sexta-feira, 23 de abril de 2010

Preciso falar com o Lula



Não é novidade para aqueles que fazem o sacrifício de lerem meus textos neste Blog que vivi sempre correndo atrás do Lula. Como seu conterrâneo e amigo de infância o acompanhei, desde o início, sua trajetória política vitoriosa. Apesar disto, nunca me filiei a nenhum partido político. Meus votos foram livres como as rolinhas que não foram vítimas de nossas petecas, na infância.

Quando houve a fundação do PT e soube que o Lula foi um dos fundadores, ainda me balancei para entrar no novo partido. Não o fiz e hoje não me arrependo. Pelo menos não tive o trabalho que tiveram Frei Beto, Marina Silva, Heloísa Helena, Fernando Gabeira, para citar apenas os mais conhecidos, de sair dele. Eu talvez possa dizer que o meu partido é o PL, e não confundam com o Partido Liberal, a sigla é do Partido do Lula. E a ele sempre fui fiel. Sempre votei nele.

Eu achava, e ainda acho que o Lula foi um dos melhores políticos que apareceram nos últimos tempos. E quem quiser se enganar que se engane, mas, Lula nunca foi um petista autêntico, se é que possamos definir isto de uma forma precisa. Pois, eu sempre achei o PT um amontoado de pessoas, que queriam chegar ao poder a qualquer custo. Talvez Lula, pela sua inteligência e carisma popular tenha sido usado por alguns.

O grande problema atual, é que o meu conterrâneo tomou gosto pela coisa e pensa que tudo que conseguiu foi por obra e graça de sua capacidade política. Ou seja, todo seu poder vem do seu próprio umbigo.

Ninguém desconhece, nem mesmo seus aliados atuais, como o Ciro Gomes, que o projeto de Lula é se manter no poder, via candidatura de Dilma. Como o Ciro disse, são 8 anos de Lula, mais 4 de Dilma e então mais 8 de Lula. Desde pequeno Lula sabia fazer conta de cabeça, isto resulta em 20 anos, no poder. Será que o Brasil aguenta, ou, mesmo, será que o Brasil merece isto?
Todos sabemos que a Democracia, mesmo esta plantinha tenra e nova no Brasil, vive de um coisa muito importante: A alternância de poder. Esta característica é tão importante quanto o próprio voto, ou mesmo o Estado de Direito que devem vir todos juntos numa democracia moderna. E aqui no Brasil, num regime republicano presidencialista, o Presidente é um rei, e muitas vezes atua como tal, pelo nosso passado imperial. Eu, como admirador de Lula, muitas vezes, sou tentado a querer que ele fique 20 anos por aí. Mas, antes de tudo eu sou um democrata. E se ele quiser competir com Fidel Castro, Salazar, Franco, Getúlio, e outros que cujo objetivo era se perpetuar no poder? Isto seria uma grande pena.

Todos sabem que não sou a favor da candidatura de Dilma, porque a considero muito stalinista, para o meu gosto, e tenho medo que os últimos 8 anos de que fala o Ciro, sejam com Dilma e não com Lula. O grande problema foi que o PT, ao se meter em embrulhadas com o chamado “mensalão”, e outras brincadeiras com a ética, ficou quase sem quadros para gerar um melhor candidato para substituir o chefe. Isto pode até ser bom para a alternância de poder. Pois penso que dificilmente a Dilma sairá vencedora no próximo pleito.

Preciso conversar com meu conterrâneo, que parece está fazendo “das tripas coração” para eleger sua candidata. E dizer a ele que não se avexe muito não. Talvez seja melhor perder esta eleição e ganhar a próxima, do que ganhar esta e nem ser considerado na próxima. Quero dizer a ele que perder uma eleição faz parte do processo democrático, e neste caso será melhor para ele e para o Brasil. Que seu prestígio não está em jogo. A mala é muito pesada e ninguém vai estranhar se ele não puder carregá-la. Cuidado com a bursite e com as dores nas costas, elas podem piorar.

Este peso da candidata oficial é demonstrado pelas pesquisas feitas pelo Datafolha divulgado recentemente, depois de outras pesquisas encomendadas mostrarem e badalarem que a Dilma estava empatada com o Serra. Mesmo depois de quase dois anos de meu conterrâneo está lutando para empinar sua candidata, ela continua patinando nos 28% das intenções de voto. Como diz, o Sebastião Nery: “Sem Ciro (e o PSB deve rifá-lo esta semana, pois encroou nos 10%), Serra tem 42% e Dilma 30%. Mesmo que Ciro fosse candidato, com seus 9%, abaixo dos 10% de Marina, Serra manteria os 10% de frente para Dilma: 38% contra 28%.” A única região na qual a Dilma bate o Serra é o nosso Nordeste, onde é o Bolsa Família que transfere votos e não o Lula. Este resultado foi confirmado por pesquisa do IBOPE, mais recente. Mas, como disse não se avexe, amigo, mesmo perdendo, na próxima eleição votarei em você.

Esta ideia de fazer uma eleição plebiscitária, como se fosse o Lula x FHC, é algo que o PSDB alimenta sabendo que no Brasil só quem transferiu votos para outro candidato foi o Getúlio, e depois de morto. Isto, sem querer citar o caso Maluf/ Pitta, porque é nos estados. Lembrem do Juscelino. Quando o governante faz o seu sucessor, é pelo seu sucessor e não por ele. A escolha deveria ter sido melhor. Quem sabe mesmo de outro partido? O PMDB estava aí para estas coisas. O PSB também. Por que Dilma? Só Freud e o PT explicam!

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

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