terça-feira, 8 de junho de 2010

ESQUECERAM DE MIM!



O mês de janeiro de cada ano se realiza o “Encontro de Papacaceiros”, que reúne vários conterrâneos vindos de plagas distantes do país, para rever a terra e os amigos queridos que lá deixei. É uma festa de arromba e que faz parte do calendário cultural da nossa querida Bom Conselho e, que Deus nos livre da “invenção” de querer mudar o seu nome.

Chega-se o mês fevereiro/março. O Rei Momo toma posse da cada cidade brasileira para reinar durante três dias, e que não fazemos o menor esforço para impedi-lo de tomar conta das cidades, pelo contrário alegramo-nos com a sua chegada. É o carnaval que envolve ricos e pobres, negros e brancos, baixos e altos, magros e gordos e, todos se envolvem na alegria da musica e pulam de alegria atrás dos blocos que desfilam pelas praças, ruas e becos das cidades ao som de uma orquestra.

Lembro-me do saudoso Zé de Poluca e seus companheiros que alegravam os bailes e os blocos pelas ruas de Bom Conselho no compasso do frevo-canção e o frevo rasgado durante a festa, que durava três dias e três noites.

Afinal chega-se ao final do mês de março e inicio de abril, a Semana Santa. Todos vão a Igreja para purgar os seus pecados e receber “cinzas” na quarta feira, para muitos quarta feira ingrata, como os foliões cantam “Ò quarta feira ingrata chega tão depressa só pra contrariar....” e continua pulando de alegria, cantando... “Quem é de fato bom pernambucano espera um ano e se mete na brincadeira, esquece tudo quando cai no frevo e no melhor da festa chega à quarta feira” para se confessarem dos pecados cometidos durante o reinado de Momo. Ai começa o tempo da Quaresma, a Via Sacra, e a Paixão de Cristo (que para muitos é um “espetáculo”), durante todo este tempo, piedosamente e contritos estamos voltados para as orações.

Eu acordei neste dia 1º de Abril com alguém no telefone falando, ou sonhando:
Zetinho, finalmente, em Bom Conselho foi fundada a ACADEMIA BOMCONSELHENSE DE LETRAS”. Exultei de alegria, finalmente. Os nobres escritores, homens e mulheres das letras, presentearam a comunidade com uma casa que cuida da cultura da cidade, seus torrão natal, oferecendo as plagas mais distantes a sua cultura. Afinal Bom Conselho tem este poder de comunicar e interagir com outras Academias existentes por este país afora. Pensei, neste momento, que estava se concretizando’ um desejo da comunidade bom-conselhense, de dotar a cidade de um espaço literário.

Quando estava em plena euforia, olho para a folhinha (não era assim que se chamava, antigamente?) era o 1º de abril o “DIA DA MENTIRA”.

Fiquei de fogo baixo, enroscado na cadeira do “papai” olhando pela janela o sol brilhar no infinito sobre um céu azul e nuvens brancas. Saí de fininho e fui andar no calçadão da praia de Casa Caiada e, meditar sobre este fato que eu pensei que fosse realidade, infelizmente, o dia não era propicio para anunciar um fato de extrema grandeza à criação da ACADEMIA BOMCONSELHENSE DE LETRAS.

Aos poucos fui me acalmando. O passeio me fazia bem. Via as pessoas caminhando pelo calçadão com o piso irregular, uns estavam apressados, outros andavam devagarzinho, outros fazendo alongamento, alguns correndo em marcha lenta, as crianças brincavam na areia, alheios aos problemas do mundo. Passava pelotão da Policia Militar em plena avenida em marcha forçada, gritando o hino “O soldado é resistente?” gritava o comandante, e em resposta os soldados respondiam “È sim Senhor”. E o comandante insistia, “O soldado esta cansado?” e todos respondiam “Não Senhor” e assim seguia aquele pelotão em direção ao Quartel e, lá sentado embaixo da sombra de uma palmeira estava eu, remoendo os meus pensamentos. Enquanto isto as horas passavam lentamente, pensei “esta coisa de Academia é coisa séria, para homens e mulheres que se dedicam à cultura de escrever e fazer poemas e declamar em alta voz e bom som para o deleite das pessoas.”.

Fui andando devagarzinho de volta a casa, sempre com o pensamento “mais tarde ou mais cedo esta realidade acontecerá para o bem de todos e felicidade da comunidade bom-conselhense” Tenho dito!


José Antonio Taveira Belo / Zetinho. - taveirabelo@hotmail.com
Olinda.

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