quarta-feira, 19 de maio de 2010

Máguida Urquisa



Dias atrás escrevi um artigo com o título: A Dor Suprema (http://www.citltda.com/2010/04/dor-suprema.html). Nele me referia à dor que os pais devem sentir quando vêem um filho sofrendo quando são crianças. Mais recentemente, com a notícia da morte de uma filha dos bom-conselhenses Hélio e Jacilda Urquisa, eu gostaria de poder dar o mesmo título ao que escrevo agora. Aquela dor, apesar da angústia que nos causa, não é a suprema dor.

Sendo mãe e avó tentei, sem sucesso absoluto, me colocar no lugar de uma mãe que perde um filho. A dor já é grande até em pensar, imaginem, se isto acontece de verdade conosco. Primeiro, não é natural. Os filhos deveriam sempre morrer depois dos pais. Segundo, não é provável. Todos esperam que os filhos nos acompanhem ao campo santo. Terceiro, é injusto. Do ponto de vista divino, Deus tem suas razões, mas, do nosso ponto de vista, de sofredores e imperfeitos humanos, não é justo nem para os pais nem para os filhos.

Quando refletimos sobre isto, o que logo nos vem à mente é aquela escultura do Miguel Ângelo, que se encontra na Basílica do Vaticano: La Piettá. Nesta obra de arte, o artista tenta eternizar e universalizar o sofrimento das mães que perdem seus filhos. Sem poder voltar lá tão cedo, olho as imagens desta obra de arte que correm o mundo, e pressinto o que pode ter sentido a Jacilda vivendo esta dor, ao perder sua filha Máguida. Esta na verdade, deve ser a dor maior.

Não me lembro de ter visto o Hélio quando vivia em Bom Conselho, mas lembro de Jacilda, embora não tenhamos sido amigos, ainda não sei porque, já que moramos perto uma da outra. Lembro do seu pai, seu Miro e de sua mãe, com minha memória menos viva. Talvez tenha sido pela diferença de idade, mas não tanta. Hoje os conheço pelas suas funções de responsabilidade no nosso meio político e social, que pouco contam nestas horas. A dor é mesma para todos os pais.

O que nos move a escrever estas palavras foi a emoção que me tomou ao saber da notícia, que apesar de acontecer muitas vezes, sempre nos afeta mais pelo conhecimento dos envolvidos. Não conheci a Máguida mas, pensei, como toda jovem, deduzi pelas minhas filhas, a ela deveria ter uma página nestes sites de relacionamento. Fui ao Orkut e pesquisei e não encontrei Magda. Antes de desistir, li em algum lugar um nome que achava ser o errado: Máguida. Era o certo. Fui conhecê-la pelos meios que hoje temos. Ela se definia assim: "Eu sou um presente que Deus me deu e a ele pertence a minha vida. No mais quem me conhece sabe."A foto que é publicada com este texto foi encontrada lá, e realmente sua beleza era um presente de Deus. Mas, não foi a beleza e juventude de Máguida que mais me comoveu nesta apresentação virtual. Foi uma frase que encabeça sua página, onde se ler:

“O Senhor é o meu pastor e nada nos faltará”

Marejei os olhos, enguli seco e fiz força para não chorar, com a esperança de que esta frase bíblica (Salmo 23) seja hoje a mais pura verdade para Máguida, e que a dor dos seus pais e daqueles que a amavam seja diluida dentro dos versos lindos do restante deste Salmo.

“...
Deita-me em verdes pastos e guia-me mansamente em águas tranqüilas.
Refrigera a minha alma, guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome.
Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum,
porque Tu estás comigo, a Tua vara e o Teu cajado me consolam.
Prepara-me uma mesa perante os meus inimigos, unges a minha cabeça
com óleo, o meu cálice transborda.
Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da
minha vida e habitarei na casa do SENHOR por longos dias.”

Que a casa do Senhor a receba de braços abertos, Máguida. Espero ter o merecimento de conhecê-la lá, um dia.

Lucinha Peixoto lucinhapeixoto@citltda.com

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