terça-feira, 20 de abril de 2010

Já naquela época...



Ainda não voltei. Estou a caminho. Mas a saudade de escrever calou mais fundo do que os empecilhos para fazê-lo. Mas, atualmente leio mais do que escrevo e estas leituras me deixam ainda mais com vontade de pegar na caneta. Como foi previsto, este ano o assunto é política. Eu já escrevi um artigo, com grande participação de Seu Salviano, minha fonte política em Bom Conselho, sobre um suposto leilão de políticos para as próximas eleições (http://www.citltda.com/2010/01/leilao-no-interior.html).

Todos sabemos que a compra e venda de votos já foi maior, e muito maior, no passado, e em Bom Conselho, muitas vezes o político chegava para o eleitor, e anunciava o assalto:

- Isto é um assalto. O voto ou a vida!!!

E o eleitor, que não era besta nem nada, entregava os votos e de toda a família. Talvez, os policiais da época orientassem os eleitores dizendo:

- Nestes casos não reaja. Entregue tudo. Não vale a pena perder a vida por um voto.

Atualmente, se o eleitor não entregar o voto, já não perde mais a vida. Corre apenas o risco de perder o emprego, o Bolsa Família, a bolsa de estudos do filho, etc. É a civilização também chegando ao Mercado do Voto.

Li um texto, e como ainda não estou pronto para escrever muito, eu o cito, apenas adaptando o necessário para um melhor entendimento. Tem com título: O Mercado do Voto.

“Nunca o comércio do voto se fez tão às escâncaras, tão descaradamente como ontem, em vários pontos do 1º distrito.
Eu restaurante próximo ao edifício do Conselho Municipal, portanto nas proximidades de dois colégios eleitorais, estavam sendo ultimadas várias transações.
Por curiosidade dirigimo-nos ao comprador que a aliás é conhecido cabo eleitoral. É homem que já possui dezenas de contos de réis e hoje vive... de expedientes.
Dirigimos-lhe a palavra:
- Então, estás comprando votos?
- Claro que sim, meu irmão...
- Mas onde está a grana?
- Não, não é assim... eu ajusto o negócio e mando ao caixa: o caixa passa o dinheiro e faz acompanhar o pessoal de um vigia até ele sapecar o voto dentro do troféu.
- Dentro do troféu?
- Sim, troféu é a urna.
- E vocês não têm medo de comprar votos?
- Medo? Ué!... É um negócio tão lícito. Que tem a polícia com isso? Por ventura já assistiu a uma eleição nos Estados Unidos da América do Norte?
- Não. Você já?
- Eu também não, mas me contaram. O voto é do eleitor e ele pode dá-lo ou vendê-lo.
Dirigimo-nos então a um eleitor que ia vender o voto.
- Vai vender seu voto?
- Logo cedo...
- E não tem receio de ser preso?
- Preso? Eu?!... Cidadão brasileiro em uso e gozo dos seus direitos civis e políticos?! O senhor pensa que eu sou arara? Olhe que não estamos em estado de sítio, não. Então pensa que eu não sei que 30 dias antes e 30 dias depois da eleição o eleitor não pode ser preso? E depois eu já ouvi dizer que não há lei que puna a gente por vender ou comprar votos. Antes vender o voto que votar como fósforo, como antigamente: antes comprar votos que fabricar atas falsas, assaltar seções, carregar urnas, ferir e matar gente. E porque não vender o voto, se eles, uma vez eleitos, não se lembram mais da gente? Dá licença, moço, deixa eu fazer o meu negócio.”

A fonte do que citamos é o Jornal do Brasil de 02 de março de 1918. Hoje mudaram muitas coisas em relação àquela época. Nem mais se sapeca o voto na urna, aperta-se uma tecla quando aparece uma foto. Mas o voto tem a mesma finalidade: Eleger nossos representantes para cuidar de nós mesmos. Contudo, o mercado continua livre, talvez tenha mudado a moeda.

Diretor Presidentediretorpresidente@citltda.com

P.S. – O texto do Jornal do Brasil, está no Livro dos Políticos de Heródoto Barbeiro e Bruna Cantele, que o Zezinho de Caetés está lendo, mas não se contenta em ler só. E nós da CIT agradecemos.

Nenhum comentário: