terça-feira, 27 de abril de 2010

O que o Lula pensa



Semana passada escrevi artigo neste mesmo Blog (http://www.citltda.com/2010/04/dilma-nao-toma-jeito.html) sobre os movimentos que poderiam ser formados a partir das alianças e coalizões de partidos em níveis federal e estadual. Com as últimas notícias não teremos mais o movimento Japau nem o Paujá, pois o João Paulo foi defenestrado como candidato do PT ao senado. Também, hoje não é mais tão certa a candidatura de Jarbas ao governo do Estado. O nobre senador pernambucano, depois de conversar com o tucano Serra, pré-candidato a presidente, impôs certas condições para concorrer no pleito majoritário no Estado.

Uma das condições é que tanto o Senador Marco Maciel quanto o senador Sérgio Guerra se candidatem. O primeiro tem-se quase como certa sua candidatura e o segundo tem-se quase como impossível aceitar a condição. Depois que teria dito que “o Jarbas quer bancar o Tiradentes com o pescoço dos outros”, também teria declarado que a decisão de Jarbas não afetaria muito o desempenho de Serra no Estado. Jarbas está mais indeciso do que boi de piranha, quando sabe o que lhe espera ao entrar no rio. E, penso eu, está sendo coerente, pois para apoiar o Serra batendo em Lula como o nosso senador vem batendo nos últimos tempos, enquanto o candidato quer esquecer o Lula, vai levar, pelo menos a um choque de ideias que deixará os eleitores malucos.

Quando comecei a escrever pensei em comentar a entrevista que meu conterrâneo deu ao Diário de Pernambuco (21.04.2010), mas enveredei pelo tema do artigo anterior, pensei em começar daqui, entretanto, vejo que tudo está ligado com tudo em política, e no que dizem os políticos, e Lula está cada dia melhor nesta tarefa. Aliás, sempre foi bom nisto. Desde criança nunca levou a culpa pelas frutas que afanávamos dos sítios lá em Caetés. Afinal de contas distribuição de renda e distribuição de frutas caem na mesma rubrica dos programas sociais. Se ele fosse padre, talvez chegasse a Bento XVII, não sendo, será Secretário Geral da ONU, o que ele nega querer na própria entrevista. Quem já viu político querer alguma coisa?

A primeira coisa que me chamou atenção foi a surpresa que o Lula declarou que teve quando soube que Humberto Costa havia sido preferido a João Paulo, para candidato ao senado. Diz que ficou satisfeito com o resultado porque este acordo foi o melhor para o PT no estado, mas a surpresa foi porque se chegou a um acordo. Pelo que os jornais falaram, no dia seguinte, deste “acordo”, foi realmente um acordo petista. O João Paulo saiu tão triste e deprimido que até agora deve estar meditando e levitando, para conseguir dizer que está tudo bem. Como é bom ser zen no PT!

Sobre o Ciro Gomes, o cuspidor de fogo, Lula tenta dourar a pílula pelo não cumprimento das promessas de todos os lados, feitas a ele, inclusive fazendo-o transferir o seu título para São Paulo, alegando a ideia maluca da eleição plebiscitária. No fundo no fundo ele quer competir com FHC, esquecendo que ele já competiu e ganhou, várias vezes. Neste caso penso, o PSDB agradece. Ele pode bater como quiser no José Serra, que ele não estará nem aí. Descontará as escoriações batendo na Dilma, que é fraquinha, fraquinha. Será como menino grande batendo na irmã pequena daquele que lhe bateu primeiro. E meu conterrâneo perderá o plebiscito, porque ele não existirá. Aliás, é tão notória sua briga com FHC, que quando ele fala, não tem como não pensar nele. Quando ele diz que é uma besteira dizer que não transfere votos para Dilma, e ao mesmo tempo, as “pessoas” dizem que Aécio transfere votos para Serra, ele está pensando mesmo é em FHC. É o velho mito da competição entre o intelectual e o operário que não gosta de ler muito, que o machuca. Quando realmente, com sua capacidade, ele nem precisava pensar nesta competição boba.

Enquanto ao responder uma pergunta ele diz que, fora do governo, pode ajudar mais a Dilma de dentro do PT, noutra resposta diz que não pretende dá palpites no próximo governo, “rei morto, rei posto”, disse ele. É o pragmatismo político de que ele fala. Se ninguém entende o que um político fala, ele pode dizer que falou qualquer coisa. Quando ele diz que não está interessado na ONU, porque lá deve ter um burocrata ao invés de um político, ele deve está querendo dizer que até hoje aquilo não funcionou porque sempre foi assim, e precisa mudar.

Da mesma forma ele diz, quando o repórter afirma: E 2014 está ai, presidente...:

“Eu não trabalho com esta hipótese. Em política, é ruim porque nem posso discordar e nem posso dizer ...eu diria que a probabilidade é de não existir 2014 por quero que minha candidata ganhe. ... Eu vou mostrar que um ex-presidente não pode ser mesquinho. Não pode ficar torcendo pelo fracasso do outro, não pode ficar dando palpite.”

Óbvio que estava se referindo a Fernando Henrique. É a competição mencionada acima. Ele só pensa naquilo. Deixa FHC prá lá, Lula. Você foi um presidente tão bom ou melhor quanto ele, em outras circunstâncias. Mas, pelo visto, ao escolher a candidata a sua sucessão, você corre sério risco de fazer igual a ele: Não fazer o seu sucessor.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com
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(*) Fotos da entrevista do Diário de Pernambuco.

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