quinta-feira, 1 de julho de 2010

Chuvas em Bom Conselho: Quem estourou o Açude da Nação?




Quando voltei do meu retiro espiritual, no Colégio Nóbrega, orientada pelo meu confessor, que achou pouco a minha penitência costumeira, de 50 Pais Nossos e 150 Ave Marias, encontrei em minha caixa postal uma mensagem do conterrâneo Gildo Póvoas, que, pela longa ausência em nosso Blog, pensei que também estivesse em retiro, na qual ele anexava um recorte da Revista Época onde se mencionava a tragédia das águas em Bom Conselho. Era a seguinte a parte que falava da nossa cidade:

“Sabe-se, contudo, que uma grande barragem se rompeu em Bom Conselho, Pernambuco, levando casas, carros e até trens. Pelo menos 50 famílias ficaram desabrigadas. Deputados pernambucanos e vereadores do município acusam a prefeitura e a empresa de alimentos Perdigão de ter responsabilidade na tragédia. Construído há mais de 60 anos, o Açude da Nação represa água no período das cheias para evitar a seca na estiagem. A Perdigão obteve uma concessão estadual, em 2009, para captar água no açude e usá-ia nas operações de uma fábrica. "Desde 3 de março, estamos exigindo providências da prefeitura e da fábrica. Observamos rachaduras na estrutura, e, mesmo assim, mantiveram as comportas fechadas, diz Gilmar Aleixo, vereador pelo PTB em Bom Conselho. A BRFoods, que controla a Perdigão, divulgou uma nota em que nega ter exigido que as comportas fossem mantidas fechadas." Desde o início do período das chuvas, as passagens dos vertedouros do Açude das Nações foram totalmente liberadas pela prefeitura; o processo de captação pela empresa, na realidade, ajudou a minimizar os efeitos do acúmulo das águas no açude.” (Revista Época – 28.06.2010).

Outro dia vi o artigo do Zezinho de Caetés, e anteriormente o do José Fernandes Costa, sobre os exageros e mesmo inverdades a que pode chegar a chamada grande imprensa, que para mim é aquela que é lida por muita gente e que forma opinião, como o nosso Blog, modéstia à parte, mesmo que erradas, às vezes, quando tenta noticiar um fato distante sem a devida informação. Estes jornalistas, como eu que cometo de vez em quando o mesmo erro, deveriam fazer também retiro espiritual.

Todos nós sabemos que nunca tivemos trens. Era para ter, mas, o nosso Dantas Barreto, não o Pai Dantas, com quem vou me consultar qualquer dia deste, e sim o Marechal, grande escritor, político e filho de nossa terra, que, por achar que não tinham tratado bem sua mãe, disse: “Tiveram por minha mãe um enorme desprezo, não vai ficar assim, enquanto eu tiver vida não pisarei nesta cidade e nem ajudarei em nada que for de meu alcance, esquecida está Bom Conselho da minha memória!”. Então, nossa linha de ferro foi para o espaço, como nos explica o nosso conterrâneo Jordalino Cavalcante Neto, na Academia Pedro de Lara, no SBC, de onde também foi tirada a frase anterior, atribuída ao nosso Marechal:

“A Great Western fazia o transporte de passageiros e cargas, ajudando a escoar os produtos agrícolas do interior de Pernambuco. Para surpresa nossa uma informação importante foi encontrada, em bibliografias, nos fatos contados por populares influentes da época, é a qual Dantas Barreto teria impedido a vinda da Estrada de Ferro do Nordeste para Bom Conselho no ano de 1890, sendo esta, direcionada para a cidade de Arcoverde em 1912. Supõe-se que por motivo pessoal, o qual foi citado em artigo anterior sobre Dantas Barreto, a Ferrovia que faria a ponte Pernambuco – Alagoas, Estado o qual Bom Conselho faz divisa, deixou nesse momento de fazer o translado de Alagoas a Recife passando por todo interior, sertão e zona da mata, de Pernambucano.”

Então, não perdemos trens, mas perdemos casas e carros, e viva Deus, também não perdemos vidas. Caro José Arnaldo, não sei muito da vida do nosso Marechal a não ser estes trechos, praça no corredor e uma avenida aqui em Recife. Quem sabe com a leitura do livro que você está lendo sobre ele eu até me convença em mudar o nome de nossa cidade? Por enquanto eu sou contra, pois adoraria poder criar um trem do forró que partiria daqui do Recife e iria até o Forrobom. Será que está bom mesmo, ou, como diz o Blog de Bom Conselho de Papa-caça, está triste? Com a palavra os que estão de perto, pois estou com o joelhos em frangalhos de dar pitacos errados.

Entretanto, mesmo a grande imprensa nos alerta para coisas que são evidentes mesmo que estejamos na Lua ou em Marte. Grande parte da tragédia que se abateu sobre nossa cidade foi causada pelo estouro do Açude da Nação. Eu já disse aqui que não sei quem controla o referido açude, e ainda não sei, a não ser o que disse o artigo do Alexandre Tenório neste Blog (http://www.citltda.com/2010/06/acude-da-nacao.html), que concorda com a palavra do vereador citado pela reportagem da Revista Época. Sendo o estouro a principal causa do triste evento, quem foi o responsável pelo estouro? A Prefeitura, A Perdigão ou São Pedro? Eu venho errando muito mas juro que não fui eu. Temos que apurar, talvez não só para punir, mas para evitar outras tragédias no futuro. Pelo menos a grande imprensa serve para isto, e nós, católicos e crentes no poder do nosso primeiro pontífice, agradecemos, pois eu acho (será que terei que voltar ao retiro de novo?) que o São Pedro foi o menos culpado, neste caso, pois até o Forrobom ele permitiu que fosse realizado, como diz meu filho: “numa boa”. Mas, que isto precisa ser apurado, precisa.

Será que foi a Perdigão? Mas o que é perdigão? Fui no Google para descobrir e aumentar meus conhecimentos. Primeiro não é “a perdigão”, pois este termo se aplica ao masculino de “perdiz”. Ela é uma ave de caça, cujas espécies, na Europa, pertencem ao gênero Pérdix da ordem dos Galiformes; no Brasil, chamam de perdiz uma ave ( Rhynchotus rufescens) que pertence à ordem dos Tinamiformes, sem nenhum parentesco com a dos Galiformes. Terrícola, mede entre 35 e 37 cm, habita os campos sujos, cerrados e caatinga. Alimenta-se de sementes, invertebrados, raízes e frutos. É ave cinegética por excelência, sendo caçada com auxílio de cães (tiro ao vôo) e por meio de pio de madeira específico (setembro a outubro). Ainda descobri que é o maior tinamídeo campestre no Brasil, e que sua plumagem apresenta excelente coloração de camuflagem ou mimetismo, com a vegetação de seu habitat. Sua criação em cativeiro apresenta resultados muito favoráveis em termos de reprodução, resistência a doenças e facilidade no manejo, possibilitando inclusive a sua criação como ave de corte. Além disto, este esforço de pesquisa para tornar o nosso Blog ainda mais cultural, aprendi que, apesar de ser conhecida como perdiz, esta ave não pertence à família Phasianidae.

Eu não estou acusando ninguém, mas o fato de o perdigão fingir que é da família do Phasianidae, levando seus admiradores ao engano, claro que o torna um suspeito. Além disto, como vocês viram na descrição acima ela não tem nenhum parentesco com a família dos Galiformes, que todos sabem ser uma família tradicional de nossa cidade, enquanto os Tinamiformes, a cuja ordem ele pertence, vem do Sul do Brasil, sem nenhum vínculo com nossas famílias tradicionais. Digo isto, podendo como sempre, estar errada, pois não consultei o meu professor Di Tavares, sobre a existência ou não desta família. Mas deve ser investigada, e se culpada, botem os cachorros atrás dele, antes que ele cometa outros crimes. E esta estória de ter sido encontrado um ninho de perdigão no pé do açude, é mais uma evidência que não pode deixar de ser levada em conta.

Quanto à prefeitura, não acredito em sua culpa. Mas, a prefeita Judith, que fez um forró tão bom, sabe que é do seu interesse deixar tudo claro para que depois ela não se torne suspeita, quando o culpado realmente seja o perdigão ou São Pedro mesmo, que de quando em vez apronta das suas. Que Deus me perdoe.

Para nós “novelistas juramentados” (eu e o Roberto) que hoje nos contentamos com o sotaque “ítalo-carioca” de Passione, e que já nos lambuzamos nas emoções ao saber “quem matou Salomão Ayala”, adoraríamos ver o fim da novela: “Quem estourou o Açude da Nação?”. Será que teremos um final feliz?

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

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