domingo, 11 de abril de 2010

BBB ÀS AVESSAS: RIO E NITERÓI EM PÂNICO!



O Rio de Janeiro parou. Niterói parou! Mais uma "crônica da tragédia anunciada" se concretiza e o país inteiro se consterna. Até quando? É o que nos perguntamos, mas dificilmente alguém poderá dizer, com certeza. Preferimos entender tudo isto na lógica da EDUCAÇÃO. Educação que ajuda a votar certo, a escolher bem os governantes cobrando deles as responsabilidades. Mas como investir em educação se ela não dá votos, devem pensar os políticos. É um pouco da lógica do saneamento: esgoto fica enterrado e não dá votos. Mas saneamento evita doenças, contribuindo para que a rede pública de saúde seja utilizada mais para a média e alta complexidade. Saneamento permite qualidade de vida porque implica em água limpa, encanada, tratamento dos dejetos, etc. Se não nos falha a memória, para cada real investido em saneamento, há uma economia de dez na rede de saúde. Dito diferente haveria uma economia porque menos gente adoeceria e, naturalmente, o governo investiria mais no setor saúde de mais complexidade.

Como se vê, saúde e educação não podem existir separadamente. Contudo, priorizamos mais a questão da EDUCAÇÃO, entendendo-a pela capacidade de proporcionar raciocínio crítico sobre a vida e, deste modo, evitar as manipulações sociais que os políticos fazem com a maioria da população que não tem acesso a educação em seu sentido abrangente. Um país com nível educacional aceitável, dificilmente se permitiria a essas tragédias que nos surpreendem, até que outra substitua o IBOPE da anterior. Através da educação, dificilmente, as pessoas procurariam um LIXÃO para invadir. As noções de perigo e contaminação certamente seriam definitivas na escolha. Provavelmente, haveria uma mobilização em função dos poderes públicos em suas responsabilidades constitucionais, especialmente via políticos eleitos e cúmplices dessas responsabilidades. O que vemos é o contrário. Os políticos agora irão tirar proveito da miséria estabelecida e da tragédia que matou tanta gente. Torcendo para que seja diferente, não acredito que as pessoas que escaparam com vida não repitam seu voto em função de uns tijolos, telhas, cestas básicas, etc. Novamente o fator educação se intervém no processo, agora com um agravante: os sobreviventes estão vulneráveis, sofrendo a perda dos familiares! Viraram presa fácil dos maus políticos, principalmente agora em época de eleição.

Acredito na educação estruturadora, pois ela tem sido a responsável pelo progresso das maiores economias do mundo e daquelas emergentes. O nosso país, embora emergente, não decola rumo à libertação que só a escola proporciona. Há uma cepa de políticos "coronelistas e feudalistas" que não querem perder seus "currais" eleitorais. Evidente que muita coisa mudou, mas os próprios currais não mudaram tanto. Apenas se modernizaram e ficaram piores, pois conseguem se disfarçar de trigo sendo joio.Acredito no voto. Ele é fundamental nas democracias porque permite que a gente não eleja quem é safado e demagogo. Mas o voto, por si só, perde-se na imensidão da retórica, do falso moralismo e da memória curta da maioria da população. ELE, o VOTO, tem que ser contextualizado na ação de votar, saber escolher o parlamentar comprometido com as causas de cada um e monitorá-lo. Se for bem monitorado, na eleição seguinte, analisa-se a possibilidade de recondução ou não.

Alguns avanços foram dados rumo a uma EDUCAÇÃO mais inclusiva. Os primeiros passos que o governo federal deu são importantes, mas a população tem que fazer sua parte, principalmente as famílias. Se a população fosse, de fato educada, não colocaria tanto lixo nas ruas, não poluiria tanto o meio ambiente, não maltratava tanto o planeta. Mas isto não só é patrocinado por aqueles de escolaridade fundamental ou média. Há "doutores" fazendo isto! Portanto, educação não é só escola, nem faculdade, nem universidade. A grande maioria dos nossos políticos tem formação superior. Contudo, praticam atitudes inferiores, mesquinhas, capazes de fazê-los vender até suas mães, em função de ambições particulares.

O que a seguir direi, pode ser que indaguem o porquê. Mas correremos o risco: provavelmente o DOURADO, do BBB, tenha recebido milhares, dos milhões de votos que o elegeram vencedor, daquelas pessoas que morreram ou escaparam da tragédia. Educação? "Olha ela aí, gente"! Uma emissora televisiva que manipula tanta gente em função de um programa que institucionaliza a fofoca dissemina a sodomia, estimula a inversão de valores, não conseguiria isto num país de educação séria.

Agora, diante da tragédia, cadê o DOURADO? Será que ele vai dar alguma ajuda? Certamente, não! Mas ele está certo, pois foi a regra do jogo que ele se submeteu. Ele não pediu pra ser votado! Novamente o voto entra no circuito. Se existem "bestas" na questão são os que votaram, gastaram dinheiro nisto. Por outro lado, a emissora está lá. Num BBB às avessas, mostrando ao vivo a dor e a miséria dos que nem morrer com dignidade podem. Morte tipo "dois em um": morrem e ficam lá enterrados ao mesmo tempo!

Por isto, acredito na educação libertadora. Aquela que faz com que a população não queira só o peixe, mas "anzol"; não queira "pão e circo", mas vida digna com trabalho e sorriso de criança em volta.

Com boa educação há consequências positivas: a cidadania se estabelece pela saúde, segurança, emprego, etc

Carlos Sena - csena51@hotmail.com

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