sábado, 26 de junho de 2010

A Prefeita e o Sanfoneiro com os Pés no Chão



Hoje pela manhã fui “procurar sarna prá me coçar”. Era assim que meu pai falava quando a gente queria se meter em encrencas. Apesar de não me considerar uma encrenqueira, alguns me consideram assim, pelo meu hábito de muitas vezes querer ser a “palmatória do mundo”. Dias atrás escrevi um texto no qual tentava dizer que houve um erro de nossa prefeita, Judith Alapenha ao liberar a realização do nosso já tradicional São João, o Forrobom. A sarna eu fui procurar no SBC, encontrei e estou me coçando até agora.

Eu fui verificar se havia alguma notícia do Forrobom, e, confesso, estava com aquele sentimento egoísta que muitas vezes afeta os seres humanos, quando nem ligam para os outros desde que suas ideias sejam consideradas corretas, e podemos bater no peito e dizer: “Eu não disse!?”. Oh! pobre de nós mortais! Ainda bem que sou católica e meu confessor resolve isto com a parte de cima, Deus, mas, com a parte de baixo, o povo, tenho que pedir perdão outra vez. Ora, dirão os adversários políticos, isto já está ficando monótono. Eu respondo na lata: Ah, se o PT continuasse pedindo perdão pelo “mensalão”! E, ao invés de se vangloriar, nosso apedeuta-mor pedisse perdão o tempo todo por não ter estudado, e levado os jovens a acreditar que é preciso ser quase analfabeto para gerir uma nação. E, com toda humildade mostrada no poema de Mário Lago, gostaria de entrar no gabinete de nossa prefeita, cantando-o junto com a música do Ataulfo Alves, onde o amor, no meu caso, refere-se ao que sentimos ambas por nosso povo:

“Covarde sei que me podem chamar
Porque não calo no peito essa dor
Atire a primeira pedra, ai, ai, ai
Aquele que não sofreu por amor

Eu sei que vão censurar o meu proceder
Eu sei, mulher que você mesma vai dizer
Que eu voltei pra me humilhar
É, mas não faz mal
Você pode até sorrir

Perdão foi feito pra gente pedir”

Trocando em miúdos, este sentimento me tomou, quando ao ver as fotos do Forrobom deu para perceber que pelo menos nosso povo, apesar da tragédia, estava se divertindo e a tendência é se divertir no restante da festa. A prefeita estava certa ao abrir esta festa ao povo, e eu, mais uma vez, errada.

Não cheguei a fazer retiro espiritual, como costumo fazer, às vezes, no Colégio Nóbrega, mas, mesmo em casa comecei a refletir sobre a causa de tantos erros. Não foi difícil chegar a uma conclusão definitiva. Eu erro pela distância. Mesmo hoje estando conectada por todos os meios aos mais variados lugares, nada elimina os efeitos da distância física, do contacto direto com o povo, da conversa ao pé do ouvido, dos lamentos furtivos e do “estar lá”, simplesmente. E eu já critiquei outros de fora por quererem dar pitacos no Encontro de Papacaceiros, agora cometo o mesmo erro. “Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa”.

Entretanto, tentando fazer do limão que me coube, uma limonada, continuei a ver as fotos do Forrobom. E me deparei com uma delas que me emocionou. O Basto Peroba, um dos mais brilhantes instrumentistas deste país, "resfolegando" em sua safona, com os pés descalços, ou seja, com os pés no chão. Não sei se por hábito, por a chuva ter molhado seus sapatos ou mesmo por estilo, como os óculos escuros do Jorge Benjor, que era melhor quando era Ben, eu interpretei como um gesto que dizia aos voadores e voadoras como eu: “Andemos com os pés no chão”. Ainda tive a alegria de ver a prefeita com sua jovialidade e beleza, parecendo com saúde para tocar o nosso município, com a fibra da mulher bom-conselhense. Que Deus a proteja.

Ao tempo em que ia vendo as fotos ia chegando, cada vez mais, à conclusão de que a prefeita estava certa e eu não. Parabéns prefeita, pela bela festa. A senhora tinha os pés no chão enquanto eu pisava nos astros, distraída.

Esta lição levou-me a pensar que tenho que ir urgentemente a Bom Conselho, colocar os pés naquela terra e conhecer pessoalmente a Judith, pois ainda não desisti da ideia de trazê-la para o PV. Vai ser fácil, pois Bom Conselho é a nossa causa.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com
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(*)Fotos obtidas no SBC.

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