terça-feira, 29 de junho de 2010

De galhos e de flores

Hoje são 15 de junho de 2010. E neste dia15 de junho, eu escrevo estas tortuosas linhas. Não estou aqui para camuflar sentimentos. Posso até desagradar a muitos! Falo de coisas soltas. Mas nem tão desconexas. Algumas podem não ter sentido – para alguns. Pra mim, têm. Outras, com esforço dos quatro ou cinco leitores, eles podem encontrar o sentido delas. Tudo, a critério do julgador.

De início, dirijo-me ao Zezinho de Caetés. Pra lhe dizer que uma das primeiras matérias que li hoje (dia 15.6) no jornal, foi a crônica do Sebastião Nery. Sobre o Maradona, “o reizinho índio descido dos Andes”. E a vaia em Turim, em 1990, na hora em que o hino nacional da Argentina estava sendo cantado. Um desrespeito muito ao gosto dos torcedores do futebol. Seja na Itália, no Brasil ou na Inglaterra. E foi muito boa a crônica. NÃO, a vaia. Digo isso, para que o Zezinho não pense que eu puxo o Sebastião Nery para o esgoto. NUNCA. “Dai a César o que é de César...” E dai à Argentina e ao Maradona, o que é da Argentina e do Maradona.

Dizem que neste 15 de junho (quando escrevo), está havendo jogos pela copa 2010. Se há ou não, pouco se me dá. Tanto que nem tinha o intuito de falar em futebol. Mas já que falei na vaia contra os argentinos, resolvi ir um pouquinho adiante.

Pessoas matam e morrem por causa de futebol. Mas a gangue internacional que comanda toda essa cadeia criminosa, ganha muito dinheiro às custas dos bobos. Notem que clubes de futebol não pagam um centavo de impostos. Também não pagam a Previdência Social. Igualmente não pagam contas de energia elétrica, nem qualquer outra conta de serviços públicos.

Mas nós pagamos. E nenhum governo tem o topete de pedir a penhora, por meios judiciais, da sede de um clube de futebol. Nem de pedir que seja decretada falência / insolvência dos clubes e dos seus diretores. Porque se assim fizessem, os tais governos iriam perder milhões de votos dos alienados futebolísticos. – Bastam estas palavras sobre o futebol. Já gastei meus verbos demais com isso. (Quando a Argentina for jogar contra a Coréia do Sul, estarei torcendo pela Argentina – lembrem-se de que hoje são 15.6).

Contudo, vamos falar de coisas amenas. Nisso, não posso deixar de falar na Lucinha. Ela escreveu, entre outras coisas, no dia 11.6, ao dirigir-se a mim: "...faço desde galinha de cabidela até feijoada, que todos atribuem aos nossos escravos, mas é..." Os grifos são meus. Veja, Lucinha: quando dizes “... aos nossos escravos...”, eu sei que os escravos são mesmo teus. Com isso, tu deixas patente que manténs a escravidão nas tuas grandes fazendas de gado leiteiro, possivelmente, no Norte do país, tal qual o Inocêncio Oliveira (mal comparando), o gago cínico, ex-DEMO = PFL. (Desculpa-me pela comparação com um traste, tão traste).

Resvalando no tempo: confesso que o velho João Fernandes da Costa, meu avô, nunca foi senhor de escravos. O velho João Fernandes foi senhor só de casa de farinha, no Sítio São José. Além de atirar em “veados”, pescar, caçar e tascar umas bravatas, o velho João era chegado a umas negrinhas ou branquinhas, lá mesmo do sítio dele; quem sabe, também dos sítios dos vizinhos. Ainda que os vizinhos fossem os filhos legítimos do velho João, meus tios e tias.

Negrinhas, no bom sentido. Aliás, Não existem negrinhas no mau sentido. Aquelas meninas eram de boa cepa, moradoras do São José, de propriedade do velho (o sítio, não as negras do sítio; nem as brancas eram propriedade do velho, claro!) E nem as morenas claras. Ele poderia, algumas vezes, até ter a posse, sem nenhum viés de escravidão. Nunca, a propriedade. Como eu disse acima, ele não tinha pendores para adotar a escravidão. Tampouco, tinha poderes para tanto.

Em momentos, no texto ou fora dele, eu posso parecer meio licencioso, libertino. Mas não sou. E sei que alguns e algumas até riem das minhas jocosidades. Todavia, se alguém me julga libertino, isso não me interessa. São pessoas que não acompanham os tempos, nem os comportamentos; que não observam a evolução dos costumes; e que ostentam uma “moral” falsa, pra esconder os seus recalques.

Uma coisa que muito me orgulha é que as "moradoras" e os "moradores", como nós as / os chamávamos, ali eram bem alimentadas (os). Havia frutas por todo o ano. E lavouras o ano inteiro. E não tinha essa de pobre passar fome, tendo comida para os donos das terras, que eram o meu avô e os filhos dele. Aquelas moças moradoras e namoradeiras, eram fortinhas, de perninhas grossas. Coisa "louca", no bom sentido. Loucura das boas! - Ah, que saudade me dá! – Não é “saudade do bate-papo, do que disse-que-disse, lá do Café Nice”, não. É saudade das festas com as nossas “matutinhas” lá do São José.

E saudade me dá também, da passarada que ali habitava, pela força da Natureza. Eram os beija-flores que, nas suas evoluções alegres, mais pareciam pessoas ansiosas dos dias de hoje. Mas só pareciam. Pois não tinham nada a ver com as ansiedades das gentes cheias de “tubulações”. Os beija-flores voavam de arbusto a arbusto, beijando e sugando todas as flores que encontrassem. E as andorinhas iam ligeiras, como nos dizia o Altemar Dutra. – E vinham aqueles periquitos pequenos, passear nos terreiros das casas. Periquitos mansinhos e lisinhos. Chamo de periquitos pequenos, porque não me lembro do nome que lhes era dado. Pois havia os papagaios, havia os periquitos de tamanho normal e os periquitos pequenos. Estes, bem verdinhos e de plumas tão macias que dava gosto a gente passar a mão naquela penugem! Aliás, penugem, só quando eles eram novinhos. Eram penas de vera mesmo. Penas verdes, que as queríamos verdes. E como era grande o nosso interesse de preservar o meio ambiente. Também o ambiente dos cantos, por mais escondidos que estes fossem. – Ah, que saudade me dá! Repito: não é saudade do Café Nice, não. É saudade dos periquitos. Grandes ou pequenos. Todos inofensivos!

Como o velho João Fernandes tinha casa de farinha, tanto as negrinhas, quanto as branquinhas, eram bem tratadas, à base de mandioca. Naquele tempo, como hoje, chamar de negra, não dava nem dá cadeia. Porque negra é a raça. O que pode dar processo, mas nem sempre dá cadeia, é o preconceito, a discriminação. Nada obstante, as pessoas hoje querem pegar na palavra, sem saber onde o galo canta. E por qualquer bate-boca, vêm com essa de racismo etc.; e “teje preso!” Algumas e alguns falam logo no art. 5º, inciso XLII, da nossa Constituição Federal etc. E dizem que é crime imprescritível e inafiançável (??).

Chamar uma negra de "essa negrinha!", é o mesmo que dizer "essa branquela de mierda!" Ou dizer que “o bicho que mais parece com gente, é motoqueiro!” É ofensa, injúria, agressão verbal. Demonstra preconceito, explosão de fúria. Mas, racismo é outra história. E chamar um negro de negro safado, também não é racismo. É injúria. Assim preconiza o nosso Código Penal. Assim, também, manda a legislação que regulamenta a nossa Constituição. E NÃO poderia ser diferente! Só os bobos chamam isso de racismo.

Agora, negar a alguém a entrada em um restaurante, cujos donos são brancos, só porque o alguém é negro ou amarelo, isso caracteriza o racismo. Assim também, se o restaurante é de negros, e estes proíbem que brancos o freqüentem, só porque são brancos, isso igualmente configura a prática do racismo.

Essa de racismo ser crime inafiançável e imprescritível, é mais uma jogada sacana dos nossos legisladores, para fazerem marola. E o povo embarca no canto da sereia. Essa Constituição, que alguns a chamaram de “cidadã”, tem muitas piadas de mau gosto. Eis aí uma delas. Não vejo hediondez no racismo, em que pese o seu caráter danoso. É ranço, preconceito, discriminação de pessoas más.

Então, o imprescritível e inafiançável, nesse caso, é um retrocesso, se nos compararmos a outros povos ocidentais. Assim dizem os juristas. Não sou eu. E a regra geral, no Estado Democrático de Direito, é a liberdade, no processo penal. E quando nem há ainda o processo penal contra o sujeito ou a sujeita. Há, apenas, indícios. A prisão é descabida. A liberdade é regra da própria Constituição. E a jurisprudência nos diz isso amplamente. A prisão é exceção!

Porém, quando há indícios fortes de certos crimes que devem ser inafiançáveis, tais como a tortura, o tráfico de entorpecentes ilícitos, o terrorismo etc., não ter o acusado direito à fiança, pode ser imperioso. Mas, imprescritibilidade, por quê? Se os juízes não julgam o crime, por que o criminoso tem que esperar a pena até que lhe chegue a morte? Se os tribunais não decidem, é mais um problema da nossa Justiça cega e surda (quando isso interessa aos que fazem a Justiça). Em casos da espécie, a imprescritibilidade quase que equivale à prisão perpétua, para os que nem julgados foram.

Conversa puxa conversa: ao “racismo”, ainda. Aqui no Sítio da Trindade, no ano de 2003, num fim de tarde, a jornalista Robertha Simony Maria Carneiro, teria chamado um guarda municipal de negro safado. Depois do pega-pra-capar, deram voz de prisão à jornalista. Veio a polícia e foi tudo pra delegacia do bairro. Lá, o delegado mostrou-se burro e ignorante, no tocante às leis. Ou agiu de má-fé. Pois sua senhoria mandou lavrar o flagrante. E ela, a jornalista, foi para o Bom Pastor, um colosso de presídio feminino, no Engenho do Meio. E lá ficou ela engaiolada por uma noite, até a tarde seguinte. Aí uma advogada requereu ao juiz a liberdade da moçoila. E o juiz deferiu o pedido, baseado nos próprios princípios constitucionais. Abonados pela jurisprudência e pela doutrina. É a presunção da inocência e o princípio da liberdade como regra. No caso da nossa jornalista Robertha Simony, não havia processo de ordem alguma. Apenas, palavra contra palavra.

Assim, a jornalista ficou respondendo em liberdade, como reza a lei. Não só os beatos rezam. Ou fazem que rezam. As leis rezam também. - No fim, a história da Robertha entrou por uma perna de pinto e saiu por uma de pato.

Permitam-me, aqui, uma historinha verídica, se bem que o seu autor, um juiz de Direito, pelo tanto que o conheço, foi somente brincalhão, face à confiança que detém na minha pessoa. E a recíproca é verdadeira. – No dia da ocorrência do Sito da Trindade, telefonei para esse juiz, amigo de longa data. E lhe disse: “Mas doutor L, prenderam a jornalista, só porque ela chamou os guardas de negros safados!” E ele: “Zé, negro safado é pleonasmo. Todo negro é safado”. Eu, rindo, larguei um palavrão, e respondi: “Mas L, você está sendo cruel!” Aí ele falou sério: “Nenhum juiz deixaria essa mulher dormir na cadeia hoje”. – Dito e feito. Ressalte-se que ele não estava atuando em varas do crime. Nem sequer passou perto da petição da advogada da Robertha.

Por ser de justiça, deixo aqui o meu pedido de desculpas aos negros de todo o mundo, pela brincadeira do meu amigo. Pura brincadeira! – Se há negros safados, há inúmeros brancos safados.

Entretanto, no meio do campo estava a Vera Baroni, que se diz defensora dos direitos dos negros. E a Vera estrilou. Por isso, eu tive umas altercações com a Vera Baroni, nas folhas do Jornal do Commercio. E foi de vera mesmo. Por fim, todos se salvaram, até os guardas municipais que mentiram. Outra: onde já se viu guarda municipal ser autoridade? Esses guardas querem ser mais autoridade do que um general do Exército Brasileiro! E pior: o poder público dá-lhes o direito de portar armas de fogo! E haja autoridade pra eles. E riscos para nós!

Naquela época, um cidadão ficou penalizado com a situação da jornalista. E disse nas folhas do jornal, que talvez a pobre Roberta estivesse com TPM. Sugeriu, com muita seriedade, que isso fosse apurado, sim ou não, visto que as mulheres, em situações que tais, podem ficar agressivas. E se tal estresse restasse provado, poderia ser considerado para redução da pena.

E eis que fiz rodeios e rodeios. E o título “De galhos e de flores”, não será mais um rodeio? Ou são os galhos e as flores dos arbustos por onde se lançam os nossos beija-flores! E onde pousam as nossas andorinhas! Pois não foram os rodeios dos peões boiadeiros. Com tantos rodeios e “arrodeios”, voltemos ao “poste” cantado e decantado pelo Zezinho de Caetés e pela Lucinha. Vejam: eu não tenho esse poder de ficar em cima do "poste" (palavras da Lucinha). Isso pode ser para o nosso amigo e presidente Lula. Tanto que a Dilma, que era Rousseff, hoje é a Dilma Duchefe. E quem é o chefe da Dilma? O Lula. Então, é ele quem, se quiser e puder, sobe no coqueiro e tira coco. Ou melhor, sobe no “poste”. Isto é, se o “poste” for mansinho e deixar. – E cá volto eu ao tema da criação de vacas leiteiras da Lucinha: melhor tirar leite do que tirar coco.

E quanto ao nosso Leonardo Boff, também falado nos ditos da Lucinha, havemos de convir que ele é teólogo e teórico. Eu não sou teórico, muito menos teólogo. Eu sou cristão prático e simpático, modéstia à parte. Procuro evitar o mal maior. Voto na Dilma Duchefe. E peço à Lucinha que, mesmo a Marina não tendo nenhuma chance, ela vote na Marina. Porque voto é coisa da consciência. Mas lembra-te, Lucinha: há aqui um candidato “olímpico” a governador, pelo PV da nossa Marina. Esse “ente do Olimpo”, de nome Sérgio Xavier, nem poste é. Também não tem nem jeito de gambiarra. Então, Lucinha, por Deus, não votes nesse aspirante a coisa nenhuma!

Aqui, de novo, entro na história da pretensa licenciosidade ou da libertinagem. Se em algumas passagens, alguém quis ou queira tachar-me de meio libertino, que esse alguém note tolas realidades que nos rodearam num espaço curto de tempo. Exemplo simples: se nos anos 50, alguma pessoa ou algum meio de comunicação falasse ou escrevesse: “Um dia sem tabaco!”, ao menos aqui no nosso Nordeste, seria motivo pra corar algumas pessoas.

No entanto, nos nossos dias, todo ano há um dia sem tabaco. Eu não concordo com a instituição do dia sem tabaco! Mas, fazer o quê? – Atentem para o que escreveu nas folhas do Diario de Pernambuco, no dia 3 deste mês de junho, um conhecido missivista. Eis aí as palavras dele:

Sem tabaco - Parabenizo o DP pela reportagem do dia mundial da luta contra o tabaco. Ele mede apenas 10 cm e, em geral, custa R$ 0,25 a unidade (??), mas é responsável pela morte de 5 milhões de pessoas por ano em todo o mundo. Mais que as guerras ou qualquer outra causa evitável. Em cada tragada, o fumante ingere mais de 4 mil substâncias tóxicas e 60 cancerígenas. Algumas estão presentes em venenos, em inseticidas e até em combustível. Bartolomeu Felix de Morais.”

As interrogações grifadas são minhas. Achei essa história meio enviesada, esdrúxula mesmo. Inclusive por trazer medidas e custos do fumo, aliás, do tabaco. Protestei perante o jornal, que não publicou o meu protesto. Isto é, fui censurado inocentemente pela “grande imprensa”. Por que diabos, pra essa “imprensa”, só eu não posso falar em tabaco? – É ISSO./.

José Fernandes Costa - jfc1937@yahoo.com.br

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