quinta-feira, 15 de julho de 2010

ACHAMOS QUE SABEMOS









Tarde de um Domingo de inverno. Ouço ao longe comemorações, sons indistintos de alegrias; bem perto o som de uma banda de jazz. Dicotomia no ar!.

Fico a imaginar sobre a vida. E acho, neste momento, a vida parecida com uma escala musical: altos, baixos, semitom, tom breve e por ai vai. Na realidade pouco se sabe do que vai a nossa volta. Achamos que sabemos.

Achamos que sabemos quais são as ambições dos nossos filhos, o que eles almejam para as suas trajetórias, só que esquecemos que a complexidade humana também é um atributo dos que nasceram do nosso sangue e por mais íntimos e abertos que eles sejam conosco, jamais teremos noção exata de seus desejos mais secretos.

Achamos que o amor, por ser o sentimento mais nobre que podemos experimentar, deveria ser fonte apenas de alegria. Entretanto, para um grande número de pessoas ele é, na maior parte das vezes, causa de grande sofrimento.

Achamos que temos segurança interior, mas em um primeiro tranco que a vida nos dá, já nos leva a um outro extremo e aí temos que checar se a segurança interior, o amor próprio, a autoconfiança foram bem desenvolvidos e estruturados durante o processo de crescimento.
Se sim, então teremos condições de fazer os ajustes necessários seja conosco mesmo ou com os outros e seguir em frente.

Se não, aí entramos no vazio de si mesmo, onde a insegurança, a falta de respeito é uma tônica no nosso dia a dia.

Achamos que sabemos como será o nosso futuro, calcados no que estamos fazendo agora no nosso presente, mas esquecemos que a vida é uma interligação com os outros a nossa volta e que em determinada curva existe um sinal vermelho.

Achamos que sabemos o que pensam as pessoas que conversam conosco e até que nos contam seus segredos mais íntimos, aceitamos cada palavra dita, e até nos sentimos honrados por sermos merecedores desta confiança, nem levamos em conta que muito do que está sendo dito pode ser da boca pra fora, uma encenação que pretende muitas vezes mascarar a verdade, aquela verdade que só sobrevive no silêncio de cada um.

Achamos que sabemos o que está se passando na cabeça da pessoa que está dormindo ao nosso lado. Continuamos achando para manter a nossa segurança, pois achar é o mais longe que podemos ir neste universo repleto de segredos, sussurros, incompreensões, traumas, sombras, urgências, saudades, desordens emocionais, sentimentos ocultos, todas estas abstrações que não podemos tocar, pegar nem compreender com a certeza absoluta.

Mas continuamos a viver e a achar, pois nos conforta achar que sabemos.

Gildo Póvoas - gildopovoas@hotmail.com

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