segunda-feira, 17 de maio de 2010

Igreja Católica e Pedofilia



Nestes últimos tempos tenho lido e ouvido notícias que parecem indicar um surto epidêmico de pedofilia no mundo. Para aqueles que não sabem o que é pedofilia eu só darei aqui uma ideia, para o que escreverei seja seguido. Pedofilia é vista como doença, como distúrbio, como crime, ou mesmo como safadeza, caracterizando a preferência sexual de um adulto por crianças pequenas. É um problema complexo do qual não posso tratar profundamente, pela minha “leguice” no assunto, mas isto não nos impede de ver o mal que está por trás desta prática horrenda que muitos dos animais humanos praticam.

O que nos move a escrever sobre o tema, além de sua atualidade, é a tentativa nos noticiários de culpar somente a Igreja Católica, ou melhor dizendo, alguns dos seus membros, por esta prática abominável. Eu tenho criticado muito a Igreja, porque quem a defenda, pensando que está fazendo um bem, não falta. É minha convicção que pela crise que ela passa no momento, mais vale uma crítica construtiva do que um falso elogio. Entretanto, devo defendê-la da imagem passada pela imprensa, de que este crime é praticado exclusivamente pelos seus padres. Longe disto, no mundo moderno, com a disseminação da informação e com o estreitamento dos contactos pessoais, por vídeos ou por imagens, a pedofilia, é um cancro que deve ser extirpado da nossa sociedade.

Talvez isto tenha ocorrido porque hoje estão se analisando casos do passado menos recente, e a forma como a Igreja trata o sexo, levou a certas práticas dentro dos próprios colégios e seminários católicos a uma série de distorções. Eu diria que havia um clima favorável para estas práticas, do qual ouvimos falar, a boca pequena, dos internatos e seminários em nossa Bom Conselho. Atualmente, já não se pode falar disto devido à liberalização sexual nos meios leigos, o que não acontece com os nossos sacerdotes e freiras. E ai chegamos ao ponto: a exigência do celibato sacerdotal.

Como já disse certa vez, nada me tira da cabeça que esta atitude, prevista na nossa tradição, tem muito a ver com as distorções de comportamento, que levam ao crime, muito mais do que o encontro de quadro clínicos de doença, na prática da pedofilia. Na maioria da vezes é safadeza mesmo, gerada pela repressão de um instinto natural do ser humano, e que se reverte em práticas criminosas. Sem querer entrar na área do amigo José Fernandes, e sem sua erudição jurídica, li que a pedofilia não é um crime previsto na legislação brasileira, e quando ocorre se usa o crime previsto, que é estupro de vulnerável, para punir os infratores. Entretanto, pelo que falamos acima sobre o avanço nos meios de comunicação, o crime de pornografia infantil já existe em nossas leis. Isto leva a certos problemas de punição para os pedófilos, pois não é só o estupro que é considerado pedofilia.

Já tendo defendido muito nossa Igreja, volto a criticá-la pelo seu comportamento revelado diante de casos concretos, de omissão ou diminuição da importância de certos crimes que foram cometidos pelos seus membros. E o faço, na melhor das companhias para os católicos do mundo: O Papa Bento XVI. Em sua recente visita a Portugal, nosso líder maior disse com todas as letras que “o perdão não substitui a justiça”, mostrando que a Igreja tem culpa, senão pela existência, mas pela repetição deste crime com tanta frequência. Ele vai além e afirma que a “maior ameaça para a Igreja não vem de fora, de inimigos externos, mas de seu interior.”

Para mim é impossível que o Papa não associe estas suas frases, com a necessidade maior de mudança em algumas de nossas leis eclesiásticas, principalmente relacionadas ao celibato e ao sexo. Quando perguntado o que achava destas palavras, ditas pelo Sumo Pontífice um senhor americano de 37 anos, David Clohessy, que foi molestado sexualmente na infância pelo padre de sua paróquia, declarou (Diário de Pernambuco, 12.05.2010):

Palavras mais fortes, palavras mais claras, palavras de moral. O fato é que são apenas palavras. E palavras não protegem crianças. A ação protege as crianças. Acho que é hora de o pontífice parar de falar e começar a dar passos decisivos para deter abusos de crianças cometidos por clérigos ao redor do mundo. Vai demorar mais de 100 discursos para que a mudança ocorra e o papa use seu vasto poder para punir os bispos corruptos, expor os padres criminosos e reformar leis seculares da Igreja. Acredito que essa é, definitivamente, a pior crise da história da Igreja Católica, uma instituição muito resiliente. A legitimidade e a credibilidade do clero estão ameaçadas. ...
A resposta mais contundente é que os padres molestam garotos e os bispos escondem os crimes apenas porque eles podem fazê-lo. Pouquíssimos padres foram detidos e processados, e poucos bispos receberam punição. É ingênuo esperar que crimes desse tipo não ocorram. Existe uma cultura do segredo dentro da Igreja que leva a ocultar crimes sexuais
.”

É muito difícil discordar desta opinião. Houve muito silêncio dentro da Igreja por muito tempo. Felizmente, apesar de ter sido acusado de omissão no passado, o nosso Papa parece ter acordado para a necessidade destas reformas. Para seguir o momento dos “slogans” políticos, com a ajuda de Deus, nossa Igreja “pode mais”, vamos discuti-la, e a verdade prevalecerá, como queria seu criador: Jesus Cristo.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com
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(*) Fotos da Internet.

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