segunda-feira, 14 de junho de 2010

A TOPADA



Quase todo Bom conselho conhece Jorge Miranda, foi por muitos anos fiscal de renda da fazenda do estado, sempre muito calado, porém muito observador, é o que chamamos de come quieto, quando fiscal ficava até altas hora da madrugada na rua, e com isto era sabedor de muitas coisas que só depois de certos tempos é que iam estourar na cidade.

Meu pai Juarez Tenório dono da sorveteria Danúbio (o melhor picolé e sorvete de coco que nossa cidade já teve), ele comprava de caminhão fechado de açúcar, e sempre pagava o imposto certinho, então certo dia ele resolve trazer um caminhão de açúcar clandestino para não pagar imposto, e para que isto acontecesse papai deixou para descarregar altas horas da noite o açúcar, como não poderia deixar de ser, Jorge desconfiou que papai estivesse fazendo malandragem, e exatamente no dia em que vinha um caminhão de açúcar ele resolveu ficar mais tempo na rua e as horas foram passando e ele ali na esquina da praça dom Pedro II com a João Pessoa, não arredava o pé, papai já ficando impaciente, pois toda vez que ia olhar lá estava Jorge em pé, bem tranqüilo, e papai foi se impacientando até não aquentar mais, foi em direção a Jorge e abriu o jogo o que prontamente Jorge disse agora esta tudo bem você pode mandar vim o caminhão que eu não vou lhe denunciar, mais fique sabendo que eu sei de tudo que se passa em nossa cidade.

Jorge era chamado por Zé Bias de imperador, devido ele andar sempre de cabeça erguida, ai Zé Bias botava pra quebrar, quando ele passava para ir para a casa de sua mãe, dona Julia, Zé Bias gritava “lá vai o imperador de merda”, ai todo mundo caia na gargalhada.

Jorge sempre gostou de andar a pé, gostava de assobiar e andar descontraidamente andava como quem não tem nenhuma preocupação, certa feita ele entra no beco de Dr. Raul, e lá esta no meio da rua uma caixa de papelão mais ou menos com uns 25 cm cúbico, uma beleza, ele imediatamente pensou no seu tempo de jogador de futebol, estava ele sozinho no beco olhou para um lado e para o outro e não viu ninguém, ai não teve duvida, correu e lascou um chute, então se ouve por toda redondeza um grande grito, no que prontamente aparece os curiosos, e encontram Jorge se levantando com o dedo todo ensanguentado, no que prontamente é levado para o hospital para ser feito o devido tratamento.

Dois dias depois eu o encontro mancando e o dedo todo enfaixado, eu pergunto o que houve com o dedo dele e ele conta que uns cabras safados colocaram um paralelepípedo dentro de uma caixa de papelão e eu chutei a caixa e esfolou meu dedão, aguentei o que pude para não rir.

Alexandre Tenório Vieira - tenoriovieira@uol.com.br
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(*)Fotos da Internet.

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