sábado, 19 de junho de 2010

Chuvas em Bom Conselho



Já escrevi aqui que o nosso Blog da CIT não é um blog de notícias, e muito menos, de notícias ruins. Quando visitei hoje o Blog de Bom Conselho Papa-caça, uma notícia me deixou perplexo. O Açude da Nação estourou, disse o articulista. Gerou uma tromba d’água que levou de roldão tudo pela frente. Procurei outras fontes de notícias. Em todos somente chuva, chuva e mais chuva. Parecia até que Deus, brasileiro, nordestino e nascido numa cidade do Agreste Meridional, havia nos abandonado. Mandou chuva para o nosso agreste sofredor mas, exagerou na dose.

Entretanto, para quem habitou aquela cidade por vários anos, chuva não era novidade. Lembro bem de fortes chuvas, trovoadas, e “relampagueiadas” que nos metiam medo á noite, e as “pingueiras” nos tiravam o sono, ao ter que levantar para colocar uma lata, ou mesmo o pinico para a que casa não enchesse d’água da chuva. Outras vezes, estas mesmas fortes chuvas eram motivo de alegria para a molecada, na qual eu estava incluído, pois era hora de tomar banho e correr pela rua ao mesmo tempo, e que, quando isto acontecia num dia de feira, corríamos atrás das frutas que vinham dentro da enxurrada. Mesmo com o risco de, ao chegar em casa, levar um pisa de nossa mãe, pela roupa molhada e pelo risco de ficar resfriado, era uma boa brincadeira.

Todavia, nem sempre a chuva era motivo para alegria. Se não me engano, no ano de 1963, houve uma chuva, que não sei se com a mesma, menor ou maior intensidade da atual, que também ameaçou o nosso açude maior, e derrubou a Ponte de Zé Rosa. Eu fui olhar o estrago pelas redondezas desta ponte e da Ponte do Colégio. O cercado do Colégio tomado pelas águas, as casas ribeirinhas em polvorosa, com os moradores tentando salvar seus pertences. Foi uma tristeza.

Com o agravamento dos fenômenos naturais, causado pela própria intervenção humana na natureza, sem as devidas precauções, devem agravar a situação que se apresenta devido a qualquer um deles. Faça chuva ou faça sol. O cuidado com a natureza e com o meio ambiente é fundamental e tem que estar no topo da agenda de qualquer nível de governo. Políticas públicas voltadas para esta área, principalmente, na sua prevenção, são fundamentais ao governante moderno.

Bom Conselho nunca foi de muitas tormentas. Não tive notícias de muito empenho nesta área pelos nossos últimos governantes. Claro, sei que Deus nasceu lá, pois a cidade a que me refiro acima é Bom Conselho e não Caetés. Mas, até Ele cansa da inatividade e periculosidade dos homens. Que lá não aconteça como aqui em Recife, que os prefeitos se elegem ao contar o número de vítimas das chuvas que caem nos morros. Se não choveu, não morre ninguém, é reeleição certa. Aqui, ontem, morreram 9. O João da Costa que se cuide, pois ninguém se elegeu com tal volume de água.

Espero que não haja nenhuma morte devido à calamidade que se abateu sobre a cidade. E antes que o Luiz Clério pergunte o endereço, eu soube que Deus nasceu bem pertinho da Igreja Matriz de Jesus, Maria e José. Não sei se ainda lá mora.

Diretor Presidentediretorpresidente@citltda.com

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