segunda-feira, 5 de abril de 2010

A Procissão do Senhor Morto



Há quase um ano atrás, nesta época que deveria ser de orações e reflexões, eu escrevi um texto chamado Vida, Paixão e Morte (http://www.citltda.com/2009/04/vida-paixao-e-morte.html) onde relembrava uma Sexta-Feira Santa em Bom Conselho. Este ano não estava disposta a escrever outra vez sobre este evento religioso, e talvez, o mais importante para nós católicos. Alguns fatores levaram-me a sentar-me, neste Domingo de Páscoa, e usar as teclas para fazê-lo.

Primeiro deles, li um jornal onde havia um artigo de Clóvis Cavalcanti, que habita Gravatá certas épocas do ano. O tema é a dessacralização da Semana Santa. Eu o achei de uma pertinência muito grande. Estão aproveitando o feriado sagrado para fazer verdadeiras orgias. Isto não acontece só em Gravatá. Nos municípios onde não existe uma tradição religiosa forte nesta época, tenta-se movimentar a economia com eventos profanos e eivados da maior permissividade. É óbvio que tem que se respeitar a vontade dos que não professam as nossas crenças, mas os exageros que ele relata em seu artigo devem ser coibidos como crime contra a moral e bons costumes, pelo respeito também devidos à crença dos outros.

Outro fator que me fez escrever foi uma ida ao SBC onde vi as fotos da procissão do Senhor Morto. Confesso que me emocionei. Salvo as inovações em termos de cores e tecidos dos panos que cobriam os altares, parecia que eu estava lá, muitos anos atrás. E parece que a fé católica se mantém firme em nossa terra, o que é bom. A sequência de fotos que mostra Jesus sendo retirado da cruz, no palco erguido sobre o altar-mor, parece ser a mesma que vi naquela época. E se as fotos fossem feitas em “close” talvez desse para ver as lágrimas que vi um dia D. Lourdes Cardoso derramar. Não vi seu Gabriel na serafina, o Augusto coordenando as alas da procissão, nem o Paulo sacristão batendo na matraca, mas, vi o Zé Basílio em plena atividade. Oh! que saudade triste!

Fora da Igreja uma verdadeira multidão. As inovações nos vestuários dos centuriões. A manutenção da tradição dos pecados, onde fui Luxúria, que era cor-de-rosa, e não pude comprar o amarelo da Avareza, porque meu pai não podia comprar outra cor, e eu fiquei tão triste que parei de ser pecado, embora não tenha parado de cometê-los. Perdão, meu Jesus, perdão meu Senhor, perdão Deus clemente, perdoai, Senhor!

Juntando uma coisa com a outra, espero em Deus, e ele não há de permitir, que algum dia, esta festa de fé do nosso povo não se transforme num mero evento turístico. Lembrem as autoridades públicas, civis ou eclesiásticas, turismo é uma atividade benéfica em muitas situações, mas, o turismo predatório é pernicioso, e como estamos falando de católicos, é até pecado. Que não permitamos jamais que depois de uma bela manifestação de fé como a que vimos pelas belas fotos de Alfredo, Lucila e Niedja Camboim e de Saulo Bezerra, seja seguida por um show de Mourinha do Forró. Se isto acontecer, que Deus tenha piedade de nós.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com
-------
(*)Fotos retiradas do SBC.

Nenhum comentário: