quarta-feira, 30 de junho de 2010

Imprensando a Diplomacia



Dias atrás eu li um artigo neste Blog (http://www.citltda.com/2010/06/imprensa-e-diplomacia.html), de autoria do professor José Fernandes Costa, no qual ele começa dizendo ter lido um artigo meu (http://www.citltda.com/2010/05/dilma-acredita-em-deus.html) que despertou sua curiosidade. Assim sendo ele resolveu consultar o nosso Mural, e ao fazer isto, encontrou notas do Severino Araújo e Alexandre Correntão, que discutiam sobre imprensa e diplomacia em nosso país e alhures.

Eu fiquei lisonjeado por dois motivos. O número um, por saber que o professor lê os meus artigos, isto é mais do que uma lisonja, é uma honra. O número dois refere-se à curiosidade que ele diz meu escrito ter lhe causado. Eu fiquei mais feliz do que pinto no lixo. Sou lido e causo curiosidade. Lá em Caetés, atualmente, só quem provoca curiosidade é o Rafael Brasil, com seu Blog, que critica o Lula pensando que ele é de esquerda, quando eu sei que ele nunca foi. Talvez, pertença à “esquerda vegetariana”, que tentarei explicar o que é depois.

Agora pensei escrever sobre este excelente texto do nosso professor, de quem discordei no passado, sobre a reforma ortográfica, quando ainda não usava nem pseudônimo. O que escreverei não é uma resposta, pois ele não me fez nenhuma pergunta, mas, comentários que acho pertinentes dentro do contexto. E, já começo dizendo que não concordo nem discordo, e muito menos pelo contrário, tanto do Alexandre como do Severino ou do professor, pois os pontos abordados são tão variados que alguém que concorde com todos ou com nenhum é porque já morreu, ou é filiado ao Partido Comunista, que aqui no Brasil, o antigo PCB, só conta com dois membros: Oscar Niemeyer e Ziraldo, não tendo sobrado nenhum para sua dissidência, o PPS.

O primeiro tema é chamado “grande imprensa”. Como, pelo menos, dizer o que é isto? Todos sabem que falamos da grande imprensa quando mencionamos grandes jornais, redes de TV, sites de notícias da Internet e até Blogs de grande repercussão. Exemplificando, O Globo, A Folha de São Paulo, Revista Veja, O Jornal Sete Colinas de Garanhuns, Estadão, Diário de Pernambuco, Rede Globo, A Gazeta de Bom Conselho, o Blog da CIT, a Rádio Papacaça, o Blog do Roberto Almeida e Alexandre Marinho, ambos de Garanhuns, e que nos visitam, o Pravda da falida União Soviética, a “Prensa Latina” da quase falida Cuba, a TV estatal do bolivariano Hugo Chaves, a KCTV do ditador da Coréia do Norte Kim Jong-II e outros mais que não lembro agora. E o que seria a pequena imprensa? E a média imprensa? O que quero dizer é que, qualquer critério de generalização é furado em princípio. Se formos acreditar em Nelson Rodrigues que dizia: “Nós, da imprensa, somos uns criminosos do adjetivo. Com a mais eufórica das irresponsabilidades, chamamos de "ilustre", de "insigne", de "formidável", qualquer borra-botas.”, e fazer de sua frase uma generalização, a imprensa se tornaria uma coisa banal ou maléfica. Não é porque um jornal não publicou algo que enviei que podemos chamá-lo de parcial, venal ou mercenário. Dizer que a grande imprensa virou um partido golpista não faz justiça a tantos jornais e jornalistas que lutaram bravamente contra a tirania e ditadura aqui no Brasil e fora dele. Isto não quer dizer que os meios de comunicação, em sua totalidade sejam habitados por homens santos e jornalistas escravos da notícia, independentemente, do “vil metal”, chamado dinheiro. Afinal de contas vivemos num sistema capitalista, e o Meirelles é presidente do Banco Central.

E é por falar em sistema capitalista, que entramos na seara da ideologia política e econômica. Durante quase todo o século XX, acreditamos (eu inclusive) que haveria um melhor sistema do que este sistema cruel onde os meios de produção eram apropriados privadamente, e cada um deveria sobreviver por si só, sem nenhuma coordenação de um chamado estado, poder público, coletividade ou o que fosse. Marx, um dos mentores intelectuais mais conhecidos, foi o primeiro a levar outros como o Lênin, e depois outros menos importantes como Mao, Fidel, Stalin e tantos outros, tão menos importantes que nem me lembro, a crerem que se poderia mudar o mundo através de uma revolução social. Talvez, se todos tivessem lido Marx com mais isenção e menos sectarismo e oportunismo político tivessem entendido o essencial. Uma revolução deste tipo deveria passar necessariamente por um sistema capitalista, isto é o que ele disse. Sem prestar atenção nisto, os fazedores de revolução, criaram a Revolução Soviética em 1917, e outras que a seguiram, tendo a certeza da destruição deste sistema perverso, e o advento do comunismo, devido às próprias contradições deste sistema capitalista. Entretanto, da mesma forma que Vicente Feola, que segundo o Garrinha, tinha esquecido de avisar aos russos quando ele mostrava seu sistema tático, eles esqueceram de avisar aos capitalistas. Nenhum país, onde havia um capitalismo avançado, até hoje fez esta revolução. Os que a fizeram tinham regimes feudais, medievais, antigos e muito subdesenvolvimento, principalmente, mental. Os outros todos se adaptaram a um estado de bem-estar social, que faliu por excesso de liberalidades estatais.

Quem viveu no Brasil a partir da década de 50, não precisa estudar muito história deste país para ver que durante quarenta anos ela girou em torno de nomes: capitalismo e socialismo (ou comunismo para os íntimos). Quase todos vivemos aquela fase de rebeldia, pelo menos aqueles sinceros e interessados pela condição de vida das pessoas, na qual amávamos os Beatles, os Rolling Stones, Che Guevara e sonhávamos com nossa revolução particular cuja Sierra Maestra poderia muito bem ser a Serra das Russas. E nossa “revolução” veio pelas serras de Minas Gerais, montada em carros do exército e nos brindou com vinte anos de Ditadura. Os sonhos de muitos acabaram nas masmorras e prisões deste país afora, de vez em quando juntos com suas vidas.

No mundo, o sonho da revolução socialista foi ao nocaute pela falência do modelo implantado na União Soviética, onde se demonstrou, e ainda ocorre em alguns outros países, a verdade da frase que diz que “o capitalismo é o sistema da exploração do homem pelo homem, enquanto o socialismo é exatamente o contrário”, atribuída a tanta gente e cuja evidência nos leva a não procurar o verdadeiro autor. Atualmente, todos somos capitalistas, ou sonhamos com um socialismo democrático, que nem de longe parece com aqueles dos sonhos de antanho.

Todo circunlóquio para chegar ao ponto do artigo do professor onde, pelo menos indiretamente, taxa meu gosto de duvidoso, ao incluir nesta condição aqueles que gostam do livro: “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano.”

Eu adorei o livro, portanto, podem duvidar do meu gosto à vontade. Mesmo que se diga que gosto não se discute, eu insisto em discutir o meu, falando deste livro. Inicialmente, eu discordo do seu título. Nisto o professor tem razão quando diz que o livro foi feito para vender, mas não é por isto que discordo, pois estamos vivendo ainda num sistema capitalista incipiente, mas que avançou muito no governo do meu conterrâneo Lula, que só não defende abertamente este modelo econômico para não contrariar o seu partido, o PT. Infelizmente, ele agora está tão enredado pelos “socialista do caixa 2” que tudo que fez pode se perder. Discordo, porque o termo “idiota” pode ferir susceptibilidades, daqueles que o julgam uma ofensa. A palavra foi colocada para vender e o mercado aceitou a ideia. Mas, eu usaria um termo mais apaziguador e ficaria com todo conteúdo do livro. Ao invés de “idiota” o termo do título deveria ser “iludido”. O título então deveria ser: “Manual do Perfeito Iludido Latino-Americano”. Venderia menos, o que satisfaria alguns “liberaisfóbicos”, mas o conteúdo seria o mesmo.

Não irei aqui fazer uma resenha literária do livro mas apenas apresentar o seu essencial. Embora eu pense que os currículos dos autores obviamente influem no que eles escrevem, este não deve ser um critério absoluto de julgamento de qualquer livro. Apesar de São Paulo ter sido inicialmente um caçador de cristãos, não posso dizer que o que ele escreveu foi ruim só por isso. Seus escritos mais conhecidos mostram que alguém pode se tornar um bom cristão. Mesmo assim, cito abaixo o escritor peruano muito conhecido, Mario Varga Llosa, no prefácio do livro, sobre eles (as citações são da edição brasileira da Editora Bertrand Brasil Ltda)

Conheço muito bem os três, e suas credenciais são as mais respeitáveis que um escrevinhador pode exibir em nossos dias: Plínio Apuleyo Mendoza é constantemente assediado pelos terrorista colombianos ligados aos narcotráfico e à subversão, que há anos querem matá-lo por denunciá-lo sem trégua em reportagens e artigos; Carlos Alberto Montaner lutou contra Batista, depois contra Castro e há mais de 30 anos luta do exílio pela liberdade de Cuba; e Álvaro Vargas Llosa (por acaso meu filho) tem três julgamentos pendentes no Peru de Fujimori como “traidor da Pátria” por condenar a guerrinha estúpida na fronteira do Peru com o Equador.”

Faço minha também as palavras do prefaciador sobre o livro em lide, quando ele ver o Manual como:

“...um texto beligerante e polêmico, que carrega nas tintas e busca o confronto intelectual, move-se no plano das ideias e das anedotas, usa argumentos e não motejos nem críticas pessoais, e contrapõe a ligeireza da expressão e sua virulência dialética ao rigor de conteúdo, seriedade da análise e coerência expositiva. Por isso, embora o humor esteja presente, trata-se do livro mais sério do mundo; depois de lido, como ocorre com verso de Vallejo, faz o leitor pensar. E a tristeza logo o assalta.

Isto aconteceu comigo na minha primeira leitura. Eu já fui um Perfeito Iludido Latino-Americano, um PILA. Eu, como quase todos da minha idade, era um exemplo do PILA. Acreditava piamente que pensar nossa realidade era uma perda de tempo. Ora, Marx et caterva já a haviam pensado por nós. Entre a “caterva” estavam os verdadeiros manuais de doutrinação escritos, entre outros por Che Guevara, Fidel Castro, Eduardo Galeano, Fernando Henrique Cardoso (que parece ter se desiludido, pois orientou seus leitores a esquecerem tudo que escreveu), Régis Débray, Caio Prado Júnior, Celso Furtado, Marcuse e outros que nos levavam, os iludidos, a termos orgasmos quando líamos suas obras, nos conduzindo a crer que a pobreza, os desequilíbrios sociais, a exploração, a inépcia para produzir riqueza e criar emprego e o fracasso das instituições civis e a democracia na América Latina poderiam ser explicadas fácilmente por palavras como imperialismo, neocolonialismo, nacionalismo, estruturalismo, empresas transnacionais, Estados Unidos, CIA, FMI, Banco Mundial, etc. As causas do nosso subdesenvolvimento eram bastante conhecidas e a solução era gritar pelas ruas: Ianques, go home!!!, Abaixo a Ditadura! Morte ao Imperialismo!!!, e outras baboseiras daquela época, que até seria romântica se tantos não tivessem sucumbido ao tacão militar, durante um período em que dizimaram nossas ilusões. Mesmo iludidos, e talvez por essa ilusão, chegamos a um novo patamar político de modernidade, império da lei, melhores níveis de vida, enfim, uma ainda jovem democracia. Por que então continuarmos iludidos? Por que não aprendemos a ver nossa realidade de forma pragmática ao invés de culparmos os outros pelos nossos males?

Uma das idiossincrasias do PILA é rotular pessoas, principalmente as inteligentes, que o incomodam, que são contrários às suas ideias ou crenças. Vejam o que fizeram com o Wilson Simonal e com o Roberto Carlos, por não fazerem composições de protesto, até descobrirem os "caracóis dos seus cabelos". Eu lembro de que chamavam o Roberto Campos, que faz o prefácio brasileiro do livro, naquela época: Bob Fields, entreguista, oportunista e outros “istas” difamadores. Qual o motivo? Ele dizer certas verdades que nós, PILA,s naquela época, jamais poderíamos admitir, como esta esta, por exemplo:

A tradução do Manual do perfeito idiota latino-americano chega em boa hora. É leitura imperdível para todos que desejam se vacinar contra os diferentes “ismos”, que nas últimas décadas constituíram o substrato cultural explicativo do atraso latino-americano – o nacionalismo, o populismo, o estatismo, o estruturalismo e o protecionismo. Todos trouxeram uma contribuição negativa. O nacionalismo, útil na fase de formação das nacionalidades, gradualmente tornou-se um obstáculo à importação de capitais e tecnologia. O populismo degenerou na proliferação de subsídios e na formação de custosas e ineficientes burocracias assistencialistas. Do estatismo resultou o Estado Empresarial, negligente em suas funções clássicas e invasor da esfera natural da atividade privada. O estruturalismo, ao subestimar o componente monetário da inflação, levou a políticas monetárias e fiscais permissivas, criando pressão inflacionária crônica e ocasionais hiperinflações. O protecionismo obliterou o princípio das vantagens comparativas e sancionou a criação ou a sobrevivência de setores não competitivos; a eficiência depende não apenas do livre ingresso de novos competidores como do desaparecimento dos ineficientes, coisa inviabilizada pela combinação de protecionismo e estatismo que tem caracterizado a cena latino-americana. Juntas, essas deformações culturais constituem a doença dos ‘ismos’, que obscureceu por longo tempo nossa percepção dos componentes fundamentais do desenvolvimento econômico: espírito empresarial, produtividade e poupança. São qualidades que vicejam sobretudo em ambientes institucionais que preservam a liberdade competitiva e prestigiam o direito de propriedade contra o Estado interventor e predador”

Eu me permiti fazer uma citação tão longa, correndo o risco dos atuais ainda PILA,s, que não são poucos, nem lerem alegando ser ele um autor que ainda consta no “Índex do PILA”, como outros liberais, que não querem que esqueçam o que eles escreveram. Atualmente vamos ter eleições para presidente da república, e tem muita gente querendo “colocar mão-de- pilão em ânus de gato”, levando o meu conterrâneo Lula a se comportar como um PILA, quando para isto ele não tem vocação nenhuma. As palavras citadas acima, ele nem sabe o que é, e nem precisa, para ser presidente, mas, sua candidata as aprendeu muito bem, e pensa que ainda pode revisitá-las, contando com uma certa ingenuidade dos seguidores, e fiéis seguidores, do meu conterrâneo.

Eu estava pronto para continuar a escrever, quando fui reler o que escrevi, já foi muita coisa, gente. Ainda ia tratar um pouco da questão da diplomacia, mas fica para depois, quando encontrar espaço neste concorrido Blog, por enquanto, resolvi imprensá-la aqui, por isso o título do texto.

Se chegaram até aqui, pelo amor de Deus, não esqueçam o que eu escrevi, nem de comprar e ler o livro, que procurei mas não encontrei em formato eletrônico para colocá-lo na Biblioteca do nosso Blog. Estou tentando comprar também dos mesmos autores: “A Volta do Idiota”, que deveria ser iludido. Vi uma resenha dele e parece ser imperdível, pois os autores poupam meu conterrâneo Lula colocando-o entre os membro da “esquerda vegetariana”, que é aquela cujos representantes adaptaram-se ao mundo globalizado e fizeram as pazes com a economia de mercado. Enquanto a “esquerda carnívora” tem em seu comando o maior PILA moderno: Hugo Chaves, e basta este como exemplo.

Aguardem este ex-iludido que lhes escreve.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

Nenhum comentário: