sexta-feira, 30 de abril de 2010

A Dor Suprema



Vi recentemente na TV, nos telejornais, um vídeo de uma mulher maltratando um bebê de sete meses. Como em outras ocasiões nas quais vi desta espécie de cena, que pululam na TV, pelo avanço tecnológico na área de imagens, fotos e vídeos, fiquei chocada mais uma vez, ao ponto de em certas ocasiões chegar às lágrimas. Meu marido teve o mesmo sentimento, e só não chorou porque neste mundo machista incutiram em sua cabeça que homem não chora. Deviam chorar mais e serem menos “sem-vergonhas”, que me desculpem alguns “com-vergonha.”

Fiquei pensando que eu estava ficando muito fraca, o que não era antes, apesar de pertencer ao chamado sexo “frágil”, entre aspas, assim mesmo. Entretanto, vi que não era isso. Antes de nascer o meu primeiro neto eu já havia esquecido que meus filhos um dia foram crianças bem pequeninhas como aquele bebê que vi ser maltratado. O meu primeiro pensamento ao ver o vídeo, foi pensar no meu neto. Quanto egoísmo! Mais um pecado em minha lista, além daqueles que cometo ao falar de minha Santa Madre Igreja em certos casos. Por que não pensava no neto dos outros? É o ser humano em sua plenitude de animal.

Meu neto tem uns meses a mais do que aquele bebê. Também tem uma babá. No mundo moderno as mulheres foram à luta e trabalham, saem de casa, entraram na briga pela sobrevivência, e ainda por cima, parem, do verbo parir. Não tem como se livrar das creches e das babás. Embora digam que nas creches o perigo de maus-tratos é menor porque uma vigia a outra, ainda pode acontecer e tem acontecido. Eu ainda tive o privilégio de criar os meus filhos estando mais presente. Só depois de uma certa idade parti para a luta, e eles já eram grandinhos o suficiente para se defenderem em casa e na escola, pelo menos é isto em que acredito. Minha filha não tem alternativa. Tem que confiar mais em alguém de fora na criação do pimpolho, meu neto. Apesar de eu ficar com ele uma boa parte do tempo, eu não sou totalmente do lar, também tenho minhas atividades. Mas, entre uma missa e meu neto, fico com ele, que Deus me perdoe.

Dizem as autoridades que não se deve contratar ninguém sem referências e desconhecida. Mas como podemos ter certeza de que as referências não mudam logo com a gente. Lembrem do Collor e do Lula. Não há como não recorrer hoje ao Big Brother (programa que todos viram e todos falaram mal) do lar. Instalar câmeras e sensores para vigiar as babás. Só assim podemos flagrar as meliantes em relação a nossas crianças.

No caso do bebê de sete meses o vídeo é claro como água em termos de maus-tratos, mas segundo alguns, é inconclusivo quanto ao abuso sexual. A bandida está solta porque está cooperando com a polícia. Aí eu não entendi mais nada. Pois ela diz que tudo não passou de um mal entendido e que fazia aquilo mesmo na presença dos pais da criança. Se isto é verdade, prendamos os pais, por conivência com ela. Porque se eu visse uma babá fazendo com o meu neto o que aquela mulher, mostrada pelo vídeo, fazia com aquela criança, eu também talvez fosse parar na cadeia por agressão, influenciada por meu marido que disse: “Eu dava-lhe um bifa nos cornos para ela aprender a ser gente.”

Eu não sou uma pessoa violenta. Tento agir sempre dentro de princípios éticos entre os quais a violência só permitida em certos casos. E neste talvez fosse um deles. Ver um filho ou neto sofrer já é uma dor muito forte, e quando eles são crianças, é a suprema dor.

A policial encarregada do caso disse que a babá será indiciada por maus-tratos, cuja pena prevista no nosso Código Penal é de 2 meses a 1 ano de reclusão. Não sou especialista nisto (é um caso para o amigo José Fernandes), entretanto se este código não faz distinção entre maltratar alguém e maltratar uma criança, ele está mais caduco do que o Código Canônico de nossa Igreja.

Eu já disse à minha filha que criança, até poder se defender, tem que ser mesmo vigiada e cuidada para não cair nas mãos de bandidos, como neste exemplo. E as filmagens, câmeras, sensores, etc. fazem parte do nosso mundo moderno. Eu defendo que estas mídias passem a servir de provas em determinados casos, ressalvados os direitos de defesa, para punir as pessoas. Se fosse assim esta babá já estaria encarcerada e a França não estaria na Copa do Mundo, todos viram o gol de mão que a classificou, sendo repetido o gesto do Maradona numa destas competições que não me lembro qual.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

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