quarta-feira, 7 de julho de 2010

Ecos da Copa



A Copa do Mundo acabou para o Brasil. E acabou de uma forma lamentável, mas previsível. No jogo contra a Holanda, depois daquele primeiro tempo, foi a primeira vez que senti alguma confiança em nossa seleção. Já disse antes (http://www.citltda.com/2010/05/dunga-e-os-nossos-craques.html), e não me vanglorio de dizer hoje que estava certo, pois preferiria estar errado, que, com este time não aprenderíamos nem como se pronunciaria o nome do Michel Bastos. Mudei de opinião naquele primeiro tempo. Igual a 70, parece que o Brasil havia acertado suas engrenagens. Ledo engano.

No segundo tempo a era Dunga mostrou sua face, ao sofrer dois gols e tentar jogar com um placar adverso. Todos amarelaram, e penso que isto não aconteceu logo no primeiro tempo porque estavam vestindo camisas azuis. O Júlio César não se entendeu nem com Felipe Melo nem com a “jabulani”. Tentou socá-la, levou um gol no queixo e toda seleção foi ao nocaute. Robinho ficou mais branco do que o finado Michel Jackson, Kaká deve ter feito sua oração dizendo: “Pai afasta de mim este cálice”, e Deus afastou o futebol dos outros. Luis Fabiano mostrou que realmente era o novo Dario, sem o peito de aço, e que de “fabuloso” só tinha as penas. E o Felipe Melo mostrou a que veio. Um rebelde, que levou o título, dado por uma entidade italiana em 2009, de “Perna-De-Pau de Ouro”, como o pior jogador e que não tinha a menor condição de envergar a camisa de nossa seleção. Pisou um holandês com a mesma força que um dia usamos para expulsá-los de Pernambuco. O problema é que a guerra era outra e fomos nós que perdemos. Cada um tem o Calabar que merece.

E o Dunga é um parágrafo a parte. Quem disse que o Dunga era técnico de futebol? Os mesmo que um dia disseram que ele era jogador. Ora, dirão os críticos dos críticos: Agora é fácil dizer que o Dunga é ruim, e quando ele ganhou a Copa América, das Confederações e classificou o Brasil? Eu respondo por mim. Nunca gostei e ele não jogaria nem no meu time, o Náutico. E, se for verdade o que andam dizendo que os dirigentes querem, aproveitando a demissão do Dunga e sua baixa de salário, trazê-lo para o lugar do Galo, eu vou torcer pelo Íbis. Por falar em Náutico, nós seus torcedores ainda temos mais algum tempo para dizer que Hexa é luxo, não é qualquer seleçãozinha que consegue ser. Vamos formar uma boa para 2014.

Voltando a Dunga, não se pode dizer que ele não teve boa vontade, apesar de eu achar que quem escalava o time era o Jorginho e o Ricardo Teixeira. No entanto, correndo o risco do lugar comum, “de boa vontade o inferno está cheio”. O problema dele é que depois de umas vitórias minúsculas sobre times menores, achou que era o “cara” e passou a menosprezar todos que dele discordavam. Penso que, se ele tivesse levado o Brasil ao campeonato, seu primeiro ato seria lançar sua candidatura a Presidente da República, com grandes chances de ser eleito em 2014, e acumular os dois cargos durante a Copa.

E agora José? Para você que representa o povo brasileiro, a Copa acabou, o Hexa sumiu, a alegria passou, o choro voltou, sem saber se um dia a tristeza saiu, mas neste dia voltou. Foi realmente triste ver a horda de Josés a chorar e reclamar da sorte pelas cidades brasileiras, a procurarem explicações, o que sempre fazem de quatro em quatro anos. Todos aqueles que gostam de poesia sabem que, no início desse parágrafo tentei, sem o talento da Lucinha Peixoto, com quem já me entendi, parafrasear o famoso poema do nosso poeta maior Carlos Drumond de Andrade: José, que transcrevo abaixo para terminar este artigo com alguma beleza que nos traga um pouco de alegria.

"E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?"

Para completar a beleza, lembro a todos que de quatro em quatro anos também tem eleição. Que nos dediquemos a ela com o mesmo amor que dedicamos ao nosso país nas Copas, votando com sabedoria e consciência, para sabermos, pelo menos, para onde o José vai.

Jameson Pinheirojamesonpinheiro@citltda.com
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