sexta-feira, 7 de maio de 2010

Casa de Alfabetização Ecológica



Esta semana visitei o SBT outra vez, mas, não passei da página inicial. Na seção de notícias havia uma que me chamou a atenção: “CAJOC, no sindicato dos trabalhadores e Escola Menino Jesus de Praga”. Me interessei vivamente pelo que o CAJOC pode representar. Algum tempo atrás o João Nelson nos mandou um e-mail que nos informava sobre a criação deste órgão em Bom Conselho, cuja sigla significa: Casa de Alfabetização Ecológica Josué de Castro.

Desde muito eu pensava em escrever sobre esta iniciativa, que não sei se foi do João Nelson isoladamente, ou houve outros participantes. Lembro que a coordenadora seria a filha de D. Lourdes Cardoso, Maria, que foi minha colega de escola. Falar em Ecologia hoje, além de nos lembrar fatos de suma importância para a humanidade, significa falar também de nossa sucessão presidencial. Graças a Marina Silva, todos os candidatos tem que se posicionar quanto a esta matéria, e sobre quais suas pretensões quanto ao nosso meio ambiente e as questões que o cercam.

Eu, como Marinete de primeira hora, não podia ficar sem ver o que estaria ligado ao link. Eu já desconfiava que eram fotografias. E estava certa. Mais uma vez faltam palavras nas fotos, entretanto, elas nos dão uma ideia do que esteja por traz da chamada de primeira página.

Daqueles que estavam presentes, nenhum eu conhecia pessoalmente. Apenas dos fatos e das fotos dos nossos meios de comunicação. O Diretor Presidente, que estava comigo vendo as fotos e logo na primeira disse: “Este é o Tonho do foto!” Eu nem mesmo Tonho do Foto eu conheci, e fiquei sem conhecê-lo ainda, porque o Diretor Presidente com o passar das outras fotos, deduziu que aquele não era ele.

No evento, as pessoas que reconhecemos eram, o Luiz Clério, João Nelson e Zé Arnaldo. Bastava a presença destes três para a reunião ser importante. No entanto, as organizações envolvidas, da área sindical e educacional, e seus membros, devem ter tornado a reunião interessante. Por enquanto esperemos a A Gazeta para saber o que eles falaram por lá. O assunto principal era a assinatura de convênios entre um colégio e um sindicato, para incentivar a educação ambiental e o desenvolvimento rural sustentável. Eu não estava pensando em decifrar o encontro, mas falar sobre o CAJOC. Ainda não tive tempo de ir a Bom Conselho e visitar este órgão.

Eu não sei quem escolheu este nome, CAJOC, e pelo que li daqueles envolvidos em sua criação, só pode ter sido o João Nelson, que sempre foi um dos melhores intelectuais de nossa cidade. Digo isto porque fiquei impressionada com a pertinência das palavras utilizadas. A primeira é “casa”, e nos dar aquele sensação de aconchego e carinho que encontramos quando se diz “sinta-se em casa”. Quando juntamos a primeira com a segunda palavra, “alfabetização”, ela já fica com um ar mais preocupante do ponto de vista social, porque nos remete a um dos grandes problemas deste país, onde temos um presidente apedeuta, e que se jacta de sê-lo (isto é um cacófato, não é, Amigo José Fernandes?). Somente uma “Casa de Alfabetização” já seria em empreendimento meritório. Para quem já foi a Cidade das Escolas, precisamos alfabetizar adultos e crianças. Nesta região, antigamente, nem só D. Lindu era analfabeta, minha mãe também era, e eu sei o que isto significa e o porquê do esforço das duas para que os filhos estudassem. Lula não estudou, eu fui além dele.

A terceira palavra vem com força: “Ecológica”. O que nos mostra logo de cara que o grau de analfabetismo, nesta área, não é zero nessa cidade. Muito pelo contrário, pelo que vejo de desmatamento insano, de corrida para o automóvel individual, pela troca de culturas agrícolas pela criação de gado, ultimamente incentivada pela Batavo, o nível de de alfabetização nesta área é que deve ser zero. Nada mais oportuno do que uma “Casa de Alfabetização Ecológica”. Eu não sei se empreendimentos como este existem em outros municípios, mas, é um grande exemplo a ser seguido. Parabéns aos seus criadores.

Ainda faltam três palavras: “Josué de Castro”. Este médico pernambucano, que se tornou um dos nossos melhores geógrafos, ficou conhecido em todo mundo como um homem ligado à luta contra a fome no mundo. Seus principais livros, “Geografia da Fome” e “Geopolítica da Fome”, escritos 50 anos atrás, apesar de todos esforços feitos no mundo para sanar o problema da alimentação, ainda são atuais. Muitos podem perguntar o que tem a ver a fome com a Ecologia? Eu diria que tudo. O homem foi o único ser vivo que, para comer, e comer cada vez mais, destruiu o equilíbrio ecológico no planeta. Não culpem Deus por isso, senhores católicos por conveniência. A culpa é nossa, e devemos expiá-la.

Enfim a “Casa de Alfabetização Ecológica Josué de Castro” é, como diz meu filho, “tudo de bom”. Espero que a reunião tenha sido proveitosa dentro da sua finalidade. E não esqueçam, nas próximas eleições, correndo o risco de ser multada pelo TSE, só Marina entende deste tema. O José Serra e a Dilma são os chamados “desenvolvimentistas” de sempre, um com PAC e outro sem PAC, mas similares, e insustentáveis. Espero que na eleição também.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com
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(*) As fotos foram retiradas do SBT.

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