quinta-feira, 13 de maio de 2010

O Roberto voltou... Cadê o Cleómenes?



Semana passada recebi uma mensagem do Roberto Lira, a qual foi publicada em nosso Mural. Nela, ele nos elogiava pelo artigo sobre o CAJOC, dizendo ser esta uma das mais importantes, senão a maior iniciativa contemporânea na nossa cidade em prol dos que lá habitam e um exemplo a ser seguido, como eu observo, em qualquer lugar desse planeta.

Como não podia deixar de ser, já o conhecendo dos debates com Cleómenes Oliveira, ele vai além e escreve:

Infelizmente, em nossa sociedade as Leis Eclesiásticas (normas formuladas pela mente humana) têm primazia sobre as Leis Universais (condutas ditadas pela mente do Criador). Talvez, por isso mesmo, disponibilizamos uma boa parte do nosso tempo aos rituais religiosos querendo salvar nossa alma e relegamos a um plano secundário, ou obscuro, as iniciativas para salvar nosso planeta e por conseqüência nossas vidas e a dos que nos sucederão. Que pena, que pena!!!!”

Neste ponto eu concordo com o Roberto, em termos, pois penso ser possível praticar uma religião, seguindo as boas Leis Eclesiásticas e metendo o pau nas más (irei me confessar amanhã). Minha Igreja Católica Apostólica Romana teve suas leis ao longos dos séculos, feitas por homens e que podem errar apesar de certos dogmas de infalibilidade papal, que nos são impostos no catecismo, mas com o tempo podemos nos libertar com a ajuda de Deus e seu filho Jesus. Mas como em qualquer instituição humana existem homens e mulheres bons e maus, certos e errados, entre os quais me incluo. Mas isto é um assunto que não queria tratar aqui. Eu quero falar do nosso ateu Cleómenes.

Primeiro tenho que dizer que ele é um ingrato. E além disso denunciar que até o momento não recebemos nem uma mensagem dele, nem eu nem ninguém da CIT. Não sei se ele se comunicou com seu amigo Roberto Lira, ou com outros, mas com a gente, tudo se passa como se não existíssemos.

Entretanto, amigos comuns radicados na Floresta Amazônica, naquela cidade linda que é Belém, deram-nos notícias dele. Quisera eu que as notícias fossem boas para salvar sua alma. Uma conversão como a de São Paulo, por exemplo, nem que fosse um espírito da floresta dizendo Oliveira, Oliveira, por que me persegues?, com raio de luz e tudo. Mas, as notícias estão longe disto.

Dizem, que numa igreja em Belém, após o padre terminar seu sermão, que era do vigésimo-segundo domingo depois de pentencostes, onde ele havia lido o evangelho para este dia:

“Naquele tempo: Retirando-se os fariseus, consultaram entre si como surpreenderiam Jesus no que dissesse. E enviaram-Lhe seus discípulos juntamente com os herodianos, os quais disseram: Mestre, nós sabemos que és verdadeiro, e que ensinas o caminho de Deus segundo a verdade, sem atender a ninguém, porque não fazes acepção de pessoas. Dize-nos, pois, o teu parecer: É lícito dar o tributo a César ou não? Porém Jesus, conhecendo a sua malícia, disse: Porque Me tentais, hipócritas? Mostrai-Me a moeda do tributo. E eles Lhe apresentaram um dinheiro. E Jesus disse-lhes: De quem é esta imagem e inscrição? Eles responderam: De César. Então disse-lhes: Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.”

Ele levantou-se e bradou: “Vocês estão querendo enganar ao povo com esta ladainha. Vejam este livro aqui, é do Richard Dawkins, o meu guru, e ele não acredita em nada disto. Mesmo que Deus existisse, nenhum de vocês daria nada a ele. Quem tem força neste mundo é o César, enrustido nas autoridades religiosas.”

Claro que a reação foi imediata e até eu talvez fizesse o mesmo, com mais gentileza, é claro. Os presentes se uniram e o retiraram da Igreja. Aonde se viu, além de ser ateu e ter certeza, como eu sempre lhe dizia, que o inferno o espera, ficar tentando pregar suas não crenças nas igrejas.

Mandaram dizer também que ele foi visto numa aldeia yanomami, numa discussão com um xamã, que, para aqueles que não sabem, é uma espécie de sacerdote, sendo o xamanismo um dos pilares centrais da cultura daquele povo. Diferentemente de nossas paróquias, onde só temos um padre, cada aldeia pode ter mais de dez xamãs, mas eles não cobram o dízimo. Seu principal trabalho, como religiosos que são, é curar os membros de sua comunidade e protegê-los dos poderes predatórios vindo tanto dos humanos, em especial do brancos, quanto dos espíritos maus das florestas. Sabe-se que eles evocam pelo canto e pela dança espíritos bons, realizando trabalhos sobrenaturais. Iguazinho a nós, não índios, estes índios buscam em sons e imagens uma maneira de transcender sua realidade cotidiana. Quando lia isto, não pude deixar de lembrar de nossas lindas missas na Matriz de Bom Conselho, ao som da Serafina de Seu Gabriel e cercado por todas aquelas belas e santas imagens.

Para encurtar a estória, o Cleómenes, na discussão com o xamã falou em mistificação de suas crenças, igual ao que ele fala das nossas. Juntaram-se uns oitos xamãs e botaram ele prá fora da aldeia na porrada.

Pelo visto nosso ateu está em surto de “ateísmo recrudescente” que dizem ser uma doença muito séria, e talvez seja por isso que ele nunca mais se comunicou conosco. Eu espero em Deus que estas estórias não sejam verdadeiras e ele volte ao nosso convívio. Era uma das pessoas mais inteligentes que conheci. Era não, é, porque tenho certeza que ele ainda não está queimando no fogo do inferno. E espero mais, que ele encontre o caminho de Deus e da religião. Apesar do amigo José Fernandes ter razão em algumas coisas sobre o catolicismo, eu penso, e luto por isto, que ele ainda tem jeito.

Roberto, seja bem-vindo em sua ressurreição, como “escrevinhador”, mesmo discordando de você em algumas coisas, você sabe que nosso Blog da CIT está as ordens para publicar seus escritos, e bons escritos, mesmo sabendo que eles o levarão para falar com o capiroto, se você não confessar seus pecados ao Padre Nelson da próxima vez que estiver em nossa terra, onde preciso ir também mas estou sem tempo.

Aproveito o ensejo para declarar: Continuo vendo a novela Viver a Vida. Continua ruim como sempre, mas é vício mesmo. A audiência está muito baixa, a Globo quis mudar o título para “Vida Sexual de uma Tetraplégica Rica”, mas, desistiu, e resolveu seguir em frente. Falo isto porque o Roberto era o meu “dialogador” neste assunto, junto com Beto Guerra, mas a coisa era tão ruim que o Roberto preferiu jogar tênis e o Beto Guerra preferiu caminhar pelo “eixão”. Mas, a partir de segunda-feira, estaremos todos unidos em frente da TV vivendo uma grande “passione”.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com
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(*) Foto obtida no SBT.

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