segunda-feira, 31 de maio de 2010

Soltem os Ladrões de Galinha



Semana passado li algo onde se mencionava um processo judicial, que chegou até o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) que versava sobre um furto de uma galinha caipira que foi avaliada em apenas R$ 10,00. O ladrão foi preso em flagrante pela Polícia Militar de Minas Gerais, e já havia sido condenado pela justiça mineira a um ano de detenção e ao pagamento de dez dias-multa. O ministro que o julgou no STJ apelou para o “princípio da insignificância” para absolver o réu, alegando que faltava justa causa à ação penal devido ao resultado da “lesão” produzida ser absolutamente irrelevante.

Lembrei-me imediatamente do João de Manoela lá de Bom Conselho. Penso até que já o mencionei neste Blog anteriormente. Ele era conhecido como um exímio ladrão de galinhas. Sua prática já era tão conhecida que, quando uma penosa desaparecia de algum quintal, o delegado já mandava ir à casa do João, que se não me engano era na Rua do Sol. Muitas vezes as penosas desaparecidas estava mesmo em seu quintal, prontas para virarem uma boa cabidela preparada por Manoela, mãe do indigitado afanador de penosas. Óbvio, que tudo era precedido por uma identificação por parte do reclamante, no qual o delegado acreditava sempre.

Houve uma época, não sei precisar os anos, na qual o delegado era Seu Gaudêncio. Ele morava no centro de Bom Conselho, e era casado com Dona Etelvina, zeladora do Coração de Jesus de nossa matriz. Ela era tão magrinha que as pessoas menos sisudas a chamavam de “caquinho”, não na frente dela nem do marido, é claro, pois correria risco de um esculacho ou mesmo prisão. Sua casa ficava nos fundos de uma venda que era pouco sortida e escura, mas era muito frequentada quando havia denúncias envolvendo perigosos meliantes, como "gaitas" que roubavam um quilo de bolacha da padaria de seus patrões, meninos que roubavam frutas do quintal dos outros, e mesmo ladrões de galinhas como João de Manoela.

Lembro também que ele fazia questão de conduzir pessoalmente estes vadios para a cadeia, na rua do mesmo nome. Não era difícil de ouvir, certas vezes, suas admoestações de natureza ético-sádicas:

- Vou lhe matar de bolo seu cabra safado!

Havia realmente uma palmatória na cadeia e, penso eu, o João de Manoela já havia tomado tantos bolos que eles não sortiam mais efeitos. Quando era solto, suas mãos já estavam incomodando outra vez as penosas mal cuidadas. Eu realmente nunca soube de nenhum processo contra o João, mas hoje, tenho certeza, ele seria absolvida pelo STJ.

O que me constrange em nosso país é que ninguém, em seu íntimo, gostaria que o João fosse condenado a um ano de prisão pelo roubo de uma galinha. Mas, se aplicado o princípio do "Dura Lex Sed Lex" (a lei é dura mas é lei), não há como se fugir da condenação. O que os juízes de Minas devem ter pensado é que o “princípio da insignificância” pode-se tornar tão subjetivo que pode se tornar injusto. Pelo mesmo princípio, provavelmente o STJ pode absolver o Presidente Lula, no processo de multa por antecipação da campanha. Um cargo de presidente pode parecer irrelevante para o colegiado. Valer menos do que uma galinha.

Entretanto, diante disto, porque eu reluto em completar este raciocínio, afirmando categoricamente que a presidência vale o mesmo que uma galinha, e os dois deveriam ser condenados? Por um motivo muito simples. Nossa cultura leva à veracidade do ditado muitas vezes ouvido quando criança, em nossa terra: “Quem rouba um tostão é ladrão quem rouba um reino é barão”. Esta é a nossa realidade, que nos envolve a todos, por mais que esperneemos contra ela. A tão decantada máxima, em um estado de direito, que a lei é igual para todos, não deve ser desprezada pela sua importância quando se visa uma Justiça ideal. E muitos outros países já chegaram muito mais pertos deste ideal do que nós, mas, até aqui não tenho coragem de dizer que a justiça está certa quando absolve ou condena tanto o ladrão de galinha quanto o Presidente da República. Vivendo e estudando a história deste país, me perdoem os fiéis aplicadores da letra fria de suas leis, mas eu ainda me alegro que tenham soltado o João de Manoela, tanto quanto me alegrarei se o Lula pagar todas as multas, pelas quais foi indiciado.

Ainda fiquei um pouco em dúvida se, pela condição do Lula de ex-operário, ele poderia ou não pagar a multa. Mas, quando li que ele pode ganhar até R$ 216.000, 00 por palestra quando deixar a presidência, minha dúvida foi para o espaço, e muito constrangido digo: “Soltem os ladrões de tostões e prendam os ladrões de milhões”. Com a decisão do TSE, este colegiado já começou a agir neste sentido, cumprindo a primeira parte deste lema, precisa agora começar a cumprir a segunda. Se não o fizer, será por mera falta de espaço em nossa cadeias. Solução: Soltem os ladrões de galinhas!

Diretor Presidentediretorpresidente@citltda.com

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(*) Charges da Internet.

domingo, 30 de maio de 2010

sábado, 29 de maio de 2010

Adivinhação(IX)





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(*) Fotos originais do Diário de Pernambuco e da Internet.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Marina com fé



Depois de ler o artigo do Zezinho de Caetés (http://www.citltda.com/2010/05/dilma-acredita-em-deus.html), sobre a religiosidade de Dilma, fiquei com vontade de abordar a religiosidade de Marina, minha candidata preferida para a governança deste país. Todos sabem que ela é evangélica, já tendo sido católica, entretanto ela não mudou a forma como usa sua fé para galgar postos eletivos ou subir nas pesquisas, e mesmo sendo fiel ao seu Deus, que é o de todos nós, não o usou como cabo eleitoral, e nunca o usará.

Quando pensei em escrever sobre isto, lembrei de ter visto num Blog, um artigo de uma jornalista (Ateneia Feijó – Blog do Ricardo Noblat em 18.05.2010), no qual ela já fazia, certamente, com mais capacidade na escrita do que eu, uma descrição, não só da religiosidade de Marina, mas também dizia de sua esperança e crença que algum dia possamos contar com ela no comando do nosso país. Seria uma perda de tempo, eu tentar dizer as coisas que esta jornalista já disse de maneira tão simples, eficiente e bonita. O título do seu artigo é o mesmo que dei a este que escrevo. Com as teclas, a Ateneia:

“Podem anotar. Marina Silva vai surpreender. Com 51 quilos e 52 anos, ela não é nem de longe a figura frágil que aparenta ser. Para começar, sua biografia é um testemunho de superação. Sua decantada fé? Ora, a ciência anda buscando o significado desse valioso sentimento. Que, segundo pesquisadores, trata-se de um combustível poderoso que impulsiona as pessoas para uma vida melhor.

"
Mas tem a ver com religiosidade!", dizem. Qual o problema? "Ela (Marina) é conservadora!", gritam. Por acaso Lula não é conservador, principalmente em matéria de religiosidade? E Dilma, será que é ateia? E Serra o que é? Católico ou do candomblé? Ah, a petista e o tucano também podem ser islamitas, kardecistas... Ou agnósticos. Então, tá. Cada pré-candidato com sua religião, seu Deus ou sem ele.

Longe de ser uma fundamentalista ou intolerante, Marina é, sim, uma mulher de fé. E parece-me que esta fé tem a ver com sua energia extraordinária na busca de um aprendizado constante. Que não desperdiça nem desdenha de lições do passado. Até porque ela é formada em História. Mas há quem não consiga ou se recuse, por preconceito, a acompanhar suas idéias avançadas.

Há pessoas que nem se dão ao trabalho de perguntar: o que é essa tal sustentabilidade? No seu discurso durante a convenção do Partido Verde, no domingo, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, o empresário Guilherme Leal (dono da Natura), lançado pré-candidato a vice-presidente da pré-candidata Marina, tinha uma resposta na ponta da língua: "Não se conhece lucro sustentável num modelo econômico predatório." Seja qual for. As crises mundiais comprovam.

O que não quer dizer que sustentabilidade tenha a ver apenas com economia. Tem também com políticas sociais, ambientais, de segurança pública, de cultura. E ética. Como se materializa isso? Vencendo desafios. Uma das bandeiras preferidas da pré-candidata verde: a igualdade de oportunidades para todas as pessoas desenvolverem suas potencialidades. Ela crê no ser humano como um sujeito desejoso de fazer suas próprias escolhas; no momento certo.

Talvez por isso transmita confiança. Que se saiba, não foi pega em mentira. Marina diz muitas coisas boas de se ouvir. Por exemplo, a de que não se faz política por negação. Não tem medo de apontar os acertos dos outros, argumentar e explicar porque os defende. Citando, por coerência, acertos de Fernando Henrique e Lula. Totalmente à vontade.

Em resumo, seu projeto de governo não é de poder pelo poder. Afinal, os governantes são eleitos e pagos para servir ao país. Na proposta de Marina não cabe um líder que queira impor um destino ao povo. Ou se achar o máximo. "
Temos que aprender e nos dispor a coautorias, em vez da exclusividade do feito. Essa é a liderança do século XXI."

Ela entende que na pós-modernidade em que vivemos é preciso cada vez mais criatividade. Principalmente na educação. De que forma? Manejando o conhecimento; sem encastelá-lo ou petrificá-lo. Porque tudo neste planeta tem a ver com tudo. Olha a crise econômica europeia mostrando a necessidade de uma política social de terceira geração.

E aqui? Marina deu seu recado de esperança. Com emoção: "
Um Brasil mais justo, mais harmônico e sustentável é possível." Haja fé.”

Realmente, será preciso muita fé para que o recado da Marina se realize, mas, eu, como Marinete de primeira hora, sempre acreditei. Ela não é uma terceira via e sim a única via. O discurso “desenvolvimentista” dos dois outros candidatos não terá o respaldo do conhecimento e respeito pelo meio ambiente que tem a Marina. Eles nos darão emprego agora e miséria aos nossos filhos e netos. Ainda há tempo para mudar. E para que isto aconteça, é muito simples, vote em Marina, deixe o pessimismo das pesquisas de lado e garanta um futuro promissor para o Brasil, hoje mais do nunca em sua história, um país do futuro. Que ele, pelo menos tenha um, é o que espero. E acreditando em fazer minha parte, como mulher, eu convoco nosso gênero: Mulher vota em Marina. Sobre algumas besteiras apregoadas de que mulher não vota em mulher, eu cito o Blog do Stephen Kanitz (http://blog.kanitz.com.br/2010/05/quais-as-chances-da-marina-silva.html)que nos enche de esperança:

“A Marina Silva vai crescer, e muito. Existe até uma remota chance dela ir para o segundo turno. Como?

Marina Silva tem uma qualidade que Lula tem, mas que Dilma e Serra não tem.
Ela tem a cara do povo, e o povo brasileiro gostou da ideia de ter alguém com sua cara no poder.

Um filho de italiano, filha de búlgara ou filho de classe média que frequentaram a USP, podem não ser mais um atrativo para a eleição. Quanto mais Marina for sendo conhecida, mais sua candidatura poderá melhorar.

Com a saída de Ciro Gomes, ela passa de 8% para provavelmente 14%. E, precisa de mais 10% para chegar a 24%. Como ela rouba votos da Dilma, esta cairia para digamos 28%.

Aí, Marina torna-se uma possível candidata para o segundo turno e muda totalmente de figura. De uma candidata para 2014, ela passa a ser uma possibilidade para 2010. Daí, virão alianças e jogos políticos.

De onde viriam estes 10% adicionais? Marina Silva é extremamente influente entre os evangélicos, e estes votos só irão aparecer nos últimos quatro domingos antes das eleições.

Além de religiosa, é bem casada, e são dois pontos que não passarão despercebidos pela mulher brasileira.

Esta história de que mulher não vota em mulher é um insulto às mulheres, depende da mulher.”

Alem disto, quando abro os jornais e vejo o desempenho dela no Encontro de Presidenciáveis organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI – 25.05.2010), eu estou certa de que nós mulheres não aceitaremos este insulto, e como Marina pediu, votaremos “com o coração”, como sempre o fizemos para defender nossos filhos e netos do “período das trevas, ao invés de avançarmos para o futuro”, pelo qual estamos passando. Chega da visão curta do PAC e do crescimento depredador que poderão jogá-los no abismo.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Dilma acredita em Deus?



Outro dia, foi publicado em nosso Mural uma nota assinada por Severino Araújo, que penso ser de Bom Conselho, e me foi enviada pela sua destinatária original, Lucinha Peixoto. Pela nota, o Severino já correu o mundo pela ONU e reclama de nossa grande imprensa, comparando-a a partidos políticos. Quando li, pensei que estava lendo o Blog do Jodeval, cujo autor parou de escrever cedendo lugar a Fidel Castro, Emir Sader e outros do mesmo jaez.

Pelo que ele diz, na grande imprensa brasileira nada se salva, embora elogie nossa Democracia, regime que permite a liberdade de expressão, ou seja, cada um diz o que quer, ao que eu acrescentaria: e ouve o que não quer. A imprensa, segundo ele, serve apenas para manipular a opinião pública. Pelas suas opiniões, o Severino parece não pertencer a esta opinião pública, pois não foi pela imprensa manipulado. Ele não tem cheiro de povo, o qual era tão odiado pelo nosso General João Figueiredo.

Penso que retirando de um artigo meu, onde cito o Sebastião Nery, ele inclui este jornalista dentro de um esgoto onde já estariam a Rede Globo de Televisão e outros. Não tenho procuração aqui para defender o Sebastião Nery, e nem vou fazê-lo, pois sua biografia o defende com muita propriedade. Que tal começar lendo o seu último livro: A Nuvem, onde ele descreve mais de 50 anos de nossa história contemporânea, onde passou maus bocados, ao defender sua ideologia, sem tergiversações como hoje fazem alguns do Partido de meu conterrâneo Lula? Se ele hoje não quer fazer o papel do Perfeito Idiota Sul-Americano, tem todo o direito de fazê-lo, da mesma forma que o Severino tem de encarnar o papel.

O idiota sul-americano é um ser descrito num livro chamado: Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano (P. A. Mendoza, C. A. Montaner e A. V. Llosa – Ed. Bertrand Brasil Ltda.), escrito no final do século passado, e já na 7ª edição, mas de uma atualidade impressionante. Aqueles que continuam encarnando este papel continuam acreditando nas mesmas coisas. Revolução Socialista, queda do capitalismo, guerra ao liberalismo dos mercados, chamado de neo-liberalismo para dar-lhe um ar de atualidade, admiração pelo que sobrou de socialismo no mundo, como Fidel Castro, Cuba, Coréia do Norte e algumas outras poucas coisas. Mesmo a China não é mais admirada porque está cedendo aos tentáculos do capitalismo, que é o regime da exploração do homem pelo homem.

Aqui no Brasil, mesmo aqueles que, contra a corrente, defendem a Democracia burguesa, como o Severino, chamam o governo do Lula de popular, porque Lula era um operário, juram pela inocência do Zé Dirceu e do Delúbio, ainda sonham com Fidel Castro, e agora, acreditam que meu conterrâneo elegerá um poste, que além de ter nele pregado um retrato do Stalin, ainda dar choque nas pessoas, com suas gafes, a Dilma.

E, o que podemos chamar a versão brasileira do idiota, alardeiam pesquisas que levam a crer que já há uma vantagem do poste sobre os outros candidatos. Isto só prova uma coisa, que o governo do meu conterrâneo, além de não ser popular, pode levar o povo brasileiro a eleger a Dilma, que de popular, depois de mais de um ano de treinamento para atuar como tal, não tem nada. Eu vi o último programa do PT na TV, no qual, o Lula mais uma vez comete o crime eleitoral de fazer campanha antes do tempo. Vi o poste falando com pessoas do povo, enquanto o seu carregador o comparava a Nelson Mandela. Nem na cor eles se parecem, mas, podem esperar que se isto auxiliar a Dilma nas pesquisas ela é capaz de “pegar um bronze”, para ficarem mais parecidos. Afinal de contas ela já fez pior: dançou o “rebolation”. Sei que a coreografia era do Lula, mas ela aprendeu direitinho.

Dito isto, tiro outra vez o Sebastião Nery do esgoto, onde o bom-conselhense Severino o colocou, para mostrar a quanto pode ir um candidato neste nosso país:

“Folha

Prometi a amigos do PT deixar ao menos uma semana a Dilma em paz. Mas a Dilma não ajuda. Cada dia aparece numa situação mais engraçada, mais extravagante, mais esdrúxula. Como morre de medo do Lula, nunca sabe direito o que falar, com medo de desagradar ao tutor. E vai metendo os pés pelas mãos, baralhando as palavras boca a fora. Enterrou totalmente todas as velhas convicções. É no vale tudo, achando que assim pesca eleitor até em mangue seco. Na última vez, atropelou Deus. Jornais e Internet cairam em cima. Um espanto a Dilmentira.

Em sabatina na Folha, em outubro de 2007, ainda não candidata, perguntada se acreditava em Deus, respondeu:

- "Eu me equilibro nessa questão. Será que há? Será que não há"?

BAND, Época, IstoÉ

Em fevereiro, este ano, já candidata,deu entrevista à revista Época:

- "Uma religião especifica, a senhora não tem"?
- "Não, mas respeito".

Em abril, na TV Bandeirantes:

- "A senhora acredita em Deus"?- "Acredito numa força superior que a gente pode chamar de Deus. Acredito na força dessa deusa mulher, que é Nossa Senhora".

Em maio, enquadrada por Lula, virou uma beata falando à Istoé:

- "A senhora é católica"?
- "Sou. Antes de tudo cristã. Num segundo momento, católica".

Se a Dilma acha que engana Deus, imaginem o povo brasileiro. (Diário de Pernambuco - 18.05.2010)”

Lembro, em relação a isto, o fato do Fernando Henrique ter perdido a eleição para prefeito de São Paulo, por titubear ao responder a uma pergunta do Boris Casoy, se ele acreditava em Deus. Desde aquela época não apareceu mais um candidato ateu. Mesmo os mais empedernidos revolucionários marxistas-leninnistas-stalinistas, acreditam piamente em Deus. E a religião não é mais o ópio do povo, como dizia Marx. Se eu quisesse me enganar, como eles enganam os seus eleitores, eu diria que a Democracia trouxe Deus de volta. Mas burrice tem limite. As frases da Dilma citadas acima só levam a uma conclusão: ela, como muitos, estão usando Deus como cabo eleitoral. Não sei em que leilão, daqueles mencionados aqui no Blog pelo Seu Salviano, de Bom Conselho, ele foi adquirido. Mas, Deus é tão grande que dá para todo mundo, e dizem que ele é brasileiro e é justo. Então só resta dizer: “Te cuida, Dilma.”

Sei que Severino colocará outra vez o Sebastião Nery no esgoto, mas, neste caso, se o que ele citou acima for mentira, eu o jogarei também, junto com nossa grande imprensa. Como não houve até agora nenhum desmentido pregado no poste, eu continuo acreditando que foi verdade.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com
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(*) Charges da Internet.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

PORTA ABERTA



SEMPRE GOSTEI DE VER NOS FILMES, AQUELAS CASAS COM JARDINS, SEM CERCAS OU PORTÕES.
UM SENTIMENTO DE SEGURANÇA QUASE QUE ME TRANSPORTAVA PARA LÁ, COMO QUE INATINGÍVEL AQUI PELAS BANDAS DA CIDADE GRANDE.
SONHAR SÓ NÃO BASTA, UMA CASA DE CAMPO FOI A META.
FOMOS PARA ATIBAIA, CIDADE BOA, DISTANTE 60 km DE SÃO PAULO.
LÁ NO ALTO DA MONTANHA, UNS 1500 m ACIMA DO MAR, REALIZAMOS O SONHO DA PORTA ABERTA.
CASA SEM MURO. SEM PORTÃO.
SEM TRANCA..
DURANTE 30 ANOS USUFRUIMOS DO PARAISO SEM FRONTEIRAS.
NO VAI E VEM DE AMIGOS, VIZINHOS, OS FILHOS CRESCERAM COM A SENSAÇÃO DOS QUE PODEM VOAR. ERA POSSIVEL.
BEM DISTANTE DAQUELE DAS MONTANHAS DO HIMALAIA, PARA NÓS,
NOSSO SHANGRILÁ TORNOU-SE REFERÊNCIA DE BEM ESTAR, SOSSEGO, VIDA BOA, VIDA TRANQUILA, AQUI SÓ ALEGRIA, XÔ, COISAS RUINS.
COLOCAR AMENDOIM PARA OS ESQUILOS VIREM COMER QUASE DENTRO DA CASA, VER MACAQUINHOS BARULHENTOS PASSANDO NAS COPAS DAS ÁRVORES, QUASE QUE A CHAMAR A ATENÇÃO PARA UM CUMPRIMENTO FESTIVO! MAS O QUE É AQUILO? UM TUCANO!! ALGUÉM ENCONTRA TUCANOS POR AÍ? E A SINFONIA DOS PÁSSAROS?
DEUS EXISTE.
NA CASA DO SONHO, HÁ TEMPO PARA OLHAR O CÉU. CONTAR ESTRELAS E CONTAR ESTÓRIAS. JOGAR CONVERSA FORA.
PANORAMAS MARAVILHOSOS ONDE O TEMPO PARECE DETER-SE EM MOMENTOS DE FELICIDADE COM A CONVIVÊNCIA HARMONIOSA ENTRE PESSOAS E BICHOS.. UM MUNDO NOVO POSSÍVEL.
QUANTAS PESSOAS SONHAM COM UM LUGAR ASSIM?
CANTAM EM LETRAS SIMPLES E SINGELAS......
“FIZ UMA CASINHA BRANCA LÁ NO PÉ DA SERRA PRA NÓS DOIS MORAR....” OU

“UMA PALHOÇA NO CANTO DA SERRA SERÁ NOSSO ABRIGO.....
TRAZ O QUE É SEU E VEM CORRENDO, VEM MORAR COMIGO
AQUI É PEQUENO, MAS DÁ PRA NÓS DOIS,
E SE FOR PRECISO A GENTE AUMENTA DEPOIS
TEM UM VIOLÃO QUE É PRA NOITES DE LUA,
TEM UMA VARANDA QUE É MINHA E QUE É SUA...” OU

“EU QUERIA TER NA VIDA SIMPLESMENTE
UM LUGAR DE MATO VERDE PRA PLANTAR E PRA COLHER
TER UMA CASINHA BRANCA DE VARANDA
UM QUINTAL E UMA JANELA PARA VER O SOL NASCER”..”

EM TODAS ESSAS LETRAS DE MÚSICAS, A SIMPLICIDADE DO QUERER,
CASA SEM MURO. PORTAS ABERTAS.
GENTE QUE GOSTA DE GENTE.
PRECISAMOS DE TÃO POUCO!
A TRANQUILIDADE DAS PESSOAS HONESTAS, TRABALHADORAS, CORRETAS É QUEBRADA POR BANDIDOS QUE NADA TEM A PERDER.
MAS SOMOS MAIORES, MAIS FORTES. OS 03 BANDIDOS QUE À MÃO ARMADA ENTRARAM EM UMA CASA DO CONDOMÍNIO EM ATIBAIA, NÃO APENAS INVADIRAM, ASSUSTARAM E DEIXARAM PERPLEXOS A TODOS QUE VIVEM NO PARAISO. ELES SÃO A CONSTATAÇÃO QUE OS TEMPOS REALMENTE SÃO OUTROS. ESTAMOS TRANCADOS EM CASA E OS BANDIDOS SOLTOS.
PRECISAMOS VOTAR BEM.
VOCÊ TEM CARRO BLINDADO? NOSSO POLÍTICO TEM. E PAGOS COM NOSSO DINHEIRO.
VOCÊ TEM SEGURANÇAS? NOSSOS POLITICOS TEM. E PAGOS COM NOSSO DINHEIRO.
ELES, A FAMILIA DELES, A CASA DELES. ELES, DELES, ELES DELES.
AO NOSSO REINO, NADA.
AS FAMILIAS EM ATIBAIA ESTÃO COLOCANDO PORTÕES E MUROS NAS CASAS.
AS FAMILIAS NO BRASIL ESTÃO PRESAS EM SUAS CASAS.
O CIRCULO SE REPETE. TUDO CONTINUA. FALEI DESSE PARAISO, POR SER O NOSSO SHANGRILÁ. PORÉM NAS ESQUINAS, NOS BAIRROS, NAS CIDADES PEQUENAS, MÉDIAS OU GRANDES. NAS CHÁCARAS E SITIOS, ELES ESTÃO INVADINDO E MUITAS VEZES
DIZIMANDO NÃO SÓ OS SONHOS, MAS PESSOAS.
VAMOS PENSAR MUITO EM QUEM VOTAR.
REEINVIDICAR DIREITOS. LUTAR POR SEGURANÇA E DIGNIDADE.
PORTA ABERTA É O QUE DESEJO A VOCÊ.

Ana Miranda Luna - anammluna@yahoo.com.br

terça-feira, 25 de maio de 2010

A PALHAÇADA



Cada vez mais vejo em Lula um grande comediante, então essa palhaçada do Irã foi o ápice da comédia, a nossa diplomacia que vem capengando nos últimos anos, sobre a batuta de Celso Amorim e Marco Aurélio (toc toc) Garcia, culminou no Irã com a prova cabal da má gerência que o nosso Itamaraty foi transformado no governo Lula.

Não é preciso ser nenhum estudioso no assunto para saber que a teocracia iraniana é quem verdadeiramente manda lá.

O Irã é um país dividido em dois governos o de direito que é o presidente (de nome difícil), as forças armadas, judiciário e parlamento, o governo de fato é composto pelo o conselho dos guardiões e a guarda revolucionária estes sim são quem de fato mandam no Irã.

Nosso ingênuo presidente fez um acordo com o governo de direito, e numa cena cinematográfica com direito a fotos e abraços, fizeram um acordo para que o urânio que hoje é enriquecido no próprio Irã a 20%, fosse enriquecido na Turquia, na quantidade de 1200 kg, seria levado o urânio a 3,5% e trazido a 20%, isto durante um ano, pois bem, mal o governo de direito e os abestalhados presidentes do Brasil e da Turquia terminam as comemorações o governo de fato dos aiatolás através do seu porta-voz comunica que o Irã iria continuar beneficiando o urânio a 20%, ou seja, defecaram na cabeça dos presidentes do Irã, Brasil e Turquia.

Imediatamente a comunidade internacional entrou em ação anunciando varias sanções contra o Irã no conselho de segurança da ONU. Estas sanções visam abalar o alicerce do governo de fato, pois elas são em cima da guarda revolucionária e dos investidores iranianos que podem financiar o terrorismo.

Essa mesma diplomacia atrapalhada é a que condenou as eleições livres de Honduras e apóia incondicionalmente a mais duradoura e sangrenta ditadura das Américas, ou seja, a ditadura de Cuba.

Alexandre Tenório Vieira - tenoriovieira@uol.com.br
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(*) Charges da Internet.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Dunga e os nossos craques



Eu nunca gostei de Dunga como jogador e muito menos como treinador. Ora, dirão os pragmáticos de plantão, ele é um vencedor, pois foi campeão em 94, na Copa América, Copa da Confederações e outros torneios menores, além de sua trajetória como jogador. O importante é vencer a Copa do Mundo, trazer o caneco, “beber cachaça na taça”, como dizia o Pilão, beque central do Vera Cruz de Bom Conselho, e o jogador mais pesado que já vi jogar, quem lembra sabe que ele deveria ter mais de 100 quilos, distribuídos harmoniosamente pelo seu 1,70 de altura.

Eu gosto muito de futebol, todos que me leram aqui neste Blog sabem, mas o objetivo do nosso esporte “anglo-saxão”, ou mesmo de todos os esportes, não é só vencer. Isto não tira a importância das vitórias e devemos sempre persegui-las, no entanto, não a qualquer preço. E um preço muito alto para obter uma vitória, mesmo que seja numa Copa do Mundo, é a “dignidade” do futebol. O que diabo vem a ser isto?

Contam os historiadores do futebol que na copa de 1938, o ditador italiano Benito Mussolini teria dito aos jogadores da seleção italiana antes da copa: “Vão e vençam! E, se perderem, não voltem à Itália”. A Itália venceu em 1938. Que fizeram os jogadores? Se só jogaram bem e se esforçaram, nada a reclamar, muitas vezes se incentiva ameaçando, no entanto terá sido só isto mesmo? Se houve outros atos, a “dignidade” do futebol foi ameaçada.

Eu vi na copa do mundo de 1998, na França, o nosso Edmundo, o “animal”, reclamar de outro jogador da seleção, não me lembro qual, por ele ter retribuído uma gentileza de um jogador adversário, dizendo que estávamos perdendo e que aquela gentileza iria nos prejudicar. Talvez, seja por isso que o chamam de “animal”, pois certos valores estão acima das vitórias, e para mim, retribuir um gesto de gentileza é um deles. Mais uma vez a “dignidade” do futebol, foi ameaçada, e, como perdemos, ainda tem alguns que dizem: “Se tivéssemos seguido a orientação do Edmundo, talvez tivéssemos vencido”. Pode até ser verdade, mas o futebol brasileiro seria menos digno.

Existem ainda aqueles casos onde a “dignidade” cresce e só nos orgulha. Quando o presidente Médici sugeriu que o João Saldanha levasse para copa de 1970 o Dario peito de aço, que dizia: “Eu me preocupo tanto em fazer gols, que não tive tempo de aprender a jogar futebol”, e ele respondeu que o presidente mandava lá no Planalto, na seleção mandava ele, estava “dando murro em ponta de faca”, mas agiu com dignidade dentro do esporte. Veio Zagalo e levou Dario, mostrando que “para cada problemática sempre há uma solucionática.” Graças a Deus Dario não chegou a jogar, e mesmo com a dignidade abalada, o futebol brasileiro venceu a copa.

Ainda há o Telê Santana que só dignificou nosso futebol. Todos falam da seleção de 1970, mas eu sou mais fã daquelas treinadas por ele em 82 e 86. Ele se recusou a mudar um padrão de jogo que foi um dos mais bonitos já praticado pelo Brasil, e mesmo perdendo, fez mais pelo nosso futebol, pela sua dignidade, do que Zagallo, Parreira, Coutinho e outros procuradores de vitórias.

Mas voltemos ao Dunga e a Copa do Mundo deste ano. Até agora ele venceu. Mas, convenceu? Pelo menos a mim, não. Eu sempre começava a ver os jogos com a sensação de que iríamos perder o jogo, mas isto não tem problema, pois o mesmo ocorria em 2002, com o Filipão, e depois a seleção mostrou que podia jogar bem. O problema, era que além da sensação de que iria perder, havia outra: aquela de que não haveria um jogo de futebol, e sim gols e jogadas casuais, por parte de alguns jogadores. Terminou dando certo. Mas eu não gostei desta seleção do Dunga.

Esperei que nesta convocação o Dunga deixasse esta mesmice de lado, chamando alguns craques que surgiram agora, principalmente no time do Santos. E chamasse o nosso craque Ronaldinho Gaúcho. Quando vejo o Santos jogar hoje, lembro muito do nosso velho futebol, alegre, bagunceiro, craque, artista, eficiente, do passado. O Dunga convoca o Luiz Fabiano, que mais parece o Dario, sem o peito de aço, e sem parar no ar como um beija flor. Convoca Kaká doente e deixa o Ganso (sem trocadilho) de fora. Convoca um jogador que um apresentador de TV não sabia dizer o nome, nem eu, o “Michel” Bastos. Seria “maico” ou “michel”? O apresentador falou o primeiro e um comentarista o segundo. Pelo que ouvi depois o segundo é que está certo. Talvez, até a copa aprendamos seu nome, ou o que é mais provável, mesmo depois dela ninguém saberá.

Mesmo assim seria possível mudar o padrão de jogo de nossa seleção com o jogadores convocados, entretanto, dificilmente a “coerência” de Dunga, jamais permitirá isto. E, espero, que vençamos, embora preferíssemos ganhar com um futebol a altura dos vencedores, dentro da dignidade do esporte.

Jameson Pinheirojamesonpinheiro@citltda.com

domingo, 23 de maio de 2010

Adivinhação(VIII)

O que eles disseram aos Prefeitos em Brasília?
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(*) Fotos originais do Diário de Pernambuco.

sábado, 22 de maio de 2010

O Encontro dos Prefeitos

O vídeo abaixo, mostrando os prefeitos com o pires na mão, segundo o Blog do Ricardo Noblat foi produzido pela CNM (Confederação Nacional de Municípios) para ser apresentado no encontro da XIII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, e foi censurado pelos representantes da candidata Dilma Roussef.

Hoje eu vi no Blog da Prefeita, que ela está em Brasília. Uma "mosca diaba" me falou que a prefeita ano passado levou um pires comum e, com a redução do IPI, voltou com o pires abanando. Desta vez ela inovou e levou uma baciazinha feita de uma lata de queijo do reino, que era a tecnologia mais utilizada pelos nossos mendigos de outrora.

Eles passavam na sexta-feira e diziam: "Um esmolinha pelo amor de Deus", e as pessoas ou traziam alguma coisa ou diziam: "Perdoe!", e a baciazinha continuava vazia até a próxima porta.

Quem sabe com esta tecnologia mendigatícia e original, não conseguimos algum por lá?

O que posso dizer sucintamente aqui é que, enquanto permanecer esta divisão tributária, onde temos o primo rico, que é a união, o primo remediado, que é o estado e o primo miserável que é o município, os prefeitos não tem como jogar os pires fora. Tudo seria cômico se não fosse trágico. Nossos prefeitos ano após ano mendigando em Brasília. Urge um revisão do nosso sistema tributário e do nosso pacto federativo. Ou precisaremos uma Guerra de Secessão aqui também para quebrar o pires?

Será que o vídeo retrata a realidade? Se a resposta for sim, rezemos pelos nossos municípios.

Diretor Presidente - diretorpresidente@citltda.com

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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Aborto: ciência e religião (2)

"Sempre que faz algo de que se envergonha,
a pessoa diz que estava só cumprindo seu dever."
(Bernard Shaw.)




Dou seqüência ao tema acima, objeto de artigo publicado no dia 10.5.2010. Naquela ocasião, prometi comentar o artigo da Lucinha Peixoto, postado no dia 19 deste mesmo mês. A Lucinha falou de um tempo recente, em que o padre, de costas pra gente celebrava a missa em latim. Ou fazia que celebrava porque, sendo em latim, a gente nada entendia.

Lembro-me do padre Moisés Vieira dos Anjos, em Quebrangulo (AL), um autêntico puxa-saco de quem tinha meia pataca, naquela cidade muito pobre. O padre Moisés não se cansava de tanto fazer quermesses, e pedir dinheiro, sob a alegação de que era pra reformar a "casa de Deus", a igreja local.

Dia sim, dia não, ele usava o microfone pra dizer quanto seu fulano havia dado para a "casa de Deus". E ninguém via a reforma da igreja. Quando muito, ele mandava dar uma "mão de cal" nas paredes. E só. Digo isso e outras coisas mais, pra confirmar o que disse a Lucinha sobre o interesse das Igrejas pelas coisas materiais, em detrimento dos valores humanos.

Mas vamos à declaração de dom Fernando Saburido, de que haveria uma família pronta para adotar a criança, se não fosse feito o aborto (*). Essa afirmação insensata fez-me lembrar das palavras estapafúrdias e agressivas, atribuídas a um suposto padre, de nome Luiz Carlos Lodi da Cruz. As palavras de Lodi da Cruz foram-me encaminhadas, em abril de 2009, pelo senhor José Antonio Taveira Belo, da Academia Pedro de Lara, do portal de Bom Conselho, com o título "A mensagem católica". E veio com comentários daquele colunista. Dizendo tratar-se de uma carta, onde era feita a defesa do arcebispo da época, que proclamou a excomunhão da equipe médica do Cisam, assim como da mãe da menina de 9 anos, em quem havia sido feito o abortamento legal, em 4 de março de 2009.

{(*) – Dom Saburido não previu que poderiam morrer antes do ou durante o parto, tanto o feto do ventre, quanto a menina que a gestava.}

A pretensa carta de Lodi e os comentários de quem a enviou, foram objeto de resposta minha, em maio de 2009. E está na coluna que também assino – uma deferência do Saulo –, na Academia Pedro de Lara, sob o título "Carta e mensagem", que os leitores podem ver facilmente. Assim como, podem ler a que lhe deu causa, na coluna de José Antonio Taveira.

Daquela pretensa carta, pinço apenas estas frases, que considero tenebrosas, além de acintosas. Vejamos: "As crianças geradas de um estupro costumam ser alvo de um carinho especial de suas mães. Longe de perpetuar a lembrança da violência sofrida (como dizem alguns penalistas), o bebê serve de doce remédio para o trauma do estupro. Podendo doar o bebê após o parto, elas se assustam só de pensar em ficar longe dele. Tremem ao se lembrar que um dia cogitaram em abortá-lo." (???)

É ou não um raciocínio INFELIZ? De onde esse pretenso padre tirou tão infames convicções? Deve ter dedicado toda a sua vida atendendo como terapeuta a mulheres estupradas, que optaram por criar o filho, fruto do estupro. - A resposta cabe aos leitores.

Se esse senhor Lodi é padre ou não, tanto se me dá! O que receito pra ele, é uma forte dose de semancol. Porque, afora essas barbaridades acima transcritas, a suposta carta traz uma enxurrada de tentativas de enganação. Além de flagrantes desrespeitos à equipe médica e à mãe da criança de 9 anos, em quem o aborto fora feito. É de se supor que o cristianismo não precisa de católicos que raciocinam desse modo.

De outra parte, a Lucinha opina favoravelmente sobre temas que as igrejas condenam radicalmente. Eu concordo com ela em tudo. E vou mais além, ainda que hoje quase só haja espaço para o celibato e bens matérias das igrejas. Assim, discordo do celibato, porque é um típico engodo. Ora, dos cinco seminaristas com quem convivi nos meus tempos de curso secundário, três se ordenaram padres e dois pularam fora antes da ordenação. E casaram. Dos que se tornaram sacerdotes, dois desistiram nos primeiros oito ou dez anos, atraídos pelos encantos das mulheres.

O que resistiu muito tempo foi o padre Reginaldo Veloso, muito conhecido, aqui na paróquia de Nossa Senhora da Conceição. Mas Reginaldo, também, não se conteve, com justas razões. Foi rendido por uma mulher, coisa muito natural. E Reginaldo tentou desligar-se das funções eclesiásticas civilizadamente. Mas o Vaticano, orientado por dom Cardoso ou dom Dedé, botou o pé na parede, só pra implicar com ele. Naturalmente, porque o padre Reginaldo sempre trabalhou com os pobres, o que desagradava a dom Dedé. A despeito de tudo, Reginaldo saiu, casou, tem filhos e continua trabalhando na comunidade do Morro da Conceição, onde é muito querido.

Quantos e quantos padres não sentem esses mesmos desejos naturais da fisiologia humana, talvez o mais forte, que é o desejo de sexo? O saudoso promotor de Justiça, Nelson Souto de Araújo, costumava dizer que as forças mais fortes dentro de nós, são a forme e o sexo. Posto isso, por aí se vão de água abaixo as vocações sacerdotais, de que tanto se falava. - Relembro aqui e passo pra vocês, palavras de um padre alemão, que foi meu professor de zootecnia, por quatro anos, num curso equivalente ao antigo ginasial. Ele era padre, médico e veterinário. E nos disse isto, mais de uma vez, na sala de aulas, quando o debate propiciava, com toda seriedade. Eis aí as palavras dele: "O maior prazer terreno é o prazer sexual." Por questão de ética, não posso citar o seu nome.

Outro padre e grande educador, francês, mas que também veio para o Brasil, proferiu esta sentença, que está no livro "Amor - sexo e segurança". Por ser de domínio público, posso citar os nomes. Trata-se do padre Paul-Eugène Charbonneau, que escreveu em conjunto com a psicóloga madre Cristina Maria. Eis a máxima: “Aqui achamos a dificuldade do nosso mundo contemporâneo, no qual os valores do amor são praticamente destruídos, onde se imagina a felicidade no gozo mais intenso, que é o sexual”. (Grifo meu). Não duvidemos das palavras desses mestres do saber científico. A afirmação de padre Charbonneau e madre Cristina, confirma as palavras do meu antigo professor. São esses autores que dizem: "... no gozo mais intenso, que é o sexual." - Não me perguntem como é que os padres e as freiras sabem disso. Porque eu também não sei responder. Apenas sei que eles são tão humanos como nós outros. Padre Charbonneau e madre Cristina, eu os conheci em dois congressos – um em Salvador e o outro em São Paulo. Ambos foram grandes educadores. E é assim que os reputo.

Entendo as razões de Charbonneau e madre Cistina, ao dizerem que "os valores do amor são praticamente destruídos". Eles eram religiosos (porque faleceram faz poucos anos) e não deveriam posicionar-se de outro modo, em face da visão caolha da Igreja Católica. Contudo, pelo título da obra, vê-se que o objetivo é tratar de amor e sexo. E é disso que o livro trata. E sexo bem feito traz segurança àqueles que o praticam. Sexo não destrói o amor. Sexo se faz com amor. Em que pese, muitas e muitas vezes, obedeçamos mais ao instinto. Porém, mesmo quando o instinto puramente animal fala mais alto, não deixa de existir um entrelaçamento amoroso no ato sexual.

De outro modo, vamos dar mais uma voltinha no tópico que trata dos valores materiais nas igrejas. Como sabemos, existem as "Santas Casas de Misericórdia", que são administradas pela maior autoridade eclesiástica, em cada recanto onde elas se façam presentes. No nosso caso, essa autoridade é o arcebispo de Olinda e Recife. E a "Santa Casa", aqui, é dona de uma imensidão de terrenos, que os explora como bem quer. No artigo da Lucinha, foi perguntado sobre quantas creches caberiam no terreno onde está o Hospital da Tamarineira, pertencente à "Santa Casa". Porque há projeto bem adiantado, para transformar aquele parque em condomínio com algumas centenas de residências. Ou shopping com centenas de lojas etc. Notem que são 91.375 metros quadrados de área, que foi tombada em 1992, pelo Conselho Estadual de Cultura.

E o arcebispo atual também está muito animado com o novo empreendimento. Deu entrevistas nas emissoras de rádio, dizendo que vai ser bom pra todos. Não sabemos quem são esses todos. Porque sua senhoria não deixou claro quanto às conseqüências para o meio ambiente; e não falou nos problemas viários que advirão com o enorme aumento do fluxo de automóveis, quando o projeto virar realidade. E os pobres albergados, em torno de 170, que ali habitam e são doentes mentais, que destino terão? E os cerca de 2.000 que são atendidos por mês na emergência do hospital, em que portas irão bater?

Em que pese, dom Saburido reafirmou, em nota, que tudo ali pertence à "Santa Casa". E tudo que lá for construído será incorporado àquele patrimônio, que continuará de propriedade da "Santa Casa". Imagine-se a renda com aluguéis etc. Por isso mesmo, o arcebispo se manifestou a favor do projeto.

Vejamos mais: todo o complexo do Instituto Materno Infantil de Pernambuco - Imip, também está num terreno dessa "Santa Casa". Razão por que o arcebispo anterior, teve tanta força para mandar chamar o diretor-superintendente do Imip, ao palácio dos Manguinhos. E dizer a ele que o aborto da menina de Alagoinhas não poderia ser feito. O diretor obedeceu ao bispo e o aborto não foi feito lá.

O Cisam, que assumiu fazer e fez o aborto na menina de 9 anos, é uma unidade do Hospital Oswaldo Cruz. Toda aquela área onde está o Oswaldo Cruz, também pertence à "Santa Casa". Mas nem o diretor do Oswaldo Cruz, nem o reitor da UPE, deram ouvidos à sua excelência, o antigo arcebispo. E o pessoal do Cisam, fez o aborto, de conformidade com a nossa legislação. Mesmo tendo o Hospital Oswaldo Cruz, urgência para renovar um contrato de concessão. Sem a renovação, o hospital não poderia receber uma verba do Ministério da Saúde, já assegurada. Mas a renovação foi feita, pois o arcebispo não quis peitar o ministro da Saúde.

Quase nada sei da história das "Santas Casas de Misericórdia". Sei apenas que é uma herança vinda de Portugal, juntamente com os navegadores portugueses que desembarcaram no Brasil, em 1500. E que os terrenos eram doados, por simples vontade unilateral do governador de cada província, que mandava lavrar a escritura. Assim, mais de um terço dos terrenos de Olinda e Recife, pertence à "Santa Casa". Na Ilha do Leite, Coelhos, Boa Vista, Santo Antônio, São José, Afogados, Santo Amaro, quase todos os terrenos ali são de propriedade da "Santa Casa". Tanto que não foi nenhuma surpresa saber que o imenso sítio, onde está instalado o Hospital Ulisses Pernambucano - Tamarineira -, também pertence a ela.

E o que é feito da renda desses terrenos – impostos e quaisquer outras transações comerciais? Se as “Santas Casas” são proprietárias, podem fazer o negócio que bem entendam. Podem negociar e barganhar a seu bel-prazer. Para tanto, tem uma escritura na mão. Mas esses prepostos das "Santas Casas" dizem que os seus precários hospitais, como o Hospital Santo Amaro e mais uns poucos, igualmente mal cuidados, sobrevivem do dinheiro repassado pelo SUS, mais as doações da população. Fica difícil entender para onde vai essa dinheirama toda.

Creio que o Carlos Sena, que abordou tão bem esse tema, ainda há pouco, entende muito mais de “Santas Casas” do que eu. Detalhe: eu já sabia que as casas do Alto do Colégio, em Bom Conselho, pertencem àquela irmandade de religiosas do colégio de lá. Apenas o Carlos Sena nos lembrou em boa hora. E mais: quem quiser comprar uma daquelas casas, compra só as paredes e a coberta. Porque os terrenos são das freiras, por séculos e séculos, amém!

Sei que boa parte do dinheiro da Igreja Católica, ao menos nos EUA, está sendo usado pra pagar ações judiciais a quem se apresenta como molestado por padres das comunidades de lá. E isso está ocorrendo, também, em outros países mundo afora. Se há espertalhões se aproveitando e pedindo indenizações por danos que não sofreram, aí é com eles. - Voltarei ao assunto, falando de controle da natalidade e algo mais. É isso./.

José Fernandes Costa – jfc1937@yahoo.com.br

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Lula e Ahmadinejad



Usei o título de uma postagem do Blog do Jodeval neste meu artigo. Como o Jodeval colocou o texto em francês, para aqueles que não sabem o idioma do Charles de Gualle, aviso que este não é apenas uma tradução daquele, mas, trata do mesmo assunto, embora de forma diferente.

Todos ficaram sabendo que o meu conterrâneo, Lula, foi ao Irã com uma missão quase impossível de convencer o presidente iraniano, de nome estranho, a concordar com um acordo sobre seu programa nuclear, adaptando-o às normas indicadas pela ONU. Depois de tentativas frustradas de Barack Obama, e outras pessoas importantes no Mundo, era de se prever que meu amigo de infância, depois de tanta badalação a sua volta, como um dos 25 líderes mais influentes do mundo, não poderia deixar de passar a oportunidade de meter sua colher neste caso.

Apesar de alguns, como o cubano Carlos Montaner, dizerem, que Lula é uma pessoa dentro do Brasil e outra fora dele, como sugere o texto abaixo (Revista Época – 21.04.2008):

“O Lula faz uma coisa parecida com o que fazia o PRI , partido que governou o México durante sete décadas. Pratica uma política conservadora dentro do país e faz um jogo sujo na política externa. Usa seu coração de esquerda no exterior. E, no Brasil, governa com o ventrículo direito. É lamentável que Lula, que tem um grande respaldo popular dos brasileiros, tenha o repúdio de 60%, 70% dos venezuelanos. Eles o vêem como um aliado de Chávez. Quando as coisas na Venezuela mudarem, a população não vai sentir o governo de Lula como amigo. Vai vê-lo como um governo que ajudou um regime que violou seus direitos.”

Eu ainda acredito na sinceridade do presidente. Esta crença vem de antanho, dos tempos de nossa infância, época em que corríamos pela caatinga como bois ou vaqueiros sem gibão. Ele já se mostrava um líder, naquela época, levando-nos a cometer as maiores proezas infantis na zona rural de nossa amada Caetés. Naquela época tudo era rural. E, da mesma forma que hoje, não resistia a um desafio gerado por um elogio a suas ações.

- Lula, tu foi o primeiro a chegar lá em cima da árvore e pegar a manga madura!

No outro dia porder-se-ia esperar que ele subiria numa maior ainda e descia com uma jaca. Muitas vezes não conseguia e tirava as frutas verdes, mas não desistia nunca.

O que ele foi fazer no Irã parecia ser descer com uma jaca enorme, pensando que estava subindo num pé de jaca. Mas, era um pé de jaboticaba. Entretanto, aqui no Brasil, continuamos acreditando que ele trouxe uma jaca, e nos outros países, já fotografaram até a jaboticaba. E até que se descubra, aqui no Brasil, que a diplomacia brasileira está confundindo jaca com jaboticaba, sua candidata a presidente, se não meter o pé na jaca, vai terminar ganhando as eleições.

Vou reproduzir aqui um possível diálogo entre nosso presidente e o presidente do Irã, cujo nome está no título e para escrevê-lo outra vez tenho que copiar e colar, o que não vou fazer agora. Ele deveria ter um nome mais fácil como aqueles de um ditador da América do Sul, como Fidel Castro, ou mesmo como aprendizes de ditador igual a ele, como o Hugo Chaves.

- Presidente, estou aqui não só em nome do Brasil, mas em nome do mundo, e se o Zé Serra está certo, mesmo em nome do Universo inteiro, pois já sou um Deus, para pedir que reveja sua posição de fabricar bombas atômicas.
- Caro Lula, que interesse você tem nisso? Vem a pedido do Barack é?
- Claro que não Almir de Nazário. O Barack quer é logo fazer o que os americanos fizeram com Cuba, botar vocês no gelo. O que vim fazer aqui foi tentar livrar vocês desta fria. Já pensou o Irã sem Coca-Cola!?
- Mas se não construirmos a bomba atômica, Lula, como iremos enfrentar nosso inimigo Israel que já a tem, e vivem inventando esta estória de holocausto para o mundo ter dó deles. Isto de holacausto nunca houve. Mas, com nossa bomba e nossos foguetes poderemos fazê-lo.
- Companheiro Presidente, não sei o que vocês tem contra judeu. Sei que não é porque mataram Jesus, porque vocês nem dão muita importância a ele aqui. Será só problema religioso?
- Lula, você está cansado de saber que ganhei a eleição, mesmo que a grande imprensa ocidental diga que houve fraude mas, ganhei, por causa da promessa de bomba. Não possa agora ir contra aqueles que votaram em mim.
- Eu até entendo Almir, pois me elegi também com uma bomba. Embora não atômica, o Bolsa Família também é uma bomba de efeito retardado. Desde da música de Luís Gonzaga, um nosso cantor, onde ele dizia: “...dar uma esmola a um homem que é são, ou lhe mata de vergonha, ou vicia o cidadão”. Eu posso até pensar que muitos dos meus patrícios vão morrer de vergonha, mas leva um tempo. Enquanto, no seu caso, você pode destruir o mundo com sua bomba.
- Eu sei disto, Lula, mas o que você sugere?
- Amigo, se posso lhe chamar assim como chamo o Fidel, o Hugo, o Evo e até mesmo o Barack, o negócio que Amorim propõe é o seguinte: Você manda uns quilos de urânio para a Turquia, onde ficarão guardados, e a Turquia mandará urânio enriquecido, pois lá eles já fazem isto melhor e podem ser fiscalizados. Com ele vocês não poderão fazer a bomba mas poderão usá-lo para fins pacíficos, como nós. É isto que todos os outros países desejam ouvir. Você fará uma declaração pública junto comigo, é claro, e partiremos para o abraço, igual a Ronaldo quando faz um gol. Deixaremos todos satisfeitos, e o Barack não poderá dizer mais nada, a não ser dizer a mim: Você não é mais o “cara”, você é um Deus, fazendo jus ao meu “status” atual.
- Lula, você é Alá!

E o acordo foi feito. Lula foi manchete em todos os jornais. E seu novo “status” só não foi consagrado, por que viram um funcionário do Irã escondendo um monte de urânio, que já dar para fazer umas cinco bombas, e o Barack e outros chefes de estado, como o da Rússia, desconfiaram da esmola grande. Entretanto, para o nosso conterrâneo isto são detalhes que não vem ao caso. Aqui no Brasil todos, menos talvez, a Mirian Leitão e o Rafael Brasil lá de Caetés, estão chamando Lula de Deus, inclusive o Zé Serra e o Jarbas, já aderiram. O Jodeval parece ainda tentar escolher se o compara a Deus, e admite sua existência, ou ao Padre Cícero, mas a imagem do Lula já está pronta: Um operário de terno do Armani. Deve servir como uma luva para a estátua do Roberto Almeida.

Eu só me incluo entre os céticos com medo que sua divindade passe para a Dilma e ela ganhe as eleições, embora ache que ela não é “muito católica não”, mas isto já é outra história, por enquanto eu apenas rezo, mesmo que seja prá Lula, para que isto não aconteça.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com
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(*)Fotos e charges da Internet.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Máguida Urquisa



Dias atrás escrevi um artigo com o título: A Dor Suprema (http://www.citltda.com/2010/04/dor-suprema.html). Nele me referia à dor que os pais devem sentir quando vêem um filho sofrendo quando são crianças. Mais recentemente, com a notícia da morte de uma filha dos bom-conselhenses Hélio e Jacilda Urquisa, eu gostaria de poder dar o mesmo título ao que escrevo agora. Aquela dor, apesar da angústia que nos causa, não é a suprema dor.

Sendo mãe e avó tentei, sem sucesso absoluto, me colocar no lugar de uma mãe que perde um filho. A dor já é grande até em pensar, imaginem, se isto acontece de verdade conosco. Primeiro, não é natural. Os filhos deveriam sempre morrer depois dos pais. Segundo, não é provável. Todos esperam que os filhos nos acompanhem ao campo santo. Terceiro, é injusto. Do ponto de vista divino, Deus tem suas razões, mas, do nosso ponto de vista, de sofredores e imperfeitos humanos, não é justo nem para os pais nem para os filhos.

Quando refletimos sobre isto, o que logo nos vem à mente é aquela escultura do Miguel Ângelo, que se encontra na Basílica do Vaticano: La Piettá. Nesta obra de arte, o artista tenta eternizar e universalizar o sofrimento das mães que perdem seus filhos. Sem poder voltar lá tão cedo, olho as imagens desta obra de arte que correm o mundo, e pressinto o que pode ter sentido a Jacilda vivendo esta dor, ao perder sua filha Máguida. Esta na verdade, deve ser a dor maior.

Não me lembro de ter visto o Hélio quando vivia em Bom Conselho, mas lembro de Jacilda, embora não tenhamos sido amigos, ainda não sei porque, já que moramos perto uma da outra. Lembro do seu pai, seu Miro e de sua mãe, com minha memória menos viva. Talvez tenha sido pela diferença de idade, mas não tanta. Hoje os conheço pelas suas funções de responsabilidade no nosso meio político e social, que pouco contam nestas horas. A dor é mesma para todos os pais.

O que nos move a escrever estas palavras foi a emoção que me tomou ao saber da notícia, que apesar de acontecer muitas vezes, sempre nos afeta mais pelo conhecimento dos envolvidos. Não conheci a Máguida mas, pensei, como toda jovem, deduzi pelas minhas filhas, a ela deveria ter uma página nestes sites de relacionamento. Fui ao Orkut e pesquisei e não encontrei Magda. Antes de desistir, li em algum lugar um nome que achava ser o errado: Máguida. Era o certo. Fui conhecê-la pelos meios que hoje temos. Ela se definia assim: "Eu sou um presente que Deus me deu e a ele pertence a minha vida. No mais quem me conhece sabe."A foto que é publicada com este texto foi encontrada lá, e realmente sua beleza era um presente de Deus. Mas, não foi a beleza e juventude de Máguida que mais me comoveu nesta apresentação virtual. Foi uma frase que encabeça sua página, onde se ler:

“O Senhor é o meu pastor e nada nos faltará”

Marejei os olhos, enguli seco e fiz força para não chorar, com a esperança de que esta frase bíblica (Salmo 23) seja hoje a mais pura verdade para Máguida, e que a dor dos seus pais e daqueles que a amavam seja diluida dentro dos versos lindos do restante deste Salmo.

“...
Deita-me em verdes pastos e guia-me mansamente em águas tranqüilas.
Refrigera a minha alma, guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome.
Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum,
porque Tu estás comigo, a Tua vara e o Teu cajado me consolam.
Prepara-me uma mesa perante os meus inimigos, unges a minha cabeça
com óleo, o meu cálice transborda.
Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da
minha vida e habitarei na casa do SENHOR por longos dias.”

Que a casa do Senhor a receba de braços abertos, Máguida. Espero ter o merecimento de conhecê-la lá, um dia.

Lucinha Peixoto lucinhapeixoto@citltda.com

terça-feira, 18 de maio de 2010

PEDOFILIA, IGREJA E FALSO MORALISMO



Acerca da tão propalada pedofilia, a igreja católica irá sempre arrumar uma forma de confundir os conceitos a seu favor. Num dos pronunciamentos do atual papa antes dessa da pedofilia, ele se saiu com essa pérola: condenamos o homossexualismo, não o homossexual. Isto depois de muita polêmica, mais ou menos parecida com esta. Fica difícil separar a criatura do criador; os gays da homossexualidade. Como se não bastasse um outro bispo de Porto Alegre culpou os gays por toda essa onda de pedofilia, esquecendo que o próprio Papa não fez nada, quando arcebispo, para punir seus colegas de batina diante das comprovações da prática pedófila.

Não entendo porque o ser humano ainda não alcançou sua realidade nua e crua: "tudo pode, o ser humano, diante de sua fragilidade física e emocional". Ante de morrer, o Psicanalista e Psiquiatra Global Mascarenhas deu um pronunciamento mais ou menos assim: "não devemos nunca dizer não sou isto ou aquilo, mas até hoje não sou isto nem aquilo". O sabido estudioso do comportamento CONHECIA o abismo que somos todos nós e a própria bíblia isto reconhece: "não julgueis para não serdes julgados"! "Atire a primeira pedra quem não tiver pecado", etc. Como se vê, a nossa fragilidade é deveras conhecida pelas principais instituições do mundo e pelas ciências do comportamento, restando algumas definições conceituais que, em breve chegarão.

Vejo toda esta questão no viés do falso moralismo, não obstante ser a pedofilia uma doença comprovada pela medicina, mas enquanto fantasias sexuais envolvendo crianças em torno de até 14 anos. Quando essas fantasias passam para a realidade, estabelece-se o crime. Neste sentido, "Danilo Baltieri, mestre e doutor em medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e coordenador do ambulatório de transtornos da sexualidade da faculdade de Medicina do ABC (ABSex), explica que "pedofilia não é sinônimo de agressão sexual de crianças, embora, em algumas situações, ambos os termos possam de fato ser intermutáveis. Se um indivíduo portador de pedofilia tem atividades sexuais com crianças, seguramente ele também é um agressor sexual de crianças. Todavia, se um indivíduo portador de pedofilia nunca teve quaisquer atos sexuais contra crianças, ele não pode ser considerado um criminoso".

Deste modo, considerando a complexidade do assunto, haveremos de nos perguntar: por que a igreja católica contraria o princípio natural da criatura que é sua reprodução? Por que, se esta verdade vem de Deus (o que não acreditamos), a mencionada igreja romana não só admite homens eunucos ou cirurgiados para professar os sacramentos? Exagero a parte, mas a gente fica meio encafifada com o fato de uma pessoa dispor de um pênis ou de uma vagina concedidos pelo Criador no ato da fecundação, e ela não poder exercer sua plenitude em vida.

Há quem diga que se os religiosos católicos casassem ou não lhes fosse exigido celibato, a igreja perderia seus bens, pois os filhos advindos iriam dividir os bens materiais. Duvidam? Quem não conhece a Santa Casa de Misericórdia que é dona de quase metade das terras do Recife? Melhor: o Alto do Colégio, lá em minha terra, Bom Conselho, é todinho de propriedade das freiras. Todos pagam o foro anualmente pela utilização das áreas construídas. Quer mais? Basta pesquisar um pouco na Net ou se lembrar que um dos fatos mais marcantes da história antiga, foi quando o Estado se separou da Igreja exatamente por questões de poder financeiro?

Outro ponto que temos obrigação de saber é que, grande parte dos casos de pedofilia envolvendo jovens adolescentes em torno de 17 anos, não é culpa apenas daqueles de maior idade envolvidos. Da mesma forma que a violência dos menores delinqüentes está nos assustando, igualmente eles nos assustam na astúcia e ardilosidade, em questões de sexo nas diversas formas por eles praticadas. Se, diante de uma arma de alto calibre, um adolescente dá show de utilização e de violência, igualmente ele faz quando sabe que, envolvendo-se sexualmente com uma pessoa de maior idade, disporá de benefícios materiais e até afetivos – ninguém ignora que a maioria desses menores tenha consciência que são GAROTOS DE PROGRAMA. Pela condição de “menores” e sob o amparo da lei, chantageiam, extorquem e até cometem violência em nome de sua “menor idade”. Adiantamos que a idade para “pedofilia” é em torno dos 14 anos, segundo alguns especialistas no assunto. Além disto, fica um pouco complexa a compreensão porque a juventude, no geral, está com vida sexual ativa antes até antes dos quatorze anos.

Há relatos dessas práticas em diversas publicações especializadas. Na grande maioria, provoca susto diante das expectativas de que o jovem adolescente é aquele a quem o “MAIOR” “molesta”. Muitos menores são homossexuais assumidos, mas têm consciência que isto lhes causará sérios problemas na sociedade. Como não são estereotipados, não lembram uma “mulherzinha”, logo as pessoas passam a creditar a culpa no outro, pois o outro sendo maior de idade passa a ser um “cabra safado”. Há casos, inclusive, que a pessoa mais velha tem muito trabalho pra se livrar de menores cujos pais nunca tiveram nenhum cuidado com eles. Mas se a questão envolver sexo, logo toma conta e entram na justiça e querem uma indenização. Guardada a devida proporção, Michael Jacson passou por várias situações destas. Não que ele não gostasse, mas porque a corda sempre quebra no lado mais fraco. Como a sociedade é falso moralista, logo tudo se estrutura em função de julgar e condenar a pessoa de maior idade que “aliciou” o filho de menor.

Fique claro que não defendemos nenhuma forma de relacionamento doentia. Sendo a pedofilia uma doença, por que não se dá apoio aos doentes? – Porque são safados, diz o senso comum! Um alcoolista a gente trata, um pedófilo, não! A igreja católica prefere relacionar o caso à homossexualidade, mais uma vez enclausurando essas pessoas além do que normalmente já são. Se padre é gente e gente está subordinada a tudo, inclusive nada, por que não pode uma sacerdote ser gay? Tanto pode que existe. Há quem diga que “se soltar um caroço de milho num convento de padres” a briga vai ser tão grande que até a polícia seria acionada.

Como percebemos a questão da PEDOFILIA não se esgota em si. Ela pulula na estrutura das pessoas e na sua formação. Mexe com as ciências do comportamento e com as expectativas sociais. Mistura conceitos de saúde e doença. Confunde sexo com sexualidade. Envolve os pais em suas principais responsabilidades que o fato de colocar filho no mundo requer. Coloca as igrejas em xeque. Dá um tiro de misericórdia na falsa moral católica e sua política de “jogar o lixo debaixo do tapete”.

Finalmente, acreditamos que esse tema ainda tem muito a ser esmiuçado. Mas contra fatos não existem argumentos. O argumento católico é fajuto e cheio de subterfúgio, de dedos apontando para outros culpados. O PAPA certamente deve continuar defendendo o pecador, mas condenando o pecado. Talvez chegue o dia em que ele queira desvendar o mistério da santíssima trindade às avessas. Melhor isto, a permitir que os padres se casem; que a indumentária natural do homem e da mulher seja utilizada em sua totalidade, senão não teria sentido nascer com gênero definido. Talvez também chegue o dia em que os pais entendam que não se bota filho no mundo como “Deus criou batata”. Talvez chegue o dia em que nossa civilização desperte para o respeito às diferenças e aos diferentes tipos de relacionamentos afetivos. Afinal, se um pai não precisa de um filho para procriar com ele, compete-lhe zelar pela felicidade do mesmo. Melhor do que ficar sem dormir porque não sabe com quem o filho se deita; melhor ser feliz com a família e não perder tempo porque, talvez o filho não corresponda às suas expectativas como, por exemplo, dar um NETO.

Não a pedofilia. Sim ao direito de ser feliz. Não ao falso moralismo. Sim ao respeito pelo outro. Sim à fé. Não às igrejas de plantão. Sim a Jesus. Não aos papas na língua.

Carlos Sena - csena51@hotmail.com

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Igreja Católica e Pedofilia



Nestes últimos tempos tenho lido e ouvido notícias que parecem indicar um surto epidêmico de pedofilia no mundo. Para aqueles que não sabem o que é pedofilia eu só darei aqui uma ideia, para o que escreverei seja seguido. Pedofilia é vista como doença, como distúrbio, como crime, ou mesmo como safadeza, caracterizando a preferência sexual de um adulto por crianças pequenas. É um problema complexo do qual não posso tratar profundamente, pela minha “leguice” no assunto, mas isto não nos impede de ver o mal que está por trás desta prática horrenda que muitos dos animais humanos praticam.

O que nos move a escrever sobre o tema, além de sua atualidade, é a tentativa nos noticiários de culpar somente a Igreja Católica, ou melhor dizendo, alguns dos seus membros, por esta prática abominável. Eu tenho criticado muito a Igreja, porque quem a defenda, pensando que está fazendo um bem, não falta. É minha convicção que pela crise que ela passa no momento, mais vale uma crítica construtiva do que um falso elogio. Entretanto, devo defendê-la da imagem passada pela imprensa, de que este crime é praticado exclusivamente pelos seus padres. Longe disto, no mundo moderno, com a disseminação da informação e com o estreitamento dos contactos pessoais, por vídeos ou por imagens, a pedofilia, é um cancro que deve ser extirpado da nossa sociedade.

Talvez isto tenha ocorrido porque hoje estão se analisando casos do passado menos recente, e a forma como a Igreja trata o sexo, levou a certas práticas dentro dos próprios colégios e seminários católicos a uma série de distorções. Eu diria que havia um clima favorável para estas práticas, do qual ouvimos falar, a boca pequena, dos internatos e seminários em nossa Bom Conselho. Atualmente, já não se pode falar disto devido à liberalização sexual nos meios leigos, o que não acontece com os nossos sacerdotes e freiras. E ai chegamos ao ponto: a exigência do celibato sacerdotal.

Como já disse certa vez, nada me tira da cabeça que esta atitude, prevista na nossa tradição, tem muito a ver com as distorções de comportamento, que levam ao crime, muito mais do que o encontro de quadro clínicos de doença, na prática da pedofilia. Na maioria da vezes é safadeza mesmo, gerada pela repressão de um instinto natural do ser humano, e que se reverte em práticas criminosas. Sem querer entrar na área do amigo José Fernandes, e sem sua erudição jurídica, li que a pedofilia não é um crime previsto na legislação brasileira, e quando ocorre se usa o crime previsto, que é estupro de vulnerável, para punir os infratores. Entretanto, pelo que falamos acima sobre o avanço nos meios de comunicação, o crime de pornografia infantil já existe em nossas leis. Isto leva a certos problemas de punição para os pedófilos, pois não é só o estupro que é considerado pedofilia.

Já tendo defendido muito nossa Igreja, volto a criticá-la pelo seu comportamento revelado diante de casos concretos, de omissão ou diminuição da importância de certos crimes que foram cometidos pelos seus membros. E o faço, na melhor das companhias para os católicos do mundo: O Papa Bento XVI. Em sua recente visita a Portugal, nosso líder maior disse com todas as letras que “o perdão não substitui a justiça”, mostrando que a Igreja tem culpa, senão pela existência, mas pela repetição deste crime com tanta frequência. Ele vai além e afirma que a “maior ameaça para a Igreja não vem de fora, de inimigos externos, mas de seu interior.”

Para mim é impossível que o Papa não associe estas suas frases, com a necessidade maior de mudança em algumas de nossas leis eclesiásticas, principalmente relacionadas ao celibato e ao sexo. Quando perguntado o que achava destas palavras, ditas pelo Sumo Pontífice um senhor americano de 37 anos, David Clohessy, que foi molestado sexualmente na infância pelo padre de sua paróquia, declarou (Diário de Pernambuco, 12.05.2010):

Palavras mais fortes, palavras mais claras, palavras de moral. O fato é que são apenas palavras. E palavras não protegem crianças. A ação protege as crianças. Acho que é hora de o pontífice parar de falar e começar a dar passos decisivos para deter abusos de crianças cometidos por clérigos ao redor do mundo. Vai demorar mais de 100 discursos para que a mudança ocorra e o papa use seu vasto poder para punir os bispos corruptos, expor os padres criminosos e reformar leis seculares da Igreja. Acredito que essa é, definitivamente, a pior crise da história da Igreja Católica, uma instituição muito resiliente. A legitimidade e a credibilidade do clero estão ameaçadas. ...
A resposta mais contundente é que os padres molestam garotos e os bispos escondem os crimes apenas porque eles podem fazê-lo. Pouquíssimos padres foram detidos e processados, e poucos bispos receberam punição. É ingênuo esperar que crimes desse tipo não ocorram. Existe uma cultura do segredo dentro da Igreja que leva a ocultar crimes sexuais
.”

É muito difícil discordar desta opinião. Houve muito silêncio dentro da Igreja por muito tempo. Felizmente, apesar de ter sido acusado de omissão no passado, o nosso Papa parece ter acordado para a necessidade destas reformas. Para seguir o momento dos “slogans” políticos, com a ajuda de Deus, nossa Igreja “pode mais”, vamos discuti-la, e a verdade prevalecerá, como queria seu criador: Jesus Cristo.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com
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(*) Fotos da Internet.

domingo, 16 de maio de 2010

sábado, 15 de maio de 2010

Roberto voltou... E responde



Amiga Lucinha Peixoto, Bons dias!!!!

Vou começar esta mensagem repetindo a frase do último e-mail que te enviei: ... que pena, que pena ... que você continua na Igreja Católica Apostólica Romana (Brincadeirinha, não fica brava comigo). Complemento a brincadeirinha manifestando: que bom, que bom que a novela “Viver a Vida” acaba esta semana. Que bom que vai começar uma nova novela, e como diria o amigo José Fernandes: se não estou salvo enganando-me (desculpe Zé se a redação do plágio esta errada) essa “Passione”,’ que vem por aí, promete valer a pena assistirmos.

Lucinha, quanto ao nosso amigo Cleómenes, não o considere um ingrato. Todos nos precisamos de vez em quando dá uma sumida, ou melhor, como se diz em “pernambuquês”: o Cleómenes só “pegou um beco”. Espero que temporariamente. Quando falamos do amigo Cleómenes conseqüentemente falamos do seu ateísmo e nesse momento quero tornar público um esclarecimento. Em um dos meus diálogos com o Cleómenes ele definiu ateu, para efeitos práticos, como aquele que não conta com Deus para resolver os problemas humanos. Tendo em vista esta a definição para o ateísmo, eu consenti ser denominado, como ele, de ateu. Embora, como já manifestei em outras ocasiões, não me julgo um ateu no conceito comumente utilizado para a crença na existência de Deus. Frente a este conceito, e não aquele, continuo me considerando um agnóstico e justifico esta minha condição:

1º – Excluo a possibilidade de Deus existir como propaga o criacionismo (doutrina baseada no Gênesis bíblico). Para mim é impossível acreditar, por exemplo, que o mundo foi criado há uns poucos milhares de anos como defende os criacionistas, quando as evidências atuais nos demonstram a idade de bilhões de anos do Universo (ver conclusões das sociedades científicas sobre imagens do Universo obtidas pelo Hubble). Está é apenas uma das muitas inverdades difundidas pelas “Sagradas Escrituras” dos criacionistas.

2º – Meu agnosticismo é fruto de, após duras jornadas de estudos, reconhecer minha incapacidade de compreender essa Energia Primordial, essa Mente Universal a qual podemos chamar de Deus ou de outro nome qualquer. O nome não é a Coisa. Não me sinto triste ou infeliz por não ter capacidade de imaginá-Lo, muito menos em conceituá-Lo ou compreendê-Lo verdadeiramente. Satisfaço-me em pensar que Ele, de alguma forma, está presente no meu ser, como esta em tudo que existe e não é produto da mente humana (ao meu juízo, algumas novas teorias começam a vislumbrar uma luz no fim do túnel para que possamos ter uma melhor compreensão Dele).

3° – Fruto do meu agnosticismo me distanciei, ou melhor, deletei do meu “softwere” os condicionamentos da tradição religiosa Judaico-Cristã, que me foram inculcados desde tenra infância (desculpe amiga, penso que estes condicionamentos nos tornam muito ingênuos, quanto a realidade transcendente). Se eu tivesse nascido numa outra cultura como, por exemplo, as que professam o Jainismo, o Budismo ou o Confucionismo, onde não se impõe adesão ao mito criacionista, ou a “digerir” os desmandos históricos da religião Católica, talvez ainda hoje eu fosse religioso, como você tanto me incentiva ser (embora, eu não tenha certeza disto - continuar religioso).

Feito o esclarecimento da minha condição de agnóstico complemento o assunto, que penso correlato, dizendo que não vejo nenhum problema em “confessar” com o Padre Nelson. Também explico: a palavra “confessar” para mim tem o significado de: revelar(-se), declarar(-se); contar ou reconhecer como verdade. Por isso, posso compartilhar com o Padre Nelson, ou com qualquer outra pessoa, todos os fatos do meu viver. Sem demagogia (ação ou discurso que simula virtude), sinceramente, desde que deletei as religiões da minha vida, passei a responder pelos meus atos para mim mesmo, para minha consciência. Desse modo, nada do que faço ou digo é segredo de confessionário ou preciso me penitenciar conforme a tradição da igreja católica. Quando jovem, escondia ou me envergonhava de alguns malfeitos. Hoje, minha vida é como dito popular: “um livro aberto”, mesmo frente aos meus erros. Entendo que, quando erro só serei absolvido por Ele do erro cometido se passo a não mais cometê-lo e, ainda, que é epreciso empreender o esforço que me for possível para reparar o dano causado por tal erro.

Bem amiga e companheira dos folhetins da Rede Globo, chega de ateísmos, agnosticismos e religiões. Vamos nos preparar para viver a vida sem Maneco’s e Monjardin’s, mas com “Passione”. Não só a da Globo mas, também, a que devemos ter pela vida. Com certeza à partir da próxima semana nossa “resenha” estará permeada pelo idioma italiano, certo? Então: Cerchiamo quindi di vivere la vita con PASSIONE perché è bella, è bella ed è bello.

– Deixa de ser metido à besta Roberto, “tu num sabe falar nem em brasileiro quanto mais intaliano”.

“Viiiiiixi mainha”, tô deformado!!!

Um abração, Fuiiiiii!!

Roberto José Tenório de Lira - rjtlira@yahoo.com.br

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Blog a 40.000



Hoje, ao olhar o contador de acessos ao nosso Blog vimos que eles já iam além dos 40.000. Fiquei alegre e lembrei logo de nossas comemorações de 1.000 e 10.000 acessos pouco tempo atrás. A alegria provêm de saber que Bom Conselho está lendo e, espero, com muito risos e emoções, o que foi sempre nosso objetivo.

Neste início de ano passamos algumas dificuldades por conta da saída, de nossos quadros funcionais, de dois dos nossos melhores funcionários, o Jameson Pinheiro e o Cleómenes Oliveira. Meia boa notícia é que o Jameson pode voltar ao Recife, e novamente integrar nossos quadros. Meia má notícia é que o Cleómenes nunca mais deu notícias. Mas estamos lutando bravamente, e como diria Carlinhos Bala, “junto com meus companheiro”, e colaboradores, chegamos aos 40.000 acessos.

Mudamos as feições do Blog, passamos de preto prá branco, sem nenhum preconceito e tentando combatê-los onde ainda existem, passamos do vermelho para vestir o azul do céu, e a sorte não mudou. Continuamos sendo um Blog de Bom Conselho escrevendo para o mundo. E não pensem que eu estou sendo ufanista como os locutores da antiga Rádio Jornal do Commercio (lembram? Rádio Jornal do Commercio falando para o mundo!!!), pois realmente escrevemos para o mundo.

Temos nossas estatísticas de acesso monitoradas por sites estrangeiros, não porque somos entreguistas, mas porque, além da confiabilidade, eles são gratuitos, e como vocês sabem a nossa empresa só usa a moeda $RE (risos e emoções), que nem todos recebem. Dia desses fui ver onde o nosso Blog é acessado, fiquei bestificado. Entre os que nos vem mais, além do Brasil, estão Portugal, Estados Unidos, Espanha, Suécia, Alemanha e Suíça. Eu fiquei me perguntando o que os gringos querem conosco? Depois descobri que não são os gringos mas sim os brasileiros que lá estão. Por exemplo, porque na Suécia havia 28 acessos? Disse ao pessoal isto, e prontamente o Zezinho de Caetés matou a charada. Ele lembrou que há uma irmã do Luiz Clério(se a Josenilda Duarte não for irmã me desculpe por ter deduzido o parentesco errado) que vive na Suécia, e escreve para o Blog do Jodeval, e o Zezinho, dentro de suas querelas políticas, parece ter andado comentando neste Blog. Histórias semelhantes devem acontecer em outros países. Por isso resolvemos, nas nossas mudanças, declarar explicitamente que somos um Blog de Bom Conselho.

Ultimamente surgiram outros Blogs na cidade e fizemos questão de dar as boas vindas. Eles se somam, apesar das discordâncias normais, ao nosso para melhorar nossa terra e a vida do seu povo. Apesar de alguns dos nossos companheiros revelarem suas ideologias e partidos, tentamos, dentro do possível manter o Blog da CIT como a Diana dos nossos pastoris, que cantavam em nossos maravilhosos natais, ensaiados pela nossa D. Maria Francisca:

“Sou a Diana, não tenho partido
O meu partido são os dois cordões,
Eu peço palmas, fitas e flores
Ó meus senhores, sua proteção.”

Enquanto as outras entravam já tomando cada um seu partido na cantoria reproduzida abaixo pela saudade que tenho destes folguedos:

“Boa-noite, meus senhores todos
Boa-noite, senhoras também;
Somos pastoras
Pastorinhas belas
Que alegremente
Vamos a Belém.

Sou a Mestra
Do Cordão encarnado
O meu cordão
Eu sei dominar
Eu peço palmasPeço riso e flores
Ao partidário
Eu peço proteção.

Sou a contramestra
Do cordão azul
O meu partido
Eu sei dominar

Com minhas danças
Minhas cantorias
Senhores todos
Queiram desculpar”

Nada contra o azul ou encarnado, preto ou branco, e, quando há necessidade, sempre soubemos assumir e defender nossas cores, e o que tentamos é que elas sejam sempre das cores de nossa cidade e do seu povo, principalmente, aquele que ainda não é conectado, que não deveria existir.

Por falar em conexão, eu hoje faço um paralelo entre o passado, quando chegaram as primeiras linhas telefônicas em nossa cidade, e o presente com a chegada da internet. Lembro bem das poucas casas onde havia telefones, cujo catálogo deveria caber em meia folha de papel. Já pensou se algum prefeito, naquela época, quisesse divulgar os seus feitos por telefones, o que aconteceria? Seu público alvo não seria mais do que 30 pessoas. Hoje constatei, da última vez que fui a Bom Conselho, que a rede mundial de computadores ainda é um sonho para muitos de nossos conterrâneos, e banda larga é julgado um sonho impossível.

Já que entrei nesta seara, devo mencionar o novo instrumento de comunicação da nossa prefeita, Judith Alapenha, sobre o qual, alguns dias atrás tivemos um diálogo, e como disse o Odorico Paraguassu, “bloguístico” e civilizado. E foi com a “alma lavada e enxaguada” de emoção, que li a resposta da prefeita a um texto meu que tivemos a ousadia de transcrever. E como não deve ser pecado mortal publicar a própria mensagem, transcrevo uma que enviei para prefeita, feita no calor do diálogo:

“Judith Alapenha,

Primeiro não sei nem como tratá-la. A senhora é tão jovem e eu já estou tão passado que o "senhora" pega mal. Mas, a senhora é a autoridade máxima de minha terra, então continuarei seguindo a liturgia do seu cargo. Para mim foi uma satisfação imensa receber seu e-mail. Aqui na CIT, o único que diz ter recebido mensagens de uma autoridade mais alta foi o Zezinho, diz que Lula mandou uma mensagem no dia do seu aniversário. Aqui ninguém viu a mensagem mas como acreditamos na palavra até prova em contrário, tudo bem. E sendo ele de Caetés, nem adianta o argumento de que a minha mensagem é da Prefeita de Bom Conselho.
Eu tenho obrigação de lutar aqui no nosso conselho editorial pela publicação de sua bela resposta. Se por acaso tiver alguma coisa contra avise-nos que tiraremos do ar. De minha parte, acho que o seu peteleco na mosca foi tão bom que ela sumiu. Apesar do peteleco ter afetado parte da minha orelha, a dor foi compensada pelo fato de eu me sentir responsável pela senhora ter retirado também a mosca do ouvido de muitos bom-conselhenses que moram fora como eu. Eu ainda insisto que o Blog é um instrumento para muitas coisas, mas dar peteleco é uma grande função. Eu até peço desculpas àqueles que, como Lucinha Peixoto, dizem que originalmente não era mosca, e sim "pulga atrás da orelha". Mas, seja que animal for sua resposta tiraria até um elefante.
A senhora é uma política e sabe que mais críticas surgirão, principalmente, em períodos eleitorais, e os meios de comunicação, mesmo aqueles que não sabemos quem escreve, são lidos, e muitas vezes, e penso que deve ser assim sempre, o que está escrito vale mais do que quem escreveu. Lucinha, minha carola preferida, sempre diz que não sabemos quem escreveu o Evangelho de Lucas, mas acreditamos nele e concordamos, ela vai além e diz que também não sabe quem escreveu os discursos de Lula, mas não acredita logo de cara. Por isso, e por outras coisas, a sua iniciativa para o Blog, para mim, já valeu a pena.
Desculpe-me aquela inveja infantil de concorrência entre Bom Conselho e Garanhuns, mas para nós Bom Conselho é a Causa, e como nós levamos isto a sério as vezes exageramos no nosso sentimento. Espero que a mosca, ou seja lá que animal for, não volte nunca mais, isto será bom para nossa terra. Se voltar, eu direi, e aí, se puder, pode dar mais um peteleco nela, principalmente na "mosca diaba". Um abraço

Diretor Presidente - CIT Ltda.”

Todas estas letras para dizer que, grande parte das pessoas da nossa cidade ainda não consegue ter acesso a este diálogo pela internet. Mas, se fosse através de um torpedo do celular, penso que atingiria uns 70 ou 80 por cento do nosso povo. Quando atingiremos esta marca na banda larga? Eu adoraria ler no Blog da Prefeita uma postagem cujo título dissesse: “Já temos banda larga”. Tenho certeza que os nossos blogs, depois disso, seriam instrumentos efetivos de comunicação com o povo. Por enquanto esperemos que os que nos lêem sejam realmente formadores da opinião correta.

Neste clima de copa do mundo, eu terminaria lembrando de um programa do Jô Soares no qual ele fazia um torcedor ao telefone e terminava a conversa dizendo: “Telê, bota ponta na seleção!!!” Eu termino dizendo aqui: “Prefeita, bota banda larga em Bom Conselho!!!”. Assim, nossos blogs chegariam aos píncaros dos acessos. Por enquanto, parabéns e obrigado Bom Conselho, pelos nossos 40.000.

Diretor Presidentediretorpresidente@citltda.com