pela sobrevivência, e ainda por cima, parem, do verbo parir. Não tem como se livrar das creches e das babás. Embora digam que nas creches o perigo de maus-tratos é menor porque uma vigia a outra, ainda pode acontecer e tem acontecido. Eu ainda tive o privilégio de criar os meus filhos estando mais presente. Só depois de uma certa idade parti para a luta, e eles já eram grandinhos o suficiente para se defenderem em casa e na escola, pelo menos é isto em que acredito. Minha filha não tem alternativa. Tem que confiar mais em alguém de fora na criação do pimpolho, meu neto. Apesar de eu ficar com ele uma boa parte do tempo, eu não sou totalmente do lar, também tenho minhas atividades. Mas, entre uma missa e meu neto, fico com ele, que Deus me perdoe.

Dizem as autoridades que não se deve contratar ninguém sem referências e desconhecida. Mas como podemos ter certeza de que as referências não mudam logo com a gente. Lembrem do Collor e do Lula. Não há como não recorrer hoje ao Big Brother (programa que todos viram e todos falaram mal) do lar. Instalar câmeras e sensores para vigiar as babás. Só assim podemos flagrar as meliantes em relação a nossas crianças.

No caso do bebê de sete meses o vídeo é claro como água em termos de maus-tratos, mas segundo alguns, é inconclusivo quanto ao abuso sexual. A bandida está solta porque está cooperando com a polícia. Aí eu não entendi mais nada. Pois ela diz que tudo não passou de um mal entendido e que fazia aquilo mesmo na presença dos pais da criança. Se isto é verdade, prendamos os pais, por conivência com ela. Porque se eu visse uma babá fazendo com o meu neto o que aquela mulher, mostrada pelo vídeo, fazia com aquela criança, eu também talvez fosse parar na cadeia por agressão, influenciada por meu marido que disse: “Eu dava-lhe um bifa nos cornos para ela aprender a ser gente.”

Eu não sou uma pessoa violenta. Tento agir sempre dentro de princípios éticos entre os quais a violência só permitida em certos casos. E neste talvez fosse um deles. Ver um filho ou neto sofrer já é uma dor muito forte, e quando eles são crianças, é a suprema dor.

A policial encarregada do caso disse que a babá será indiciada por maus-tratos, cuja pena prevista no nosso Código Penal é de 2 meses a 1 ano de reclusão. Não sou especialista nisto (é um caso para o amigo José Fernandes), entretanto se este código não faz distinção entre maltratar alguém e maltratar uma criança, ele está mais caduco do que o Código Canônico de nossa Igreja.

Eu já disse à minha filha que criança, até poder se defender, tem que ser mesmo vigiada e cuidada para não cair nas mãos de bandidos, como neste exemplo. E as filmagens, câmeras, sensores, etc. fazem parte do nosso mundo moderno. Eu defendo que estas mídias passem a servir de provas em determinados casos, ressalvados os direitos de defesa, para punir as pessoas. Se fosse assim esta babá já estaria encarcerada e a França não estaria na Copa do Mundo, todos viram o gol de mão que a classificou, sendo repetido o gesto do Maradona numa destas competições que não me lembro qual.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Política no Interior


Ontem recebi uma carta de seu Salviano, lá de Bom Conselho. Como sempre elas mostram o quanto ele se interessa por política. Quando eu digo que ele, nisso, foi influenciado pelo Coronel, ele brada: "Vade retro, satanás." Transcrevo sua missiva abaixo, na íntegra.

"Bom Conselho, 20 de abril de 2010

Ilustríssimo Diretor Presidente

Sirvo-me deste combalido correio de nossa cidade para contar-lhe as novas notícias que chegam a este cérebro já queimando óleo 40, mas funcionando bem, graças a Deus. O que espero é que esta carta chegue ainda este ano, pois pelo que li no Blog de vocês, a coisa aqui tá feia, em termos de eficiência dos correios, tão eficiente na época do meu amigo Benone Chagas. Infelizmente, embora já use o computador da Ritinha com a desenvoltura da idade, isto quer dizer que a chamo o tempo todo para usar esta máquina complicada mas que só falta falar (a Ritinha diz que ela fala mas não tem uma caixa de som boa, se sobrar algum da aposentadoria eu vou comprar, porque com o salário dela de professora, nem pensar), ainda não soube fazer um e-mail, meu mesmo, e não vou usar o dela.

O importante é que já estou navegando na internet e tem uns favoritos que eu uso para ler o que quero. Juro a você que o primeirão que leio todo dia é o Blog da CIT. Sei que você ficou um pouco adoentado e não está escrevendo muito, mas leio os outros. Aqui em Bom Conselho só ouço falar nele e nos Blogs do Jodeval, do Roberto Almeida, e do Ronaldo César da cidade vizinha de Garanhuns. Está faltando aqui um Blog de notícias como estes dois últimos. O que vocês chamam SBC, traz alguma notícia, mas, sempre da semana passada. Pior é a A Gazeta que quando a gente ler a notícia que alguém casou, já vai tomar o cachimbo do primeiro filho. Mas, como você sabe, nossa terra é assim, e lhe digo, já foi pior. Hoje já temos a Rádio Papacaça, mas que deixa muito a desejar no jornalismo. Tem um repórter, que fala quase como aquele cara que aparecia na TV, e nunca mais vi, parece que era o Gil Gomes, que adora quando o cabra taca a faca de 12 polegadas na barriga do outro.

Eu adoro ler os artigos do Zezinho de Caetés. Ele tem uma linha política boa, e a tendência é quando a gente concorda, tudo é literatura da melhor qualidade. Isto se explica porque Ritinha lê o Paulo Coelho. O interessante é que conheço várias pessoas de Caetés, e ninguém conhece o Zezinho, por quê? Sei que é um pseudônimo, li no Blog, mas também ninguém conhece o Zé Andando. Deixa prá lá o importante é que ele não gosta da candidata da situação. Eu também não. Então, acho que ele escreve melhor do que Machado de Assis.

Outra coisa que vi e gostei foi a publicação das fotos das Igrejas de Bom Conselho. É uma pena que a da nossa comunidade de São Rafael estivesse tão sujinha. Eu mesmo já reclamei com alguns dirigentes, mas até agora não teve jeito. Mas, Deus tá vendo que a igreja está suja, mas nossas preces são limpas. De qualquer forma parabéns pela série, principalmente a de Santa Terezinha, nunca mais tive tempo de ir lá.

A política aqui começa a ferver. Estive outro dia na Exposição de Animais onde se realizam os leilões de políticos. Arrefeceram um pouco em termos de número de pessoas, mas não pense que foi por falta de interesse, e sim por falta do que leiloar. Os políticos daqui, penso, “
não deram prá quem quis”, como se diz. Dizem que teve lances de 150 mil reais, e foi arrematando alguns. Lembra daquele senhor alto, de bigode, meio moreno, que falei prá você outro dia, que estava investindo aqui no agreste para se candidatar ao senado? Vi outra vez ele por lá. Veio ver se conseguia um bom lance no cabo eleitoral que ele tinha arrematado da outra vez, porque agora só vai se candidatar a deputado e já tem muito voto ai no Recife. Deu o cabo eleitoral pela metade do preço. Quem arrematou foi um baixinho de cavanhaque, que tem uma voz estranha. Dizem que ele quer ser senador pelo PT, foi o escolhido pelo partido. Não sei se é verdade, mas viram ele rondando a prefeitura.

Dizem também que em Garanhuns, no Castelo de João Capão, ainda tem muitos leilões. Obviamente lá deve ser mais animado, pois o número de políticos é muito maior. Aquele do sertão, que é secretário de Eduardo, tinha arrematado também muitos cabos eleitorais, e até blogueiros. Dizem que um blogueiro está na faixa de mil reais. Mas, ele repassou todos para um industrial que é candidato a senador. Se Jarbas se candidatar a governador os preços provavelmente subirão pois o governador vai ter que se cuidar.

Mas voltemos ao nosso torrão natal. Não sei se você já leu o último exemplar da A Gazeta. Provavelmente, não, devido ao correio. Para ver a situação aqui, basta ler a coluna do Luiz Clério. Em resumo, ele cita alguns resultados dos pregões ultimamente. Por exemplo, Carlos Alberto Pereira, PDT, que foi eleito com 432 votos já é do deputado federal Bruno Araújo, com contribuições no lance, do estadual Eduardo Porto. O bom é que estes lances podem ser dados a vereadores mesmo sendo de outro partido. Neste caso nenhum dos dois é filiado ao PDT. Edgar Moury e Jacilda Urquisa que são do PMDB, arremataram a vereadora Eliane Ramos que é do PSDB. Petrúcio Borges do PSDC foi para Clodoaldo Magalhães, que está à procura de um deputado federal para ajudar. Gilmar Aleixo tem seu passe preso aos ex-prefeitos Audálio Ferreira e Daniel Brasileiro que pelo menos são do PTB também. Penso que o maior lance foi mesmo para a prefeita Judith Alapenha, repartido entre o deputado federal Wolney Queiroz e o estadual Isaltino Nascimento, do PDT e PT, respectivamente.

Isto é só para dar um exemplo simples de que os políticos já estão faltando na cidade, e nem mencionei o Gervásio Matos, o Murilo Curvelo, o Geraldo Guedes e Vavá Caréu que também, segundo o Luiz Clério, já devem ter fornecido seu apoio a outros políticos. E digo a você, usando uma frase do próprio Luiz Clério: “
Se o município de Bom Conselho sairá ganhando só o futuro dirá”. Dentro de nosso sistema eleitoral, o articulista é muito otimista na dúvida. Tenho certeza que ficará tudo na mesma. Mas como diria sua colaboradora Lucinha Peixoto, que gosto do que escreve, embora não me lembre dela: “Rezemos ao senhor!”

Caro Diretor Presidente, estimo suas melhoras e também a melhora de nossa Papacaça. Se o Blog da CIT se apresentar aqui no leilão, talvez receba um bom lance, mas é melhor que fique longe disto. Cuidado com os coronéis. Um abraço do amigo

Salviano"


Não tenho muito o que dizer sobre a carta, a não ser dizer ao leitor que o artigo em que o seu Salviano comenta também o leilão de políticos esta no link: http://www.citltda.com/2010/01/leilao-no-interior.html . E que, enquanto não houver uma reforma político-eleitoral séria em nosso país, os leilões de votos continuarão. Mas, quem a fará? Precisamos de um estadista com urgência, e pelo que se delineia no horizonte da eleição presidencial, isto está longe de acontecer. Agora cada um diz que pode fazer mais do que fez o atual presidente, e neste aspecto da reforma política, todos tem razão, pois ele não fez nada.

Diretor Presidentediretorpresidente@citltda.com

quarta-feira, 28 de abril de 2010

QUANTO VALE O SEU VOTO?




Estamos na temporada de caça aos votos. Onde tudo é possível e provável. É possível que você consiga aquele emprego para seu filho, há tanto tempo desempregado. É provável que você resolva aquele problema que emperrava o alvará do seu imóvel. Candidatos se empenham nas promessas. Os menos afortunados, moradores da periferia recebem feiras, medicamentos, pagamentos das contas de água e luz atrasadas e até material de construção. Sem falar na possibilidade de receber “trocados” entregando “santinhos” ou segurando bandeiras nos semáforos da cidade. Às vésperas das eleições é possível ganhar camisetas e vales-transportes para lotar os ônibus e ir aos comícios aplaudir os candidatos.

É a temporada de poucos escrúpulos e muita vontade de se dar bem. O bem comum é a constante do discurso e a prática é a concretização do seu oposto. Fotos e slogans se multiplicam na paisagem. E o retrato da cidade se deteriora na ganância da disputa pelo espaço público. A poluição visual se junta à sonora com as intermináveis versões a nos estremecer os tímpanos e nos fazer cantarolar sem querer.

Mas do que nunca, reinauguramos a época dos conchavos, das denúncias. Os problemas da cidade serão mostrados e ressaltados: os buracos, a falta de moradia, a sujeira, casas construídas em áreas de risco, as escolas sem condições de ter aulas, hospitais mal equipados, funcionários públicos mal renumerados, aposentados vivendo com um mísero salário, etc., etc., etc. Isso é motivo para crucificação dos atuais detentores das vagas.

Apesar da tentativa de justificar os compromissos não cumpridos e as promessas esquecidas, tudo será passado. Pois, muitos desses, estão novamente no páreo e irão disputar com unhas e dentes cada voto. Famílias inteiras irão empenhar-se na certeza do enquadramento dos seus membros, no favorecimento de seus pleitos. Quanto vale esses votos? Emprego, ascensão, favores políticos, nomeações, troca de cadeiras?

E neste samba de crioulo doido, candidatos aliam-se por conveniência. O sonho de candidatos e eleitores vale o que for possível. E quando a temporada acabar? Ficaremos novamente com os restos. Os restos das bandeiras, dos panfletos, dos buracos, dos muros pintados e dos casebres. Além disso, ficaremos sem esperança de que os eleitos ajam diferentes dos seus antecessores. E assim, vão-se os sonhos e com eles a convicção do valor do seu voto.

“O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem éticas. O que mais preocupa é o silêncio dos bons.”

Martin Luther King

Aos meus leitores, um abraço.

Maria Caliel Siqueira - mcaliel@hotmail.com

terça-feira, 27 de abril de 2010

O que o Lula pensa



Semana passada escrevi artigo neste mesmo Blog (http://www.citltda.com/2010/04/dilma-nao-toma-jeito.html) sobre os movimentos que poderiam ser formados a partir das alianças e coalizões de partidos em níveis federal e estadual. Com as últimas notícias não teremos mais o movimento Japau nem o Paujá, pois o João Paulo foi defenestrado como candidato do PT ao senado. Também, hoje não é mais tão certa a candidatura de Jarbas ao governo do Estado. O nobre senador pernambucano, depois de conversar com o tucano Serra, pré-candidato a presidente, impôs certas condições para concorrer no pleito majoritário no Estado.

Uma das condições é que tanto o Senador Marco Maciel quanto o senador Sérgio Guerra se candidatem. O primeiro tem-se quase como certa sua candidatura e o segundo tem-se quase como impossível aceitar a condição. Depois que teria dito que “o Jarbas quer bancar o Tiradentes com o pescoço dos outros”, também teria declarado que a decisão de Jarbas não afetaria muito o desempenho de Serra no Estado. Jarbas está mais indeciso do que boi de piranha, quando sabe o que lhe espera ao entrar no rio. E, penso eu, está sendo coerente, pois para apoiar o Serra batendo em Lula como o nosso senador vem batendo nos últimos tempos, enquanto o candidato quer esquecer o Lula, vai levar, pelo menos a um choque de ideias que deixará os eleitores malucos.

Quando comecei a escrever pensei em comentar a entrevista que meu conterrâneo deu ao Diário de Pernambuco (21.04.2010), mas enveredei pelo tema do artigo anterior, pensei em começar daqui, entretanto, vejo que tudo está ligado com tudo em política, e no que dizem os políticos, e Lula está cada dia melhor nesta tarefa. Aliás, sempre foi bom nisto. Desde criança nunca levou a culpa pelas frutas que afanávamos dos sítios lá em Caetés. Afinal de contas distribuição de renda e distribuição de frutas caem na mesma rubrica dos programas sociais. Se ele fosse padre, talvez chegasse a Bento XVII, não sendo, será Secretário Geral da ONU, o que ele nega querer na própria entrevista. Quem já viu político querer alguma coisa?

A primeira coisa que me chamou atenção foi a surpresa que o Lula declarou que teve quando soube que Humberto Costa havia sido preferido a João Paulo, para candidato ao senado. Diz que ficou satisfeito com o resultado porque este acordo foi o melhor para o PT no estado, mas a surpresa foi porque se chegou a um acordo. Pelo que os jornais falaram, no dia seguinte, deste “acordo”, foi realmente um acordo petista. O João Paulo saiu tão triste e deprimido que até agora deve estar meditando e levitando, para conseguir dizer que está tudo bem. Como é bom ser zen no PT!

Sobre o Ciro Gomes, o cuspidor de fogo, Lula tenta dourar a pílula pelo não cumprimento das promessas de todos os lados, feitas a ele, inclusive fazendo-o transferir o seu título para São Paulo, alegando a ideia maluca da eleição plebiscitária. No fundo no fundo ele quer competir com FHC, esquecendo que ele já competiu e ganhou, várias vezes. Neste caso penso, o PSDB agradece. Ele pode bater como quiser no José Serra, que ele não estará nem aí. Descontará as escoriações batendo na Dilma, que é fraquinha, fraquinha. Será como menino grande batendo na irmã pequena daquele que lhe bateu primeiro. E meu conterrâneo perderá o plebiscito, porque ele não existirá. Aliás, é tão notória sua briga com FHC, que quando ele fala, não tem como não pensar nele. Quando ele diz que é uma besteira dizer que não transfere votos para Dilma, e ao mesmo tempo, as “pessoas” dizem que Aécio transfere votos para Serra, ele está pensando mesmo é em FHC. É o velho mito da competição entre o intelectual e o operário que não gosta de ler muito, que o machuca. Quando realmente, com sua capacidade, ele nem precisava pensar nesta competição boba.

Enquanto ao responder uma pergunta ele diz que, fora do governo, pode ajudar mais a Dilma de dentro do PT, noutra resposta diz que não pretende dá palpites no próximo governo, “rei morto, rei posto”, disse ele. É o pragmatismo político de que ele fala. Se ninguém entende o que um político fala, ele pode dizer que falou qualquer coisa. Quando ele diz que não está interessado na ONU, porque lá deve ter um burocrata ao invés de um político, ele deve está querendo dizer que até hoje aquilo não funcionou porque sempre foi assim, e precisa mudar.

Da mesma forma ele diz, quando o repórter afirma: E 2014 está ai, presidente...:

“Eu não trabalho com esta hipótese. Em política, é ruim porque nem posso discordar e nem posso dizer ...eu diria que a probabilidade é de não existir 2014 por quero que minha candidata ganhe. ... Eu vou mostrar que um ex-presidente não pode ser mesquinho. Não pode ficar torcendo pelo fracasso do outro, não pode ficar dando palpite.”

Óbvio que estava se referindo a Fernando Henrique. É a competição mencionada acima. Ele só pensa naquilo. Deixa FHC prá lá, Lula. Você foi um presidente tão bom ou melhor quanto ele, em outras circunstâncias. Mas, pelo visto, ao escolher a candidata a sua sucessão, você corre sério risco de fazer igual a ele: Não fazer o seu sucessor.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com
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(*) Fotos da entrevista do Diário de Pernambuco.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Barão e Baronesa




Disse em artigo anterior (http://www.citltda.com/2010/03/um-texto-erotico.html) que a História, em toda parte, está eivada de amores profundos e célebres entre homem e mulher. No futuro ficaremos sabendo de amores também belos e profundos entre pessoas do mesmo sexo. Por que não? Fiquemos, entretanto, aqui, nos amores antigos.

Citei entre eles, apressadamente, o que me veio à cabeça: Romeu e Julieta, Tristão e Isolda, Desdêmona e Otello, Dirceu e Marília e podia continuar citando Napoleão e Josefina, D. Pedro I e a Marquesa de Santos, Roberto Carlos e Maria Rita, e outros.

Agoro cito: Barão e Baronesa. Não sei porque eles começaram a se corresponder no Mural do SBC. E também não sei porque desapareceram. Óbvio que eram nomes carinhosamente criados para viver publicamente uma história de amor. Quando bati a vista no Mural do SBC não procurei mais nem se havia morrido mais alguém de nossa cidade. Servir de obituário é um serviço de utilidade pública dos mais relevantes, mas não é o único. Mostrar que as pessoas ainda amam e tem coragem de postarem mensagens de amor no site de Bom Conselho, é um fato auspicioso. Fazer propaganda de programas de TV também é importante, embora dependa do programa, mas também não procurei isto neste dia, nem tampouco, procurei os elogios aos escritores da Academia Pedro de Lara, só postados, coincidentemente quando eles são postados no Blog da CIT.

É impressionante como não vi um elogio, no Mural do SBC, aos belos artigos do José Tenório de Medeiros, um dos melhores escritores de nossa terra. Será, se ele publicar no Blog da CIT, alguém o elogiará. Estamos às ordens caro José Tenório, como estamos abertos para publicações de qualquer um de Bom Conselho, dentro dos nossos padrões editoriais.

Ultimamente, só o José Fernandes, com a coragem, sinceridade e honestidade que lhe são peculiares tem se arriscado a escrever a palavra CIT ou Blog da CIT, neste Mural, como se fôssemos meios de comunicação antagônicos. Somos complementares, já disse várias vezes isto. O sucesso de um é também o sucesso do outro, embora isto não se aplique àqueles que usam estes veículos pensando que nunca serão contraditados porque se julgam os donos da verdade. O Blog tem sido muito lido por não termos nenhum “coronel” (ou era "capitão"? O nome mais comum é pinico mesmo!), a não ser aquele em que fazia xixi nas frias noites de Bom Conselho e ficava debaixo de minha cama. Mas, estávamos falando de amor...

Inicialmente eu pensei que Barão e Baronesa eram pseudônimos de Lula e Marisa, pelo nível de instrução demonstrado ao escrever. Mas, devem ser adolescentes vítimas do nosso nível de ensino do Português, mas isto é o de menos. O importante é o que está por trás destas mal traçadas linhas. Um primeiro diálogo:

“barão» baronesa: oi que o seu dia tenha sido maravilhoso minha baronesa pois saiba que a saudades está min matando, e que aumenta más o amor que tenho por vc, não min esqueça nunca pois seria uma grande dor no meu coração sonho em vela em ter vc comigo a todo o estante.que a felicidade caminhe lado a lado com vc onde quer que esteja neste momento adoro vc suas palavras seu jeito meigo e ao mesmo tempo sapeca..muitos bjs a vc e que seja sempre feliz..uma linda noite e boms sonhos...

Baronesa» Barão: Oie Boa Noite minha delixia de Barão.quero que tu saiba q os meus dias esta cendo lindu maravilhoso ao seu lado. eu ñ quero te perder nunca amore de minha vida. ter conhecido vc foi algum muito especial na minha vida nada vai nus separar pq nosso amor é mais forte q tudu. a Barão q honra ter vc todos os dias. bjs e otima noite pra vc "TE AMOOOO MEU BARÃO LINDU. ”

Quem não gosta de amor, de juventude, paixão, simplesmente deveria pular o amor de Barão e Baronesa. O grande problema no Mural é quando queremos pular, não encontramos mais nada, a não ser os salamaleques de sempre. Na época o amigo Gildo disse, com razão, que o Mural era de utilidade pública. E para que mais de utilidade pública do que o amor?

Certa feita, sem querer abrir feridas muito bem cicatrizadas, critiquei aqui alguém porque usava o Mural para contar sobre uma noite em um hotel, usando o mesmo argumento do Gildo de que aquilo lá, o Mural, era de utilidade pública. Mas, ressalvava que isto era uma questão de cada um, e ainda acho assim, por isso o Gildo pode achar que o diálogo entre Barão e Baronesa não é de utilidade pública e externar sua opinião.

Já disse outras vezes que o Saulo não é o dono do SBC. Ele é apenas o administrador e como tal tem o poder de censura, quando se sai dentro das normas traçadas pelo Mural, mas quando não, se ele usar seu poder a mando de A ou de B, porque é “colaborador”, ele está ferindo certos princípios éticos, e sei que isto não é do seu feitio. De todo modo eu não queria estar na pele dele.

Tanto o Blog da CIT, como o SBT ou qualquer órgão de comunicação que divulga informação que pode transformar a vida das pessoas, é de utilidade pública, e deve se responsabilizar pelo que publica e aqui nós temos este cuidado, com os erros que são próprios da natureza humana, mas estamos sempre prontos a arcar com eles. Dentro disto não teríamos o menor receio em publicar Barão e Baronesa. Se eles escrevessem muito, eu os orientaria a criar um Blog, talvez com o nome, o Blog dos Barões.

Entretanto sem dúvida nenhuma publicaríamos a seguinte tirada da Baronesa:

“Baronesa» Barão: Bom dia Amor !!!Inspiração dos meus sonhos não quero acordar,quero ficar só contigo não vou poder voar, porque parar pra refletir se meu reflexo é você aprendendo uma só vida, compartilhando prazer.Por que parece que na hora eu não vou agüentar, Se eu sempre tive força e nunca parei de lutar? Como no filme, no final tudo vai dar certo.Quem foi que disse que pra tá junto precisa tá perto? Pensa em mim Que eu tô pensando em você E me diz O que eu quero te dizer Vem pra cá, pra eu ver que juntos estamos E te falar Mais uma vez que te amo
O tempo que passamos juntos vai ficar pra sempre, Intimidades, brincadeiras, só a gente entende. Pra quem fala que namorar é perder tempo eu digo: Há muito tempo eu não crescia o que eu cresci contigo.Juntos no balanço da rede, sob o céu estrelado, Sempre acontece, o tempo pára quando estou do seu lado. A noite chega eu fecho os olhos e é você que eu vejo, Como eu queria estar contigo eu paro e faço um desejo: Pensa em mim Que eu tô pensando em você E me diz O que eu quero te dizer Vem pra cá, pra eu ver que juntos estamos E te falar Mais uma vez que te amo!!! ”

Ao que o Barão retruca com frases que meus amigos Maria Caliel e José Fernandes poderão até achar mal escritas, gramaticalmente, mas, tenho certeza o perdoarão pelo cheiro de amor que delas saem:

“BARÃO» BARONESA: .EU NÃO TENHO PALAVRAS PARA FALAR O QUE ESTOU SENTINDO É COMO SI TIVESSE VOLTADO SER CRIANÇA COMO ALGO BEM DIFERENTE NÃO TEM ESPLICAÇÃO, VENDO ESTAS SUAS PALAVRAS DE AMOR E CARINHO NÃO SEI SI VOU VUAR PRA VC PRA LUA COM VC. PRA MARTE, MÁS UMA COISA É CERTA VC É SEMPRE MINHA PRIMEIRA PARADA, A PARADA DE AMOR QUE OS MEUS SONHOS NÃO QUEREM PARAR DE SONHAR. SONHAR ACORDADO TENDO VC AO MEU LADO DE MANEIRA INTENSA. DE MANEIRA DEVASTADORA SENDO QUE SEMPRE TEREI E ESTAREI ESPERANDO O SEU AMOR CADA VEZ MÁS FORTE E INRESISTIVEL ADORO ESTÁ COM VC, TER VC. SEI QUE SÓ NÓS ENTENDEMOS O SIGNIFICADO DE TUDO ISSO..E QUE SEJAMOS UM SÓ..EU E VC...BJS..MUITOS...ADORO VC...SI AMAR É BOM PRA DUVIDAR EM... ”

Era o amor adolescente, arrebatador, sem medo da gramática, de críticas, sem apelos eróticos como aquele do pernilongo, enfim, um amor bruto, romântico e ingênuo como todo amor juvenil.

Quem quiser ver o resto deste diálogo vá ao Mural do SBC, ou ao Painel de Recados da Rádio Papacaça, onde eles continuaram a se amar sem censura. Eu já estava gostando de olhar o Mural do SBC. Agora voltou o salamaleque de sempre.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

sábado, 24 de abril de 2010

QUEM AMA CUIDA

O site de Bom Conselho cumpriu seu papel realizador. Após a postagem do artigo “Terezinha, PE”, Tânia Gomes leu, falou com o irmão e assim como o tambor a que se referiu a pequena atriz da globo ao nosso querido agreste, a noticia se espalhou.
O nobre vereador Washington Gomes, o popular Gaton, indicou, a Câmara de Vereadores aprovou e Teresinha Miranda tornou-se cidadã honorária por título outorgado, porque em coração, já o era há muito tempo!!!!
A cerimônia foi linda! Nada faltou. Local especialmente decorado para a entrega, a banda festiva, a mesa bem colocada, as bandeiras, os convidados bem arrumados para o importante evento.. A Câmara de Vereadores completa e toda a cúpula administrativa presentes e não podemos deixar de nomear a elegância da primeira dama.
Um coquetel selou a noite!
Que momento!! Tenho plena convicção que meu avô estava presente em espírito, alma, energia ou como se queira falar....... Nos discursos as lembranças dos antepassados.
As famílias que estiveram juntas fazendo a Terezinha de agora. Emoção pura.
Parabéns aos organizadores. Parabéns às TEREZINHAS.
No dia seguinte fomos convidadas para uma solenidade na escola que porta o nome do fundador da cidade, Escola Abílio Alves de Miranda. O diretor Augusto G. Canuto e a diretora adjunta Maria Salete de Oliveira nos receberam com carinho e atenção.
A escola limpa, bem cuidada, é um exemplo!
São 32 salas, 1015 alunos!
Uma fanfarra com 56 componentes, comandados por um hábil maestro de nome LULINHA, é um dos orgulhos da Escola e agora nosso também.
A farda bela e rica nos deixou encantadas. A fanfarra já foi agraciada com um prêmio do Encontro de Bandas de Jucati. Belo trabalho!
Da pré escola á 8ª série. Possui internete e uma nutritiva merenda feita lá mesmo.
O diretor Augusto, homem dedicado e cuidadoso, falou sobre a escola, seus alunos, sua gente. Disse não ter problema com drogas, cigarro e nem bebidas!. Está entusiasmado com seu trabalho e sua escola considerada modelo. De fato, para nós foi um modelo de recepção, atitude e demonstração de AMOR. Em todos e em tudo há amor e comprometimento. Ao ver por fora, ao entrar na escola já se respira limpeza, carinho, organização. Hoje para a situação do agreste meridional, a escola é referência e atua em vários setores.Há por exemplo, dois alunos vencedores da Olimpíada de matemática em 2008. Segundo Augusto e Salete, a maior referência da escola Abílio Alves de Miranda é o respeito dos alunos aos professores e funcionários. Parabéns, Augusto Canuto, Salete, professores, funcionários e alunos! Estamos orgulhosos de vocês!!!!
As crianças perfiladas cantaram o hino de Terezinha. Outro momento inesquecível!
Cantado forte, bravamente como a gritar o orgulho de ser Teresinhense!!! A letra do hino foi composta por Dinalci de Souza T. Ferreira e Maria José Dantas da Silva
A música e arranjos de Deivid M. G. Monteiro.

“Salve, salve Terezinha
Solo de desbravadores
No teu nome a honra perdura
Salve a terra de grandes valores.”.

Grandes valores sim na cidade do agreste que um dia foi uma vila e hoje faz o progresso. Valores de outrora nas famílias que no solo firme cristalino deixaram sua marca para sempre. Família Alves de Miranda, família Gomes, Família Cavalcante e com certeza outras mais,estiveram lutando,realizando,fazendo da pequena vila a estrela do Leão do Norte, na constelação do Brasil.
Uma Câmara de Vereadores que caminha lado a lado com seu prefeito, Alexandre Martins, só pode ver o crescimento da cidade.
Fomos com o diretor Augusto passear pela cidade. Conhecemos a Praça Vereador Lorinaldo, recém inaugurada !
Vimos as 180 casas populares, a biblioteca, a academia da cidade, numa fantástica demonstração de trabalho, dedicação e amor pela cidade.
Ouvimos de muitas pessoas o respeito e carinho que merecidamente o prefeito desfruta.
Saímos melhores como seres humanos. É bom ver o progresso.
Em janeiro, na Radio Papacaça eu em entrevista a Glacio Doria falei da minha felicidade com as mudanças em Bom Conselho! Agora, Terezinha.
Não são mais cidadezinhas sem importância.
São prósperas cidades!
Obrigada por mais um momento bom em minha vida.
Cada um que encontrei serviu para que eu seja um ser humano melhor.
Termino agradecida e dizendo que perguntaram a Pablo Neruda , o maravilhoso poeta chileno,qual era a coisa mais importante do mundo para ele. A resposta veio de imediato:
TRATAR DE QUE O MUNDO SEJA DIGNO PARA TODAS AS VIDAS HUMANAS, NÃO SÓ PARA ALGUMAS.
Creio ser essa a verdadeira essência da vida.
Vamos pensar bem e votar bem.
QUEM AMA CUIDA.
Ah! Eis o lema da cidade de Terezinha.
Lindo não é?
Pois, então, mãos á obra. Vamos cuidar de quem amamos.

Bjusssssssssss

Ana Maria Miranda Luna - anammluna@yahoo.com.br
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(*) Fotos enviadas pela autora.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Preciso falar com o Lula



Não é novidade para aqueles que fazem o sacrifício de lerem meus textos neste Blog que vivi sempre correndo atrás do Lula. Como seu conterrâneo e amigo de infância o acompanhei, desde o início, sua trajetória política vitoriosa. Apesar disto, nunca me filiei a nenhum partido político. Meus votos foram livres como as rolinhas que não foram vítimas de nossas petecas, na infância.

Quando houve a fundação do PT e soube que o Lula foi um dos fundadores, ainda me balancei para entrar no novo partido. Não o fiz e hoje não me arrependo. Pelo menos não tive o trabalho que tiveram Frei Beto, Marina Silva, Heloísa Helena, Fernando Gabeira, para citar apenas os mais conhecidos, de sair dele. Eu talvez possa dizer que o meu partido é o PL, e não confundam com o Partido Liberal, a sigla é do Partido do Lula. E a ele sempre fui fiel. Sempre votei nele.

Eu achava, e ainda acho que o Lula foi um dos melhores políticos que apareceram nos últimos tempos. E quem quiser se enganar que se engane, mas, Lula nunca foi um petista autêntico, se é que possamos definir isto de uma forma precisa. Pois, eu sempre achei o PT um amontoado de pessoas, que queriam chegar ao poder a qualquer custo. Talvez Lula, pela sua inteligência e carisma popular tenha sido usado por alguns.

O grande problema atual, é que o meu conterrâneo tomou gosto pela coisa e pensa que tudo que conseguiu foi por obra e graça de sua capacidade política. Ou seja, todo seu poder vem do seu próprio umbigo.

Ninguém desconhece, nem mesmo seus aliados atuais, como o Ciro Gomes, que o projeto de Lula é se manter no poder, via candidatura de Dilma. Como o Ciro disse, são 8 anos de Lula, mais 4 de Dilma e então mais 8 de Lula. Desde pequeno Lula sabia fazer conta de cabeça, isto resulta em 20 anos, no poder. Será que o Brasil aguenta, ou, mesmo, será que o Brasil merece isto?
Todos sabemos que a Democracia, mesmo esta plantinha tenra e nova no Brasil, vive de um coisa muito importante: A alternância de poder. Esta característica é tão importante quanto o próprio voto, ou mesmo o Estado de Direito que devem vir todos juntos numa democracia moderna. E aqui no Brasil, num regime republicano presidencialista, o Presidente é um rei, e muitas vezes atua como tal, pelo nosso passado imperial. Eu, como admirador de Lula, muitas vezes, sou tentado a querer que ele fique 20 anos por aí. Mas, antes de tudo eu sou um democrata. E se ele quiser competir com Fidel Castro, Salazar, Franco, Getúlio, e outros que cujo objetivo era se perpetuar no poder? Isto seria uma grande pena.

Todos sabem que não sou a favor da candidatura de Dilma, porque a considero muito stalinista, para o meu gosto, e tenho medo que os últimos 8 anos de que fala o Ciro, sejam com Dilma e não com Lula. O grande problema foi que o PT, ao se meter em embrulhadas com o chamado “mensalão”, e outras brincadeiras com a ética, ficou quase sem quadros para gerar um melhor candidato para substituir o chefe. Isto pode até ser bom para a alternância de poder. Pois penso que dificilmente a Dilma sairá vencedora no próximo pleito.

Preciso conversar com meu conterrâneo, que parece está fazendo “das tripas coração” para eleger sua candidata. E dizer a ele que não se avexe muito não. Talvez seja melhor perder esta eleição e ganhar a próxima, do que ganhar esta e nem ser considerado na próxima. Quero dizer a ele que perder uma eleição faz parte do processo democrático, e neste caso será melhor para ele e para o Brasil. Que seu prestígio não está em jogo. A mala é muito pesada e ninguém vai estranhar se ele não puder carregá-la. Cuidado com a bursite e com as dores nas costas, elas podem piorar.

Este peso da candidata oficial é demonstrado pelas pesquisas feitas pelo Datafolha divulgado recentemente, depois de outras pesquisas encomendadas mostrarem e badalarem que a Dilma estava empatada com o Serra. Mesmo depois de quase dois anos de meu conterrâneo está lutando para empinar sua candidata, ela continua patinando nos 28% das intenções de voto. Como diz, o Sebastião Nery: “Sem Ciro (e o PSB deve rifá-lo esta semana, pois encroou nos 10%), Serra tem 42% e Dilma 30%. Mesmo que Ciro fosse candidato, com seus 9%, abaixo dos 10% de Marina, Serra manteria os 10% de frente para Dilma: 38% contra 28%.” A única região na qual a Dilma bate o Serra é o nosso Nordeste, onde é o Bolsa Família que transfere votos e não o Lula. Este resultado foi confirmado por pesquisa do IBOPE, mais recente. Mas, como disse não se avexe, amigo, mesmo perdendo, na próxima eleição votarei em você.

Esta ideia de fazer uma eleição plebiscitária, como se fosse o Lula x FHC, é algo que o PSDB alimenta sabendo que no Brasil só quem transferiu votos para outro candidato foi o Getúlio, e depois de morto. Isto, sem querer citar o caso Maluf/ Pitta, porque é nos estados. Lembrem do Juscelino. Quando o governante faz o seu sucessor, é pelo seu sucessor e não por ele. A escolha deveria ter sido melhor. Quem sabe mesmo de outro partido? O PMDB estava aí para estas coisas. O PSB também. Por que Dilma? Só Freud e o PT explicam!

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A Viagem



Lembro como se fosse hoje, quando cheguei em casa e comuniquei a minha mãe e a meus irmãos que iria embora de São Paulo. Foi um espanto, até eu explicar o que havia ocorrido e que tinha sido demitida, aí foi um horror. “Em cima de queda coice”, como meu pai de vez em quando dizia, quando as coisas iam sucessivamente mal. Afinal de contas eu ajudava nas despesas da casa e minha mãe já não tinha idade de trabalho. Entretanto, meus irmãos já estavam crescidos e o Eraldo, o mais velho, aguentava o tranco, além de eu poder continuar ajudando de onde estivesse.

Verdadeiramente, minha decisão de vir para o Recife já estava tomada. Eu tinha uma prima que morava em Paulista, a Francisquinha, com me correspondia deste que a aprendi a ler e escrever, e disso lá vai um longo tempo. Ela doida para vir para São Paulo e eu doida para sair de lá. Da mesma forma que sempre falei em São Paulo, estando em Guarulhos, falo de Recife, mesmo que o meu destino fosso Paulista, onde ela morava. Hoje sei, que tudo é Região Metropolitana, que é um eufemismo, uma confusão criada pela realidade humana de não poder lidar totalmente com o real, sempre precisa dar nome “aos bois”. Podemos dizer que fomos para São Paulo ou para o Recife, pois o nosso interlocutor, se perguntar: onde fica isto? Passa por ignorante, enquanto quando dizemos que moramos em Paulista ou em Guarulhos temos que explicar, longamente.

No fundo, no fundo, a vida é formada de ilusões. Sem elas não viveríamos. Muitos as chamam de esperança, expectativa, sonho. Eu chamo de ilusão. Mesmo que pensemos estar conscientes e certos de nossas decisões, pensando ter abarcado todos os prós e todos os contras e seus desenlaces, nunca temos certeza de nada. A não ser que um dia morreremos, embora que hoje tenhamos tantos remédios sendo criados, que talvez possa surgir um que nos leve a ter uma vida eterna, aqui mesmo na terra. E haja cirurgiões plásticos.

Meu pai teve suas ilusões com São Paulo e eu tive as minhas. Como muitos outros que tiveram o mesmo destino que nós. Eu não posso falar mal de São Paulo, talvez do seu Honório. Aquele lugar moldou minha vida e hoje gosto dela. Mas, naquele momento decidi partir para novas ilusões. Uma delas era ficar mais perto do lugar onde nasci, rever o Pau Grande, e conhecer Bom Conselho, pois nasci lá, mas fiquei tão pouco tempo que não me lembrava de quase nada, a não ser do entorno de minha casa. O sítio sim, tinha que ir lá e ver como estava.

Depois das despedidas, promessas, choro, abraços, me vi dentro de um ônibus da Empresa Itapemirim, que talvez exista até hoje. Era um dito semi-leito, que até hoje não sei porque. Aquelas cadeiras, se alguém a comparasse com um leito, nunca tinha dormido em um. Lotação esgotada, ou mais do que esgotada porque havia algumas mães levando filhos no colo.

Eu já contei aqui como vim de Bom Conselho para São Paulo (http://www.citltda.com/2009/07/minha-saida-do-pau-grande.html). Naquela época era criança e tudo parecia um diversão. Agora era adulta e aquele ônibus se revelava como um o sofrimento atroz. Ali eu me sentia realmente como uma arara num pau, junto com muitas araras que disputavam o mesmo pau. O motorista, um senhor moreno e usando uma gravatinha preta, mal colocada, disse:

- Daqui até Recife são 50 horas mais ou menos. O ônibus tem ar-condicionado, então tentem preservar limpo o ambiente, evitando comer dentro dele (e rindo um pouco) e fazer outras coisas que incomodam os demais. Quando pararmos é a hora de nos aliviar.

O próprio motorista foi o primeiro a abrir sua janelinha para não morrer de calor, o ar-condicionado era propaganda enganosa. E na mesma hora em que ele terminou de falar, uma senhora, que depois soube ser D. Alzira, abriu um pacote de onde saiu majestosamente um sanduíche de mortadela. Até hoje sinto o cheiro.

Enfim, saímos da Rodoviária e nos dirigimos para o Recife. Se tudo der certo, e eu realmente aprender a escrever, farei um roteiro de um filme: 50 Horas no Inferno. Aqui só farei uma sinopse (esta palavra aprendi agora quando li que o diretor do filme Avatar já tem uma sinopse pronta para rodar o Avatar 2 na Amazônia brasileira).

Não rodamos nem 100 quilômetros e o odor já era insuportável. As crianças, como é sabido, não tem controle sobre suas necessidades fisiológicas. Eram as famosos bombas de cocô, que quando era criança também até achava engraçado jogá-las fora do pau-de-arara. Naquele momento todos colocavam a mão no nariz e não tinham como reclamar. Já os adultos não soltavam bombas sólidas, apenas jogavam seus traques silenciosos de todos os matizes e fedores insuportáveis. A estes D. Alzira, que era minha companheira de poltrona dizia:

- Gente, vamos respeitar os outros! Vocês estão podres!

Enquanto degustava mais um sanduíche de mortadela, depois de gentilmente me oferecer, e eu recusar, a guloseima. Ela nem suspeitava que em certas situações a nossa mortadela pode feder mais do que o peido dos outros.

Mas, o pior de tudo era o chamado toalete, que ficava lá na traseira do ônibus, para as necessidades mais prementes. Quando alguém abria a porta o odor percorria todo o veículo, à velocidade da luz. D. Alzira comentava:

- Eu que não vou ali, espero o ônibus parar, me prendo e me arrebento, mas não vou.

Primeira parada, todos desceram para tomar um ar puro, comer e voltar ao inferno. Voltando, houve alguns momentos de descontração pois havia alguém que gostava de cantar, era o Anselmo. Ele havia ido para São Paulo para tentar a vida como cantor e músico no norte, como ele chamava o nordeste. Ele trazia um violão com ele, e talvez tenha me feito chegar viva ao meu destino. Ele puxava as músicas e os outros acompanhavam, formando um coro desentoado, mas para aquela situação parecia Os Canarinhos de Petrópolis, e o Anselmo era nosso Augusto Calheiros. Lembro de uma que ele cantou que até eu acompanhei:

“O Arnesto nos convidou pra um samba, ele mora no Brás
Nós fumos não encontremos ninguém
Nós voltermos com uma baita de uma reiva
Da outra vez nós num vai mais
Nós não semos tatu!....”


Era o velho Adoniram com o seu Samba do Arnesto. Cantou outras dele e de outros autores. Nestes momentos a viagem se transformava num pulgartório, para na primeira bomba infantil, voltarmos ao inferno.

Ao longo desta tenebrosa viagem também conheci pessoas com as mais diversas histórias de ida e volta. Só não conheci alguém que viesse passear no Recife. Todos vinham para morar em vários lugares. Uma história que me comoveu foi a da Lina. Não sei se este era o seu nome mesmo ou uma abreviatura. Chegara a São Paulo a apenas um ano, seguindo a promessa de uma amiga de lhe abrigar em sua casa, por uns tempos. Ela nunca encontrou esta amiga, que dizia iria lhe esperá-la na rodoviária. Em todo este período ela nunca saiu de lá. Arranjou alguém que deu trabalho a ela num restaurante e um cantinho para morar, na própria rodoviária, e ela foi ficando. Não tinha nem o endereço da amiga. Pode-se até dizer, com um certo exagero, que ela foi à rodoviária de São Paulo e voltou um ano depois. Talvez, ao voltar para casa diga que conheceu São Paulo, não gostou e voltou. Espero que ainda tenha encontrado a família.

Um caso que seria trágico se não fosse cômico, ou ao contrário, foi o do seu Nestor. Ele era pedreiro. Ouviu a sereia cantar, igual ao meu pai, que em São Paulo não faltava trabalho. Ele saiu de Nazaré da Mata e foi para lá. Também não tinha ninguém lá. Ele contou que desceu do ônibus e ficou quase maluco com aquele rebuliço de gente e não sabia para onde ir. Começou a perguntar onde haveria trabalho de pedreiro, uns apontavam para um lado outro para o outro até que viu um homem vestido de palhaço e fazendo graças e trejeitos para uma roda de pessoas. Numa das calmarias, ele se dirigiu ao palhaço e perguntou onde podia trabalhar de pedreiro. O homem respondeu que não sabia, mas, se ele quisesse trabalhar ajudando ele, passando o chapéu entre os presentes, poderia trabalhar. Ele, aperreado como estava, aceitou na hora. Resultado, passaram-se 12 anos o palhaço morreu, seu Nestor tomou o lugar dele e passou todo o tempo divertindo as pessoas na Praça da Sé. Estava voltando para Nazaré para, talvez, formar um pequeno circo.

Já estou me prolongando demais nesta sinopse. Enfim, avistei, e só hoje sei disto, o Forte de Cinco Pontas e estava na antiga Rodoviária do Recife. Fim da viagem, fim do inferno? Será que Francisquinha estava lá? Depois eu conto.

Eliúde Villelaeliude.villela@citltda.com

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Brasília 50 anos



É ótimo um feriado, principalmente quando estamos ruim de assunto para escrever, e este do qual falarei é importante, o 21 de abril. É importante porque se homenageia um herói das lutas por nossa independência política, o Tiradentes. Mas, neste ano, por ser o quinquagésimo aniversário de nossa atual capital: Brasília, ele se torna mais importante ainda.

Não vou aqui repetir a História que aprendemos, e muitas vezes esquecemos, nos cursos básicos de nossos colégios. Só relembrar que já tivemos três capitais, Salvador, Rio de Janeiro e Brasília. Esta última, apesar de ser prevista desde a primeira Constituição republicana de 1891, e haver planos e projetos desde este tempo, com a demarcação de um quadrilátero no Planalto Central do país, para instalação da nova capital, só teve um início concreto com o Presidente Juscelino Kubitschek, em 1957.

Eu estava ontem vendo a TV, e vi um senhor dando uma entrevista, dizendo que foi a partir de uma pergunta dele a Juscelino, no próprio local da construção de Brasília que houve a determinação do presidente em transformar o antigo projeto em realidade, no primeiro comício realizado por lá, no chão de terra batida da futura Capital Federal. Verdade ou não, os cargos eletivos de importância, levam homens ao poder, com muitas promessas e sonhos. Suas realizações muitas vezes dependem de impulsos momentâneos como este.

Brasília foi um desses sonhos, cujo objetivo, segundo o próprio Juscelino, era um projeto nacional para “liquidar com a sonolência de uma sociedade que parasitava ao longo das praias como caranguejos, ou como se quisesse ir embora”. A partir de 1957, ela começou a tomar forma, e no dia 21 de abril de 1960, ele recebia uma chave simbólica de Brasília, das mãos de Israel Pinheiro.

Eu não acredito que foi Juscelino, isolado, o responsável pela construção de Brasília. Ele foi o líder do processo. Posso dizer que sem ele não teríamos nossa capital pronta em tão pouco tempo, e nem mesmo, se a teríamos um dia. Talvez, sem aquele momento de um homem determinado, ainda estivessémos caranguejando no Rio de Janeiro, explodindo com o Morro do Bumba. Mas, não devemos personalizar demais a História. Cada época gera seus problemas e soluções e eles nos levam por diferentes caminhos. Entretanto, Juscelino será sempre lembrado como o presidente que construiu Brasília, e com isto, levou o Brasil a crescer para aquelas bandas.

Voltando para nossa época, temos um presidente, que vez por outra, se compara a Juscelino. Eu até acredito que pelo inusitado de Lula ser de uma classe social diferente, um ex-operário, tivesse tudo para fazer um grande governo, e repetir, não os 50 anos em 5 do Juscelino, mas o 50 anos anos em 8, no plano social. Não posso dizer que ele não tenha tentado isto. Apesar dos programas sociais alardeados pelo sucesso da inclusão de várias seguimentos de baixa renda ao mercado de consumo, já tivessem começado em governos anteriores, ele fez mais, os ampliou e pode-se dizer que a distribuição de renda no Brasil se tornou mais igual. Mas, a que preço. Com o crescimento do Programa do Bolsa Família, perdeu-se o poder de fiscalização, para levar a criançada a aprender a ler e a escrever, e o que vemos é que a inclusão social se dar pelo lado errado do não incentivo ao trabalho para deixar o Programa. Ele virou moeda de troca eleitoral enquanto o próprio presidente, em declarações desastrosas, leva à louvação do apedeutismo.

E o que hoje se ver? Aos 50 anos de vida, Brasília vai ter sua solenidade de aniversário presidida por um governador indireto e quase com um ex-governador preso por usar o Patrimônio da Humanidade, no qual se transformou a cidade, em benefício próprio. O que espero é que o próximo governo, reformule a vida política da Capital, nos próximos 4 anos. Seu lema deve ser: 50 anos em 4, menos ladrão e mais beleza. De qualquer forma parabéns ao povo de Brasília.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com
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(*) Fotos da Internet.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Já naquela época...



Ainda não voltei. Estou a caminho. Mas a saudade de escrever calou mais fundo do que os empecilhos para fazê-lo. Mas, atualmente leio mais do que escrevo e estas leituras me deixam ainda mais com vontade de pegar na caneta. Como foi previsto, este ano o assunto é política. Eu já escrevi um artigo, com grande participação de Seu Salviano, minha fonte política em Bom Conselho, sobre um suposto leilão de políticos para as próximas eleições (http://www.citltda.com/2010/01/leilao-no-interior.html).

Todos sabemos que a compra e venda de votos já foi maior, e muito maior, no passado, e em Bom Conselho, muitas vezes o político chegava para o eleitor, e anunciava o assalto:

- Isto é um assalto. O voto ou a vida!!!

E o eleitor, que não era besta nem nada, entregava os votos e de toda a família. Talvez, os policiais da época orientassem os eleitores dizendo:

- Nestes casos não reaja. Entregue tudo. Não vale a pena perder a vida por um voto.

Atualmente, se o eleitor não entregar o voto, já não perde mais a vida. Corre apenas o risco de perder o emprego, o Bolsa Família, a bolsa de estudos do filho, etc. É a civilização também chegando ao Mercado do Voto.

Li um texto, e como ainda não estou pronto para escrever muito, eu o cito, apenas adaptando o necessário para um melhor entendimento. Tem com título: O Mercado do Voto.

“Nunca o comércio do voto se fez tão às escâncaras, tão descaradamente como ontem, em vários pontos do 1º distrito.
Eu restaurante próximo ao edifício do Conselho Municipal, portanto nas proximidades de dois colégios eleitorais, estavam sendo ultimadas várias transações.
Por curiosidade dirigimo-nos ao comprador que a aliás é conhecido cabo eleitoral. É homem que já possui dezenas de contos de réis e hoje vive... de expedientes.
Dirigimos-lhe a palavra:
- Então, estás comprando votos?
- Claro que sim, meu irmão...
- Mas onde está a grana?
- Não, não é assim... eu ajusto o negócio e mando ao caixa: o caixa passa o dinheiro e faz acompanhar o pessoal de um vigia até ele sapecar o voto dentro do troféu.
- Dentro do troféu?
- Sim, troféu é a urna.
- E vocês não têm medo de comprar votos?
- Medo? Ué!... É um negócio tão lícito. Que tem a polícia com isso? Por ventura já assistiu a uma eleição nos Estados Unidos da América do Norte?
- Não. Você já?
- Eu também não, mas me contaram. O voto é do eleitor e ele pode dá-lo ou vendê-lo.
Dirigimo-nos então a um eleitor que ia vender o voto.
- Vai vender seu voto?
- Logo cedo...
- E não tem receio de ser preso?
- Preso? Eu?!... Cidadão brasileiro em uso e gozo dos seus direitos civis e políticos?! O senhor pensa que eu sou arara? Olhe que não estamos em estado de sítio, não. Então pensa que eu não sei que 30 dias antes e 30 dias depois da eleição o eleitor não pode ser preso? E depois eu já ouvi dizer que não há lei que puna a gente por vender ou comprar votos. Antes vender o voto que votar como fósforo, como antigamente: antes comprar votos que fabricar atas falsas, assaltar seções, carregar urnas, ferir e matar gente. E porque não vender o voto, se eles, uma vez eleitos, não se lembram mais da gente? Dá licença, moço, deixa eu fazer o meu negócio.”

A fonte do que citamos é o Jornal do Brasil de 02 de março de 1918. Hoje mudaram muitas coisas em relação àquela época. Nem mais se sapeca o voto na urna, aperta-se uma tecla quando aparece uma foto. Mas o voto tem a mesma finalidade: Eleger nossos representantes para cuidar de nós mesmos. Contudo, o mercado continua livre, talvez tenha mudado a moeda.

Diretor Presidentediretorpresidente@citltda.com

P.S. – O texto do Jornal do Brasil, está no Livro dos Políticos de Heródoto Barbeiro e Bruna Cantele, que o Zezinho de Caetés está lendo, mas não se contenta em ler só. E nós da CIT agradecemos.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Nossa Igreja evoluiu, mas não tanto



Alguns dias atrás escrevi sobre a decisão de uma família de fazer abortar um feto gerado por estupro cometido numa menina de 10 anos em Jaboatão (http://www.citltda.com/2010/04/nossa-igreja-catolica-evoluiu-um-pouco.html). Naquele dia, ao ver uma declaração no nosso atual arcebispo, D. Fernando Saburido, como católica praticante, mas sem me colocar como massa de manobra de certos homens que compõem a nossa igreja, fiquei alegre. O nosso arcebisbo dizia: “A decisão é dos pais, que têm toda a liberdade para agir da maneira que acharem convenientes. Se há consenso médico de que a vida da mãe corre risco, o aborto é algo a ser considerado. Porém, a Igreja é contrária ao procedimento. Nunca vou me antecipar porque esta decisão é da família da menina. E defendo a preservação da vida.” (Diário de Pernambuco, 10.04.2010).

Relembrando o comportamento do seu antecessor, D. José Cardoso Sobrinho, achei esta posição um avanço, ainda pequeno, mas um avanço. Eu sou do tempo que, em Bom Conselho, se uma mulher quisesse entrar de calça comprida na Igreja, poderia até ser enxotada. Pegar na hóstia era um sacrilégio que rendeu a D. Lila quase a excomunhão, por ela ter colocada a hóstia dentro do missal, talvez pensando que assim viveria mais tempo com Jesus. Até cruzar as pernas, quando sentada dentro da Igreja, era motivo de admoestação. Uma freira mostrar os cabelos nem pensar, gerando o ditado, “é mais escondido do que cabelo de freira”. Na missa, o padre dava as costas para os fiéis, e dizia palavras (em latim) incompreensíveis mesmo para o sacristão ou ajudante de missa que, junto com o padre era o que falava: “Dominun vobiscum”, dizia o padre. “Et cum spiritu tuo”, respondia o ajudante. Como eu gostaria de ajudar na missa. Mas, sendo mulher, nem se fosse freira, D. Maria Francisca ou D. Lourdes Cardoso. E outros costumes mais.

Atualmente, as mulheres vão de calça comprida, saias não muito longas, pegam na hóstia, as freiras mostram o cabelo sem medo do fogo do inferno, entendemos o que o padre diz e ainda nos cumprimentamos no final, enquanto o padre de frente para nós, diz: “Vão em paz e o Senhor vos acompanhe.” Eu tenho certeza que Nosso Senhor vai mais feliz hoje, conosco para nossa casa, do que quando era mandado ir em latim.

Nossa Igreja evolui com o tempo. Mas esta foi sempre uma evolução lenta e muitas vezes cruel do ponto de vista humano, com mortes, defecções, revoltas e erros de todos os tipos. Entretanto, esta evolução sempre se deu por iniciativa de católicos, conscientes, como eu me considero, que são antes de tudo cristãos, e depois católicos. Eu sou daquelas que não crêem que não ser católico seja um pecado mortal, e mesmo quem não é cristão, é filho de Deus. Afinal de contas Jesus era judeu. Sou contra o celibato sacerdotal, por que não vejo sentido nenhum neste comportamento, e, se existe algum, ele é nocivo à própria Igreja como já cheguei a comentar no artigo anterior. Sou a favor do aborto quando estão em jogo a vida de mais de um ser humano, atestado pela medicina, e em casos de menores, esta decisão deverá ser da família, que era a mesma opinião do arcebispo. Sou a favor do controle da natalidade, porque o julgo um dos remédios para tanta miséria em que vivem crianças em áreas excessivamente povoadas. E, em relação a isto não entendo como nossa Igreja, que ama tanto a vida é contra o uso da "camisinha". Sou a favor do sacerdócio para mulheres, e por causa disto já disseram até que eu queria ser bispa de Rainha Izabel. Só posso dizer que seria uma honra muito grande. Mas prefiro ser vereadora em Bom Conselho.

Tenho certeza, que no rol dos católicos não estou só. Há pressões e mais pressões para que a Igreja se renove muito mais do que o fez até agora. Entretanto, fiquei um pouco triste ao ler os jornais subseqüentes e encontrar a seguinte nota do D. Fernando Saburido.



Infelizmente, onde penso que o ele acertou, que foi no Diário de Pernambuco, ele diz que a entrevista é tendenciosa, embora considere que possa não ter sido claro. Que pena, e eu que pensei que ele havia sido bastante claro, e se a entrevista é tendenciosa, ela tende para onde? Contra a vida? E a vida da criança estuprada, não conta? Como ele garantiria que existiria uma família que se dispusesse a adotar o bebê, oferecendo-lhe afeto e dignidade, se o que mais temos em nossas ruas são crianças abandonadas, enquanto nossa Igreja, cuida mais dos interesses materiais do que humanos e espirituais. Quantas creches caberiam no Hospital da Tamarineira ao invés do Shopping Center? Hoje, tenho certeza, a cruz de madeira que D. Hélder Câmara usava, vale mais do que as cruzes de ouro e pedras preciosas que alguns de nossas autoridades ecleciais usam. Perdoe-me Jesus, se estiver pecando por pensamentos, palavras e obras.

Bem, eu ainda continuo achando que nossa Igreja evoluiu com nosso arcebispo atual em relação ao antecessor. Pelo menos ele não excomungou ninguém, ainda. Mas, não evoluiu tanto quanto eu pensava.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com


P. S. - Quando este artigo já esta pronto, vi uma declaração do D. Fernando Saburido, no Diário de Pernambuco (18.04.2010), se referindo aos casos de aborto e pedofilia, que é a seguinte:


"A Igreja tem passado, ao longo da história, por muitas tribulações e esta não será a última. Ela é formada por homens e mulheres cheios de virtudes e também de pecados. Acima de tudo, porém, está a graça de Deus que a guia pela ação do Espírito Santo. É preciso, então, levantar a cabeça e seguir adiante, esforçando-se para corrigir os erros e crescer na santidade, dom mais precioso de Deus, que recebemos no Batismo."


Fiquei mais tranquila porque estou seguindo seu conselho, pois expor a opinião é uma tentativa de corrigir nossos erros.


LP
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(*)Se a imagem da nota não estiver legível, clique nela para ver ampliada.

domingo, 18 de abril de 2010

BOM CONSELHO - IGREJA DOS TIMÓTEOS






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(*) Fotos do acervo da CIT Ltda.
(**) Na Série de fotos sobre Igrejas de Bom Conselho cometemos uma falha imperdoável de não apresentar esta Igrejinha, que fica no caminho de Caldeirões dos Guedes, onde fica a sede de nossa empresa, a CIT Ltda. Estamos nos redimindo agora.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Tenho orgulho de ser político



Ontem me chegou às mãos um exemplar da Revista Veja, órgão da grande imprensa nacional, tão odiada pelo Jodeval e pelo PT, com exceção de uma ala radical do partido, chamada: “Somos do Contra Sempre”. Não quero discutir aqui se a Veja pertence ao PIG (Partido da Imprensa Golpista) ou não. Só sei que é meu dever, como cidadão brasileiro, lutar para que o Partido criado pelo meu conterrâneo Lula, o PT, não se alie ao PIG para aplicar o Golpe de Mestre, neste País, que já estava perdendo seu ímpeto de ditaduras sucessivas.

Em suas páginas amarelas ela traz uma entrevista com o ex-governador de Minas Aécio Neves, que além do seu pedigree político dos Neves, sempre repete a frase que dá título a este artigo: “Tenho orgulho de ser político”. No governo de Minas Gerais, notabilizou-se pela sua administração eficiente que deu a ele uma aprovação de 92% da população do estado. É um percentual ainda maior do que o do Lula, no país. Mostrando que não é preciso deixar de ser político para ser um bom administrador, quando se está cercado por uma boa equipe que prima pela eficiência no uso dos recursos, ao invés de pulverizá-los com fins eleitorais e eleitoreiros.

Depois de ler a entrevista fiquei com a impressão de que meu amigo de infância Lula se meteu mato a dentro sem a companhia de um bom cachorro. É atacado por todos os lados e não tem quem o defenda, porque ele deixou o cachorro amarrado no PT, com uma corrente e cadeado, deixando a Dilma com a chave. Eu penso que ele, quando coloca a cabeça no travesseiro, só deve dizer baixinho, em tom de reclamação: “Onde eu fui amarrar meu jegue!!!

O ex-governador Aécio Neves, quando perguntado: como será o tom da campanha presidencial, este ano, responde:

Acho que, em primeiro lugar, a candidata Dilma terá de explicar logo como será sua relação com seu próprio partido, o PT, em um eventual governo. O PT tem dificuldades históricas de ter uma posição generosa em favor do Brasil. Quando a prioridade do Brasil era a retomada da democracia, o PT negou-se a estar no Colégio Eleitoral e votar no presidente Tancredo Neves. O PT chegou a expulsar aqueles poucos integrantes que contrariaram o partido. Prevaleceu uma visão política tacanha, e não o objetivo maior que tinha de ser alcançado naquele momento. Se dependesse do partido, talvez Paulo Maluf tivesse sido eleito presidente pelo Colégio Eleitoral. Ao final da Constituinte, o PT recusou-se a assinar a Carta. Quando o presidente Itamar Franco assumiu o governo, em um momento delicado, de instabilidade, e o PT foi convocado a participar do esforço de união nacional, novamente se negou, sob a argumentação de que não faria alianças que não condiziam com a sua história. Se prevalecesse a posição do PT, nós não teríamos a estabilidade econômica, porque o partido votou contra o Plano Real. O presidente Lula, com sua autoridade, impediu que o partido desse outros passos errados quando chegou ao governo. Mas o que esperar de um governo do PT sem o presidente Lula?

Eu tenho muito medo. Talvez não aquele medo global da Regina Duarte em relação ao candidato Lula, mas, o medo de que outra vez a ala radical, “Somos do Contra Sempre”, tome conta do partido como nestes episódios de que falou o Aécio. Ainda, ele próprio dar o seu palpite sobre a Dilma:

Eu acho que, pelo fato de a ministra Dilma nunca ter ocupado um cargo eletivo, há uma grande incógnita. Caberá a ela responder, durante a campanha, a essa incógnita. Dar demonstrações de que não haverá retrocessos, de que as conquistas democráticas são definitivas. A ministra precisa dizer de forma muito clara ao Brasil qual será a participação em seu governo desse PT que prega a reestatização, que defende uma política externa ideológica, que faz gestos muitos vigorosos no sentido de coibir a liberdade de expressão.”

Eu diria, que será muito difícil que ela consiga isto, pois, em relação à política externa, nem o Lula consegue se desligar de regimes não tão democráticos e ainda acena para um saudosismo de uma revolução “proletária”, quando, se levarmos em conta a época em que este termo foi importante, nem mais proletários existem. Eu também sei que o outro candidato também tem seus flertes com um estado mais atuante, e isto não é um mal em si, quando aplicado de forma realista no mundo moderno. Isto também o Lula tentou fazer e não conseguiu porque “ele está num mato sem cachorro”, e nem o PT nem a Dilma estão dispostos a soltar o amigo da Michelle (cadelinha do meu conterrâneo, que sempre gostou de cachorros, também chamada de “primeira-cachorra”).

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Cidadania para Terezinha



Hoje, neste período não tão produtivo, resolvi passar no SBC. Fazia algum tempo que não fazia isto. Na página inicial me deparei com um título: “Cidadã Honorária da Cidade de Terezinha – Terezinha Miranda”. Como havíamos publicado um texto da Ana Luna aqui no Blog, tempos atrás, no qual ela sugeria este título para sua tia e explicava o motivo para isto (http://www.citltda.com/2010/02/terezinha-pe.html), resolvi clicar no link e tive a satisfação de ver uma bonita solenidade para entrega do referido título.

Não sou como a Lucinha Peixoto, que gosta de escrever sobre fotos, mas, neste caso não tem jeito. Bom Conselho em peso estava lá. Eu penso ter sido uma justa homenagem, como seria também o título de Cidadã para Ana Luna em Bom Conselho. Eu já os considero todos de lá. Eu conheci toda a família e desde a avó D. Mariazinha, que eu passava pela frente de sua casa, ela sempre perguntava: Como vai sua mãe? Vai, bem obrigado, respondia eu e partia para jogar futebol com o João de Vitinho, Galego, Zé Bendengó, Zé Praxedes, Zé Carlos, Zezinho de Anália e outros, na Rua da Cadeia.

Terezinha era uma moça bonita, e continua uma mulher bonita. Sem nenhum desmerecimento às irmãs, era a mais bonita de todas. Não me lembro de um dia ter falado com ela como falei com D. Zilda, mãe de Washington, meu companheiro de brincadeiras. Lembro apenas dela saindo num carnaval de Bom Conselho vestida de índia. Parabéns Terezinha pelo merecido título.

Não poderia terminar este texto de parabéns sem comentar a solenidade em si, que não sei onde foi, mas estava muito elegante. Lucinha comentaria melhor estes detalhes. Eu fico apenas nas pessoas. Vi Dária, irmã de Terezinha, será que ela mora ainda na mesma casa? Vi o Josenildo, de cabelos brancos, eu os tenho tanto quanto ele. Se Zelito foi também não o reconheci nas fotos.

De fora da família vi o Mábio Tenório, o Valfrido Curvelo e vi também o Luiz Medeiros, desculpe, Luiz mas o meu amigo dos tempos de Ginásio São Geraldo, era o Vaca Loura. Não sei qual sua função em Terezinha, mas se for um homem público, entenda esta citação do apelido como de um amigo de infância, com muito carinho. Se não for, não precisa nenhuma explicação pois não afetará nossa amizade.

Vi também a Niedja Camboim, que não conheço pessoalmente, mas apenas pelas fotos, e me permita dizer, que desta vez não ficaram tão boas assim, mas obrigado por publicá-las dando-me a oportunidade de rever vários amigos.

Diretor Presidentediretorpresidente@citltda.com
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(*)Fotos retiradas do SBC.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

O Primeiro Emprego



Quem leu o que escrevo até agora sabe que eu trabalhei quando criança tomando conta de outra criança. Depois de longo tempo eu cresci. Completei 10, 12, 15, 18 anos, e assim por diante. Trabalhei em várias coisas e lugares, mas, o que considero mesmo o meu primeiro emprego, eu o consegui aos 19 anos. Foi numa fábrica chamada Tapetes Bandeirantes, parece que era na Mooca, um bairro de São Paulo. Eu viajava todo dia para lá.

Sofri todo o processo de “empregamento”. Exames médicos, documentos, assinatura da Carteira de Trabalho pela primeira vez, filiação ao Sindicato, que parece era dos Tecelões. Eu, ao contrário do colega retirante, Luiz Inácio, nunca me meti nestas coisas de reuniões sindicais. Era um pouco alienada embora menos do que hoje. Só sei que era uma época conturbada na fábrica. De vez em quando havia greve que eu só não furava se não me deixassem passar pelos piquetes.

Era uma fábrica grande e, como o nome diz, fabricava tapetes, bem lindos, por sinal. De todos os tipos e tamanhos. Umas máquinas enormes faziam grande parte do trabalho e deixavam um pouquinho para ser feito pelos trabalhadores inclusive eu. Hoje eu fico meditando, revivendo o meu castigo. Alguns dizem que por mais humilde que seja o nosso trabalho é importante para sociedade. O meu era ficar sentada num banquinho não muito confortável e olhar um monte de fios, penso que eram de algodão, que corriam como cachoeira à minha frente. Ficava ali paralisada, tesa, mumificada, olhando os fios passarem. Minha grande função social era, quando naquele meu setor quebrava um fio, a máquina parava, então eu me levantava do banquinho e emendava o fio, apertava um botão e a máquina voltava a funcionar.

Eu era uma “emendadeira de fios”. O meu chefe de setor, seu Honório me dizia com orgulho também de sua função, que se o fio não fosse emendado, toda a produção parava, e adeus tapetes. Sem tapetes, a fábrica não vendia, sem vendas não tinha dinheiro para nos pagar, se não havia dinheiro, também adeus nossos empregos, adeus à escola dos meus irmãos mais novos, etc. etc. E sempre repetia:

- Eliúde, você é a mais importante pessoa nesta fábrica!

No início aquilo me enchia de orgulho e ainda por cima tinha meu salário todos os meses. E ainda me gabava ao encontrar minhas colegas e dizer:

- Estou trabalhando na Tapetes Bandeirantes.

O tempo foi passando, passando e eu emendando, emendando. Era uma boa operária pois em nenhuma das minhas sessões houve demora na emenda dos fios. Até que um dia, uma colega minha, que tinha a mesma nobre função noutro setor, a Licinha, quando chegamos juntas ela disse que estava com sono, pois o filho dela estava doente. Nesse dia, certa hora, ouvi um alarido no setor onde ela trabalhava. A linha de produção estava parada, e eu me dirigi até lá. Ouvi o seguinte diálogo, entre seu Honório e Licinha:

- Licinha, você estava dormindo!?

- Seu Honório, me desculpe, não dormi bem ontem, meu filho está doente.

- E o que é que a fábrica tem com os problemas de seu filho, Licinha?

- Mas, seu Honório, eu prometo ao senhor que isto não ocorrerá mais. Isto nunca aconteceu antes, não vai se repetir.

- Sinto muito, Licinha mas vou ter que comunicar isto ao gerente de produção.

No outro dia a Licinha foi demitida. Quando ela soube chorava e esbravejava contra aquela situação do trabalhador. Eu me penalizei com a situação dela, com aquela revolta de gente covarde, que não ousa mais do que chorar baixinho. Não fiz nada no momento. Mas começou um processo dentro de mim que me fez duvidar, pela primeira vez, da conversa melosa do seu Honório. Um dia perguntei a ele:

- Seu Honório, qual a função social da Licinha agora?

- Não me amola, Eliúde, senão tu serás a próxima a ir prá rua!!!

Foi aí que descobri que covardia não é uma doença incurável, nem virtude é um vício insanável. Me virei para o seu Honório e disse:

- Vá tomar no.... Seu filho da...

Nunca mais vi o seu Honório. Espero que ele tenho ido para onde o mandei, junto com seu discurso sobre a função social do trabalhador. Resolvi voltar para o Nordeste, para o Recife. Não esperava que a situação aqui fosse melhor para uma despossuída como eu. Sofri muito ao deixar minha família, mas, não aguentava mais São Paulo e, pelo menos fiquei mais perto do Pau Grande. Vim pela Itapemirim, cuja diferença para o pau-de-arara, era muito pouca. Ainda penso que deveria ter sido líder sindical, entretanto tenho medo de que não tivesse estudado, como o fiz, ao ponto de querer me tornar escritora, uma profissão tão nobre quanto a do meu colega retirante Luiz Inácio.

Eliúde Villelaeliude.villela@citltda.com

terça-feira, 13 de abril de 2010

Nossa Igreja Católica evoluiu um pouco



Ano passado, depois de uma frase minha no Blog da CIT, num artigo que nem tratava diretamente do tema (http://www.citltda.com/2009/03/o-dia-internacional-da-mulher.html), o aborto, houve um debate que incluiu várias pessoas de nossa terra. Alguns de saudosa memória, como O Andarilho, outros, além de mim, como Felipe Alapenha, Cleómenes Oliveira, José Fernandes, Edjasme Tavares, José Taveira Belo, Carlos Sena e ainda outros, dos quais me falha a memória. A frase foi a seguinte: “Para sua reflexão: Se você descobrisse que sua filha ou neta, de 9 anos de idade, foi estuprada e está esperando filhos gêmeos, de quem você aceitaria um conselho, do bispo ou do médico?”

Eu, sendo católica, sei quanto espinhoso é este tema para nós. Ficamos sempre entre a cruz e caldeirinha. Se por um lado devemos prezar a vida sempre, em casos extremos de opção entre vidas, a quem devemos escolher? Nunca fomos a favor do aborto pura e simplesmente, mas em certos casos, onde há interferência direta de uma feto sobre outras vidas, não temos como não ter nossas dúvidas, mesmo sendo Católica Apostólica Romana.

Muitos dizem que só se pode ser católica se seguirmos à risca o catecismo e as regras de nossa Santa Madre Igreja. Isto é a mesma coisa que dizer: parem de pensar, parem de evoluir, parem de serem humanos. Vemos hoje, a Igreja às voltas com o problema da pedofilia e outros pecados contra a castidade praticados por seus padres, e perguntamos, culpa de quem será este procedimento criminoso? Penso ser, em grande parte, de normas anacrônicas do nosso Código Canônico. Este reflete as práticas milenares da Igreja Católica, eivadas, historicamente, pela natureza rudimentar do conhecimento teológico que não acompanhou outras formas de conhecimento, nem a evolução social.

Vide, por exemplo, o celibato sacerdotal. Há uma grande discussão se Jesus teria dito aos apóstolos, que eles fossem celibatários, como um conselho ou como uma imposição, quando no evangelho de Mateus(10, 37-39) ele diz: "Aquele que ama pai ou mãe mais do que a mim não é digno de mim. E aquele que ama filho ou filha mais do que a mim não é digno de mim. Aquele que não toma a sua cruz e me segue não é digno de mim. Aquele que acha a sua vida, vai perdê-la, mas quem perde a sua vida por causa de mim, vai achá-la". Outras religiões onde o casamento é permitido, citam São Paulo: "Se alguém deseja o episcopado, deseja uma boa obra. Importa que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, sóbrio, prudente, conciliador, modesto, hospitaleiro, capaz de ensinar" (1 Tim 3, 1-2).

O que levou aos católicos defensores do celibato a concluir que este não é obrigação imposta por Deus, mas um conselho de Jesus, transformado em preceito pela Igreja, pelos nossos códigos. Sei que o tema afeta toda a igreja ao ponto de um documento de 2008, aprovado por 430 delegados que representavam os 18.685 padres das 269 dioceses brasileiras – que participaram do 12º Encontro Nacional de Presbíteros – propõe a busca de alternativas para o celibato sacerdotal, para ser enviado ao Vaticano. Sei que alguns dirão que é padre quem quer e tem que ser celibatário, entretanto ninguém me tira da cabeça, que, na época em que vivemos, as crimes sexuais e esvaziamento da nossa Igreja em termos de sacerdotes, tem muito a ver com a imposição do celibato, aos nossos padres.

O celibato entrou aqui apenas, com se diz, como Pilatos no Credo, para introduzir outra vez a questão do aborto, que deu origem ao debate de que falei acima. Minha frase, naquela ocasião se referia, principalmente, ao comportamento do nosso Arcebispo na época, D. José Cardoso Sobrinho, que lançou mão dos códigos para sair excomungando todo mundo, inclusive médicos, pais e, talvez até a menina de Alagoinha que foi estuprada pelo padrasto aos 9 anos, engravidando de gêmeos. Isto foi em fevereiro de 2009. Agora outro caso semelhante ocorreu em Jaboatão com outra menina de 10 anos. Em ambos os casos, a família resolveu apelar para o aborto legal.

Desta feita, o novo arcebispo de Recife e Olinda, D. Fernando Saburido, assim se manifestou: “A decisão é dos pais, que têm toda a liberdade para agir da maneira que acharem convenientes. Se há consenso médico de que a vida da mãe corre risco, o aborto é algo a ser considerado. Porém, a Igreja é contrária ao procedimento. Nunca vou me antecipar porque esta decisão é da família da menina. E defendo a preservação da vida.” (Diário de Pernambuco, 10.04.2010).

Ainda hoje eu responderia minha pergunta, que deu origem ao debate, optando pelo médico. E não estou tão longe da opinião do nosso novo arcebispo. Mas estou a quilômetros de distância da opinião do seu antecessor, que igual a inquisidor na idade média, saiu brandindo excomunhões para todos os lados. Penso, que pelo menos nisto, com o nosso novo arcebispo a Igreja evoluiu. E pode evoluir ainda mais se os seus dirigentes reconhecerem que Deus e seu filho Jesus não mudaram, mas nos deram liberdade para a cada dia conhecermos mais deste nosso mundo, muitas vezes tão cruel, e que precisa muito deles para viver melhor. E ninguém humano tem o apanágio da verdade. Graças a Deus!

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A Dilma não toma jeito



Não assino jornais mas adoro lê-los. Assinava antes de me tornar um nômade, ou como quer ser meu conterrâneo Lula, uma metamorfose ambulante. Entretanto, leio-os todos os dias. Nas bancas despistando os jornaleiros, nas casas dos amigos, nas lojas de conveniência, etc. As vezes chego a entrar em salas de espera que compram o jornal do dia para os clientes. Tem um laboratório de análise clínicas em que as atendentes já se perguntam quantas doenças eu tenho para comparecer tantas vezes.

Semana passada estava a folhear um destes jornais e havia um título que dizia: “Declaração de Dilma gera crise em MG”. Logo pensei, meu Deus, é ela outra vez. Não se satisfez em levar Lula a ter um biloura em Pernambuco, agora ataca em Minas Gerais.

Como todos sabem, e quem não sabe fique sabendo, o pior problema para os partidos políticos é conciliar as composições em nível nacional com aquelas dentro de cada Estado. No caso específico da matéria, o problema foi gerado porque a Dilma propôs uma dobradinha com o candidato a governador do PSDB, Antonio Anastásia, o que levaria a um movimento chamado “Dilmasia”, da mesma forma que anteriormente houve o “Lulécio” , que foi uma composição entre Lula e Aécio. Simplesmente, ela esqueceu que o Hélio Costa, do PMDB, que se compõe com o PT no nível nacional, também é candidato a governador. Este então ameaçou apoiar o candidato a presidente José Serra e criar o movimento “Serrélio”.

Como diz o apresentador de um programa de TV, que quando inicia gotas de sangue começam a sair do aparelho e que eu vejo normalmente quando almoço nos “self-services” da vida: “Durma-se com uma bronca dessa!!!”

Como uma coisa puxa a outra, eu comecei a pensar em Pernambuco. Pode-se pensar noutros estados também, mas sendo desta “nova Roma de bravos guerreiros”, ficarei por aqui. Ainda não temos todas as definições de candidaturas, nem a presidente nem a governador. Temos certeza apenas que o governador Eduardo Campos tentará a re-eleição e já temos os movimentos “Lududu”, “Didudu” ou mesmo “Cidudu”. Mas, o PV pode não lançar candidato próprio a governador e tentar uma carona na popularidade do atual, mesmo que em nível nacional tenhamos a Marina Silva. Teríamos então o “Duduma”.

O Jarbas Vasconcelos, ainda não decidiu se se candidata a governador ou vice-presidente na chapa de José Serra. Dizem que a sua indecisão é tamanho que numa manhã seguinte de uma noite mal dormida ele declarou que não queria mais nenhuma das duas opções. Esperaria o próximo pleito e se canditaria a vereador em Caetés. Mas, já houve um desmentido de sua assessoria de imprensa.

Supondo que ele saia para governador, pelo PMDB, com o apoio do PSDB, teremos o movimento “Serrajá”, depois de um longa discussão entre os dois partidos se não deveria ser “Jasserra”. Se tiver o apoio do PV, teríamos o movimento “Jamari”.

E o se o João Paulo ficar revoltado por não ter sido escolhido para a candidatura ao senado, como ficou o Fernando Bezerra Coelho? Pode muito bem apoiar o Jarbas. Teríamos então o movimento “Paujá” ou “Japau”, dependendo da correlação de forças. E se o preterido for o Humberto Costa? Ninguém iria propor um nome tal como “Jacosta” ou “Costajá”, devido a facilidade de cobrirem a letra “C” com um “B”.

Como vemos, nas próximas eleições não faltarão epítetos para animar esta grande festa cívica. Há ainda grandes possibilidades. Crie a sua, faça sua bandeira e torça pelos seus candidatos. Eu já estou pintando a minha para espalhar o meu movimento, o “Dinunca”.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com
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(*)As charges são de vários sites na Internet.