segunda-feira, 3 de maio de 2010

A Apologia do Apedeuta



Nos últimos dias os meios de comunicação em geral só falam de uma coisa: A revista americana Time, colocou o Lula numa lista de pessoas mais influentes do mundo. Não leio todas os órgãos noticiosos do Brasil, mas aqueles que li falam que o nosso presidente está entre os 25 líderes mais influentes do mundo. Alguns, pela posição gráfica da lista onde o nosso apedeuta-mor está no início, concluíram que ele seria o homem mais influente do mundo. A revista declarou que não faz comparações entre as pessoas da lista.

Os Blogs de Garanhuns, por motivos óbvios, o colocam como sendo o número 1, inclusive sendo comparado à cerveja Brahma, pelo Blog do Roberto Almeida. Sei que o Lula deve adorar esta comparação, mais ele gosta mesmo é da 51. O do Jodeval traz mesmo uma nota da Suécia, de Josenilda Duarte, que penso ser sua irmã, mostrando o prestígio de Lula na imprensa daquele país. Deve ser a grande imprensa que tanto o Jodeval odeia aqui. O de Ronaldo César também colocou o Lula como o número 1, mas colocou uma nota mostrando a barriga dos Blogs.

Eu quero ver o que vai dizer o Zezinho de Caetés, já que o Rafael Brasil, sendo também conterrâneo do líder Lula, já se manifestou. Pelo que li até hoje no Blog do Rafael Brasil, pensei que ele iria dizer só que a lista estava de cabeça prá baixo, ou seria uma bobagem, entretanto disse muito mais, porém, o Zezinho talvez diga que ele é o número 1 mesmo, como já era na infância o campeão de tiro de peteca em cabeça de preá. Eu diria que “nem tanto ao mar, nem tanto à terra”. Óbvio que não concordo que ele seja o número 1, pois dizer que ele é mais influente do que o Barack Obama é não saber contar ogivas nucleares, nem avaliar PIBs e mesmo uma heresia. Entretanto penso que nosso apedeuta-mor merece um lugar de destaque pela sua trajetória política.

Na revista o perfil de Lula foi escrito por alguém chamado Michael Moore que o coloca como “um autêntico filho da classe trabalhadora latino-americana”, e arremata, “o que o Lula quer para o Brasil é o que costumávamos chamar de o sonho americano”. Tenho certeza que ao ler esta frase a Dilma ficou um pouco tonta e os petistas desmaiaram em massa. Dilma só ficou tonta porque ainda está se adaptando ao PT. Os outros desmaiaram com a crua verdade que pode ser vista assim: Ou mudou o Lula ou o PT, nos últimos 10 anos. Quem terá mudado? Ainda ouço os gritos dos militantes do passado dizendo: “Americanos, go home!”, naquela mistura de línguas parecendo uma fala do Joel Santana, na África do Sul.

O comentarista de perfil continua dizendo que Lula estudou até a quinta série, e eu sempre soube que foi até a terceira, mesmo porque naquela época o primário só ia até a quarta série e se fazia o exame de admissão como eu fiz, entretanto, quando ele escreve que foi forçado a deixar a escola para ajudar a família, isto é uma verdade. Para mim ser analfabeto ou ter poucas letras não envergonha ninguém, neste país de apedeutas, e sei que nos últimos tempos o número de analfabetos tem diminuído, entretanto fazer a louvação do apedeutismo, como muitas vezes o Lula, nos últimos tempos, tenta fazer, pode levar ao sonho mau muitos garotos que poderiam estudar e não o fazem pelo exemplo do chefe. Todo garoto quando começa a jogar futebol, seu exemplo é o melhor jogador. Qualquer garoto que queira ser um bom político seu exemplo é o melhor político. É preciso avisar a ele que quase sempre um bom político não é um apedeuta, apesar de termos os casos extraordinários, como o do nosso presidente, que já aprendeu que “menas” não existe na língua portuguesa.

Após perguntar: “o que o levou a política?” O comentarista responde: “...foi quando aos 25 anos, assistiu a sua mulher Maria morrer no oitavo mês de gravidez, junto com o bebê, porque não podiam pagar um atendimento médico decente”. Isto nos dar a impressão de que ao viver esta tragédia familiar, o Lula tenha feito um discurso no túmulo de sua mulher e do seu filho, dizendo, parafraseando Getúlio, “saio da vida para entrar na política”. Pelo que conta a Denise Paraná em seu livro, que virou filme, do qual nunca mais eu ouvi falar: “Três anos e meio de depressão se seguiram na vida de Lula. ...Mas o tempo, com sua alquimia, se encarregou de transformar seus sentimentos. E assim como não se pode saber quando começa o dia dentro da noite, o antigo prazer que Luiz Inácio sentia em estar vivo foi renascendo onde antes só havia depressão. Depois de uma longa noite, Lula amanheceu.” Eu mesma não sei como ver alguma causalidade, depois de ler isto, entre a morte dos familiares e a entrada na política.

E quando saiu desta longa noite, pelo que nos conta ainda a Denise Paraná, não se dedicou muito à política, mas à gandaia: “Quando conseguiu sair de fato de seu longo luto, Lula decidiu que, se o destino havia lhe oferecido o pão que o diabo a amassou, ele agora seria freguês de outras padarias. E tentou recuperar o tempo perdido, vivendo inúmeras aventuras amorosas. O antigo Lula, tímido com as mulheres, seria enterrado. Tornando-se uma espécie de Don Juan são-bernadense, quase todas as noites, ao sair do sindicato, Lula aproveitava a vida em bailes, festas, barzinhos, de olho nas moças que cruzassem o seu caminho.” Talvez, esta decisão de vida tenha levado Lula a perder as eleições para Collor, devido, ser nesta época, que, segundo a autora ele conheceu Mirian Cordeiro, da qual todos nós lembramos, pelas acusações feitas a ele de possuir filhos fora do casamento.

Ainda mais, o comentarista coloca entre os grandes feitos de Lula o Programa Fome Zero, que não saiu do papel, a não ser através do Programa Bolsa Família, que é uma extensão do Programa Bolsa Escola, criado em Brasília pelo nosso conterrâneo Cristovam Buarque e de alguns propostos por Ruth Cardoso, sem propósitos assistencialistas. Ou seja, é claro que não foram estes os motivos que levaram a revista a escolher Lula, entre os líderes mais influentes. Houve uma escolha e mandaram alguém fazer seu perfil, e o gajo, leu alguma revista antiga para o fazer. Estas listas deveriam ser chamadas "bom-bril", porque tem 1001 utilidades.

Entretanto isto não desmerece muito a homenagem feita ao Lula. Nosso complexo de vira-lata é invencível diante de um elogio dos americanos. Isto encherá cada vez mais a bola do nosso mandatário, o que só aumentará sua arrogância, como aumentou quando o Barack Obama disse que ele era “o cara”. Não sei se isto é bom ou mal para ele do ponto de vista eleitoral este ano, eu espero que não. E espero também que nossas crianças não se iludam com a apologia do apedeuta.

Lucinha Peixtolucinhapeixoto@citltda.com

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