quarta-feira, 30 de junho de 2010

Imprensando a Diplomacia



Dias atrás eu li um artigo neste Blog (http://www.citltda.com/2010/06/imprensa-e-diplomacia.html), de autoria do professor José Fernandes Costa, no qual ele começa dizendo ter lido um artigo meu (http://www.citltda.com/2010/05/dilma-acredita-em-deus.html) que despertou sua curiosidade. Assim sendo ele resolveu consultar o nosso Mural, e ao fazer isto, encontrou notas do Severino Araújo e Alexandre Correntão, que discutiam sobre imprensa e diplomacia em nosso país e alhures.

Eu fiquei lisonjeado por dois motivos. O número um, por saber que o professor lê os meus artigos, isto é mais do que uma lisonja, é uma honra. O número dois refere-se à curiosidade que ele diz meu escrito ter lhe causado. Eu fiquei mais feliz do que pinto no lixo. Sou lido e causo curiosidade. Lá em Caetés, atualmente, só quem provoca curiosidade é o Rafael Brasil, com seu Blog, que critica o Lula pensando que ele é de esquerda, quando eu sei que ele nunca foi. Talvez, pertença à “esquerda vegetariana”, que tentarei explicar o que é depois.

Agora pensei escrever sobre este excelente texto do nosso professor, de quem discordei no passado, sobre a reforma ortográfica, quando ainda não usava nem pseudônimo. O que escreverei não é uma resposta, pois ele não me fez nenhuma pergunta, mas, comentários que acho pertinentes dentro do contexto. E, já começo dizendo que não concordo nem discordo, e muito menos pelo contrário, tanto do Alexandre como do Severino ou do professor, pois os pontos abordados são tão variados que alguém que concorde com todos ou com nenhum é porque já morreu, ou é filiado ao Partido Comunista, que aqui no Brasil, o antigo PCB, só conta com dois membros: Oscar Niemeyer e Ziraldo, não tendo sobrado nenhum para sua dissidência, o PPS.

O primeiro tema é chamado “grande imprensa”. Como, pelo menos, dizer o que é isto? Todos sabem que falamos da grande imprensa quando mencionamos grandes jornais, redes de TV, sites de notícias da Internet e até Blogs de grande repercussão. Exemplificando, O Globo, A Folha de São Paulo, Revista Veja, O Jornal Sete Colinas de Garanhuns, Estadão, Diário de Pernambuco, Rede Globo, A Gazeta de Bom Conselho, o Blog da CIT, a Rádio Papacaça, o Blog do Roberto Almeida e Alexandre Marinho, ambos de Garanhuns, e que nos visitam, o Pravda da falida União Soviética, a “Prensa Latina” da quase falida Cuba, a TV estatal do bolivariano Hugo Chaves, a KCTV do ditador da Coréia do Norte Kim Jong-II e outros mais que não lembro agora. E o que seria a pequena imprensa? E a média imprensa? O que quero dizer é que, qualquer critério de generalização é furado em princípio. Se formos acreditar em Nelson Rodrigues que dizia: “Nós, da imprensa, somos uns criminosos do adjetivo. Com a mais eufórica das irresponsabilidades, chamamos de "ilustre", de "insigne", de "formidável", qualquer borra-botas.”, e fazer de sua frase uma generalização, a imprensa se tornaria uma coisa banal ou maléfica. Não é porque um jornal não publicou algo que enviei que podemos chamá-lo de parcial, venal ou mercenário. Dizer que a grande imprensa virou um partido golpista não faz justiça a tantos jornais e jornalistas que lutaram bravamente contra a tirania e ditadura aqui no Brasil e fora dele. Isto não quer dizer que os meios de comunicação, em sua totalidade sejam habitados por homens santos e jornalistas escravos da notícia, independentemente, do “vil metal”, chamado dinheiro. Afinal de contas vivemos num sistema capitalista, e o Meirelles é presidente do Banco Central.

E é por falar em sistema capitalista, que entramos na seara da ideologia política e econômica. Durante quase todo o século XX, acreditamos (eu inclusive) que haveria um melhor sistema do que este sistema cruel onde os meios de produção eram apropriados privadamente, e cada um deveria sobreviver por si só, sem nenhuma coordenação de um chamado estado, poder público, coletividade ou o que fosse. Marx, um dos mentores intelectuais mais conhecidos, foi o primeiro a levar outros como o Lênin, e depois outros menos importantes como Mao, Fidel, Stalin e tantos outros, tão menos importantes que nem me lembro, a crerem que se poderia mudar o mundo através de uma revolução social. Talvez, se todos tivessem lido Marx com mais isenção e menos sectarismo e oportunismo político tivessem entendido o essencial. Uma revolução deste tipo deveria passar necessariamente por um sistema capitalista, isto é o que ele disse. Sem prestar atenção nisto, os fazedores de revolução, criaram a Revolução Soviética em 1917, e outras que a seguiram, tendo a certeza da destruição deste sistema perverso, e o advento do comunismo, devido às próprias contradições deste sistema capitalista. Entretanto, da mesma forma que Vicente Feola, que segundo o Garrinha, tinha esquecido de avisar aos russos quando ele mostrava seu sistema tático, eles esqueceram de avisar aos capitalistas. Nenhum país, onde havia um capitalismo avançado, até hoje fez esta revolução. Os que a fizeram tinham regimes feudais, medievais, antigos e muito subdesenvolvimento, principalmente, mental. Os outros todos se adaptaram a um estado de bem-estar social, que faliu por excesso de liberalidades estatais.

Quem viveu no Brasil a partir da década de 50, não precisa estudar muito história deste país para ver que durante quarenta anos ela girou em torno de nomes: capitalismo e socialismo (ou comunismo para os íntimos). Quase todos vivemos aquela fase de rebeldia, pelo menos aqueles sinceros e interessados pela condição de vida das pessoas, na qual amávamos os Beatles, os Rolling Stones, Che Guevara e sonhávamos com nossa revolução particular cuja Sierra Maestra poderia muito bem ser a Serra das Russas. E nossa “revolução” veio pelas serras de Minas Gerais, montada em carros do exército e nos brindou com vinte anos de Ditadura. Os sonhos de muitos acabaram nas masmorras e prisões deste país afora, de vez em quando juntos com suas vidas.

No mundo, o sonho da revolução socialista foi ao nocaute pela falência do modelo implantado na União Soviética, onde se demonstrou, e ainda ocorre em alguns outros países, a verdade da frase que diz que “o capitalismo é o sistema da exploração do homem pelo homem, enquanto o socialismo é exatamente o contrário”, atribuída a tanta gente e cuja evidência nos leva a não procurar o verdadeiro autor. Atualmente, todos somos capitalistas, ou sonhamos com um socialismo democrático, que nem de longe parece com aqueles dos sonhos de antanho.

Todo circunlóquio para chegar ao ponto do artigo do professor onde, pelo menos indiretamente, taxa meu gosto de duvidoso, ao incluir nesta condição aqueles que gostam do livro: “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano.”

Eu adorei o livro, portanto, podem duvidar do meu gosto à vontade. Mesmo que se diga que gosto não se discute, eu insisto em discutir o meu, falando deste livro. Inicialmente, eu discordo do seu título. Nisto o professor tem razão quando diz que o livro foi feito para vender, mas não é por isto que discordo, pois estamos vivendo ainda num sistema capitalista incipiente, mas que avançou muito no governo do meu conterrâneo Lula, que só não defende abertamente este modelo econômico para não contrariar o seu partido, o PT. Infelizmente, ele agora está tão enredado pelos “socialista do caixa 2” que tudo que fez pode se perder. Discordo, porque o termo “idiota” pode ferir susceptibilidades, daqueles que o julgam uma ofensa. A palavra foi colocada para vender e o mercado aceitou a ideia. Mas, eu usaria um termo mais apaziguador e ficaria com todo conteúdo do livro. Ao invés de “idiota” o termo do título deveria ser “iludido”. O título então deveria ser: “Manual do Perfeito Iludido Latino-Americano”. Venderia menos, o que satisfaria alguns “liberaisfóbicos”, mas o conteúdo seria o mesmo.

Não irei aqui fazer uma resenha literária do livro mas apenas apresentar o seu essencial. Embora eu pense que os currículos dos autores obviamente influem no que eles escrevem, este não deve ser um critério absoluto de julgamento de qualquer livro. Apesar de São Paulo ter sido inicialmente um caçador de cristãos, não posso dizer que o que ele escreveu foi ruim só por isso. Seus escritos mais conhecidos mostram que alguém pode se tornar um bom cristão. Mesmo assim, cito abaixo o escritor peruano muito conhecido, Mario Varga Llosa, no prefácio do livro, sobre eles (as citações são da edição brasileira da Editora Bertrand Brasil Ltda)

Conheço muito bem os três, e suas credenciais são as mais respeitáveis que um escrevinhador pode exibir em nossos dias: Plínio Apuleyo Mendoza é constantemente assediado pelos terrorista colombianos ligados aos narcotráfico e à subversão, que há anos querem matá-lo por denunciá-lo sem trégua em reportagens e artigos; Carlos Alberto Montaner lutou contra Batista, depois contra Castro e há mais de 30 anos luta do exílio pela liberdade de Cuba; e Álvaro Vargas Llosa (por acaso meu filho) tem três julgamentos pendentes no Peru de Fujimori como “traidor da Pátria” por condenar a guerrinha estúpida na fronteira do Peru com o Equador.”

Faço minha também as palavras do prefaciador sobre o livro em lide, quando ele ver o Manual como:

“...um texto beligerante e polêmico, que carrega nas tintas e busca o confronto intelectual, move-se no plano das ideias e das anedotas, usa argumentos e não motejos nem críticas pessoais, e contrapõe a ligeireza da expressão e sua virulência dialética ao rigor de conteúdo, seriedade da análise e coerência expositiva. Por isso, embora o humor esteja presente, trata-se do livro mais sério do mundo; depois de lido, como ocorre com verso de Vallejo, faz o leitor pensar. E a tristeza logo o assalta.

Isto aconteceu comigo na minha primeira leitura. Eu já fui um Perfeito Iludido Latino-Americano, um PILA. Eu, como quase todos da minha idade, era um exemplo do PILA. Acreditava piamente que pensar nossa realidade era uma perda de tempo. Ora, Marx et caterva já a haviam pensado por nós. Entre a “caterva” estavam os verdadeiros manuais de doutrinação escritos, entre outros por Che Guevara, Fidel Castro, Eduardo Galeano, Fernando Henrique Cardoso (que parece ter se desiludido, pois orientou seus leitores a esquecerem tudo que escreveu), Régis Débray, Caio Prado Júnior, Celso Furtado, Marcuse e outros que nos levavam, os iludidos, a termos orgasmos quando líamos suas obras, nos conduzindo a crer que a pobreza, os desequilíbrios sociais, a exploração, a inépcia para produzir riqueza e criar emprego e o fracasso das instituições civis e a democracia na América Latina poderiam ser explicadas fácilmente por palavras como imperialismo, neocolonialismo, nacionalismo, estruturalismo, empresas transnacionais, Estados Unidos, CIA, FMI, Banco Mundial, etc. As causas do nosso subdesenvolvimento eram bastante conhecidas e a solução era gritar pelas ruas: Ianques, go home!!!, Abaixo a Ditadura! Morte ao Imperialismo!!!, e outras baboseiras daquela época, que até seria romântica se tantos não tivessem sucumbido ao tacão militar, durante um período em que dizimaram nossas ilusões. Mesmo iludidos, e talvez por essa ilusão, chegamos a um novo patamar político de modernidade, império da lei, melhores níveis de vida, enfim, uma ainda jovem democracia. Por que então continuarmos iludidos? Por que não aprendemos a ver nossa realidade de forma pragmática ao invés de culparmos os outros pelos nossos males?

Uma das idiossincrasias do PILA é rotular pessoas, principalmente as inteligentes, que o incomodam, que são contrários às suas ideias ou crenças. Vejam o que fizeram com o Wilson Simonal e com o Roberto Carlos, por não fazerem composições de protesto, até descobrirem os "caracóis dos seus cabelos". Eu lembro de que chamavam o Roberto Campos, que faz o prefácio brasileiro do livro, naquela época: Bob Fields, entreguista, oportunista e outros “istas” difamadores. Qual o motivo? Ele dizer certas verdades que nós, PILA,s naquela época, jamais poderíamos admitir, como esta esta, por exemplo:

A tradução do Manual do perfeito idiota latino-americano chega em boa hora. É leitura imperdível para todos que desejam se vacinar contra os diferentes “ismos”, que nas últimas décadas constituíram o substrato cultural explicativo do atraso latino-americano – o nacionalismo, o populismo, o estatismo, o estruturalismo e o protecionismo. Todos trouxeram uma contribuição negativa. O nacionalismo, útil na fase de formação das nacionalidades, gradualmente tornou-se um obstáculo à importação de capitais e tecnologia. O populismo degenerou na proliferação de subsídios e na formação de custosas e ineficientes burocracias assistencialistas. Do estatismo resultou o Estado Empresarial, negligente em suas funções clássicas e invasor da esfera natural da atividade privada. O estruturalismo, ao subestimar o componente monetário da inflação, levou a políticas monetárias e fiscais permissivas, criando pressão inflacionária crônica e ocasionais hiperinflações. O protecionismo obliterou o princípio das vantagens comparativas e sancionou a criação ou a sobrevivência de setores não competitivos; a eficiência depende não apenas do livre ingresso de novos competidores como do desaparecimento dos ineficientes, coisa inviabilizada pela combinação de protecionismo e estatismo que tem caracterizado a cena latino-americana. Juntas, essas deformações culturais constituem a doença dos ‘ismos’, que obscureceu por longo tempo nossa percepção dos componentes fundamentais do desenvolvimento econômico: espírito empresarial, produtividade e poupança. São qualidades que vicejam sobretudo em ambientes institucionais que preservam a liberdade competitiva e prestigiam o direito de propriedade contra o Estado interventor e predador”

Eu me permiti fazer uma citação tão longa, correndo o risco dos atuais ainda PILA,s, que não são poucos, nem lerem alegando ser ele um autor que ainda consta no “Índex do PILA”, como outros liberais, que não querem que esqueçam o que eles escreveram. Atualmente vamos ter eleições para presidente da república, e tem muita gente querendo “colocar mão-de- pilão em ânus de gato”, levando o meu conterrâneo Lula a se comportar como um PILA, quando para isto ele não tem vocação nenhuma. As palavras citadas acima, ele nem sabe o que é, e nem precisa, para ser presidente, mas, sua candidata as aprendeu muito bem, e pensa que ainda pode revisitá-las, contando com uma certa ingenuidade dos seguidores, e fiéis seguidores, do meu conterrâneo.

Eu estava pronto para continuar a escrever, quando fui reler o que escrevi, já foi muita coisa, gente. Ainda ia tratar um pouco da questão da diplomacia, mas fica para depois, quando encontrar espaço neste concorrido Blog, por enquanto, resolvi imprensá-la aqui, por isso o título do texto.

Se chegaram até aqui, pelo amor de Deus, não esqueçam o que eu escrevi, nem de comprar e ler o livro, que procurei mas não encontrei em formato eletrônico para colocá-lo na Biblioteca do nosso Blog. Estou tentando comprar também dos mesmos autores: “A Volta do Idiota”, que deveria ser iludido. Vi uma resenha dele e parece ser imperdível, pois os autores poupam meu conterrâneo Lula colocando-o entre os membro da “esquerda vegetariana”, que é aquela cujos representantes adaptaram-se ao mundo globalizado e fizeram as pazes com a economia de mercado. Enquanto a “esquerda carnívora” tem em seu comando o maior PILA moderno: Hugo Chaves, e basta este como exemplo.

Aguardem este ex-iludido que lhes escreve.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

terça-feira, 29 de junho de 2010

De galhos e de flores

Hoje são 15 de junho de 2010. E neste dia15 de junho, eu escrevo estas tortuosas linhas. Não estou aqui para camuflar sentimentos. Posso até desagradar a muitos! Falo de coisas soltas. Mas nem tão desconexas. Algumas podem não ter sentido – para alguns. Pra mim, têm. Outras, com esforço dos quatro ou cinco leitores, eles podem encontrar o sentido delas. Tudo, a critério do julgador.

De início, dirijo-me ao Zezinho de Caetés. Pra lhe dizer que uma das primeiras matérias que li hoje (dia 15.6) no jornal, foi a crônica do Sebastião Nery. Sobre o Maradona, “o reizinho índio descido dos Andes”. E a vaia em Turim, em 1990, na hora em que o hino nacional da Argentina estava sendo cantado. Um desrespeito muito ao gosto dos torcedores do futebol. Seja na Itália, no Brasil ou na Inglaterra. E foi muito boa a crônica. NÃO, a vaia. Digo isso, para que o Zezinho não pense que eu puxo o Sebastião Nery para o esgoto. NUNCA. “Dai a César o que é de César...” E dai à Argentina e ao Maradona, o que é da Argentina e do Maradona.

Dizem que neste 15 de junho (quando escrevo), está havendo jogos pela copa 2010. Se há ou não, pouco se me dá. Tanto que nem tinha o intuito de falar em futebol. Mas já que falei na vaia contra os argentinos, resolvi ir um pouquinho adiante.

Pessoas matam e morrem por causa de futebol. Mas a gangue internacional que comanda toda essa cadeia criminosa, ganha muito dinheiro às custas dos bobos. Notem que clubes de futebol não pagam um centavo de impostos. Também não pagam a Previdência Social. Igualmente não pagam contas de energia elétrica, nem qualquer outra conta de serviços públicos.

Mas nós pagamos. E nenhum governo tem o topete de pedir a penhora, por meios judiciais, da sede de um clube de futebol. Nem de pedir que seja decretada falência / insolvência dos clubes e dos seus diretores. Porque se assim fizessem, os tais governos iriam perder milhões de votos dos alienados futebolísticos. – Bastam estas palavras sobre o futebol. Já gastei meus verbos demais com isso. (Quando a Argentina for jogar contra a Coréia do Sul, estarei torcendo pela Argentina – lembrem-se de que hoje são 15.6).

Contudo, vamos falar de coisas amenas. Nisso, não posso deixar de falar na Lucinha. Ela escreveu, entre outras coisas, no dia 11.6, ao dirigir-se a mim: "...faço desde galinha de cabidela até feijoada, que todos atribuem aos nossos escravos, mas é..." Os grifos são meus. Veja, Lucinha: quando dizes “... aos nossos escravos...”, eu sei que os escravos são mesmo teus. Com isso, tu deixas patente que manténs a escravidão nas tuas grandes fazendas de gado leiteiro, possivelmente, no Norte do país, tal qual o Inocêncio Oliveira (mal comparando), o gago cínico, ex-DEMO = PFL. (Desculpa-me pela comparação com um traste, tão traste).

Resvalando no tempo: confesso que o velho João Fernandes da Costa, meu avô, nunca foi senhor de escravos. O velho João Fernandes foi senhor só de casa de farinha, no Sítio São José. Além de atirar em “veados”, pescar, caçar e tascar umas bravatas, o velho João era chegado a umas negrinhas ou branquinhas, lá mesmo do sítio dele; quem sabe, também dos sítios dos vizinhos. Ainda que os vizinhos fossem os filhos legítimos do velho João, meus tios e tias.

Negrinhas, no bom sentido. Aliás, Não existem negrinhas no mau sentido. Aquelas meninas eram de boa cepa, moradoras do São José, de propriedade do velho (o sítio, não as negras do sítio; nem as brancas eram propriedade do velho, claro!) E nem as morenas claras. Ele poderia, algumas vezes, até ter a posse, sem nenhum viés de escravidão. Nunca, a propriedade. Como eu disse acima, ele não tinha pendores para adotar a escravidão. Tampouco, tinha poderes para tanto.

Em momentos, no texto ou fora dele, eu posso parecer meio licencioso, libertino. Mas não sou. E sei que alguns e algumas até riem das minhas jocosidades. Todavia, se alguém me julga libertino, isso não me interessa. São pessoas que não acompanham os tempos, nem os comportamentos; que não observam a evolução dos costumes; e que ostentam uma “moral” falsa, pra esconder os seus recalques.

Uma coisa que muito me orgulha é que as "moradoras" e os "moradores", como nós as / os chamávamos, ali eram bem alimentadas (os). Havia frutas por todo o ano. E lavouras o ano inteiro. E não tinha essa de pobre passar fome, tendo comida para os donos das terras, que eram o meu avô e os filhos dele. Aquelas moças moradoras e namoradeiras, eram fortinhas, de perninhas grossas. Coisa "louca", no bom sentido. Loucura das boas! - Ah, que saudade me dá! – Não é “saudade do bate-papo, do que disse-que-disse, lá do Café Nice”, não. É saudade das festas com as nossas “matutinhas” lá do São José.

E saudade me dá também, da passarada que ali habitava, pela força da Natureza. Eram os beija-flores que, nas suas evoluções alegres, mais pareciam pessoas ansiosas dos dias de hoje. Mas só pareciam. Pois não tinham nada a ver com as ansiedades das gentes cheias de “tubulações”. Os beija-flores voavam de arbusto a arbusto, beijando e sugando todas as flores que encontrassem. E as andorinhas iam ligeiras, como nos dizia o Altemar Dutra. – E vinham aqueles periquitos pequenos, passear nos terreiros das casas. Periquitos mansinhos e lisinhos. Chamo de periquitos pequenos, porque não me lembro do nome que lhes era dado. Pois havia os papagaios, havia os periquitos de tamanho normal e os periquitos pequenos. Estes, bem verdinhos e de plumas tão macias que dava gosto a gente passar a mão naquela penugem! Aliás, penugem, só quando eles eram novinhos. Eram penas de vera mesmo. Penas verdes, que as queríamos verdes. E como era grande o nosso interesse de preservar o meio ambiente. Também o ambiente dos cantos, por mais escondidos que estes fossem. – Ah, que saudade me dá! Repito: não é saudade do Café Nice, não. É saudade dos periquitos. Grandes ou pequenos. Todos inofensivos!

Como o velho João Fernandes tinha casa de farinha, tanto as negrinhas, quanto as branquinhas, eram bem tratadas, à base de mandioca. Naquele tempo, como hoje, chamar de negra, não dava nem dá cadeia. Porque negra é a raça. O que pode dar processo, mas nem sempre dá cadeia, é o preconceito, a discriminação. Nada obstante, as pessoas hoje querem pegar na palavra, sem saber onde o galo canta. E por qualquer bate-boca, vêm com essa de racismo etc.; e “teje preso!” Algumas e alguns falam logo no art. 5º, inciso XLII, da nossa Constituição Federal etc. E dizem que é crime imprescritível e inafiançável (??).

Chamar uma negra de "essa negrinha!", é o mesmo que dizer "essa branquela de mierda!" Ou dizer que “o bicho que mais parece com gente, é motoqueiro!” É ofensa, injúria, agressão verbal. Demonstra preconceito, explosão de fúria. Mas, racismo é outra história. E chamar um negro de negro safado, também não é racismo. É injúria. Assim preconiza o nosso Código Penal. Assim, também, manda a legislação que regulamenta a nossa Constituição. E NÃO poderia ser diferente! Só os bobos chamam isso de racismo.

Agora, negar a alguém a entrada em um restaurante, cujos donos são brancos, só porque o alguém é negro ou amarelo, isso caracteriza o racismo. Assim também, se o restaurante é de negros, e estes proíbem que brancos o freqüentem, só porque são brancos, isso igualmente configura a prática do racismo.

Essa de racismo ser crime inafiançável e imprescritível, é mais uma jogada sacana dos nossos legisladores, para fazerem marola. E o povo embarca no canto da sereia. Essa Constituição, que alguns a chamaram de “cidadã”, tem muitas piadas de mau gosto. Eis aí uma delas. Não vejo hediondez no racismo, em que pese o seu caráter danoso. É ranço, preconceito, discriminação de pessoas más.

Então, o imprescritível e inafiançável, nesse caso, é um retrocesso, se nos compararmos a outros povos ocidentais. Assim dizem os juristas. Não sou eu. E a regra geral, no Estado Democrático de Direito, é a liberdade, no processo penal. E quando nem há ainda o processo penal contra o sujeito ou a sujeita. Há, apenas, indícios. A prisão é descabida. A liberdade é regra da própria Constituição. E a jurisprudência nos diz isso amplamente. A prisão é exceção!

Porém, quando há indícios fortes de certos crimes que devem ser inafiançáveis, tais como a tortura, o tráfico de entorpecentes ilícitos, o terrorismo etc., não ter o acusado direito à fiança, pode ser imperioso. Mas, imprescritibilidade, por quê? Se os juízes não julgam o crime, por que o criminoso tem que esperar a pena até que lhe chegue a morte? Se os tribunais não decidem, é mais um problema da nossa Justiça cega e surda (quando isso interessa aos que fazem a Justiça). Em casos da espécie, a imprescritibilidade quase que equivale à prisão perpétua, para os que nem julgados foram.

Conversa puxa conversa: ao “racismo”, ainda. Aqui no Sítio da Trindade, no ano de 2003, num fim de tarde, a jornalista Robertha Simony Maria Carneiro, teria chamado um guarda municipal de negro safado. Depois do pega-pra-capar, deram voz de prisão à jornalista. Veio a polícia e foi tudo pra delegacia do bairro. Lá, o delegado mostrou-se burro e ignorante, no tocante às leis. Ou agiu de má-fé. Pois sua senhoria mandou lavrar o flagrante. E ela, a jornalista, foi para o Bom Pastor, um colosso de presídio feminino, no Engenho do Meio. E lá ficou ela engaiolada por uma noite, até a tarde seguinte. Aí uma advogada requereu ao juiz a liberdade da moçoila. E o juiz deferiu o pedido, baseado nos próprios princípios constitucionais. Abonados pela jurisprudência e pela doutrina. É a presunção da inocência e o princípio da liberdade como regra. No caso da nossa jornalista Robertha Simony, não havia processo de ordem alguma. Apenas, palavra contra palavra.

Assim, a jornalista ficou respondendo em liberdade, como reza a lei. Não só os beatos rezam. Ou fazem que rezam. As leis rezam também. - No fim, a história da Robertha entrou por uma perna de pinto e saiu por uma de pato.

Permitam-me, aqui, uma historinha verídica, se bem que o seu autor, um juiz de Direito, pelo tanto que o conheço, foi somente brincalhão, face à confiança que detém na minha pessoa. E a recíproca é verdadeira. – No dia da ocorrência do Sito da Trindade, telefonei para esse juiz, amigo de longa data. E lhe disse: “Mas doutor L, prenderam a jornalista, só porque ela chamou os guardas de negros safados!” E ele: “Zé, negro safado é pleonasmo. Todo negro é safado”. Eu, rindo, larguei um palavrão, e respondi: “Mas L, você está sendo cruel!” Aí ele falou sério: “Nenhum juiz deixaria essa mulher dormir na cadeia hoje”. – Dito e feito. Ressalte-se que ele não estava atuando em varas do crime. Nem sequer passou perto da petição da advogada da Robertha.

Por ser de justiça, deixo aqui o meu pedido de desculpas aos negros de todo o mundo, pela brincadeira do meu amigo. Pura brincadeira! – Se há negros safados, há inúmeros brancos safados.

Entretanto, no meio do campo estava a Vera Baroni, que se diz defensora dos direitos dos negros. E a Vera estrilou. Por isso, eu tive umas altercações com a Vera Baroni, nas folhas do Jornal do Commercio. E foi de vera mesmo. Por fim, todos se salvaram, até os guardas municipais que mentiram. Outra: onde já se viu guarda municipal ser autoridade? Esses guardas querem ser mais autoridade do que um general do Exército Brasileiro! E pior: o poder público dá-lhes o direito de portar armas de fogo! E haja autoridade pra eles. E riscos para nós!

Naquela época, um cidadão ficou penalizado com a situação da jornalista. E disse nas folhas do jornal, que talvez a pobre Roberta estivesse com TPM. Sugeriu, com muita seriedade, que isso fosse apurado, sim ou não, visto que as mulheres, em situações que tais, podem ficar agressivas. E se tal estresse restasse provado, poderia ser considerado para redução da pena.

E eis que fiz rodeios e rodeios. E o título “De galhos e de flores”, não será mais um rodeio? Ou são os galhos e as flores dos arbustos por onde se lançam os nossos beija-flores! E onde pousam as nossas andorinhas! Pois não foram os rodeios dos peões boiadeiros. Com tantos rodeios e “arrodeios”, voltemos ao “poste” cantado e decantado pelo Zezinho de Caetés e pela Lucinha. Vejam: eu não tenho esse poder de ficar em cima do "poste" (palavras da Lucinha). Isso pode ser para o nosso amigo e presidente Lula. Tanto que a Dilma, que era Rousseff, hoje é a Dilma Duchefe. E quem é o chefe da Dilma? O Lula. Então, é ele quem, se quiser e puder, sobe no coqueiro e tira coco. Ou melhor, sobe no “poste”. Isto é, se o “poste” for mansinho e deixar. – E cá volto eu ao tema da criação de vacas leiteiras da Lucinha: melhor tirar leite do que tirar coco.

E quanto ao nosso Leonardo Boff, também falado nos ditos da Lucinha, havemos de convir que ele é teólogo e teórico. Eu não sou teórico, muito menos teólogo. Eu sou cristão prático e simpático, modéstia à parte. Procuro evitar o mal maior. Voto na Dilma Duchefe. E peço à Lucinha que, mesmo a Marina não tendo nenhuma chance, ela vote na Marina. Porque voto é coisa da consciência. Mas lembra-te, Lucinha: há aqui um candidato “olímpico” a governador, pelo PV da nossa Marina. Esse “ente do Olimpo”, de nome Sérgio Xavier, nem poste é. Também não tem nem jeito de gambiarra. Então, Lucinha, por Deus, não votes nesse aspirante a coisa nenhuma!

Aqui, de novo, entro na história da pretensa licenciosidade ou da libertinagem. Se em algumas passagens, alguém quis ou queira tachar-me de meio libertino, que esse alguém note tolas realidades que nos rodearam num espaço curto de tempo. Exemplo simples: se nos anos 50, alguma pessoa ou algum meio de comunicação falasse ou escrevesse: “Um dia sem tabaco!”, ao menos aqui no nosso Nordeste, seria motivo pra corar algumas pessoas.

No entanto, nos nossos dias, todo ano há um dia sem tabaco. Eu não concordo com a instituição do dia sem tabaco! Mas, fazer o quê? – Atentem para o que escreveu nas folhas do Diario de Pernambuco, no dia 3 deste mês de junho, um conhecido missivista. Eis aí as palavras dele:

Sem tabaco - Parabenizo o DP pela reportagem do dia mundial da luta contra o tabaco. Ele mede apenas 10 cm e, em geral, custa R$ 0,25 a unidade (??), mas é responsável pela morte de 5 milhões de pessoas por ano em todo o mundo. Mais que as guerras ou qualquer outra causa evitável. Em cada tragada, o fumante ingere mais de 4 mil substâncias tóxicas e 60 cancerígenas. Algumas estão presentes em venenos, em inseticidas e até em combustível. Bartolomeu Felix de Morais.”

As interrogações grifadas são minhas. Achei essa história meio enviesada, esdrúxula mesmo. Inclusive por trazer medidas e custos do fumo, aliás, do tabaco. Protestei perante o jornal, que não publicou o meu protesto. Isto é, fui censurado inocentemente pela “grande imprensa”. Por que diabos, pra essa “imprensa”, só eu não posso falar em tabaco? – É ISSO./.

José Fernandes Costa - jfc1937@yahoo.com.br

segunda-feira, 28 de junho de 2010

sábado, 26 de junho de 2010

A Prefeita e o Sanfoneiro com os Pés no Chão



Hoje pela manhã fui “procurar sarna prá me coçar”. Era assim que meu pai falava quando a gente queria se meter em encrencas. Apesar de não me considerar uma encrenqueira, alguns me consideram assim, pelo meu hábito de muitas vezes querer ser a “palmatória do mundo”. Dias atrás escrevi um texto no qual tentava dizer que houve um erro de nossa prefeita, Judith Alapenha ao liberar a realização do nosso já tradicional São João, o Forrobom. A sarna eu fui procurar no SBC, encontrei e estou me coçando até agora.

Eu fui verificar se havia alguma notícia do Forrobom, e, confesso, estava com aquele sentimento egoísta que muitas vezes afeta os seres humanos, quando nem ligam para os outros desde que suas ideias sejam consideradas corretas, e podemos bater no peito e dizer: “Eu não disse!?”. Oh! pobre de nós mortais! Ainda bem que sou católica e meu confessor resolve isto com a parte de cima, Deus, mas, com a parte de baixo, o povo, tenho que pedir perdão outra vez. Ora, dirão os adversários políticos, isto já está ficando monótono. Eu respondo na lata: Ah, se o PT continuasse pedindo perdão pelo “mensalão”! E, ao invés de se vangloriar, nosso apedeuta-mor pedisse perdão o tempo todo por não ter estudado, e levado os jovens a acreditar que é preciso ser quase analfabeto para gerir uma nação. E, com toda humildade mostrada no poema de Mário Lago, gostaria de entrar no gabinete de nossa prefeita, cantando-o junto com a música do Ataulfo Alves, onde o amor, no meu caso, refere-se ao que sentimos ambas por nosso povo:

“Covarde sei que me podem chamar
Porque não calo no peito essa dor
Atire a primeira pedra, ai, ai, ai
Aquele que não sofreu por amor

Eu sei que vão censurar o meu proceder
Eu sei, mulher que você mesma vai dizer
Que eu voltei pra me humilhar
É, mas não faz mal
Você pode até sorrir

Perdão foi feito pra gente pedir”

Trocando em miúdos, este sentimento me tomou, quando ao ver as fotos do Forrobom deu para perceber que pelo menos nosso povo, apesar da tragédia, estava se divertindo e a tendência é se divertir no restante da festa. A prefeita estava certa ao abrir esta festa ao povo, e eu, mais uma vez, errada.

Não cheguei a fazer retiro espiritual, como costumo fazer, às vezes, no Colégio Nóbrega, mas, mesmo em casa comecei a refletir sobre a causa de tantos erros. Não foi difícil chegar a uma conclusão definitiva. Eu erro pela distância. Mesmo hoje estando conectada por todos os meios aos mais variados lugares, nada elimina os efeitos da distância física, do contacto direto com o povo, da conversa ao pé do ouvido, dos lamentos furtivos e do “estar lá”, simplesmente. E eu já critiquei outros de fora por quererem dar pitacos no Encontro de Papacaceiros, agora cometo o mesmo erro. “Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa”.

Entretanto, tentando fazer do limão que me coube, uma limonada, continuei a ver as fotos do Forrobom. E me deparei com uma delas que me emocionou. O Basto Peroba, um dos mais brilhantes instrumentistas deste país, "resfolegando" em sua safona, com os pés descalços, ou seja, com os pés no chão. Não sei se por hábito, por a chuva ter molhado seus sapatos ou mesmo por estilo, como os óculos escuros do Jorge Benjor, que era melhor quando era Ben, eu interpretei como um gesto que dizia aos voadores e voadoras como eu: “Andemos com os pés no chão”. Ainda tive a alegria de ver a prefeita com sua jovialidade e beleza, parecendo com saúde para tocar o nosso município, com a fibra da mulher bom-conselhense. Que Deus a proteja.

Ao tempo em que ia vendo as fotos ia chegando, cada vez mais, à conclusão de que a prefeita estava certa e eu não. Parabéns prefeita, pela bela festa. A senhora tinha os pés no chão enquanto eu pisava nos astros, distraída.

Esta lição levou-me a pensar que tenho que ir urgentemente a Bom Conselho, colocar os pés naquela terra e conhecer pessoalmente a Judith, pois ainda não desisti da ideia de trazê-la para o PV. Vai ser fácil, pois Bom Conselho é a nossa causa.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com
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(*)Fotos obtidas no SBC.

Adivinhação(XVI)









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(*)Fotos originais da Internet.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

quarta-feira, 23 de junho de 2010

A Verdade me Libertará



O que está acontecendo comigo? Em plena véspera de São João, aqui sentada lendo blogs e vendo o Beco de Doutor Raul, que é uma luz no meio desta escuridão que é a calamidade provocada pelas chuvas em nossa cidade. Gostaria de ficar restrita, ao escrever, na narrativa do sorriso de Luiz Clério, a sisudez do Álvaro e à barriga do Alfredo, lá no beco. Mas não posso.

Segunda-feira, dia 21, o Jameson Pinheiro, meu colega aqui da CIT, escreveu no nosso Blog (http://www.citltda.com/2010/06/o-brasil-montou-nas-costas-do-marfim.html), sobre uma reunião agradável e alegre durante o jogo do Brasil (desculpe, amigo Zé Fernandes, mas durante a copa eu gosto de futebol) no apartamento do Diretor Presidente (DP). Pois não é que o meu amigo Jameson, como ele mesmo diz, pisou feio na “jabulani”! Por que?

Durante a reunião e o seu pano de fundo, o jogo, devem ter sido consumidos tantos litros de álcool que daria para ir de carro “flex” à África do Sul. O próprio Jameson, e para ser justa, também o meu “vuvuzela”, adoram uma 51, pois justificam junto com o conterrâneo de Zezinho de Caetés, que, se é para tomar álcool é melhor que seja puro. Eu fico imaginando quantas doses de 51 o Lula tomou no Planalto durante a partida, mas, isto agora não vem ao caso. O que importa aqui é que não sou chegada às diversões etílicas, mesmo que Jesus Cristo tenha tomado seus vinhos e até feito dele propaganda nas Bodas de Canaã, sendo imitado pelos padres de nossa Igreja até hoje. Fui criada com a noção de que beber álcool era pecado, e para mulher era um pecado mortal, portanto, prefiro não arriscar. Entretanto, os vapores etílicos, saídos dos “bafos de onça” dos presentes, talvez tenham me soltado a língua. Dentro de toda aquela bagunça festiva que o Jameson procurou descrever, e até conseguiu, infelizmente ele colocou uma fala minha que foi a seguinte:

“- Vocês viram a tragédia que aconteceu em Bom Conselho!? Li o artigo do DP e vi as fotos no SBC. Menino, foi uma coisa muito séria. E a Judith ainda quer continuar o Forrobom! Não sei quem é que vai dançar numa situação dessa. Como sempre, deve ser o povo, mas, cala-te boca.”

Não estou aqui para negar que disse isto. Apenas questiono a sua publicação, a partir do ambiente em que foi gerada, esta fala. O motivo deste escrito é apenas para dizer, longe dos vapores “etanólicos”, o que penso sobre o tema da frase.

Talvez um dia antes, eu fui ler o Blog da Prefeita Judith, onde havia uma postagem com o título; “Carta Aberta ao Povo de Bom Conselho”. Ainda bem que era uma carta aberta e não uma Nota Oficial (agora quando me falam neste nome me arrepio toda). Sendo uma carta aberta ao povo desta cidade devastada, considerando-me povo, lá fui eu lê-la. Depois de descrever as medidas tomadas para lidar com o estouro do Açude da Nação (que até hoje não sei a quem pertence ou quem o controla, pois as falhas em seu controle, como nos deixa a ideia o Alexander Vieira - http://www.citltda.com/2010/06/acude-da-nacao.html, podem ter concorrido para a tragédia), entre as quais consta a “DISPONIBILIZAÇÃO DE ABRIGO E ALIMENTAÇÃO NOS PRÉDIOS PÚBLICOS PARA AS PESSOAS DESALOCADAS (sic)”, em seu final, adia o inicio do Forrobom para o dia 23, que é hoje. Eu apenas me perguntei, como diante de tanta calamidade descrita, já havia data marcada para o início da festa. E se houvesse morrido gente? Continuaria a festa? E se houvesse tantos desabrigados que fosse necessário usar os prédios do Parque de Exposição Animal para diminuir seus sofrimentos? Continuaria a festa? Graças a Deus que nada disso aconteceu pelo vi no SBC a festa realmente começa hoje, faça chuva ou faça sol.

Outro dia fui no Blog de Bom Conselho Papa-caça e vi uma crítica à posição da prefeita de continuar com festa. Eu concordo com o articulista, que não conheço e nem quero conhecer, o que vale é o escrito, por outros motivos e não aquele de usar o dinheiro da festa para ajudar os flagelados. Nisto o DP está certo em sua brincadeira ao me chamar de “língua de trapo” no texto do Jameson, pois dinheiro público não é como Caixa de Esmolas de igreja, e nem sempre pode ser realocado para outros fins. Mas a ideia de manter a festa e já com data marcada, das duas uma: Ou a prefeita consultou o Pai Dantas que previu o futuro, ou estava fazendo o mesmo que ela diz está fazendo o Blog de Bom Conselho Papa-caça, em sua crítica ao referido texto. Eu como uma mulher de paz e admiradora da prefeita, incondicionalmente, até que o Cardeal Richelieu lançou aquela Nota Oficial, na qual eu ingenuamente acreditei, espero que a primeira coisa seja o que aconteceu. Nunca é demais uma consulta de vez em quando ao Pai Dantas, eu irei lá qualquer dia, com o e-mail de Lucitânia Gomes para ele dar sua opinião. Até lá, ainda penso que a verdade liberta.

Antes de concluir, liguei para o DP e perguntei se ele havia recebido a carta aberta para o nosso Blog publicar, como ela enviou para alguns de nossa irmã Garanhuns, e ele me disse que não. Caríssima prefeita, mesmo que tenhamos nossas desavenças, o Blog da CIT é um blog de Bom Conselho, e não deixará, por isso, de publicar seus escritos. Podem ser até Notas Oficiais. Pois para nós Bom Conselho é a causa, e nem sempre podemos dizer que a frase: O Prefeito de Bom Conselho é a causa, tenha o mesmo significado. No entanto espero que o Forrobom seja bom mesmo e a prefeita esteja com a razão, que todos já estejam alegres e felizes. Um bom São João para todos, inclusive para o meu colega Jameson, “o boca de caçarola”.



Lucinha Peixtolucinhapeixoto@citltda.com

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(*) Fotos obtidas no SBC, de vários autores.

OS DIABINHOS


Lembro-me das visitas que fazia todas as tardes o Padre Alfredo, por volta das quatro horas, as casas de famílias e a Casa da Caridade onde os velhinhos recebiam a sua visita com muita alegria, pois o “homem de Deus” levava seu carinho a aquelas pessoas necessitadas.

Saia normalmente, quando o sol esfriava um pouco, mas não dispensava o seu guarda-sol, nos tempos de verão e no inverno o seu guarda-chuva. Subia devagarzinho pela minha Rua do Caborge, onde ele mesmo morava no fundo da Matriz da Sagrada Família. Cumprimentava a todos os moradores, que nas tardes quentes do verão colocava suas cadeiras e espreguiçadeiras, tamboretes nas calçadas e ali ficavam a tagarelar contanto as noticias do cotidiano. Os meninos brincavam de acordo com a época, chimbre no pátio da meia-água de Dona Luiza, rendeira de mão cheia no controle e movimento dos bilros em uma almofada forrada de uma toalha branca e ela sentada e mexer com uma velocidade o seu material de trabalho, os bilros. Zangava-se às vezes com o barulho dos meninos, mandando todos sair do “terreiro” da sua casa; Nestas ocasiões lá vinha Padre Alfredo, subindo a rua indo visitar os seus “velhinhos”, depois desta visita retornava para a Matriz e se preparava para o “ângelus”. As crianças quando o via, corriam ao seu encontro, gritando, todos em sua volta “benção pade” “Deus te abençoe” acariciando a cabeça de cada um e, ai pediamos, “Pade, me dá um santinho”, todos de uma só vez. O Padre Alfredo sorria e colocava a mão dentro da “batina” e trazia alguns santinhos com as imagens da Sagrada Família, N.S. de Fátima e N. S. do Bom Conselho, São José e tantos outros santos e distribuía para cada um. Os meninos corriam para sua casa para mostrar aos seus pais o presente de Padre Alfredo, de saudosa memória.

O que me fez lembrar deste episodio, foi uma narrativa contada por seu Biu da cidade de Bezerros/PE.

Estava no shopinng Tacaruna, tomando um sorvete. Sentei-me em um dos bancos ali posto, em uma tarde de sexta feira. Sempre vou à shopinng, principalmente “namorar” os livros na Livraria Imperatriz. Ali passo um bom tempo, e, muitas das vezes saio sem comprar nenhum exemplar. Cadê o dinheiro? Os livros estão caríssimos, principalmente, dos grandes escritores.

Aproxima-se o Sr. Benedito da Silva, tomando sorvete com a sua esposa Dona Amélia, senta-se ao meu lado. Apresenta-se, dizendo que é de um distrito do Município de Bezerra/Pe, e que esta na casa de um filho no bairro de Torreão. Tinha ele, 85 anos enquanto a sua mulher Dona Melinha tinha 77 anos, mas que vivia muito bem em seu interior convivendo com os seus animais de estimação e seus amigos de bata-papo na pequena praça do lugarejo. Puxou conversa. E conversa vai e conversa vem, disse-lhe que também era homem do interior por nasci na cidade de Bom Conselho/PE. Sabia ele contar muitos “causos” acontecidos no interior e muitos deles verídicos; Então contou este que conto para vocês:

“Arupenba era uma cidadezinha muito pequena, com pouco mais de dez mil habitantes. Como todo povoado, tinha o comercio, a delegacia e a igreja. Morava na rua central, o Seu João, sapateiro de mão cheia onde todos o procuravam para conserto dos sapatos. Casado com Dona Margarida, mulher prendada no fazer doces caseiros para vender na feira, que acontecia todos os sábados no comercio ao lado da Praça Hilário Gomes. Mormente, o Seu João quando saiam da sua oficina todas as tardes ia conversar com os seus amigos na bodega do Seu Amâncio no final da sua rua, enquanto a sua mulher na janela, o esperava indignado com aquele comportamento diário, de chegar à casa bêbado. Este casal tinha três meninos, o João Filho, o Amaro e o Ananias, com a idade de 10, 8 e 7 anos. Os pequenos brincavam pela rua com os outros meninos. Corriam de “pega” ou de “esconde-esconde” Na hora de entrar para tomar banho e se preparar para tomar “café”, a mãe os chamava sempre de “diabinhos” aos berros na janela. A vizinhança achava um absurdo este tratamento. Denunciou ao Padre Josué este fato, o qual ficou indignado com o tratamento dados pelos pais as crianças.

Como o bom pastor resolveu tomar as dores. Saindo de uma visita ao abrigo dos velhinhos, resolveu retornar para sua casa pela rua onde os “diabinhos” moravam. Em passo lento, desceu a rua com o sol já se pondo, e chegando perto da casa deste morador as crianças o rodearam para pedir a “benção” e “santinhos”.

Aproveitando a oportunidade, perguntou ao menino mais velho:

Como é o seu nome?

O menino respondeu: Diabinho.

E ao outro menino menorzinho, e o seu?

Respondeu o pequeno: Diabinho

O terceiro ainda bem pequeno beirando os seus sete anos, perguntou alisando-lhe os cabelos - e o seu meu filho:

Menorzinho de todos, respondeu quase miando, Diabinho.

O Padre Josué, olhou para o sacristão que o acompanhava nestas visitas, levando-lhe a sua sacola com os seus paramentos e óleos sagrados - disse:

Sebastião esta tudo errado. Vou convidar os pais destas crianças para falar comigo na igreja.

Chamou o maiorzinho de todos e perguntou-lhe, porque os seus pais os chamavam assim.

O menino respondeu imediatamente, de olhos baixo olhando para terra batida da rua poeirenta.

Pois, é Pade. Todos os dias meu pai vem lá de cima – e apontou para o final da rua – bebo se agarrando pelas paredes ou trazido por algum homem para casa. Quando aponta lá em cima, a minha mãe da janela grita para nós, dizendo - Lá vem o Diabo em forma de gente e se retirava da janela indo para a cozinha.

Quando chegava o meu pai, perto de casa, olhava para gente – Cadê o diabo de tua mãe.
Todos nós corríamos para a cozinha para avisar a minha mãe e ela dizia o que é que os diabinhos querem.

Veja seu pade se não nos chamamos de Diabinhos.

O padre e o sacristão se olharam e disse para o menino maiorzinho como é o nome de vocês – Eu me chamo Amaro, este aqui, João e este pequenino Amâncio.

O padre disse para o menino Amaro - diga ao seu pai e a sua mãe que amanhã eu quero ter uma conversa com eles na Igreja às quatro da tarde. Diga que não falte.

E saiu com o sacristão resmungando.

No dia seguinte, à tarde, por volta das quatro horas, atendendo ao chamado do Padre Josué, a família foi até a Igreja, entrando pela porta lateral, ingressando na sacristia, onde o padre rezava as vésperas no breviário. Levantou a vista, e viu aquela família humilde ali na sua frente. Conversou com eles e orientou que não chamasse os seus filhos de Diabinhos, e sim pelos nomes verdadeiros. Disse que a partir daquele dia queria ver toda a família na missa das oito horas da manhã do domingo.

Todos saíram cabisbaixo. No domingo seguinte lá estavam eles no primeiro banco da Igreja, e o padre Josué sorriu.


José Antonio Taveira Belo / Zetinhotaveirabelo@hotmail.com - Olinda.

terça-feira, 22 de junho de 2010

BOM CONSELHO É FORTE

Alegria e tristeza é o mote da vida. Com o coletivo isto parece ser igualmente verdadeiro, haja vista a tragédia que ocorreu com nossa Bom Conselho. Mamãe costumava dizer em ocasiões semelhantes que, "por cima de queda, coice". Matutando nisto, retorno ao contexto da nossa situação de calamidade e fico, com meus "botões", assuntando: e agora, José? E agora, Judith? E agora, oposição? E agora, homem simples? E agora, vereadores, deputados, governador?

Partindo pela teoria do quanto pior melhor, não creio que os que assim pensavam, continuem. Incursionando pela lógica administrativa, a nossa prefeita tem tudo para reverter o quadro no geral, e resgatar a vida das pessoas atingidas pelas águas, no particular.

A ninguém é dado desconhecer a capacidade humana e altruísta da nossa Judith. Se fosse diferente, talvez ela não tivesse sido eleita pela maioria da população. Neste momento, isto serve muito como aval para a gente se dar as mãos e, com ela, a nossa prefeita, fazermos uma recuperação geral da administração, principalmente na reconstrução da cidade. Claro que a cidade não se recupera só construindo o que foi destruído, pois a cidade, segundo Carlos Pena Filho, é um sonho coletivo que vira realidade (grifo meu) e nos toma inteiro nos aspectos material e espiritual.

Neste momento de reconstrução, é imperioso reconstruir as relações; recuperar a auto-estima dos que perderam bens materiais, mas que também precisam do conforto que só o acolhimento humano proporciona.

Soube que o Governador sobrevoou as cidades atingidas. Particularmente, acho uma bobagem, pois muitos foram os que já fizeram a mesma coisa, ganharam manchetes de jornais e nada fizeram. Claro que exceções existem e o nosso Governador nos parece ser uma delas. Contudo, "gaiola bonita não dá de comer a canário". Precisamos agora de decisão política traduzida em obras e sem burocracias para liberação. Se eu fosse a prefeita (sonhar não custa nada) colocava tudo que nossa terra está precisando de obras no bojo das demais melhorias que serão feitas com a ajuda do Governo. Até porque é obrigação dele, enquanto governo. E enquanto tal, não se leia apenas o governador, mas os deputados estaduais e federais que costumam aterrissar em nossa cidade nos tempos de angariar votos. No mesmo patamar de compreensão, colocamos os vereadores municipais e outras lideranças da sociedade organizada...

Certamente que uma "tromba d água” como a que aconteceu, num piscar de olhos acaba com tudo que foi construído ha décadas e até séculos. Mas não será noutro piscar que se reconstruirá, posto que há implicações financeiras, políticas e politiqueiras, etc.

Acreditando sempre no positivo da vida, não podemos ignorar que o "que dá pra rir dá pra chorar" e vice-versa, não necessariamente nesta mesma ordem. Por isto devemos ser otimistas sem, contudo, deixarmos a razão de lado em função das cores partidárias e convicções ideológicas. Nesse atual momento de Bom Conselho só existe uma cor que é a ação que dá CORAÇÃO. Não sei se é o caso de fazer comparação, mas guardadas as devidas proporções, lembremos do presidente Roosevelt, dos EUA, quando disse: "não perguntes o que os EUA podem fazer por você, mas o que vocês podem fazer por eles"...

Fico por aqui de "olho no padre e outro na missa"... Lendo a Gazeta, o Blog da cidade, ouvindo a rádio Papacaça e sentindo, como temos feito, o povo nas ruas em suas mais variadas facetas. Nossa cidade está ligada ao mundo pelos seus filhos espalhados pelo planeta, não bastassem nossos veículos de comunicação que, tal qual o estado, "FALA PARA O MUNDO"...

Pela esperança de que "por cima de queda, não venha coice", torço para que tiremos proveito desta adversidade provocada pelas precipitações pluviométricas. Certamente elas nos trouxeram lições e quem estiver atento as aprenda; para os céticos, a certeza de que tudo tem seu tempo, pois no final tudo dá certo, desde que não haja má vontade nem desconfiança em Deus.

Carlos Sena - csena51@hotmail.com

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O Brasil Montou nas Costas do Marfim



Eu estava começando a escrever sobre a Copa de 1962, na qual o Brasil se tornou bi-campeão deste torneio, que a todos envolve quando de sua realização. Eu ainda estava em Bom Conselho, durante este evento, e o que me lembro dela são duas coisas, que não sei se são importantes. Uma delas foi um quebra-quebra na Rodoviária na Praça Lívio Machado, capitaneada por Ivan Crespo, Rui Silvestre, que me lembro, e outros que a memória tratou de apagar. Foi durante um jogo do Brasil com a Inglaterra, já na segunda fase do mundial. A cada gol do Brasil, os frequentadores da Rodoviária onde funcionava um estabelecimento etílico, quebravam mesas e cadeiras do estabelecimento. Das conseqüências disto não me lembro. A outra coisa do que lembro é mais agradável. Ganhei, neste mesmo dia um bolão, sozinho, acertando no escore do jogo: 3 x 1 para o Brasil. Lembro que fiquei tão alegre, que joguei em todos os outros bolões. Até hoje não consegui ganhar mais nenhum.

Como vocês viram, o assunto era muito curto. Foi aí que recebi um telefonema do Diretor Presidente:

- Alô!
- Jameson, aqui é o DP. Queria te fazer um convite!
- Pois faça, meu chefe preferido!
- Não sei se você já soube, mas, dias atrás comprei uma TV digital, 42 polegadas, um cinema. Mas estou assistindo os jogos sozinhos. É muito luxo para uma pessoa só. Resolvi convidar vocês da CIT e mais uns amigos para assistir Brasil x Costa do Marfim aqui em casa. Vem, cara, vai ser divertido!
- Como poderia recusar um convite destes. Minha TV é de 20 polegadas, analógica, e a cor já está desbotando, no jogo do Brasil contra a Coreia do Norte, eu pensei que o gol da Coreia tinha sido do Brasil. Quem é que vai DP?
- Lucinha já confirmou e vai trazer o marido uma filha e o neto. Sandoval disse que se não houver reunião do Partido na hora do jogo ele virá também. A Eliúde e o Zezinho de Caetés vão para o Pina, aqueles gostam é de bagunça mesmo. Mas, vêem uns amigos meus. Tou doido prá mostrar minha TV. Então eu te espero. Não precisa comprar nada, fiz mercado hoje e estou abastecido.

Realmente não podia recusar o convite. Futebol só presta ver no estádio ou com algumas outras pessoas. Ver futebol sozinho é como entrar no banheiro com revista de mulher pelada, é bom mas falta o comentário. E esta foi uma grande decisão, pois quando cheguei lá e vi aquela TV enorme, uma imagem que dava prá ver as rugas de Galvão Bueno, e ver que o Falcão está careca, além do som das “vuvuzelas”, tive pena das minhas pobres partidas de 20 polegadas.

Entretanto, o melhor mesmo foi o encontro com a galera, como diz o Faustão, aquele cara que era gordo e ficou magro mas não para de falar. Ao chegar Lucinha foi logo falando, como sempre, e é uma grande competidora, neste item, do Faustão:

- Vocês viram a tragédia que aconteceu em Bom Conselho!? Li o artigo do DP e vi as fotos no SBC. Menino, foi uma coisa muito séria. E a Judith ainda quer continuar o Forrobom! Não sei quem é que vai dançar numa situação dessa. Como sempre, deve ser o povo, mas, cala-te boca.

Ao que o DP logo retrucou:

- Lucinha, quando tu morrer, tens que ser enterrada aqui em Recife, pois tua língua não cabe no cemitério de Santa Marta. Tu adoravas a prefeita, agora, só porque ela não justificou aquela coisa de renúncia tu ficas pegando no pé dela! Se a verba já estiver empenhada e não puder ser transferida para ajudar na calamidade, tem mesmo é que botar o povo para cantar forró, pois “quem canta seus males espanta”. Eu ainda acredito que ela tem boas intenções e é uma mulher séria. Vamos ver o que ocorrerá. Mas, seja bem-vinda, língua de trapo!

Lucinha não ficou calada, e disse virando-se para o marido com ar de riso:

- Tá vendo meu “vuvuzela”, o DP já começou a xingar tua “jabulani”!

Feitas as apresentações, sempre neste estilo alegre, cortês e aberto, o jogo começou. É quase impossível, naquele, burburinho, com todos falando e gritando, descrever esta reunião futebolística, dando nome aos bois, isto é, identificando quem disse o que. Por isso o que se segue é um espécie de resumo da reunião sem nomear ninguém, a não ser, neste começo, e em quase todo o jogo, o neto de Lucinha correndo pela sala e levantando os braços quando ela dizia, gooool! Mesmo não sendo.

- Eu não acredito muito no Brasil não!!!
- Passa aí a Skol, quero ficar redondo!
- Quem é este tal de Droga em Bar da Costa do Marfim? Eles cheiram como o Maradona, é!?
- Não é Droga em Bar, seu burro, é Drogba, o nome de um jogador que é o craque do time.
- Olha! O Luis Fabiano está de “brinquinho”, e pode?
- Só no aquecimento, no jogo eu acho que não pode não! Não pode porque os de Robinho são tão grandes que ele não consegue correr com eles. Eu vou propor um tipo de brinco para todo mundo da CIT!
- Propões para os nossos colaboradores também. O Zé Fernandes não vai usar nem a pau!
- Mas que primeiro tempo morno! Se ficar 0 x 0 já vai ser bom!
- Paciência, Paciência!
- Paciência que nada. Kaká não está fazendo nada. É Kaká ou Kokô? E este Michel é Bastos ou Bostas? Meu Deus, ver que leseiras.
- Por que é que chamam o Luis Fabiano de Cabuloso?
- Lucinha, tu estás surda? É Fabuloso!
- Não estou vendo nada de fabuloso nele, talvez fosse melhor cabuloso mesmo.
- Gooool! Quem foi? Quem foi? O Luis Fabiano. O Galvão está dizendo que ele havia prometido este gol para filha dele que faz aniversário hoje.
- Meu Deus, será que ele só tem uma filha? Poderiam ser gêmeas para ele fazer outro. Viu Lucinha, o caro é o Fabuloso!
- Goool! Outra vez do Luis Fabiano, o cara agora desencantou. Mas, parece que ele usou o braço, não usou?
- E quem se importa com isto? O importante é que a “jabulani” está lá dentro. O time se soltou mesmo. Passa aí mais uma Skol.
- Skol acabou, só tem Brahma, aquela do Ronaldo, o fenômeno. Tem também aquela Schin de litro, mas sei que tu não aguentas mais!

E a farra continuou até o fim do jogo, sem antes haver muitos xingamentos aos jogadores da Costa do Marfim que, depois de perdidos, resolveram pegar pesados, levando à expulsão de Kaká, que apesar de ser pastor, não deu a outra face.

Neste jogo todo o que mais me chamou a atenção foi gol com a ajuda do braço do Luiz Fabiano. No final ele declarou que foi uma Mão Involuntária. Igual à de Maradona e Thiery Henry. Lucinha que já ia saindo não se conteve:

- Marina Silva disse também que sua declaração sobre o Saramago, de que ele sempre blasfemou contra Deus e por isso não tem o que lamentar, foi involuntária e corrigiu logo de pronto. Eu mesma lamentaria se Cleómenes tivesse morrido. Pior é a Dilma que é uma religiosa involuntária, até a eleição.

E foi assim que o Brasil montou nas costas do marfim. Fora isto, aprendemos todos que uma TV com transmissão digital, mesmo tendo uma imagem espetacular, é retardada em relação às analógicas. A imagem chega depois. Ao ponto de viciar, pois quando o Luiz Fabiano ainda matava a bola no peito, já ouvíamos os gritos de gol nas outras casas, para depois ver a imagem do gol na TV do DP. Não sei se isto é vantajoso ou não. No entanto, adorei a ideia de manter o esquema para o Brasil vencer Portugal na próxima sexta-feira. Todos estaremos lá, inclusive o neto de Lucinha levantando os bracinhos a cada grito de gol, espero que muitas vezes.

Jameson Pinheirojamesonpinheiro@citltda.com
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(*)Fotos do nosso correspondente na África do Sul, John Black.

SOU DO TEMPO

SEXTA CALMA AQUI PELOS LADOS TUPINIQUINS......
O CELULAR TOCA E OUÇO A VOZ DO CALMO DODÓ.
O QUE?? COMO É QUE É?? O AÇUDE DA NAÇÃO? ÁGUA POR TODO LADO? CALAMIDADE?
O QUE ESTÁ ACONTECENDO NO MUNDO?
TSUNAMIS, FURAÇÕES, TERREMOTOS, MAREMOTOS, GRANDES DESASTRES
ASSOLANDO PAISES, LUGARES, PESSOAS.....
COISAS QUE JAMAIS PASSARAM POR NOSSOS PENSAMENTOS, HOJE SÃO QUASE QUE CORRIQUEIRAS......
LEMBRAM QUANDO MORAR NO INTERIOR ERA COISA DE MATUTO?
DEPOIS, MORAR NO INTERIOR ERA SONHO DE BACANA E PRIVILÉGIO PARA POUCOS. HOJE, MORAR NO INTERIOR DÁ MEDO TAMBÉM. AS QUADRILHAS ESTÃO PREFERINDO AS CIDADES PEQUENAS.
COMO É ISSO MESMO? TAL QUAIS AS ANTIGAS EMPRESAS MULTINACIONAIS QUE ESCOLHIAM OS LUGARES DISTANTES E PRÓSPEROS PARA INSTALAR SUAS POTÊNCIAS, AS QUADRILHAS DE BANDIDOS OS ESCOLHEM PARA SEUS ASSALTOS A BANCOS, SUPERMERCADOS, LOJAS.
E AS CHÁCARAS, SITIOS, FAZENDAS? ELES INVADEM, ROUBAM, ESTUPRAM, MATAM..... CERTOS DA IMPUNIDADE.
E OS “DE MENOR”?? RIEM DA SOCIEDADE QUE TRABALHA DURO.
É O FIM DO MUNDO, DIZEM ALGUNS.
A SITUAÇÃO É ASSUSTADORA
AS MANCHETES DIZEM QUE O MUNDO ESTÁ DOENTE.
ESTAMOS DOENTES.........
OUVIMOS QUE A JUSTIÇA É PARA OS RICOS,
VEMOS DIA A DIA O DESCARAMENTO DOS POLÍTICOS CORRUPTOS,
ENGOLIMOS AS DESCULPAS SEM PERDÃO QUE ELES NOS DÃO..... MAS SE PERDOAM ENTRE SI,COMO NUMA DANÇA TRANQUILA DAS QUADRILHAS DE SÃO JOÃO, COM MARIAS E JOSÉS BAILANDO A QUADRILHA DO MAL.
VEMOS DIA A DIA, A MATANÇA DESENFREADA DE MARIDOS, NAMORADOS, PAIS, FILHOS, E PODE COLOCAR NO FEMININO TAMBÉM. ELAS , ELES, ATUAIS E EX, SE MATAM COMO A PISAR EM BARATAS.......APAGANDO SONHOS, MATANDO TAMBÉM QUEM FICA.
A CORRIDA DESENFREADA PELO PODER E DINHEIRO ACABAM COM OS VALORES. O JOVEM NÃO TEM MAIS EM QUEM SE ESPELHAR. NOVAS FORMAS DE AGRESSÃO VÃO SURGINDO E PELA INTERNETE SE MARCA BRIGAS, SURRAS, NAS ESCOLAS AS CRIANÇAS SÃO ASSALTADAS, APANHAM SEM SABER O PORQUÊ. OS PROFESSORES BATEM A APANHAM. SOU DO TEMPO QUE QUANDO UMA PESSOA ENTRAVA NA SALA DE AULA, AS ALUNAS LEVANTAVAM E DIZIAM: “VIVO CRISTO”!!!!! “E A RESPOSTA IMEDIATA:” REI!!”
ADORO DIZER “SOU DO TEMPO”.
MESMO QUE EU SAIBA QUE TODOS SOMOS DO TEMPO, DO PLANETA TERRA, SERES HUMANOS..... MAS , NOTO QUE JÁ SOU DO TEMPO QUE.......
OS FILHOS OBEDECIAM A SEUS PAIS,
O ESTUDO E O SABER ERAM METAS DE CRESCIMENTO E NÃO APENAS DE GANHOS.
QUE LER ERA A MAIOR FONTE DE CULTURA.
QUE NAMORAVA, CASAVA E DEPOIS TINHA FILHOS.
QUE RESPEITAVA OS MAIS VELHOS.
QUE GRACILIANO RAMOS DEIXOU UM CARGO POLÍTICO POR NÃO COMPACTUAR COM A CORRUPÇÃO.
QUE MARIDO E MULHER TRABALHAVAM DURO PARA CRIAR SEUS FILHOS. COM AMOR.
QUE ERA BOM MORAR NUMA CASINHA SEM PORTÕES OU TRANCAS.
QUE O SEXO ERA DESEJADO E NÃO BANALIZADO. COM AMOR.
QUE A DROGA ERA PARA MANIPULAÇÃO DE REMÉDIOS..... E CRAQUE ERA DE FUTEBOL! E ATÉ O GOL VINHA DA CRIATIVIDADE DO JOGADOR......
GOLLLLLLLLLL
CONSEGUIRAM ATÉ MODIFICAR O ESPORTE..... TUDO É CIENTÍFICAMENTE CALCULADO......E CLARO, VENCER, VENCER, NÃO IMPORTA COMO!!!
COISAS HORRÍVEIS ESTÃO ACONTECENDO.
ENQUANTO HOUVER UMA PESSOA BOA NO MUNDO, VALERÁ A PENA!
AFINAL SOU DO TEMPO QUE SABIA QUE FERNANDO PESSOA DIZIA:
TUDO VALE A PENA, SE A ALMA NÃO É PEQUENA.”

Ana Miranda Luna - anammluna@yahoo.com.br
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(*)Ilustramos o excelente artigo de Ana Luna com fotos antigas do Açude da Nação, como se disséssemos: "Sou do Tempo" em que ele existia. Esperamos que o reconstruam com mais segurança. Diretor Presidente - CIT Ltda.

domingo, 20 de junho de 2010

AÇUDE DA NAÇÃO



Desde que nasci ouvi dizer que o açude da nação iria estourar, hoje estou com 49 anos e neste dia 18 de junho 2010 a profecia se realizou, o açude da nação estourou.


Pretendo em poucas palavras fazer um histórico do açude e das conseqüências que resultaram do seu desaparecimento.


O açude da nação foi feito no leito do rio papacacinha, por isto quando chove na mata ele pega água ligeiro, nunca ficou completamente vazio, nos períodos de longas estiagens em nossa cidade ele foi o redentor dos agricultores, embora tenha suas águas escuras e com um pouco de sal, serve tanto para irrigação como para o gado beber, um açude com uma grande capacidade de criação de peixe, embora não tenha sido até hoje explorado este lado dele, o que sempre tivemos foi a pesca artesanal.


No primeiro governo de Audálio Ferreira ouve uma seca muito grande e ele baixou consideravelmente então Audálio teve a ousadia de fazer um trabalho de dragagem da sua lama, e com isto conseguiu dobrar a sua capacidade de acumulação que hoje é em torno de 800 milhões de metros cúbicos.


Para os senhores terem a dimensão do trabalho, a lama que foi retirada do açude foi usada na rua da lama na qual aumentou em mais de um metro sua altura em toda sua extensão e foi feito o aterramento que deu origem a avenida Ten. Raul de Holanda, a mais importante via de escoamento de nossa cidade.


Com a sua capacidade aumentada foi possível fazer nas suas margens um grande plantio de hortaliça, chamada de hortas comunitárias.


Durante o período de chuva que vai de junho a agosto, a comporta é sempre deixada aberta para que não haja transbordamento de suas águas, bem como a constante limpeza das baronesas que se acumulam no sangradouro, estas práticas fizeram ao longo dos anos com que por mais que chovesse não houvesse perigo de arrombamento do açude.


Com a chegada da Perdigão e o projeto que iriam construir uma barragem acima do açude da nação fez com que nós tivéssemos certeza que realmente nunca mais iria haver cheias do Papacacinha e também perigo de rompimento do açude, pois o novo açude iria fazer com que houvesse a regulagem da vazão para ele.


Para supressa geral a Perdigão não fez a barragem que era prá fazer e sim começou a fazer uma casa de capitação da água do açude, essa casa foi feita logo abaixo do sangradouro do açude e com isto diminuiu consideravelmente a capacidade de sangramento do açude.


Iniciou-se o mês de junho e nada da comporta ser aberta, pois soubemos que a Perdigão não permitiu que isto fosse feito, e o açude começou a acumular água acima do normal, pois não estava havendo escoamento da grande quantidade de água que estava entrando no açude, embora a chuva fosse chuva de inverno o açude estava com sua capacidade chegando aos 100% do limite, então no ultimo dia 18 depois de cinco dias de chuva o açude começou a jogar água por cima do paredão, e para os senhores que não sabem o que isto significa, eu vou lhes dizer, qualquer açude feito de barro que tenha água passando por cima do seu paredão ele estoura, e nosso açude não foi diferente, por uma irresponsabilidade dos responsáveis pela manutenção do açude ele estourou e a tragédia não foi maior porque foi durante o dia, se tivesse sido a noite a bagaceira teria sido feia, pois além do prejuízo material teríamos perdas humanas.

Alexandre Tenório Vieira - tenoriovieira@uol.com.br

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(*) As fotos são do Açude da Nação e nos foram gentilmente enviadas pelo Zé Carlos, que as recebeu por e-mail enviado por Mábio Tenório. Agradecemos aos dois ilustres bom-conselhenses nesta hora triste para nossa cidade. Diretor Presidente - CIT Ltda.

sábado, 19 de junho de 2010

Chuvas em Bom Conselho



Já escrevi aqui que o nosso Blog da CIT não é um blog de notícias, e muito menos, de notícias ruins. Quando visitei hoje o Blog de Bom Conselho Papa-caça, uma notícia me deixou perplexo. O Açude da Nação estourou, disse o articulista. Gerou uma tromba d’água que levou de roldão tudo pela frente. Procurei outras fontes de notícias. Em todos somente chuva, chuva e mais chuva. Parecia até que Deus, brasileiro, nordestino e nascido numa cidade do Agreste Meridional, havia nos abandonado. Mandou chuva para o nosso agreste sofredor mas, exagerou na dose.

Entretanto, para quem habitou aquela cidade por vários anos, chuva não era novidade. Lembro bem de fortes chuvas, trovoadas, e “relampagueiadas” que nos metiam medo á noite, e as “pingueiras” nos tiravam o sono, ao ter que levantar para colocar uma lata, ou mesmo o pinico para a que casa não enchesse d’água da chuva. Outras vezes, estas mesmas fortes chuvas eram motivo de alegria para a molecada, na qual eu estava incluído, pois era hora de tomar banho e correr pela rua ao mesmo tempo, e que, quando isto acontecia num dia de feira, corríamos atrás das frutas que vinham dentro da enxurrada. Mesmo com o risco de, ao chegar em casa, levar um pisa de nossa mãe, pela roupa molhada e pelo risco de ficar resfriado, era uma boa brincadeira.

Todavia, nem sempre a chuva era motivo para alegria. Se não me engano, no ano de 1963, houve uma chuva, que não sei se com a mesma, menor ou maior intensidade da atual, que também ameaçou o nosso açude maior, e derrubou a Ponte de Zé Rosa. Eu fui olhar o estrago pelas redondezas desta ponte e da Ponte do Colégio. O cercado do Colégio tomado pelas águas, as casas ribeirinhas em polvorosa, com os moradores tentando salvar seus pertences. Foi uma tristeza.

Com o agravamento dos fenômenos naturais, causado pela própria intervenção humana na natureza, sem as devidas precauções, devem agravar a situação que se apresenta devido a qualquer um deles. Faça chuva ou faça sol. O cuidado com a natureza e com o meio ambiente é fundamental e tem que estar no topo da agenda de qualquer nível de governo. Políticas públicas voltadas para esta área, principalmente, na sua prevenção, são fundamentais ao governante moderno.

Bom Conselho nunca foi de muitas tormentas. Não tive notícias de muito empenho nesta área pelos nossos últimos governantes. Claro, sei que Deus nasceu lá, pois a cidade a que me refiro acima é Bom Conselho e não Caetés. Mas, até Ele cansa da inatividade e periculosidade dos homens. Que lá não aconteça como aqui em Recife, que os prefeitos se elegem ao contar o número de vítimas das chuvas que caem nos morros. Se não choveu, não morre ninguém, é reeleição certa. Aqui, ontem, morreram 9. O João da Costa que se cuide, pois ninguém se elegeu com tal volume de água.

Espero que não haja nenhuma morte devido à calamidade que se abateu sobre a cidade. E antes que o Luiz Clério pergunte o endereço, eu soube que Deus nasceu bem pertinho da Igreja Matriz de Jesus, Maria e José. Não sei se ainda lá mora.

Diretor Presidentediretorpresidente@citltda.com

Adivinhação(XIV)




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(*)Fotos originais da Internet.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

COPA E TELEVISÃO



Lendo o artigo do nosso amigo Jameson, passei a relembrar a primeira copa do mundo em que eu realmente sabia o que estava acontecendo, pois como nasci em 1961 e a copa de 1962 eu tinha apenas um ano e a de 1966 tinha cinco anos não me lembro de nada destas copas.

A copa de 1970 (a primeira copa televisionada para o solo brasileiro), eu tinha nove anos e já era doente por futebol, em nossa cidade havia no Maximo 50 televisores, e na casa dos meus avós, era uma destas casas, era um televisor Philips 26 polegadas dentro de um móvel de madeira que tempos depois deu o bicho e tivemos de trocar por outro mais sofisticado.

A primeira televisão em nossa cidade foi instalada na casa de seu José Galdino, ele colocou uma antena na serra de SANTA TEREZINHA, e de lá puxou um fio até sua casa, pois a antena era virada para a serra da prata aonde existia uma antena retransmissora da TV TUPI, foi assim que nossa cidade entrou finalmente na era das comunicações, imagino eu quantas pessoas foram assistir à televisão lá.

Tempos depois foi colocado em nossa cidade um transmissor do Dentel, e finalmente os bom-conselhenses puderam comprar suas televisões, só que o sinal era sofrível, bastava um pingo de chuva para a transmissão ficar horrível, e como não poderia deixar de ser nos jogos da copa do mundo 1970 não foi diferente, alguém dizia, na casa de Zé do Foto a televisão esta pegando bem, lá ia um monte de gente para a casa de Zé do Foto, e quando chegava lá estava do mesmo jeito das outras televisões, então dizia que na casa de Dr. Roque a televisão estava pegando um cinema, e lá ia a turma atrás chegava lá estava pior que as outras e assim íamos nós neste eterno sofrimento.

A primeira televisão a cores de nossa cidade foi comprada por dona Luiza de Quincas Velho no ano de 1974, ela morava no corredor, então nós crianças íamos a noite subir na grade da sua casa para vermos a televisão a cores, que era da marca SEMP e pegava uma merda, só se via chuvisco colorido.

Passou uns caras aqui vendendo umas telas coloridas com três cores, que se colocava na frente da televisão e viam-se as imagens coloridas nas três cores, e nós dizíamos que tínhamos televisão colorida.

Outra feita passaram uns malandros dizendo que tinha uma tinta especial que quando pintava a antena a televisão pegava colorida, e lá vai gente pintando as antenas e nada de ficar colorida, pois eles diziam que não era de imediato que iria pegar coloridos era com uns dois ou três dias que ia acontecer, e o povo doido para ter televisão colorida caíram no conto.

Quando terminou a copa de 1970 e o Brasil foi campeão, as portas da igreja matriz foram abertas e os sinos dobraram, saiu às figurinhas OLÉ OLÁ, que tinha as 16 seleções como tema, a figurinha de Pelé era a carimbada que mais tinha valor quem achasse ganhava uma bicicleta.

Na casa dos meus avós era uma festa, sempre foi uma casa farta de comida, e no dia dos jogos do Brasil minha avó preparava muitos doces, bolos, tortas, salgadinhos, e enchia uma mesa enorme com estas guloseimas e nos intervalos dos jogos lá iam os convidados que eram além dos familiares os vizinhos mais chegados, porém dona Berenice não abria mão da superstição, quando começava o jogo a pessoa que tinha sentado num certo lugar não podia mais mudar, isto valia para todos os jogos, ai daquele que tentasse não cumprir esta regra.

Para finalizar estas recordações digo que realmente a copa do mundo é o evento que bole realmente com os sentimentos de todos os brasileiros, até mesmo com aqueles que não gostam de futebol.

Alexandre Tenório Vieira - tenoriovieira@uol.com.br

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Ah... Moleque!!!!



Depois de ouvir dizer que a pré-candidata do PT, a presidente da república, havia dançado o “rebolation”, aquela dança baiana na qual você requebra tanto que se eu fosse dançá-la, passaria pelo menos 10 dias de cama, tive a curiosidade de ver onde ela havia feito isto, e como fez isto. Como a Dilma é alguns anos mais velha do que eu, seria preciso ver para crer quanto ela aguentou, e que coreografia usou para esta atividade física de extremo esforço.

Sabendo que tudo isto está na internet fui nos sites de busca a procura de evidências da dança, igual a um São Tomé moderno. Encontrei vários vídeos relacionados ao tema e, infelizmente não encontrei a candidata em uma performance rebolativa. Uma equipe de TV tentou muito que ela a fizesse, mas, sem sucesso. Embora, ela tenha dito que se ensaiasse um pouco, estaria pronta para dançar o “rebolation” no carnaval da Bahia.

Eu duvido muito. No carnaval as eleições já passaram e, perdendo ou ganhando, tudo volta ao normal, ou seja, não acho que ela tenha jogo de cintura para fazer isto em cima de um trio elétrico na Praça Castro Alves. É mais uma promessa de campanha.

Nas minhas idas e vindas atrás do “rebolation” da Dilma, pasmem, encontrei o Serra, pré-candidato do PSDB, não dançando a música baiana, mas dançando outra que atualmente está em evidência. Ah ... Moleque!!! Antes que me processem por ofensa moral ao calvo postulante à presidência, devo dizer que o “Ah... Moleque” é o nome do ritmo dançado por ele. Fiquei surpreso com a sua desenvoltura e capacidade de aprendizado pois assimilou a aula dada pela entrevistadora imediatamente.

Não quero aqui e agora tomar partido nesta disputa eleitoral. Talvez ainda esteja esperando o candidato ideal, que talvez seja branco. Mas devo dizer que preciso ver a Dilma dançar o Ah...Moleque para minha definição final. Dizem que Marina, por questões religiosas, não dança nem valsa, o Plínio de Arruda Sampaio não o faz pela idade já avançada. Se a população escolher pelo critério de dança, o Serra está disparado. Eu aguardo os outros. Veja abaixo a exibição do candidato.

Ah...Moleque!!!

Diretor Presidentediretorpresidente@citltda.com


video

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Copa do Mundo, Dia dos Namorados e Dia de Santo Antônio



Eu não ia escrever hoje (dia 13 de junho, Dia de Santo Antônio) mas, quando acordei ontem pela manhã, em minha cama ainda quentinha, e meu marido virou prá mim e disse:

- Parabéns minha “jabulani”!!!

Eu, sem saber o que aquilo significava, se ele estava me elogiando ou me xingando, perguntei, com o ar de espanto:

- Sua o que!?

Ele me respondeu com um ar de carinho e um pouco de surpresa:

- Lucinha, tu não tás lembrada que hoje é dia dos namorados? Já estás caducando, é!?

- Não senhor! Eu sei que hoje é Dia dos Namorados, eu não sei o que é “jabulani”.

- Minha “veia” (como ele me chama na intimidade, e eu odeio, e sempre respondo, “veia” é a tua mãe) não acredito que tu não sabes o que é “jabulani”. É a nova bola usada na Copa do Mundo da África do Sul. Linda, a bola, embora um jogador disse que ela parece sobrenatural pois ele não conseguiu, até hoje, fazer um gol com ela.

- Você quer dizer que eu pareço com ums bola, é!? Pois agora eu lhe respondo: Parabéns meu “vuvuzela”, só faz barulho irritante e fedorento, e mais nada!

Com este começo de dia, resolvi escrever e contar para o mundo sobre o romantismo dos namorados na terceira idade, que existe e se amam mesmo sendo uma “jabulani” e uma “vuvuzela”, mostrando este diálogo exemplar.

Uma coisa puxa a outra do mesmo naipe. Esta semana estava vendo Passione (parece que está esquentando, não é Roberto?) e durante os longos intervalos comerciais entrou uma propaganda política dessas que nós pagamos e nem dar vontade de comprar o produto, apareceu a Dilma. Meu Deus, como está diferente. Passou do Sargento Tainha para Luiza Brunet em pouquíssimo tempo. Eu mesma, já um pouco desgostosa com a política, recebi uma injeção de ânimo. Campanha eleitoral faz bem. Tenho que escolher um bom marqueteiro. O poste está novo e tão enfeitado que parece mais pau da bandeira em dia de festa de Santo Antônio. Entretanto, sempre lembro do que minha mãe dizia e se aplica bem ao poste: “Por fora bela viola, por dentro pão bolorento”.

Mas, por falar em Santo Antônio, volto aos namorados, pois este santo, de minha devoção, é tido como um santo casamenteiro. Para mim, apesar de ter morado perto do Alto de Santo Antônio, em Bom Conselho, onde temos uma igreja em sua homenagem, ele nunca me ajudou nas minhas tentativas de namoro. Hoje não sei, se com o castigo que lhe impuseram construindo um “cuscuz” defronte de sua igreja, ele fosse de mais ajuda para mim. Aquele “cuscuz” só pode ter sido obra de alguém que também não teve suas preces atendidas pelo nosso milagroso Santo Antônio. Todas as moças casadoiras da época acreditavam em sua força. Hoje elas diriam que ele casaria até um poste. Eu já digo que para menina pobre como eu fui, o bom mesmo é apelar para São Benedito, pois foi com ele que me peguei, quando cheguei ao Recife, para encontrar o meu “vuvuzela”.

Para completar o quadro com a Copa do Mundo, recebi da amiga Maria Caliel, um e-mail, que tenta mostrar o machismo que envolve o futebol, nela se propondo um teste de conhecimento para nós mulheres, sobre este esporte, que até vejo algumas vezes, mas nunca o pratiquei, exatamente pelo machismo exacerbado de Bom Conselho em minha época. Se hoje ainda tem quem critique a Papacagay, imagine uma menina jogando futebol naquele tempo! Uma das minhas filha é uma excelente “zagueira”, e entende muito mais do que eu de futebol. Mas, vamos à luta, caras leitoras amigas, para vocês testarem seus conhecimentos. Pensem muito e respondam com atenção, marcando com um “x” a resposta correta:

1. Lateral esquerdo do Corinthians:
( ) Roberto Carlos ( ) Erasmo Carlos ( ) Ney Matogrosso

2. Ex-capitão da seleção brasileira e atualmente técnico:
( ) Dunga ( ) Soneca ( ) Feliz

3. Centroavante da Argentina:(boa!)
( ) Batistuta ( ) Prostituta ( ) Filho da P...

4. Atacante do Chile:
( ) Salas ( ) Cozinhas ( ) Banheiros

5. Meia da Colombia:
( ) Valderrama ( ) Valderruba ( ) Valdestroi

6. Meia da França
( ) Zidane ( ) Ziferre ( ) Zifoda

7. Atacante da Croacia:
( ) Boban ( ) Tontan ( ) Idiotan

8. Atacante da Argentina:
( ) Crespo ( ) Liso ( ) Pichaim

9. Lateral direito da Seleção Brasileira: (puts)
( ) Cafú ( ) Tofú ( ) Sifú

10. Goleiro do Chile:
( ) Tapia ( ) Soquio ( ) Múrrio

11. Capitão da Espanha:
( ) Hierro ( ) Hiengano ( ) Hiequivoco

12. Goleiro dos Camarões
( ) Songo ( ) Mongo ( ) Tongo

13. Zagueiro da África do Sul:
( ) Mark Fish ( ) Mark Bacon ( ) Mark Lanche Feliz

14. Zagueiro da África do Sul:
( ) Issa ( ) Iiiissa!!! ( ) Woo Hooo!!

15. Atacante da Iugoslávia:
( ) Mijatovic ( ) Peidatovic ( ) Cagatovic

16. Atacante da Holanda:
( ) Cocu ( ) Cabunda ( ) Casnadegas

17. Atacante da Espanha:
( ) Kiko ( ) Chaves ( ) Sr Madruga

18. Goleiro da Seleção Brasileira:
( ) Julio Cesar ( ) Nero ( ) Alexandre o Grande


Minhas amigas, mostrem as respostas a seus maridos ou filhos, se você acertou mais do que uma resposta, você está apta a apresentar aos homens um questionário com a seguinte pergunta de múltipla escolha:

Qual o futuro Presidente do Brasil?
( ) Marina Silva ( ) Dilma Roussef ( ) José Serra


Se o seu marido marcar Dilma Roussef ou José Serra separe dele imediatamente, pois ele não quer o bem dos seus filhos e netos. Segundo tentou me explicar o Zezinho de Caetés, que entende um pouco de Economia, a Dilma porque, apesar de prometer seguir a política monetária do Lula, pode também querer seguir sua política fiscal, e levar este país à insolvência, pelo excesso de Bolsas. O Serra, porque, apenas para ser diferente de Lula, quer ser o rei do Banco Central e propõe mais uma Bolsa dos Adolescentes. Ambos levarão este país à inflação galopante, e corremos o risco de ter o Sarney por mais 5 anos (isto é mesmo para fazer terror). Mas, não tentem explicar isto a eles em detalhes, talvez ele não entendam, simplesmente, se separe dele, a não ser que, pelo amor que ele dedica a você, decida votar na Marina. Aí você já pode dizer que vocês entendem de política, economia e futebol, vivendo grandes Dias dos Namorados no futuro, sob às vistas de Santo Antônio.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com