quarta-feira, 28 de abril de 2010

QUANTO VALE O SEU VOTO?




Estamos na temporada de caça aos votos. Onde tudo é possível e provável. É possível que você consiga aquele emprego para seu filho, há tanto tempo desempregado. É provável que você resolva aquele problema que emperrava o alvará do seu imóvel. Candidatos se empenham nas promessas. Os menos afortunados, moradores da periferia recebem feiras, medicamentos, pagamentos das contas de água e luz atrasadas e até material de construção. Sem falar na possibilidade de receber “trocados” entregando “santinhos” ou segurando bandeiras nos semáforos da cidade. Às vésperas das eleições é possível ganhar camisetas e vales-transportes para lotar os ônibus e ir aos comícios aplaudir os candidatos.

É a temporada de poucos escrúpulos e muita vontade de se dar bem. O bem comum é a constante do discurso e a prática é a concretização do seu oposto. Fotos e slogans se multiplicam na paisagem. E o retrato da cidade se deteriora na ganância da disputa pelo espaço público. A poluição visual se junta à sonora com as intermináveis versões a nos estremecer os tímpanos e nos fazer cantarolar sem querer.

Mas do que nunca, reinauguramos a época dos conchavos, das denúncias. Os problemas da cidade serão mostrados e ressaltados: os buracos, a falta de moradia, a sujeira, casas construídas em áreas de risco, as escolas sem condições de ter aulas, hospitais mal equipados, funcionários públicos mal renumerados, aposentados vivendo com um mísero salário, etc., etc., etc. Isso é motivo para crucificação dos atuais detentores das vagas.

Apesar da tentativa de justificar os compromissos não cumpridos e as promessas esquecidas, tudo será passado. Pois, muitos desses, estão novamente no páreo e irão disputar com unhas e dentes cada voto. Famílias inteiras irão empenhar-se na certeza do enquadramento dos seus membros, no favorecimento de seus pleitos. Quanto vale esses votos? Emprego, ascensão, favores políticos, nomeações, troca de cadeiras?

E neste samba de crioulo doido, candidatos aliam-se por conveniência. O sonho de candidatos e eleitores vale o que for possível. E quando a temporada acabar? Ficaremos novamente com os restos. Os restos das bandeiras, dos panfletos, dos buracos, dos muros pintados e dos casebres. Além disso, ficaremos sem esperança de que os eleitos ajam diferentes dos seus antecessores. E assim, vão-se os sonhos e com eles a convicção do valor do seu voto.

“O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem éticas. O que mais preocupa é o silêncio dos bons.”

Martin Luther King

Aos meus leitores, um abraço.

Maria Caliel Siqueira - mcaliel@hotmail.com

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