sábado, 31 de julho de 2010

Adivinhação (XXV)


Um pouco de política externa (1)





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(*)Fotos originais da Internet.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Nota de Esclarecimento da Câmara de Vereadores de Bom Conselho

A Nota de Esclarecimento abaixo nos foi enviada pela Prefeita de Bom Conselho, Judith Alapenha, nos seguintes termos

Amigos,

Acredito que seja oportuna a divulgação da mensagem que foi enviada a mim pelo presidente Francisco Bento. Neste sentido, estou enviando a vocês, para que se dê o devido direito de resposta ao vereador atacado, como também aos outros vereadores que se sentiram prejudicados. Agradeço mais uma vez a atenção.

Judith Alapenha - judith_alapenha@hotmail.com
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NOTA DE ESCLARECIMENTO


A Câmara Municipal de Bom Conselho, através de seu Presidente, Vereador Francisco Bento Soares, tendo em vista as acusações levianas formuladas pelo edil Gilmar Aleixo em entrevista veiculada no Programa "Show da Manhã" da Rádio Papacaça AM, vem a público esclarecer o que segue:

1. Inicialmente, importante ressaltar que, apesar de requerida a veiculação da presente Nota de Esclarecimento via Rádio Papacaça AM, durante o Programa "Show da Manhã", onde o vereador Gilmar Aleixo proferiu as mais gritantes acusações em desfavor dos que compõem a Câmara Municipal de Bom Conselho, em especial do seu Presidente, Vereador Francisco Bento Soares, aquela emissora de rádio, ao arrepio da previsão estatuída no artigo 5°, inciso V, da Constituição Federal, a qual garante o Direito de Resposta, numa atitude reprovável, de cunho eminentemente antidemocrático e violador, inclusive, dos Termos da sua Concessão, haja vista serem os sinais radiofônicos patrimônio público, meramente cedido à exploração comercial, negou a veiculação da presente Nota em sua programação, exigindo Determinação Judicial para tanto.

2. Ciente de que o Poder Judiciário possui causas mais urgentes para serem apreciadas, buscou o Poder atacado outra emissora de rádio para veiculação da presente Nota.

3. Quanto ao conteúdo das denúncias, mister frisar: não é a expressão da verdade as acusações de que o Chefe do Poder Legislativo Municipal, Vereador Francisco Bento Soares vem se favorecendo e favorecendo vereadores deste Município com Recursos Públicos. Sabe-se que a fonte de recursos da Câmara Municipal é o duodécimo, cujo repasse é efetuado mensalmente pelo Poder Executivo a cada dia 20. Entretanto, toda e qualquer despesa deste Poder, na gestão do atual Presidente, sempre foi e continuará sendo efetivada com o mais amplo e irrestrito lastro legal.

4. No que tange ao pagamento de diárias aos vereadores deste Município, este segue as normas previstas na Lei Municipal n°. 1.117, de 07 de julho de 1997, ou seja, o supedâneo legislativo que autoriza o pagamento de diárias aos servidores públicos latosensu e agentes políticos do Município de Bom Conselho não foi criação desta Legislatura, já estando em vigor há mais de treze anos.

5. Todos os Congressos, taxados de "araque" pelo edil Gilmar Aleixo, foram de fundamental importância para o aprimoramento dos vereadores participantes, na medida em que versavam sobre assuntos intimamente relacionados com a atividade legislativa municipal.

6. Ao contrário do que informou o Vereador Gilmar Aleixo, o mesmo chegou a participar de, pelo menos, 06 (seis) Congressos desses, nos Estados da Bahia, de Sergipe e de Alagoas, os quais foram taxados pelo próprio de "Congressos de araque", tendo, inclusive, recebido as correspondentes diárias.

7. Ao contrário do que foi veiculado pelo edil Gilmar Aleixo, inexiste qualquer espécie de perseguição, o que é provado através do que foi mencionado no item 4, na medida em que o referido vereador participou de Congressos fora do Estado de Pernambuco e recebeu diárias. Se fossem tão imorais, como asseverou o Vereador Gilmar Aleixo, acreditamos que o mesmo nunca teria participado de qualquer Congresso, bem como não teria recebido as diárias.

8. Essa atitude incoerente do Vereador Gilmar Aleixo somente pode ser justificada pelo fato de lhe ter sido indeferido, nos últimos meses, pedido de diárias para participação em Congressos. O indeferimento do pedido do pagamento de diárias foi a notícia de que o vereador denunciante estaria recebendo as diárias, porém não estava participando da totalidade das palestras dos Congressos, ocasionando, portanto, desperdício de dinheiro público.

9. Os documentos comprobatórios da participação do Vereador Gilmar Aleixo nos Congressos que o mesmo chama de "araque" estão à disposição de quem os desejar na Sede do Poder Legislativo Municipal.

10. Por fim, na condição de Presidente do Poder Legislativo Municipal Bonconselhense, venho, repudiar as acusações de inércia dos Poderes Executivo e do Judiciário, bem como do Ministério Público, OAB e do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco, efetivadas pelo Vereador Gilmar Aleixo, ao tempo em que reitero a mais ampla e irrestrita confiança nas mencionadas entidades, as quais sempre zelaram pelo fiel cumprimento das disposições legais.

11. Absolutamente convencidos que a população Bom-Conselhense acredita no trabalho que vem sendo desenvolvido por esta Casa do Povo, agradecemos à atenção dispensada e reiteramos nosso compromisso de bem servir aos anseios de nossos munícipes.

Bom Conselho (PE), em 28 de julho de 2010

Francisco Bento Soares
Presidente

Lula, Fidel e Madame Tussauds



Eu ainda me considero viajando e revendo minha terra mãe, Caetés, que, antes que algum aventureiro o faço, eu já proponho, quando Lula bater a bota, é claro, passar a chamar-se de Luis Inácio. Ele merece uma cidade só para ele. Pelo menos por enquanto. Embora, fique pensando, será que ele, se, que Deus me livre, a Dilma for eleita, não irá manchar o seu nome? Eu realmente não suportaria minha dor se algum dia encontrasse o meu conterrâneo com uma garrafa de 51 debaixo do braço, em plena Avenida Santo Antônio em Garanhuns, de onde agora teclo o meu lepitope, cantando e relembrando do nosso saudoso Waldick Soriano:

"Quem és tu?
Para querer manchar meu nome;
Quem és tu?
Se fui eu quem matou tua fome;
Quem és tu?
Não és ninguém, não és nada;
Quando eu te conheci;
Vivias pelas ruas;
Sempre desprezada;
Tive pena, de te ver no abandono;
Sem amor, sem guarida;
Um coração sem dono;
Te pus na Casa Civil;
Limpei o teu nome;
Quem és tu?
Para manchar meu nome."

Todos que me lêem já sabem o que estou fazendo por estas bandas. Vim à procura do Lula, que esteve aqui e em Caetés, mas este façanha, que envolve lances fortes, eu conto depois. Aqui quero apenas me reportar a uma foto que vi num destes Blogs, que são tantos, que me perdoem por esquecer o nome, que é reproduzida abaixo.


Houve um tempo em que minhas as vacas (não as de Lucinha, as minhas não tossem, eu dou Capivarol a elas) engordaram um pouquinho, juntei um dinheirinho e fui para a Europa. Meu objetivo primeiro era visitar a cidade do meu pai em Portugal, que ele me dizia ser uma área onde nascera o Salazar. Fui lá e depois, contei o dinheiro e deu para ir até à Inglaterra. Meu inglês não é muito bom, mas, quem disse que para andar pelo mundo precisa-se saber qualquer língua estrangeira? Hoje, com a indústria do turismo, se você disser que fala só tupi-guarani, surge imediatamente um índio brasileiro, vestido a caráter, para lhe ajudar e ganhar a gorjeta.

Foi assim que fui parar num museu onde são reproduzidas pessoas famosas usando cera. Achei uma coisa maravilhosa. Naquela época só havia de brasileiros o Pelé e Maria Ester Bueno, a tenista. Lembro que havia uma mulher sentada num banco, lendo um jornal do dia, e eu cansado pedi licença para sentar, e ela não falou nada. Olhando melhor, não era que a dita cuja era de cera! Levantei um pouco vermelho e me refiz do susto, mais maravilhado ainda.

Atualmente já deve haver outros personagens brasileiros e outros tantos internacionais. O João Paulo II deve ter sido substituído por Bento XVI, o Bush pelo Obama, o John Major por George Brown, pois talvez não tenha havido tempo de fazer o novo primeiro ministro deste pais dos Beatles, que também estavam lá. Não sei se o Lula já está por lá, mas, com seu prestígio internacional, talvez esteja. Entretanto, vou parar com esta propaganda do Reino Unido, e dizer porque resolvi escrever sobre este museu, que é chamado de Museu de Madame Tussauds.

Quando vi a primeira foto desta crônica, do comandante Fidel, ídolo dos nossos PILA (Perfeito Iludido Sul-Americano), não pude deixar de associá-la a um museu de cera. Olhem bem para ela, e se necessário cliquem para ampliá-la, e vejam a semelhança da figura central com aquelas das outras fotos neste texto. Todos perceberão que o Fidel não é um ser humano normal e sim um boneco de cera, pronto para ir para Madame Tussauds. Talvez o boneco já tenha sido feito prevendo o desfecho de sua vida, que será igual a de qualquer um de nós, com uma diferença, ele será um boneco lá no museu, onde ficará na galeria dos notáveis: Hitler, Mussolini, Idi Amin Dada, Stalin, Mao e outros seus colegas na História.

Em tempo, deram-me de presente um livro chamado “A Volta do Idiota”, dos mesmos autores que escreveram “O Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano”, sobre o qual escrevi anteriormente (http://www.citltda.com/2010/06/imprensando-diplomacia.html), cujo conteúdo foi maravilhosamente, como sempre, comentado pelo professor José Fernandes (http://www.citltda.com/2010/06/imprensa-e-diplomacia.html), num artigo que lhe rendeu até um grande elogio do Jodeval Duarte em seu Blog. Espero quando terminar minha leitura possa comentar, se puder, os seus comentários. Por enquanto, estou atrás do Lula, em Caetés, e aqui em Garanhuns, esperando que a Dilma não me veja.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Orquestra Sinfônica em Bom Conselho



A mensagem abaixo nos foi enviada para ser publicada no Mural do Blog. Ficamos tão alegres, com o que ela diz que resolvemos colocá-la com uma postagem normal. Eu já disse aqui, tempos atrás, que minha vida de músico foi muito curta. Demorou apenas o tempo para eu me matricular para um curso com Seu Zé de Puluca, e eu começar a rir com os gestos feitos pelo maestro para solfejar, e ele, me botar prá fora da Sede da Música, na Rua da Cadeia.

Mas tenho verdadeira veneração pela música e pelos músicos. E como diz a descrição do projeto da turnê da Orquestra Sinfônica Jovem do Conservatório Pernambuco, ele não só visa apresentar a música, mas, também formar músicos, ou, pelo menos, incentivar os estudantes a aprenderem. Espero que aqueles que leem nosso Blog divulguem esta apresentação, que, certamente, trará risos e emoções.

Diretor Presidente
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Oi,

A Orquestra Sinfônica Jovem do Conservatório Pernambucano de Música iniciou sua quinta temporada de concertos essa semana e já está na estrada rumo ao Agreste Sertão. Esta é a primeira vez que uma Sinfônica faz uma turnê pelo interior do Estado. Eles se apresentam cada dia em uma cidade, no sábado, dia 31, é a vez da cidade de Bom Conselho. A apresentação será às 20h, na Paróquia Jesus, Maria e José.
São 70 músicos sob a regência do maestro José Renato Accioly. Antes de cada apresentação eles farão um ensaio aula para apresentar os instrumentos a alunos da rede pública. Essa apresentação também é aberta ao público.

Segue abaixo release sobre a turnê e o grupo. Mais informações podem mandar um e-mail para mim ou para o próprio maestro José Renato, que está junto com o grupo.


Obrigada pela força.
Mack Costa - mackcosta@hotmail.com
José Renato Accioly
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ORQUESTRA SINFÔNICA JOVEM INICIA TURNE PELO INTERIOR DO ESTADO


A Orquestra Sinfônica Jovem do Conservatório Pernambucano de Música põe o pé na estrada para a primeira turnê de sua quinta temporada de concertos. A viagem começa nesta quinta-feira, dia 29, por Salgueiro. Esta é a primeira vez que uma Orquestra Sinfônica faz uma turnê Sertão Agreste no Estado.

Antes de cada apresentação, o grupo realizará ensaios-aula abertos ao público. O objetivo é apresentar os instrumentos e seus sons a alunos das redes públicas estadual e municipal. O projeto do ensaio-aula complementa o trabalho já iniciado pelo Conservatório Pernambucano de Música nestas cidades, em parceria com prefeituras e bandas filarmônicas locais. “No ano em que o conservatório completa 80 anos resolvemos fazê-lo ainda mais pernambucano, levando a oportunidade de aprender música também às cidades do interior, que já possuem sua história ligada à música através de bandas e filarmônicas”, contou Sidor Hulak, presidente do CPM.

Seguindo estrada, na sexta-feira, 30, o grupo chega à Carnaíba, onde se apresenta na Matriz de Santo Antônio e São João Maria Vianez. Dia 31 é a vez da cidade de Bom Conselho, na Paróquia Jesus, Maria e José. E no dia 2 de agosto a turnê encerra em Caruaru, na Paróquia Coração Eucarístico. As apresentações serão sempre às 20h, exceto em Caetés, no dia 1 de agosto, quando o concerto começa às 17h, na Paróquia de São Caetano.
“Fico muito feliz em realizar este trabalho por mais um ano. O papel da música não é só no sentido de deleite. Ela também busca humanizar, sensibilizar, trazer o que há de melhor em cada pessoa. Levar a Orquestra Sinfônica Jovem às cidades do interior é uma forma de apresentar este tipo de música e mostrar que o erudito também pode ser apreciado pelo povo
”.
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Informações sobre a Orquestra

Consolidando-se como uma das iniciativas mais bem sucedidas de Pernambuco, unindo a formação musical à responsabilidade social, o projeto faz do nosso Estado referência quando o assunto é formação de público apreciador de música clássica.
Há cinco anos plantou-se a semente de um sonho: popularizar a música sinfônica na Região Nordeste num percurso que contemplaria cidades do sertão ao cais. E o sonho ganhou as estradas.
A Orquestra Sinfônica Jovem do Conservatório Pernambucano de Música, formada por instrumentistas que têm entre 13 e 25 anos, vem cumprindo este papel e transformando o conceito de que música sinfônica só deve ser apreciada por um público elitizado. Desde 2006 estes 70 jovens e seu maestro seguem pelas estradas nordestinas e já realizaram cerca de 100 concertos em mais de 25 cidades. O grupo percorreu mais de 10 mil quilômetros de estradas levando a cidades como Afogados da Ingazeira (PE), Carnaíba (PE), Condado (PE), São Bento do Una (PE), Campina Grande (PB), o encanto dos acordes sinfônicos. Na turnê Nordeste, capitais como Maceió, Natal, João Pessoa, Recife e Fortaleza também receberam os jovens músicos.
Quando os instrumentos da Sinfônica Jovem do CPM chegam ao interior, com seus mais de 13 naipes, não somente despertam a curiosidade da gente que jamais tivera a oportunidade de ouvir e vê-los. Acima de tudo, quando o grupo aporta numa pequena cidade, desperta a sensibilidade, a capacidade criativa e o interesse de pessoas de todas as gerações.
A Orquestra Sinfônica Jovem do Conservatório Pernambucano de Música é um grupo em permanente formação. Seus componentes têm a cada ano o desafio de ir além, pois participam de uma seleção anual para continuar no projeto, que destina 50% das suas vagas para jovens carentes. Quem passa pela sinfônica conhece de perto mestres mundialmente conhecidos como Mozart, Beethoven, Verdi. Mas também exercita a brasilidade de compositores como Capiba e Jarbas Maciel. É um percurso que forma músicos e transforma vidas.
Alguns deles já deixaram o grupo para alçar vôos mais altos, como a orquestra sinfônica da Bahia, orquestras militares no Rio de Janeiro e no Norte do país. Para o Maestro José Renato Accioly, esta é a comprovação de que o Conservatório está cumprindo o papel de formar bons músicos.
Um convênio com o Ministério da Educação propicia que centenas de jovens e adultos que fazem parte do programa Brasil Alfabetizado participem dos concertos. Alunos da rede pública de ensino também têm tratamento diferenciado. Antes de cada apresentação é ministrado um concerto aula com a finalidade aproximar os sons e os instrumentos das crianças.
A temporada de Concertos da OSJ prepara-se para estrear na próxima terça-feira, 27, seu quinto ano de apresentações. Um projeto realizado com seriedade e que pretende ampliar as fronteiras levando música e cidadania com responsabilidade social, que possui apoio de empresas como Chesf, Neoenergia, Taesa e Sesc.
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(*) Foto enviada como anexo da mensagem.

Bom Conselho na Pré-História



Dias atrás recebemos um e-mail de Talvanis Lima Cavalcante (Posteriormente, soube que ele era filho do Seu Clívio, meu mais belo professor. Será que ele já lembrou de mim? O e-mail foi publicado também em um número da A Gazeta.). Publicamo-lo no Mural do Blog. Ele falava sobre a descoberta de restos de animais pré-históricos na fazendo Lagoa Salgada, em Bom Conselho. Uma equipe composta por, entre outros, ele o Talvanis, o Sandoildo, José Alves e o Prof. Solinge, comandada por Frei Dimas, entre os anos de 1972 e 1973, fez a alegada descoberta. O motivo do e-mail era procurar, junto à comunidade, através do nosso Blog, informações sobre onde hoje se encontram estas relíquias pré-históricas. Ele mencionava Mastodontes, Preguiças-Gigantes, peixes e insetos das primevas eras do nosso planeta.

Fiquei pensando com meus botões políticos. Ora! Se Bom Conselho não sabe nem onde está o busto do Lívio Machado, como deverá se lembrar destes ossos pré-históricos? Se os nossos prefeitos derrubaram o Cine Rex, desfiguraram a praça Lívio Machado, Praça de Santo Antônio, deixaram corromper o belo conjunto arquitetônico do centro da cidade, fizeram um arco na entrada para parecer que estamos em uma cidade do sul, quando estamos no agreste pernambucano, etc. etc. Tudo em nome do progresso. Como irão saber dos bichos pré-históricos do Talvanis?

Mas, pensando bem, talvez tenhamos hoje nossos Mastodontes. Ao ver as fotos do centro da cidade já vemos dois grandes Mastodontes: O prédio do Eletro Móveis Magazine (me perdoe o Alexandre Vieira) e um prédio horroroso construído na entrada da Rua do Caborje. São os grandes exemplos da arquitetura moderna mal empregada. Tudo se passa como se alguém construísse o Edifício JK, do Recife, no lugar da pirâmide do Louvre, em Paris. Vi, tempos atrás, num destes programas Fantástico da TV Globo, um projeto de um prédio de arquitetura moderna, para ser implantado em pontos turísticos de várias capitais brasileiras. Eles tentavam descobrir se os habitantes de cada cidade aprovavam a ideia. Pasmem, mais de 50% aprovaram construir o prédio nas areias de Boa Viagem. Para mim, a voz do povo é a voz de Deus somente nas urnas de eleições que sustentam o processo democrático. Em alguns casos votação é demagogia barata. Quanto mais é especializado o conhecimento menos se tornam eficientes eleições e manifestações de massa. O caminho democrático passa pela maior eficiência de escolher aqueles que decidem. Quando se quiser fazer votação de qual o nervo cortar em operações de próstata, teremos mais de 90% de impotentes. Quando isto acontecer nem deixarei meu marido ir ao urologista.

Penso que em Bom Conselho, cada um decidiu sobre o que era mais bonito e mais lucrativo do ponto de vista pessoal. E onde está o poder público? Onde estão os que o compõem? Na maioria das vezes agindo para continuar no poder, quando chegarem as novas eleições. E os Mastodontes crescendo e aparecendo. A Câmara de Vereadores é uma verdadeira Preguiça Gigante, distribuindo uma benesse ali outra acolá, visando sempre as próximas eleições. Será ela tão preguiçosa que não apurará a denúncia feita por um vereador e estampada no Blog de Bom Conselho de Papa-Caça no dia 27.07.2010, transcrita e comentada ontem pelo Diretor Presidente (http://www.citltda.com/2010/07/denuncia-de-corrupcao-na-camara-de.html) ? Ou será que já virou fóssil também junto com outras autoridades?

Quando começar minha campanha em Bom Conselho não vou fazer proselitismo maior do que aquele que seja necessário para discutir minhas ideias. Discutir, gente! Bom Conselho precisa ser discutido. Que tal começarmos discutindo o Mastodonte Brasil Foods? Vamos discutir seus investimentos sociais na cidade e a contrapartida que nos cobram por isto. Vamos discutir sua responsabilidade no estouro do Açude da Nação. Como eles estão nos tratando? Qual a relação com a Prefeitura, autoridades, peixes e insetos pequenos? Vamos discutir uma política pública visando melhorar o aspecto estético do centro da cidade, que está parecendo uma cidade indiana, com aqueles cartazes e trânsito horrorosos. Vamos discutir porque ainda se permite construir em áreas de risco e em loteamentos sem plano nenhum. Qual a relação da Igreja com a comunidade? Será só a organização de procissões bonitas como a que elogiei em artigo anterior? Vi outro dia na Rádio Papacaça alguém reclamando da não prestação de conta do dízimo. Como boa católica sei que o Padre Nelson não precisa prestar contas, mas considero isto mais um erro do nosso Código Caduco, digo, Canônico. Soube até que muitas vezes é cobrado dízimo de 50% sobre algumas atividades. Salve-nos oh! Mãe Rainha. Se isto for verdade, só sobrará o padre.

Enfim, começamos com entes pré-históricos, passamos pela idade moderna, e voltamos à pré-história, com Mastodontes e tudo. Espero em Deus que isto ajude o Talvanis a tirar suas dúvidas, sobre onde encontrar os restos mortais dos nossos bichos e nossos cidadãos a se interessar mais pela sua cidade.

Não correndo mais o risco de ser multada pelo TSE, por antecipação da campanha, devo acrescentar: corremos o risco de sair da pré-história para o caos, se não tivermos cuidado com o nosso meio ambiente. Então lembrem-se: Mulher vota em Marina em 2010 e em Lucinha em 2012. Para não ser multada sozinha, cito aqui nossa Prefeita Judith Alapenha, cujos defeitos que encontrei, até agora, foi não consultar o Pai Dantas antes de lançar "Notas Oficiais" e não ser do PV, comentando sobre o que viu em Brasília, em seu Blog, no Encontro de Prefeitos:


"Marina Silva, em particular, me chamou a atenção. É uma candidata competitiva, ao contrário do que muitos pensam. Mostrou-se ser uma política hábil, séria, e conhecedora dos problemas e das soluções que o nosso país possui. Vai dar trabalho nessas eleições, se o povo souber compreender sua mensagem nos guias de TV."

Quem sabe até 2012, a Judith, que além de mulher, está demonstrando ser prática, não compreende a mensagem, e estaremos no mesmo palanque? E se o Saulo quiser entrar no PV, com uma coligação estaremos todos juntos. Infelizmente, se ele seguir o conselho do amigo José Fernandes, de entrar no PSB, eu não subirei no palanque. Com o governador, vá lá, mas, com Joaquim Francisco só se eu voltar à pré-história, e correr o risco do palanque cair com o peso deste mastodonte.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

quarta-feira, 28 de julho de 2010

DENÚNCIA DE CORRUPÇÃO NA CÂMARA DE VEREADORES DE BOM CONSELHO



Recebemos o e-mail abaixo do Blog de Bom Conselho de Papa-caça. Como todos já sabem, não somos um Blog de notícias, só às vezes, essencialmente, quando estas notícias são importantes para a cidade. É óbvio que a veracidade da mensagem remete-se ao vereador Gilmar Aleixo e passa por todos que a divulgaram, inclusive por nós, que o fazemos agora, acreditando no vereador e em todos os meios de comunicação citados.

Não conhecemos o vereador Gilmar Aleixo, mas, lembramos seu senso de humor, quando ele disse muito tempo atrás que o único sinal de mudança em Bom Conselho, foi um caminhão da Granero (uma firma de mudanças) visto na Praça Pedro II. Então talvez possa ser mais uma brincadeira do vereador. Se não, o caso é muito sério. Enquanto Bom Conselho fica na rabeira do ENEN, nossos edis fazem cursos de “arake”. É triste, muito triste. Leiam a mensagem:

“DENÚNCIA DE CORRUPÇÃO NA CÂMARA DE VEREADORES DE BOM CONSELHO


O Vereador Gilmar Aleixo (PTB) em entrevista ao "Repórter da Verdade", Geninho Tavares, no programa Show da Manha de ontem (26/07/2010), denunciou que o Presidente da Câmara Francisco Bento Soares (PTB), conhecido por "Chico Bento" vem se favorecendo e favorecendo irregularmente os Vereadores da situação com o dinheiro público. Os benefícios mensais acontecem com inscrições em congressos e seminários de arake, nos mesmos Estados (Alagoas e Sergipe) e com os mesmos professores e assuntos. Os congressos são realizados sempre pelo mesmo instituto e servem para os Vereadores ligados a Prefeita "GARIMPAREM DIÁRIAS" e com isso fazerem uma renda extra. O Vereador diz que é perseguido por fazer uma oposição séria e combativa e nunca participou de um congresso desse. Aleixo disse que os Estados de Alagoas e Sergipe são escolhidos pela proximidade e pelo custo de estadia, fazendo com que sobrem mais dinheiro das diárias. O Vereador diz que pela forma de trabalho da Presidência da Câmara de Vereadores de Bom conselho "A VERDADE SE TORNA MENTIRA E A MENTIRA SE TORNA VERDADE". Os desmandos na administração pública municipal agora são descobertos no Poder Legislativo, mas sempre relacionados ao Poder Executivo. A moeda de troca para que o Presidente da Câmara controle os Vereadores e estes obedeçam as ordens do Executivo vem em forma dessas diárias. A que ponto chegaremos? Vejam quem escolhemos como líderes nossos legítimos representantes. Estamos mal na fita. São essas pessoas que se beneficiam do dinheiro público e daqui a pouco estarão na porta das casas pedindo um voto para seus deputados. Onde está o Juiz da Comarca que não vê o que está acontecendo? Cadê a Promotora de Justiça? Ah que saudade de Dr. Edgar, aquilo sim era um Promotor de Justiça. Cadê a OAB? O famoso Tribunal de Contas, onde está? Todos num sono ou numa conivência profunda. Parece que ninguém se incomoda com os desvios de dinheiro público e Bom Conselho cada vez mais se afunda na lama.”

Nem podemos nem dizer que “seria trágico se não fosse cômico”, porque é tragicômico. Lembramos uma vez que houve uma denúncia de alunos fantasmas no Ginásio S. Geraldo. Não tivemos notícias precisas como este caso terminou, nem quem saiu ferido do episódio. Isto é um caso para os historiadores. O citamos aqui para lembrar que, ao ser a Cidade das Escolas, sempre tínhamos fatos bons e maus relacionados com a Educação. Hoje, sendo verdade a denúncia, são as escolas dos outros estados que estão envolvidas e, pasmem, não alunos regulares, mas, nossos vereadores. Agora só falta algum deles se defender dizendo:

- Mostre uma foto de minha banca vazia lá em Sergipe. Tem? Mostre uma foto do meu lugar vazio no ônibus escolar. Tem? Mostre uma foto do professor me chamando e eu não respondendo. Tem?

Talvez, como as autoridades não disponham de nenhuma foto destas, a estória vai terminar com alguém dizendo: “Saiu por uma perna de pinto, entrou por uma perna de pato, senhor rei mandou dizer que você contasse quatro.” E virão mais e mais estórias que só denegrirão ainda mais nosso torrão (argh!) natal.

Diretor Presidentediretorpresidente@citltda.com
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(*) Caricatura usada no artigo original do Blog de Bom Conselho de Papa-Caça.

O FADO É PORTUGAL




FADO MULATO, FADO TROPICAL, COQUEIROS E OLIVAIS.
TENTAMOS SEMPRE UNIR AS CULTURAS.
AMBAS COM A EMOÇÃO À FLOR DA PELE..
EM CADA FADO UMA NOTA DE SAMBA, CANÇÃO
EM CADA SAMBA O QUEIXUME DO FADO, PAIXÃO.
E TUDO COMEÇOU NO MAR.........
DAS ÁGUAS PROFUNDAS, MAR ABERTO,
APROXIMAÇÃO DOS SANGUES...
CORAÇÃO BATENDO FORTE.
MENTES A PREOCUPAR,
A CISMAR, A ESPERAR.....
UM DIA, A GRANDE VIAGEM IRIA ACABAR EM MÚSICA!
ANOS IDOS E MUITOS! MISTUROU-SE EM TERRAS BRASILEIRAS
MUITOS RITMOS
AS CANTIGAS POPULARES E O SOM DE ORIGEM AFRICANA,
OS INDÍGENAS COM SEUS CANTOS TRIBAIS E A MÚSICA ERUDITA EUROPÉIA. COMO EM UM GRANDE CALDEIRÁO MUSICAL, OS RITMOS FORAM GERANDO OUTROS E MARCANDO HISTÓRIA.
SAMBA?? BRASIL
TANGO?? ARGENTINA
VALSA?? VIENA
FADO?? É PORTUGAL.
A PALAVRA FADO VEM DO LATIM, ”FATUM” E SIGNIFICA DESTINO.
ACREDITAR OU NÃO NO DESTINO FICA O SEU LIVRE ARBÍTRIO.
PORÉM, ACREDITAR QUE.......
“TUDO ISTO EXISTE, TUDO ISTO É TRISTE, TUDO ISTO É FADO”,
É PRECISO.
O FADO É POR EXCELÊNCIA A CANÇÃO DE PORTUGAL.. ENTRE AS MÚLTIPLAS DEFINIÇOES, ARGUMENTAÇÕES, SOMAM-SE SUPOSIÇÕES
VARIADAS. NÃO, NÃO INTERESSA SABER.. BASTA SENTIR.
QUANDO MEUS OUVIDOS RECEBEM A GUITARRA PORTUGUESA DEDILHANDO UM FADO, UM MUNDO DE SENTIMENTOS AFLORA.
MISTO DE PAIXÃO, DOR, AMOR, TURBILHÃO DE AIS. .... AI!
QUANTOS AIS.....
AI, MOURARIA.....
COM O FADO, É PRATICAMENTE PERMITIDO SOFRER, UM SOFRER QUASE GOSTOSO, DAS LEMBRANÇAS QUE LONGE VÃO......
AS LÁGRIMAS SÃO DOCES DESLIZES DE UM CORAÇÃO QUE SENTE, E NÃO MENTE JAMAIS.
“AI, MOURARIA, DO HOMEM DO MEU ENCANTO................
DA GUITARRA A SOLUÇAR.”
SOLUÇA, SENTE. É FACIL
É ASSIM.
A GUITARRA PORTUGUESA COMEÇA MEU SONHAR......
JURO QUE TENTAREI........ NÃO CHORAR.
O FADO É IDIOMA, É O FALAR.
O FADO É A VOLTA AO LUGAR.... AO MEU LUGAR.
É CANÇÃO MAGOADA... .LEMBRANDO UM MISTO DE LAR, TERRA, RAÍZES
NUNCA ESQUECIDAS, SEPULTADAS. JAMAIS.
O FADO É ASSIM, MISTURA DE AMORES MIL.
POR MAIS QUE EU TENTE EXPLICAR, DEFINIR, QUAL O QUÊ!
UM SENTIMENTO CONFIRMA:
O FADO É PORTUGAL
MAIS QUE ISSO.
O FADO É O MEU PORTUGAL.
E ANTES QUE EU ME ESQUEÇA, IMPOSSÍVEL NÃO NOTAR, POR MAIS QUE EU TENTE, O FADO FAZ DA MINHA PROSA UM POEMA. NÃO CONSIGO
PROSEAR, APENAS RIMAS DE AMOR AO FADO VEM ME LEMBRAR QUE O FADO É FONTE DE INSPIRAÇÃO, AMORES E DORES.
SE NEM ÀS PAREDES CONFESSO, OUSO DIZER SEM ENFADO
NÃO FALEM, NEM PISQUEM
“SILÊNCIO!!! VAI-SE CANTAR UM FADO!”

Ana Miranda Luna - anammluna@yahoo.com.br

terça-feira, 27 de julho de 2010

Aquele que Veio do Mar (MARLOS)




“É bem certo que o difícil não é viver com as pessoas, o difícil é compreendê-las.” (José Saramago)



Um ano se passou. Não pretendo revelar tristeza nem esconder afetos. Esta escrevinhação não tem outro objetivo a não ser o de rememorar algumas vivências com o amigo-irmão Marlos Urquiza. Nossos sonhos, nossos projetos e nossas crenças nos levaram a uma convivência pessoal e familiar irmanada, com base na compreensão e aceitação mútua, tanto nas nossas diferenças como nas nossas parecenças.

A história das nossas vidas teve origem em Bom Conselho. Em abril de 1941, iniciou a trajetória de vida do Marlos e, em maio de 1948, a minha. Sete anos de diferença em nossas idades distanciava nossas infâncias e adolescências. Assim, o interesse próprio de cada idade não nos aproximou naquela época. Acrescente-se ainda o fato que da infância para a adolescência fui morar em Caruaru e quando retornei a Bom Conselho o Marlos já tinha ido residir em Recife. A foto ao lado, no desfile de 7 setembro de 1959, é o único registro que assinala nossa ”aproximação” naquela época.

Sete anos depois do referido desfile, somando dezoito anos, fui morar em Recife. Logo mudei para o edifício Califórnia, em Boa Viagem, onde o Marlos já residia dividindo um apartamento com o Zé Oião. Cinco andares abaixo do apê deles, eu e o João Nelson passamos a dividir um kitinete. É nessa oportunidade de fato que me aproximei do Marlos. Portanto, nas minhas reminiscências, esse é o 1º tempo do jogo da nossa convivência. Ele estudava Odontologia e era funcionário da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), enquanto eu trabalhava na empresa White Martins e estudava com o objetivo de fazer o vestibular para Engenharia. A proximidade das nossas moradas aumentava o nosso convívio ainda que tivéssemos interesses e, principalmente, comportamentos distintos. Ele era introvertido, caseiro e sonhador, sua mente estava voltada para escrevinhar poesias e devanear nas ideologias políticas. Eu era farrista, femeeiro e irreflexivo. Mesmo assim, por vezes compartilhávamos momentos de lazer. Em alguns sábados íamos dançar e tomar uns gorós numa boate chamada Cancela, lá nos confins da praia de Piedade. Ele, sempre em companhia de sua namorada Graça, que seria sua eterna companheira, enquanto eu me disponibilizava para dançar ou levar um lero-lero com qualquer uma que arriscasse um olhar para o lado da nossa mesa.

E assim, levávamos nostra dolce vita na juventude em (ah!)Recife.

Minha tentativa de ingressar na Universidade foi frustrada, mas a vida seguia... Num belo dia, o Marlos me apresentou uma alternativa para nossos projetos de mudança em nossa vida profissional: iríamos estudar Engenharia Florestal na Suíça. Faríamos isso como parte de um convênio entre a SUDENE e o consulado daquele país. Depois de algumas entrevistas, tivemos a promessa que estávamos entre os bolsistas selecionados. De imediato, passamos a fazer um curso básico de alemão, que seria necessário para a empreitada e, também, começamos a fazer um enxovalzinho para enfrentar o intenso frio que falavam fazer na Suíça. Depois de muita ralação e sonhos esperançosos, uma bomba caiu em nossas cabeças, o consulado suíço se desentendeu com a SUDENE e cancelou o tal convênio. Lá se foram nossos sonhos de estudar na Europa. O Marlos, mesmo sendo um sonhador, resolveu pragmaticamente seu projeto de vida, iria terminar o curso de odontologia e constituir uma família. Eu, não vendo grandes perspectivas profissionais em Recife, resolvi aventurar a vida em São Paulo. Transcorria, então, o ano de 1968.

Passados dez anos, retornei à Recife. Começava então o 2º tempo do jogo da nossa convivência. Novamente, o destino me conduz a morar no mesmo prédio que o Marlos. Desta vez, em um prediozinho no final da praia de Piedade. Os nossos apartamentos ficavam no mesmo andar. As portas viviam abertas, era como se fosse um único apartamento. Nessa época, estávamos casados. Minha prole com a Kayo somava três filhos, o Tommaso, a Tatiana e a Tarita, com respectivamente quatro, três e um ano de idade. A prole do Marlos com a Graça contava com duas meninas, a Marcelle e a Marlla com cinco e três anos. A fraternização entre os membros das duas famílias foi imediata. Meus filhos desde essa época passaram a chamar a Graça e o Marlos de tio Marlos e de tia Gracinha. A empatia entre os meninos foi tal que houve até mimetismo no vocabulário deles. Os meninos do Marlos e da Graça passaram a chamar os pais de paiê e manhê, enquanto os meus assumiram o vocabulário dos novos primos nordestinhos e começaram a chamar Kayo e eu de mãinha e painho. Portanto, passamos de fato a formar uma família.

Profissionalmente, estávamos estabelecidos. Marlos como dentista na UFPE e como professor na Escola Técnica Federal de Pernambuco (ETFPE). A Graça era funcionária no DETRAN. Eu lecionava no Departamento de Educação Física da UFPE e atuava como técnico de natação no Colégio Salesiano do Recife. A Kayo trabalhava como nutricionista no Serviço Social do Comércio (SESC).

Quanto aos nossos interesses pessoais naquela época, tínhamos em comum o gosto pela leitura espiritualista e a participação no mesmo movimento espírita. Concordávamos quanto à crença sobrenaturalista, mas discordávamos sobre a possibilidade de curas espirituais nas doenças físicas. Ele era crédulo nessas curas e eu cético quanto ao fato. O Marlos vivia escrevinhando suas poesias e seus contos, eu só escrevinhava o estritamente necessário para atender as exigências profissionais. Nos momentos que ficávamos proseando sobre os problemas existenciais, não sobrava pra ninguém, nós dois falávamos mais do que o homem da cobra.

Nos finais de semana, quando íamos à praia com a criançada, eu deixava os meus brincando na areia e me mandava a correr praia acima, praia abaixo. O Marlos ficava vigiando os filhos dele e também os meus, mas não deixava de pegar no meu pé, por eu ser despreocupado com os meus filhos na praia. Eu falava pra ele: vou correr por mim e por você, para garantir nossa saúde (atividade física sistemática – exercícios – não era com ele) e você toma conta dos meninos por mim e por você, para garantir a “saúde” (integridade) deles.

Em nosso dia a dia, reclamávamos da distância que era para nos locomover de casa para o trabalho, ou seja, do final de Piedade para Cidade Universitária e vice-versa. Dizíamos que morávamos “onde o vento faz a curva”. Tendo isso em vista, optamos por morar mais perto do trabalho. Marlos adquiriu um apartamento na Cidade Universitária e eu uma casa no bairro Monsenhor Fabrício. Após algum tempo, resolvemos comprar uma chácara em Aldeia, onde seria possível concretizar nosso projeto de levar uma vida “a lá natureba”. Compramos a chácara em sociedade e o Marlos logo construiu sua casa na parte que lhe cabia no terreno e mudou para Aldeia. Eu continuei na planície, mas impreterivelmente aos domingos, ia com toda a família passar o dia lá na chácara. Enquanto as mulheres preparavam alguns tira-gostos e o almoço e as crianças se esbaldavam naquele mundão de terreno cheio de árvores e fruteiras, nós dois púnhamos em dia nossa falação. Assunto: espiritualismo e problemas existenciais.

O tempo foi passando e nossas famílias aumentando. Do meu lado nasceram a Taisa e a Tâmara, da parte do Marlos nasceu o Marlley. Agora era muito mais gente para cuidar, UFA! Passei a observar o sacrifício do Marlos no leva e trás diário da sua família entre Aldeia e Recife e ao me colocar no lugar dele nessa tarefa, desanimei, não tinha aptidão nem coragem para esse sacrifício. Passei a viver com o dilema de ir ou não morar em Aldeia. Conversa vai, conversa vem, acabamos encontrando uma solução para o meu dilema, fizemos uma permuta: minha parte na chácara em troca do apartamento que ele tinha deixado na Cidade Universitária. Ele ficou satisfeito e eu também, pois ao mudar para o apartamento facilitou ainda mais o serviço de transfer dos meus filhos.

Passava-se o ano de 1991. Na época, alguns incidentes de violência com a família (vários assaltos na rua aos filhos e esposa) me fizeram começar a pensar numa transferência, para alguma cidade de interior na Região Sudeste, onde talvez pudéssemos levar uma vida mais tranquila. Quando comentava com o Marlos essa minha intenção de mudar de cidade, sentia que ele ficava entristecido (a foto ao lado, registra um desses momentos). Enfim, decidido, nesse mesmo ano consegui minha transferência para Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e a Kayo, que na época era nutricionista na FEBEM de Pernambuco, requereu sua aposentadoria. Final do 2º tempo do jogo da nossa convivência. Teria prorrogação?

Dois anos depois, o Marlos foi nos visitar em Uberlândia e se encantou com a comodidade e tranquilidade da cidade. Ao tomar conhecimento que na UFU havia uma Escola Técnica de Saúde, decidiu mexer os pauzinhos para também conseguir transferência para Uberlândia. Nessa época, o Marlos já estava aposentado da UFPE, mas continuava dando aulas na ETFPE. A Graça tinha saído do DETRAN e agora era, também, professora na ETFPE e isso era um complicador, pois a transferência de dois professores ao mesmo tempo criava algumas dificuldades para ser concretizada. Depois de muita batalha junto às duas instituições, por fim conseguimos as transferências. Aí começa de fato a prorrogação do jogo da nossa convivência, ou melhor, nosso 3º tempo.

Início do 3º tempo... Quando o Marlos e sua família chegaram a Uberlândia, amontoamos as duas famílias em nossa casa e o Marlos se apressou em comprar sua casa antes que a mudança chegasse do Recife. Instalados em sua nova casa, passamos a curtir a cidade e a dar continuidade aos nossos intercâmbios. Nesse tempo, os interesses pessoais do Marlos continuavam os mesmos: espiritualismo, espiritismo, escrevinhação e nada de atividade física. Os meus interesses tinham sofrido algumas adaptações. Na área espiritual, deixei de lado o espiritismo e a leitura dos livros teosóficos e ingressei na Fundação Logosófica. No lazer, abandonei compulsoriamente o Windsurf (infelizmente “Berlandia” não tem mar) e me concentrei no Tênis de Campo.

E a vida seguia... Continuávamos, amiúde, nossos persistentes intercâmbios e por vezes tínhamos compreensões distintas. O Marlos refletidamente ou devido a minha persistência, em algumas ocasiões, consentia com meus argumentos. Desse modo, passado algum tempo, ele também ingressou na Fundação Logosófica. Agora, sob os auspícios dos ensinamentos de Carlos Bernardes Gonzáles Pecotche, fundador da Logosofia, nossos intercâmbios se ampliaram. Alguns anos depois, eu me afastei do movimento logosófico para tentar realizar, por conta própria, meu processo evolutivo. O Marlos continuou na Fundação Logosófica e eu o estimulava para que lá permanecesse, pois via na Fundação Logosófica o ambiente ideal para ele realizar o seu processo, ademais manter ampliada sua rede social.

Durante esses anos consolidamos, penso eu, grandes realizações. Nossas compreensões se ampliaram. O amadurecimento nos tornou mais complacentes em nossos relacionamentos familiar, profissional e social. Rejubilávamos com as realizações de nossos filhos. Estes formados e encaminhados na vida, nos deram a liberdade para, aposentados, passarmos a dedicar maior atenção ao nosso bem estar. Até por atividade física o Marlos se interessou. Começou a fazer hidroginástica, mas reclamava que só do “esforço” empregue. Nos finais de semana, geralmente, ele ia com a Graça dançar e/ou tomar uns gorós no Praia Clube de Uberlândia (clube maravilhoso). Às vezes, eu e a Kayo acompanhávamos o casal nesse “sacrifício” de final de semana e os gorozinhos, na medida certa, certamente soltavam ainda mais nossas línguas, que já não eram presas.

Hoje, dia 25, completou um ano do nosso último encontro (a foto ao lado registra esse momento). No próximo dia 30, completa um ano do jogo final do campeonato da nossa convivência nessa etapa de vida, em que o vencedor foi nossa compreensão mútua. O Marlos sempre foi um reencarnacionista convicto. Também fui reencarnacionista convicto, hoje, paira sobre minha mente algumas dúvidas sobre essa crença. Tenho simpatia por ela e torço para que seja verdadeira. Se sim, com certeza terei outros campeonatos de convivência com o Marlos. Nessa etapa de vida, fomos amigos-irmãos de fato. Quem sabe o destino enseje sermos num próximo (?) campeonato irmãos e amigos de fato e de direito.

Acabei de reler o livro “CRIAÇÃO IMPERFEITA: Cosmo, Vida e o Código Oculto da Natureza”, de Marcelo Gleizer. Marlos foi meu grande ouvidor nos assuntos existenciais. Ele não está mais presente fisicamente para ratificar, mas com certeza esse livro motivaria inúmeros intercâmbios em nossos finais de semana. VIXE! Parece que a coisa não terminou, por vezes me pego discutindo mentalmente com o Marlos, como se ele estivesse aqui. Não é que o “humanocentrismo”, a nova corrente de pensamento que o Gleizer propõe nesse livro, para se contrapor as idéias dos “sobrenaturalistas” e dos “naturalistas”, foi o tema das nossas últimas “videoconferências”. Estas requereram uma interconexão especial, digo mental, pena que sem vídeo e sem áudio.

Saudades desse nordestino, MAS A VIDA SEGUE...

Roberto José Tenório de Lira - rjtlira@yahoo.com.br

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Saulo Bezerra



Pelo amor de Deus, não pensem que o Saulo morreu. Não. Começo assim porque quando alguém que admiro falece, normalmente eu começo seu obituário com o nome do falecido. Neste caso, graças a Deus, não. O motivo para escrever sobre o Saulo é de alegria e não de tristeza. Então prossigam, lendo-me.

Em minha ida, mais ou menos semanal, ao SBC, fui ao seu Mural, rolei “prá riba e prá baixo” e tudo que havia eram parabenizações ao Saulo pela sua formatura em Direito. Eu pensei logo, eita, mais um advogado para fazer como o José Fernandes, que agora inventou que, além de eu ter milhares de bovinos, minhas vacas tossem o tempo inteiro. Então eu pensei deixar lá uma mensagem cumprimentando-o também. Entretanto, o mural do SBC e eu somos incompatíveis, ou melhor, são incompatíveis minha prolixidade e o limite de 1000 toques. Resolvi então escrever daqui mesmo do nosso Blog, sem limites.

Digo logo, não conheço o Saulo pessoalmente, como gostaria de fazê-lo. Entretanto eu o admiro desde velhos tempos em que eu gritava e brigava naquele mural, ao ponto dele perder a paciência e me convidar para a Academia Pedro de Lara. Eu não fui, todos sabem, por causa do O Andarilho, que desencarnou, e agora, se voltou, deve ter sido reencarnado em algumas de minhas vacas. Penso que é aquela que tosse mais. Por isso, deixei de participar da única academia literária que Bom Conselho conseguiu manter, frustrando nossos planos, meu e do Zetinho, de ter uma Academia circundada por tijolo e cimento, nem que fosse no Salão Paroquial. Mas, deixa prá lá. Falemos da minha admiração pelo Saulo.

Parafraseando nosso apedeuta-mor, nunca na história desse país eu vi alguém falar mal do Saulo. Talvez a única exceção tenha sido eu, quando ele me censurou e ao José Fernandes, num debate naquele mural, com o finado O Andarilho. Depois que participo aqui todos os dias do Conselho Editorial do Blog da CIT, vi que ele tinha razão. Há vezes em que temos que censurar mesmo, pois alguns escrevem verdadeiras bombas atômicas, que podem destruir Bom Conselho. Então temos que agir em nome da paz. Sou contra quando a censura é contra o amor, como no caso do Barão e Baronesa. Onde andam eles?

Conheço-o de fotos, com todo respeito, é um lindo gajo. Alto, elegante, parecendo calmo e ponderado, discreto. E apenas para mostrar que a perfeição ainda pode ser atingida, torce pelo Sport. Eu penso que é o homem ideal para entrar na política de Bom Conselho, para acalmar este ambiente. Seria um bom candidato para 2012. Eu de minha parte, como candidata a vereadora, adoraria participar do seu palanque, por isso farei de tudo para que o PV o inclua nos seus quadros. Mas, isto é futuro.

Pelo momento apenas desejamos que o Saulo seja um bom advogado, sem nunca ter o diabo como cliente. É uma bela profissão num Estado de Direito, que no Brasil, apesar das investidas do nosso apedeuta-mor em burlar a lei, fazendo campanha antecipada pelo poste, o que também me contagiou, ao fazê-lo pela Marina, tende a progredir rumo a uma nação civilizada. Pelo menos é o que espero.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

domingo, 25 de julho de 2010

sábado, 24 de julho de 2010

sexta-feira, 23 de julho de 2010

A Arte de Ser Avó



Minha amiga Maria Caliel não escreve tantas letras como eu. Mas, quando escreve, minhas letras em profusão nem podem ser comparadas àquelas delas, pela sua forma magistral de juntá-las, que nos encanta. De quando em vez ela me envia e-mails, quando não com seus ótimos textos, com textos outros, que sempre nos inspiram, até na política. Dias atrás aproveitei um dos seus anexos, supostamente, atribuído a Marília Gabriela, sobre o qual teci alguns comentários com a alegria de ter encontrado mais uma Marinete. Será que encontrei três? Mesmo que não, nossa amizade continuará a mesma.

Mais recentemente ela me mandou uma mensagem dizendo que temos uma coisa em comum, além de gostar de escrever (ela bem e eu nem tanto): sermos avós. Junto a ela vinha um texto da Rachel de Queiroz, embora apenas um resumo, que tratei de buscar o texto integral na internet, chamado A ARTE DE SER AVÓ. Todos conhecem esta grande escritora por outros escritos mas, eu não a conhecia como avó. E descobri que, igual a mãe, avó é tudo igual, só muda de endereço.

Comecei a ler o texto e não parei. Tudo o que eu queria escrever e não tive a devida competência, não de avó, que o sou 24 horas por dia, mesmo quando o meu neto está longe. Neste dia ele estava perto quando terminei a leitura. E, ao se enroscar nas minhas pernas, duas gotas d’água me rolaram pela face e quase atingiam aqueles olhinhos brilhantes que pareciam dizer, eu estou aqui, vovó, para sempre.

Não farei comentários específicos sobre o texto da vovó Rachel pois seria como agregar enxertos numa obra de Miguel Ângelo, Shakespeare, ou na Monalisa do Leonardo Da Vinci. Transcrevo-o logo abaixo, oferecendo-o às avós, e àquelas que o serão um dia. É ler para crer.

“Netos são como heranças: você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu. É, como dizem os ingleses, um ato de Deus. Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, sem as dores da maternidade. E não se trata de um filho apenas suposto, como o filho adotado: o neto é realmente o sangue do seu sangue, filho de filho, mais filho que o filho mesmo...

Quarenta anos, quarenta e cinco... Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem as suas alegrias, as suas compensações - todos dizem isso embora você, pessoalmente, ainda não as tenha descoberto - mas acredita.

Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade. Não de amores nem de paixões: a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meu Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos cheios de problemas que hoje são os filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento a prestações, você não encontra de modo nenhum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aqueles que você recorda.

E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis - nisso é que está a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino seu que lhe é "devolvido". E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo e decepção se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor recalcado que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.

Sim, tenho certeza de que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis. Aliás, desconfio muito de que netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos. Se o Doutor Fausto fosse avó, trocaria calmamente dez Margaridas por um neto...

No entanto - no entanto! - nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, o entrave maior, a grande rival: a mãe. Não importa que ela, em si, seja sua filha. Não deixa por isso de ser a mãe do garoto. Não importa que ela, hipocritamente, ensine o menino a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha", e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais. No fundo ela é rival mesmo. Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante dos triângulos conjugais. A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe de comer, dá-lhe banho, veste-o. Embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar.

Já a avó, não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, "não ralha nunca". Deixa lambuzar de pirulitos. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso nos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia. Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido, antes uma maravilhosa subversão da disciplina. Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer roquetes, tomar café - café! -, mexer no armário da louça, fazer trem com as cadeiras da sala, destruir revistas, derramar a água do gato, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser - e até fingir que está discando o telefone. Riscar a parede com o lápis dizendo que foi sem querer - e ser acreditado! Fazer má-criação aos gritos e, em vez de apanhar, ir para os braços da avó, e de lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna...

Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão defunto desfruta os mais requintados prazeres da alma. Porém, esses prazeres não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o olhar das outras avós, com os seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto!

E quando você vai embalar o menino e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz: "Vó!", seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.

E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe o castiga, e ele olha para você, sabendo que se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade...

Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menininho - involuntariamente! - bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beiço pronto para o choro; e depois o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, Vó? Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague...”

Lucinha Peixoto – lucinhapeixoto@citltda.com

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A SABEDORIA E O CORPO








Ninguém se torna sábio de um dia para o outro. A sabedoria é, como sabemos, inerente ao ser humano. É uma pequena parcela que já vem instalada no caminho que fica entre o coração e o cérebro. Algumas escolas esotéricas citam que a morada da sabedoria é no átrio direito do coração e que também é por aí que a alma começa a se manifestar no ser humano e traz ainda uma coletânea de conhecimento.

O difícil para cada um de nós é saber o real caminho que nos leva a essa morada, e assim acessar a tal sabedoria.

Alguns falam que a sabedoria vem através da idade, eu particularmente, discordo dessa afirmação por ver nas experiências do dia a dia muitas disparidades entre idade/sabedoria. Outros falam que a sabedoria se faz com as vivências individuais de cada um.

No meu entender a sabedoria é uma união destas duas versões. Para se ter vivência é necessário que viva uma determinada idade. Com a idade vamos aprendendo as vivências. E uma melhor forma de aprender “vivências” é passar para o posto de observador.

Observar ainda é a melhor solução para o bem viver. Observando, aprendemos, em aprendendo-se, lidamos melhor com os nossos desafios. Só que grande parte da população resolveu assumir o posto da reatividade e ser reativo nos dias atuais é quase uma temeridade, e ainda aliado ao grande problema que é a mídia. A cada momento “a dita cuja” procura nos tirar do nosso centro de equilíbrio. Cada vez mais somos impulsionados a seguir ditames externos. Para a mídia quanto menos você pensar, mais estará envolvido na rede global. A reboque disso vem o consumismo, novas tecnologias, novas máquinas para facilitar o serviço diário, e aí você é impulsionado a aceitar sem pestanejar.

Estamos tão inseridos nestas novas tecnologias com máquinas velozes, ditas inteligentes que aos poucos estamos nos tornando uma máquina. E digo isso literalmente, pois basta analisarmos a quantidade de implantes que se pode fazer no ser humano para entender o que falo. Implanta-se e substitui-se quase tudo no corpo humano, desde um dente a uma parte específica de uma parte do cérebro. E aqui abro um parêntese: Nada contra! Só que aos poucos e rapidamente estamos perdendo a capacidade de procurar acessar a sabedoria do nosso próprio corpo. E se assim fizéssemos nada do que falei acima era necessário. Um corpo sem sabedoria fica igual a um títere, que vai sempre depender de uma outra pessoa para manipulá-lo. E nem sempre e quase sempre este manipulador estará apto para exercer a função. Basta olharmos os noticiários a nossa volta e constatamos que os manipuladores são exímios em conquistar pessoas. Seja através de drogas, dinheiro, fama, em se fazer celebridades, enfim tudo de acordo com a preferência de cada um. Uma vez envolvido por estes artifícios a pessoa deixa de ter sabedoria. Ela, a sabedoria, recolhe-se. E o corpo começa a desenvolver uma dependência e quando se percebe já está no caminho sem volta.

E daí também pode originar a doença propriamente dita, que é a ausência da sabedoria.

Sabedoria então é a saúde do corpo e atua como a justa proporção, a harmonia natural, o acordo intrínseco do organismo consigo mesmo e com o que lhe é exterior. E não é difícil acessar a sabedoria!

Segundo textos antigos o primeiro passo é praticar a renúncia, ou as cinco lembranças da mente atenta:

1 -Proteger a vida ou cultivar a mente da compaixão.
2 - Cultivar a generosidade
3 - Cultivar a mente de Amor
4 - Cultivar o silêncio
5 - Cultivar o consumo consciente.

Pacificando, liberando e transformando o nosso “EU”, geramos a sabedoria, a capacidade de perceber, discriminar a essência, de ver a verdadeira face, a multiplicidade e o valor, tanto relativo quanto absoluto de todas as coisas. Estamos prontos então a viver uma vida digna e saudável, não importando as intempéries que virão, pois estaremos “unos” com o universo. Deixaremos de ser folhas ao vento.

E aqui abro espaço aos versos de Mimnerno (poeta do séc. VII):

“Somos como folhas, que a bela estação da primavera gera, quando os raios do sol crescem: breves instantes, como folhas, gozamos a juventude da flor, não recebemos dos deuses o saber do bem e o mal”.

Em torno estão negras deusas: trazendo uma a sorte da triste velhice, a outra da morte.

O fruto da juventude dura quanto na terra brilha a luz do sol.
Mas, quando essa breve estação se esvai,
Então, mais que viver, mais é doce morrer.”“.
Vamos estar preparados então!.

Gildo Póvoas - gildopovoas@hotmail.com

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Educação em Bom Conselho




Recebemos hoje, para ser publicada no Mural do Blog, a seguinte mensagem:

Amigos,

O que aconteceu com a ESCOLA DE REFERÊNCIA EM ENSINO MÉDIO FREI CAETANO DE MESSINA? Ela foi considerada a pior escola pernambucana pelo ENEM, e vi no site que ela é a 13° PIOR do Brasil, de um total de mais de 24 mil escolas com notas publicadas.
http://jc.uol.com.br/canal/educacao/noticia/2010/07/19/aplicacao-lidera-enem-em-pernambuco-confira-resultado-dos-colegios-229124.php

Como podemos ajudar?
Será que é problema financeiro da escola?
Ela está prestando as contas corretamente e recebendo os devidos recursos financeiros?
O que foi que o município/estado deixou de fazer?
Ou foi ingerência da administração da escola?
Será que foi algum critério de pontuação/cálculo/execução?
Ou o ENEM não foi abordado com a seriedade pelas escolas?
O ENEM é realmente representativo de qualidade no ensino médio no país?

São inúmeros questionamentos, mas o fato é que a situação não está boa para a educação.

Como sugestão poderia procurar ONGs especializadas em educação que podem dar "informações/consultorias" com bom embasamento teórico específico para a realidade escolar e municipal (sociológico, pedagógico, financeiro, etc.), quando entendemos melhor sobre a área educacional, idéias vão surgir e se estivermos disposto a trabalhar, como cidadãos, poderemos melhorar a situação.

Não defendo nenhum candidato, mas temos que fazer algo, votar BEM ajuda, mas não é a única coisa que podemos fazer.
Culpar candidatos/políticos é fácil e julgar o humor deles, não é um bom critério para votar, mas analisar as propostas e cobrar que elas sejam cumpridas.

Abraço a todos,

Alex


O autor pede apenas para não divulgar seu e-mail, ao que obedecemos. Entretanto, quando fomos no link constante da mensagem e vimos na matéria do Jornal do Commercio o texto abaixo, ficamos muito tristes.

Na rede pública, além do Aplicação, outras duas escolas federais estão na lista das 10 maiores notas. São eles o Colégio Militar do Recife (656,02) e o Instituto Federal de Pernambuco, campus Recife (631,41) e campus Pesqueira (614,61). Entre os melhores, há apenas uma unidade da rede municipal, o Centro de Excelência Dom João José da Mota e Albuquerque, de Afogados da Ingazeira, no Sertão. Os outros cinco são da rede estadual.
Dos colégios que ficaram com as dez menores notas, todos são estaduais. No último lugar aparece a Escola Estadual de Referência do Ensino Médio Frei Caetano de Messina, em Bom Conselho, no Agreste (média de 359,91).”

Como, quase todos, somos de Bom Conselho, ficamos sem querer acreditar no que líamos. Nossa Cidade das Escolas ainda existe? Ou realmente virou Cidade do Leite ou da Salsicha? Procuramos o documento que apresentava todas as escolas do Estado, ainda na esperança de haver um erro do articulista do JC ou do Alex. Infelizmente não havia. Era isto mesmo. Custamos ainda a acreditar que a referida escola fosse o Colégio Frei Caetano de Messina, que tanto já nos orgulhou. Será mesmo aquele que, sob a liderança do Frei Dimas, formou tantos jovens da terra?

Das 10 piores escolas de Pernambuco, das que tiveram notas divulgadas, que foram 1065, tivemos nas 10 últimas colocações, 2 escolas de Olinda, 2 do Recife, 2 de Buíque, Camaragibe, Serra Telhada, Orocó e Bom Conselho com 1 escola cada. O nosso grande vexame é o nosso lugar entre elas, o último.

A primeira reação que tive foi fazer igual àquele exilado, personagem do Jô Soares, nos tempos de abertura política, lhe diziam alguma coisa que para ele era muito estranha, e ele repetia o bordão: “Isto não é verdade. Você não quer que eu volte!” Custei a acreditar, e pergunto às pessoas que influem em nossa cidade, principalmente aos políticos, que a esta altura já vivem como urubus ciscando na carniça dos nosso votos, até quando e desde quando Bom Conselho ficará e está nesta situação? Quando nossos votos deixarão de serem carniça para não alimentar mais estas aves de rapina?

Nem a posição do Colégio N. S. do Bom Conselho, que ficou quase entre os 100 primeiros, nos trouxe um momento duradouro de alegria porque nossa outra escola, a Coronel José Abílio, só ficou entre as primeiras 800, e logo descendo a rampa o Frei Caetano ficou na última entre 1066 escolas do Estado.

Pior ficamos quando soubemos que entre as 20 piores escolas de todo o Brasil, uma apenas é de Pernambuco, adivinhem qual? Nossa ex-Cidade das Escolas. Alguém se alegraria se disséssemos que neste grupo há 5 escolas do Maranhão e 3 da Bahia? Claro que não. Isto nos mata é de vergonha. Eu e o Alex, que não conheço, e nem sei se é exilado voluntário como eu, só podemos dizer: “Vocês não querem que voltemos! Mas, iremos votar!”

Diretor Presidentediretorpresidente@citltda.com

GIBA, O COLEGA



Casualmente, encontrei o GIVA na travessia da Ponte Buarque de Macedo, indo para a Livraria Cultura. Seu nome Givaldo da Silva, colega de pensionato nas ruas Velha e Barão de São Borges no bairro da Boa Vista. Paramos. Sempre elegante como nos tempos de outrora, amparado em uma bengala fina com o cabo de pratas de um leão, pois ele é rubro negro. Vestia uma calça de linho branco presa por um suspensório sob camisa azul clarinho. A barba e o bigode aparado. O cabelo branco esvoaçava pelo vento brando que corria naquele fim de tarde. O sol já se pondo sobre antiga ponte Giratória. Dois barcos pequenos deslizavam pelas águas do Capibaribe. Os pescadores jogavam a tarrafa no centro do rio, e em poucos minutos suspendia a tarrafa para dentro da embarcação. As luzes dos postes e letreiros das casas comerciais eram acessos e as pessoas apressadas se deslocavam de um lado para outro, alguns para as firmas outros para os pontos de parada dos ônibus.

Começamos a andar para o nosso destino. Entramos na Livraria, naquele ambiente formidável e acolhedor com milhares de livros espalhados pelas prateleiras de vários escritores de todo o mundo.

Fazia mais ou menos trinta e cinco anos que não nos víamos. Cada um tomou o seu destino, após a saída do pensionato. Saímos da Livraria Cultura, por volta das seis e meia da tarde. Fomos para a Rua do Bom Jesus a fim de tomar um aperitivo depois de tanto tempo sem nos encontramos. Fomos festejar este encontro. Caminhávamos devagar, observando as ruas, onde no tempo de pensão era a nossa parada nas noites da sexta feira e do sábado. Ali percorríamos as boates como a Chantecler na Avenida Marques de Olinda, onde subíamos os dois andares para olhar as moças que ali estavam; em frente Molly Rouge, tinha uma sala sinuca no primeiro andar, onde jogávamos; ao passava no Bar Grabrinus, onde somente entrava quem estava com algum dinheiro. O Bar Astoria outro recanto dos jovens estudantes pensionistas.

Sentamos no bar Avenida e pedimos uma cervejinha bem gelada. Não bebíamos como antigamente, pois, a idade já não permita esta extravagância. As farras e as noites de boêmia tinham saído do seu cardápio, o mais que fazia era ir ate o Mercado da Boa Vista, sentar-se, tomar uma ou duas cervejinhas comer algum petisco e recordar o tempo no aplausível lugar, das tardes dos sábados onde todos se reuniam para ouvir e cantar ao som de um violão tocado por Neco.

Começamos a relembrar os antigos companheiros do pensionato na Boa Vista, alguns ainda vivem em Recife, outros voltaram para suas cidades e, outros faleceram, foi o caso de Napoleão Bonaparte, boêmio de mão cheia. Depois, comentamos o nosso desaparecimento e convívio que devia perdurar, mas, o trabalho e os compromissos às vezes não permitem.

O Giba falou que em 1974 viajou para o Rio de Janeiro, para trabalhar e logo encontrou uma empresa e como era formado em Administração de Empresas, fora logo contratado como Gerente Administrativo. Casou-se com uma pernambucana e teve dois filhos, que ainda moram no Rio de Janeiro. Fazia cinco anos que tinha voltado para o Recife, morando no bairro de Casa Forte, após atender um pedido de sua mulher.

Conversamos bastante, entre um gole e outro de cerveja, contando as nossas peripécias pelas ruas do Bairro da Boa Vista, estendendo-se ao nosso Quartel General, o Bar Savoy em plena Avenida Guararapes, onde íamos sentar no calçadão e ver o anoitecer, ao barulhos dos ônibus e das pessoas que passavam apressadas para a faculdade ou para suas residências.

Que bons tempos! Quantas recordações! Parece que foi ontem!. Levantarmos da mesa do Bar Avenida onde tomamos quatro cervejinhas nesta tarde/noite de alegria. Chamamos o garçom e “rachamos” a despesa como fazíamos antigamente.

Saímos para o centro da cidade atravessando a ponte Buarque de Macedo e chegando a Avenida Guararapes tão desprezada e acabada, doente e precisando de socorro urgente, comentamos, olhando para o existia o Bar Savoy.

Despedimo-nos com um aperto de mão e cada um foi para o seu destino. Como é bom encontrar pessoas que fizeram parte da nossa juventude.


José Antonio Taveira Belo / Zetinho - taveirabelo@hotmail.com
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(*)Fotos do Recife tirados da Internet.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Quem tem medo da Dilma?



Dias atrás recebi um e-mail da amiga Maria Caliel e colaboradora deste Blog (não com tanta frequência quanto eu gostaria), no qual havia um texto atribuído a Marília Gabriela. Como a mensagem também era dirigida ao Zezinho de Caetés, falei com o gajo sobre ela, e soube que ele já havia pensado em escrever alguma coisa sobre o seu conteúdo. Por sermos ambas, eu e a Marília (supondo ser dela o texto e, se não for, desculpe-me Marília pela atribuição indevida, mas quero dizer que concordo com tudo e só não escrevo sozinha porque não conheço a Dilma pessoalmente, e também porque o texto é muito mais bem escrito do que o que eu jamais escreveria) Marinetes, e que alegria saber disto, o Zé me deixou escrever sozinha.

Serão apenas comentários que espero complementem de forma positiva o belo e oportuno texto, que poderia ser transcrito só, sem nenhuma intervenção. No entanto, para não ficar como o Blog do Jodeval, que não tendo mais tempo de escrever, terceirizou o Blog ao Fidel Castro e ao Emir Sader, como já havia notado o Zezinho, resolvi intercalá-lo com minhas sérias jocosidades. O que estiver em negrito e itálico foi escrito pela Marília.

“VOU CONFESSAR: Morro de medo de Dilma Rousseff. Esse governo tem muitos acertos, mas a roubalheira do governo do PT e o cinismo descarado de LULA em dizer que não sabia de nada nos mete medo. Não tenho muitos medos na vida, além dos clássicos: de barata, rato, cobra. Desses bichos tenho mais medo do que de um leão, um tigre ou um urso, mas de gente não costumo ter medo. Tomara que nunca me aconteça, mas se um dia for assaltada, acho que vai dar para levar um lero com os assaltantes (espero); não me apavora andar de noite sozinha na rua, não tenho medo algum das chamadas "autoridades", só um pouquinho da polícia, mas não muito.”

Eu já fui assaltada. Realmente é difícil levar um “lero” com os assaltantes. Pois não sabemos o que eles querem, se a nossa vida ou nossos bens materiais. Desta vez me levaram só os bens materiais, que já são tão poucos, pois meu patrimônio é menor do que o do Raul Jungmann. Será que eles não quererem minha vida já tenha sido uma consequência do Pacto pela Vida do Eduardo? Caro governador tem que fazer um programa Pacto pelo Celular, pois desta vez deixaram minha vida mas levaram o presente dos dias das mães, um celular que ainda nem sabia usar direito, apesar do esforço dos meus filhos em me ensinar.

Quanto ao cinismo descarado de Lula nem vou falar, pois prometi a Zezinho não bater em seu conterrâneo, pelo menos desta vez. Mas, não prometi nada em relação ao PT. Eu pensava que era apenas eu que acreditava no que ela diz sobre este partido. Ainda bem, já somos três, incluinfo o Índio. Infelizmente, tenho mais medo de leão do que de barata, já manejo bem meu chinelo, evitando os venenos de aerossol tão prejudiciais ao equilíbrio ecológico do planeta. Quanto ao medo de cobra, urso e tigre, nós concordamos.

“Mas de Dilma não tenho medo; tenho pavor. Antes de ser candidata, nunca se viu a ministra dar um só sorriso, em nenhuma circunstância.
Depois que começou a correr o Brasil com o presidente, apesar do seu grave problema de saúde, Dilma não para de rir, como se a vida tivesse se tornado um paraíso. Mas essa simpatia tardia não convenceu. Ela é dura mesmo.
Dilma personifica, para mim, aquele pai autoritário de quem os filhos morrem de medo, aquela diretora de escola que, quando se era chamada em seu gabinete, se ia quase fazendo pipi nas calças, de tanto medo. Não existe em Dilma um só traço de meiguice, doçura, ternura.”

Quando li este parágrafo lembrei imediatamente do meu pai, dizendo com aquela voz de gente que manda porque pode e sabe que está falando com quem obedece por ter juízo, mesmo tendo vontade de reagir à altura:

- Lucinha, não insista, hoje você não vai prá praça! Você ontem chegou muito tarde!

Ah, como eu ficava com raiva do meu pai naqueles momentos. Mas, o que fazer? Ele só baixava a cabeça para minha mãe, e só um pouquinho. “Comparando má”, minha mãe era o Lula do meu pai. Explico. A Dilma é uma criação de Lula. Ironicamente, com quase 80% de aprovação, ele não tinha quem indicar para sucedê-lo e que se sujeitasse a deixar o cargo em 2014, para ele voltar ungido como um Dom Sebastião de Caetés. Quando conheceu Dilma, gamou (no bom sentido). Ela, como qualquer militante revolucionário, era durona, obediente, e estava disposta ao sacrifício, mesmo que tivesse que aprender a sorrir. Com uma condição, igualzinho ao meu pai com a minha mãe, ela só obedeceria ao Lula. Não porque isto fosse de livre e espontânea vontade mas porque para se eleger ela precisava do Lula, tanto quanto meu pai precisava da minha mãe. Eu só não sei, em ambos os casos, quanto Dilma e meu pai andariam sem mandar Lula e minha mãe “catarem coquinho”. Pelo menos, meu pai nunca mandou minha mãe, e por alguns fatos, como os abaixo citados, também a Dilma está longe de se desligar do Lula:

“O Globo mandou uma mesma pergunta para os três principais candidatos à Presidência da República:

- Por que o senhor (ou a senhora) quer ser presidente da Republica?

José Serra respondeu, Marina Silva respondeu. As respostas saíram na integra, com todo o destaque, na página 3 do jornal. Mas Dilma Rousseff não respondeu. O Globo,no espaço dela, pôs enorme interrogação.

O jornal não entendeu, não aceitou o silêncio de Dilma. Por que seria? Como é que Dilma confessava que não sabe por que quer ser presidente? Por vias travessas, o Globo conseguiu a resposta: Dilma não respondeu porque Lula estava viajando e ela teve medo de dar uma resposta que ele não aprovasse totalmente.....

Nem uma semana se passou e o papelão se repetiu. Ao encaminhar ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) os pedidos de registro da candidatura, os candidatos também apresentavam uma síntese de seu programa de governo. Dilma também apresentou o seu. Conta a Folha:

- "A candidata do PT deu aval por escrito, página a página, ao programa de governo que prevê, entre outros pontos, tributação de grandes fortunas, redução da jornada de trabalho e combate ao "monopólio dos meios eletrônicos de comunicação". O documento foi protocolado no TSE e trazia a rubrica de Dilma em todas as suas páginas. O PT retirou o texto cerca de 7 horas depois, substituindo por outro, sem os pontos polêmicos".

Disseram a Dilma que Lula, quando voltasse, poderia ficar furioso.” (
Coluna do Sebastião Nery de 10.07.2010, enviada a mim pelo Zezinho de Caetés).

Lula e minha mãe sabiam com quem estavam lidando, e sabem que sem Dilma e o meu pai eles também estariam num mato sem cachorros.

Entretanto, esta comparação é muito “família”. Lembrei também de Seu Valdemar, diretor do nosso Ginásio São Geraldo. Igual a Marília, em relação a Dilma, não tínhamos medo dele, tínhamos pavor. Todos nós alunos mudávamos nossos semblantes ao vê-lo. O que mais nos apavorava era ser mandado ou chamado à diretoria. Recordo uma vez que fui chamada junto com algumas colegas e a vítima maior foi a Mercês de Chico Antonino, por está com a saia suja de tinta de caneta. Lembro da lividez do seu rosto enquanto Seu Valdemar dizia:

- E você, uma moça já grande, como pode se sujar deste jeito? Parece uma bebezinha, que coisa feia. Amanhã não me chegue com esta saia!

Realmente, a comparação com a Dilma é só nessa cara dura. Nunca vi falar que o Seu Valdemar tivesse um Lula em suas costas. Pensei em Doutor Cirilo, mas, ele não tinha temperamento para isto. Ambos, foram de grande valor para a educação em nossa terra. Aproveitando o ensejo, como foi o dia do ex-aluno este ano? Dia 09 de julho, dia do aniversário de Doutor Cirilo. Eu quase que ia, pois se houve o Forrobom, porque não haveria a festa do dia dos ex-alunos do São Geraldo?

“Ela tem filhos, deve ter gasto todo o seu estoque com eles, e não sobrou nem um pingo para o resto da humanidade. Não estou dizendo que ela seja uma pessoa má, pois não a conheço; mas quando ela levanta a sobrancelha, aponta o dedo e fala, com aquela voz de general da ditadura no quartel, é assustador. E acho muito corajosa a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira, que está enfrentando a ministra afirmando que as duas tiveram o famoso encontro. Uma diz que sim, a outra diz que não, e não vamos esperar que os atuais funcionários do Palácio do Planalto contrariem o que seus superiores disserem que eles devem dizer. Sempre poderá surgir do nada um motorista ou um caseiro, mas não queria estar na pele da suave Lina Vieira. A voz, o olhar e o dedo de Dilma, e a segurança com que ela vocifera suas verdades, são quase tão apavorantes quanto a voz e o olhar de Collor, quando ele é possuído.
Quando se está dizendo a verdade, ministra, não é preciso gritar; nem gritar nem apontar o dedo para ninguém. Isso só faz quem não está com a razão, é elementar.

Lembro de quando Regina Duarte foi para a televisão dizer que tinha medo de Lula; Regina foi criticada, sofreu com o PT encarnando em cima dela - e quando o PT resolve encarnar, sai de baixo. Não lembro exatamente de que Regina disse que tinha medo - nem se explicitou-, mas de uma maneira geral era medo de um possível governo Lula. Demorei um pouco para entender o quanto Regina tinha razão. Hoje estamos numa situação pior, e da qual vai ser difícil sair, pois o PT ocupou toda a máquina, como as tropas de um país que invade outro. Com Dilma seria igual ou pior, mas Deus é grande.

Minha única esperança, atualmente, é a entrada de Marina Silva na disputa eleitoral, para bagunçar a candidatura dos petistas. Eles não falaram em 20 anos? Então ainda faltam 13, ninguém merece.


Seja bem-vinda, Marina. Tem muito petista arrependido para votar em você e impedir que a mestra em doutorado, Dilma Rousseff, passe para o segundo turno.

Outra boa opção é o atual governador José Serra que já mostrou seriedade e competência.

Só não pode PT, Dilma e alguém da "turma do Lula".”

É, Marília, Deus é grande. O povo brasileiro haverá de entender que nem só de Bolsa Família vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus. E se Ele é de Bom Conselho, como insinuou o Diretor Presidente, só resta apelar para o Padre Alfredo que está no céu e nos protegeu tanto tempo, e na terra para o Padre Nelson, se ele não nos cobrar nenhum dízimo pelas orações. Pois como você diz, ninguém merece.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O nosso idiotismo e outras histórias (1)




Esse comentário vem a propósito de artigo do Zezinho de Caetés, publicado no Blog da CIT, em 30.6.2010 (http://www.citltda.com/2010/06/imprensando-diplomacia.html). - Ocupado com umas tantas tarefas, só agora volto à labuta de escriba idiota. Confesso logo que nunca fui, nem sou de esquerda, muito menos de direita. Eu posso ficar na esquerda, na direita, em cima, por trás etc. Na horizontal ou na vertical. E nunca mudei o meu modo de pensar. Nos meus conceitos sócio-políticos, vejo o homem como ser provido de raciocínio, que tanto pode servir para o bem, quanto para o mal. Partidos políticos, para mim, têm o mesmo valor de um cheque sem provisão de fundos.

Esses senhores que escreveram o Manual do perfeito idiota latino-americano são latinos e dizem que foram de esquerda. E que depois se recuperaram. Um deles, Álvaro Vargas Llosa, fez o pai, Mario Vargas Llosa, mudar radicalmente o seu modo de pensar. Vejam esta frase do velho Mario V. Llosa, proferida em 1967: "Dentro de dez, 20 ou 50 anos terá chegado a todos os nossos países, como agora em Cuba, a hora da justiça social, e a América Latina inteira terá se emancipado do império que a saqueia, das castas e da exploração, das forças que hoje a ofendem e a reprimem."

Ingenuidade ou burrice? Contudo, notem como se muda fácil, em benefício do bolso do filho. Pois foi o peruano Mario Vargas Llosa quem fez o prefácio do livro desse trio oportunista. Se bem que no prefácio ele tenha dito logo que se trata de um panfleto. E é um panfleto mesmo, pois suas páginas carregam o escárnio, a zombaria e algumas violências contra os latinos.

Mas Mario Vargas Llosa não é um bom caráter. Ele batalhou na imprensa, ombro a ombro com o colombiano Gabriel García Márquez e o uruguaio Eduardo Galeano. Certa vez, num coquetel em Barcelona, Vargas Llosa agrediu García Márquez, gratuitamente. Atribui-se a desavença entre ambos à inveja que Llosa tinha de García Márquez. Posso supor que a sua mudança tão radical não é somente obra do tempo. Talvez seja inveja do jornalista e escritor Eduardo Galeano, de muitos méritos.

Não li esse panfleto. Nem pretendo. O que se depreende de tudo, é a ânsia de ganhar dinheiro publicando livros. Não é só esse trio impostor que o faz. Tantos e tantos aproveitam para escrever qualquer coisa, tipo auto-ajuda etc. Mas esse livreto do trio zombeteiro é um prato cheio. Eles chegam ao escárnio de dizer que a bíblia dos idiotas é o livro de Eduardo Galeano, “As veias abertas da América Latina”. Esse é um dos truques mais bem bolados para vender o panfleto deles.

Ocorre que “As veias abertas...” não foi feito só para vender. Foi feito para ser lido. Por isso, qualquer um de nós pode ir à internet e imprimi-lo, caso queira. Ou então ler do seu conteúdo o que bem queiramos. E podendo citar qualquer passagem dele, qualquer opinião do grande escritor Galeano, desde que indiquemos a fonte. Eis aí a diferença entre o renomado Eduardo Galeano e esses três embusteiros.

Eles também tentam desqualificar outros autores, como o filósofo alemão, Herbert Marcuse, o teólogo peruano Gustavo Gutiérrez. De igual modo, fazem chacota com o professor Ariel Dorfman e com o sociólogo e ensaísta belga Armand Mattelart, entre muitos outros escritores e filósofos de valor. Com isso, eles atraem os curiosos para as anedotas deles e conseguem vender o livro. E mais ainda: são endeusados.

Seguindo linha semelhante, e guardada a imensa distância, o Zezinho de Caetés, em seu artigo de 30 de junho p. passado, chama-me de professor o tempo todo. A princípio, ele fala da “grande imprensa”. Ao comparar o jornal “O Estado de São Paulo”, com um blog de Bom Conselho, termina esse tema. Menos mal. Mas antes insinuou que a poderosa imprensa não se vende. Isso é desconhecer um Assis Chateaubriand, um Roberto Marinho, um Mário Rodrigues, um Vitor Civita, um João Carlos Paes Mendonça e tantos outros.

Ah, havia-me esquecido do Sílvio Santos. Será que ele, Sílvio Santos, ficou rico vendendo bugigangas no Largo da Carioca? Eu me lembro do tempo que a TV do Sílvio Santos engatinhava. Eram os anos de chumbo. Sílvio Santos criou o quadro “Boa-tarde, senhor ministro”. E todos os domingos ele trazia um general velho ao programa. E lhe fazia louvações, num puxa-saquismo desenfreado. O tal homenageado era um ministro do regime militar de Médici.

E quem desconhece a parcialidade da Rede Globo? Infelizmente, o nosso povo só tem olhos e ouvidos para a Globo. Não sei qual o programa da Globo que presta. Tampouco, qual é o pior. – E dizer que eu falei do Diário de Pernambuco, porque este não publicou um artigo meu, é achincalhe.

Mas voltemos aos idiotas da América Latina. Às pessoas que foram à escola, não é dado o direito de desconhecer que os europeus levaram nossas riquezas. Ouro e outros metais de grande valor foram saqueados por franceses, ingleses, espanhóis e portugueses, afora outros europeus. Sem nos esquecer da nossa madeira de lei.

Em entrevistas à imprensa, Carlos Montaner afirma que o atraso dos latinos é por causa da colonização espanhola e portuguesa. Quando lhe foi perguntado o porquê do atraso de países que foram colonizados por ingleses, franceses, holandeses etc., ele desconversou.

E diz que os idiotas são “os que pediram a mão dura dos militares e ditadores”. Por acaso foi o povo cubano que pediu a mão dura de Fidel Castro? Ou foram os quadrilheiros dos EUA, saqueando Cuba, com a cumplicidade criminosa de Fulgencio Batista? Destes, falaremos na próxima etapa. E Cuba já vinha sendo espoliada e furtada pelos espanhóis havia 400 anos.

Nesse emaranhado de contradições, Montaner termina elogiando Pinochet e Fujimori, duas figuras de chumbo. E faz críticas a Fidel Castro por este ter mania de criar escolas de medicina. Como que os pecados de Fidel estejam em formar médicos. Talvez a contragosto, Carlos Alberto Montaner reconheceu que houve avanços na educação do povo cubano.

E vem agora Mario Vargas Llosa alegar que o filho, Álvaro, tem três processos dos tempos de Fujimori, querendo enaltecer a “coragem” do filhote. Mas um dos autores do Manual, prefaciado por ele, elogiou Fujimori, que os governou. Então, Fujimori não tinha a mão pesada, nem foi corrupto quando governou o Peru, a pátria dos Llosas!

E o que fizeram os “desbravadores” que encontraram o Brasil por acaso? Aproximavam-se dos índios, usando de artifícios. Aí, escravizavam ou matavam os índios e engravidavam as índias. Esse mesmo procedimento foi usado pelos bandeirantes, tão cantados e decantados em nossos livros de História do Brasil. Os bandeirantes usavam de meios tão cruéis, quanto os europeus. Conta-se que numa expedição, onde eles capturaram 500 índios, só 50 chegaram a São Paulo. Mas isso não foi a História do Brasil quem me contou, não. Porque a história que nos ensinaram é um terreno cercado de mentiras por todos os lados.

Dessa prática de emprenhar as indiazinhas, nasceram milhares e milhares de mamelucos. E a arte de matar e espoliar os índios, ainda hoje ocorre à larga, no nosso Brasil capitalista, de vento em popa. Não estou querendo dizer que o modelo econômico adotado por nós seja pior do que o socialismo, não. Porque a exploração dos pobres pelos ricos acontece em qualquer que seja o regime econômico. EUA e Europa hoje têm leis para controlar a exploração dos seus trabalhadores. Mas aí, o que fazem? Invadem os outros países e se apoderam do seu povo e das suas riquezas. E se locupletam da mão-de-obra vil, reinante nos outros países.

Quando não havia leis, nem direitos para trabalhadores, nos EUA, uma só fábrica incendiou 129 mulheres de uma vez. O massacre se deu em 8.3.1857, em Nova Iorque. Só porque aquelas mulheres tentaram fazer uma greve para melhorar as suas condições de trabalho. Isso faz parte dos sistemas econômicos, sejam eles quais forem.

Não me venha esse trio “esperto” querer provar que os latinos são pobres porque são idiotas. Para esses espertalhões, por sermos idiotas é que acreditamos que a nossa pobreza tem causa na exploração pelos países ricos do “Primeiro Mundo”!

Para ilustrar o contrário, basta um passeio histórico sobre Cuba. Não é necessário percorrer toda a América Latina, nem recorrer ao livro de Eduardo Galeano As veias abertas da América Latina, não. Uma retrospectiva por Cuba, nos últimos 500 anos, diz muita coisa.

Cuba também era povoada por índios. Em 1492, Cristovão Colombo chegou à ilha, pensando que era parte do continente. Em 1509, Sebastián de Ocampo provou que Cuba era uma ilha. Foi aí que começou a colonização de Cuba, pela Espanha, que a explorou por quatro séculos.

Quando os metais preciosos da ilha foram esgotados, veio o ciclo da agroindústria canavieira, no início do século XVIII. A monocultura do açúcar passou a ser a base da economia cubana, sustentada pela mão-de-obra escrava dos africanos. No século XIX, os EUA eram o maior comprador do açúcar cubano.

Em 1868 um dono de engenho de açúcar, Carlos Céspedes, quis derrubar os espanhóis. Arregimentou 200 homens e proclamou a independência de Cuba. Assumiu o governo e libertou todos os escravos que se unissem às forças revolucionárias. Conseguiu um aumento de 12 mil homens no seu efetivo. Mas provocou a ira dos demais latifundiários que ficaram sem seus escravos e sem a mão-de-obra deles. Mesmo assim, só em 1873 Céspedes foi deposto. Mas a Espanha só conseguiu retomar o controle total da ilha em 1878.

Tempos depois, surgiu um líder revolucionário, José Martí. Com 16 anos de idade, fundou o jornal La Patria Libre. Detido, foi condenado a trabalhos forçados e depois deportado para a Espanha. Quando ficou livre, viveu no México, na Venezuela e nos EUA. Em 1892, fundou o Partido Revolucionário Cubano. E em 1895, desembarcou em Cuba, começando outra guerra pela independência, sendo morto um mês depois de iniciados os combates. Após sua morte, o conflito continuou até 1898. Nisso, os EUA se aproveitaram e sufocaram o movimento de independência. E Cuba passou a ser colônia dos Estados Unidos da América.

Porquanto, a essa altura, os EUA já mantinham um navio ancorado em Havana. Um belo dia, o navio explodiu. Dizendo não saber a causa da explosão, os EUA culparam a Espanha e lhe declararam guerra, sob o pretexto de ter sido a Espanha que explodiu o navio.

Com o controle da ilha, em abril de 1898, o presidente dos Estados Unidos da América, William McKinley ditou uma sentença. Dela, pinçamos umas frases cínicas, ditas por um energúmeno do “Primeiro Mundo”:

1. Que o povo cubano é e por direito deve ser livre e independente. 2. Que os Estados Unidos, por intermédio da presente, declaram não ter vontade nem intenção de exercer soberania, jurisdição ou domínio sobre a Ilha, exceto para sua pacificação. 3. E assevera sua determinação, quando a pacificação seja atingida, de entregar o governo e o domínio da Ilha ao seu povo.”

Por suas inúmeras virtudes, McKinley foi assassinado em 1901, ainda na presidência dos EUA. E assumiu o seu vice, Theodore Roosevelt, o criador do grande porrete. Roosevelt também levou um tiro no peito. Mas escapou.

Porém, essas linhas sobre Cuba não terminam aqui. Para poupar os meus três ou quatro leitores, continuarei em breve tempo.

José Fernandes Costajfc1937@yahoo.com.br