quarta-feira, 21 de julho de 2010

GIBA, O COLEGA



Casualmente, encontrei o GIVA na travessia da Ponte Buarque de Macedo, indo para a Livraria Cultura. Seu nome Givaldo da Silva, colega de pensionato nas ruas Velha e Barão de São Borges no bairro da Boa Vista. Paramos. Sempre elegante como nos tempos de outrora, amparado em uma bengala fina com o cabo de pratas de um leão, pois ele é rubro negro. Vestia uma calça de linho branco presa por um suspensório sob camisa azul clarinho. A barba e o bigode aparado. O cabelo branco esvoaçava pelo vento brando que corria naquele fim de tarde. O sol já se pondo sobre antiga ponte Giratória. Dois barcos pequenos deslizavam pelas águas do Capibaribe. Os pescadores jogavam a tarrafa no centro do rio, e em poucos minutos suspendia a tarrafa para dentro da embarcação. As luzes dos postes e letreiros das casas comerciais eram acessos e as pessoas apressadas se deslocavam de um lado para outro, alguns para as firmas outros para os pontos de parada dos ônibus.

Começamos a andar para o nosso destino. Entramos na Livraria, naquele ambiente formidável e acolhedor com milhares de livros espalhados pelas prateleiras de vários escritores de todo o mundo.

Fazia mais ou menos trinta e cinco anos que não nos víamos. Cada um tomou o seu destino, após a saída do pensionato. Saímos da Livraria Cultura, por volta das seis e meia da tarde. Fomos para a Rua do Bom Jesus a fim de tomar um aperitivo depois de tanto tempo sem nos encontramos. Fomos festejar este encontro. Caminhávamos devagar, observando as ruas, onde no tempo de pensão era a nossa parada nas noites da sexta feira e do sábado. Ali percorríamos as boates como a Chantecler na Avenida Marques de Olinda, onde subíamos os dois andares para olhar as moças que ali estavam; em frente Molly Rouge, tinha uma sala sinuca no primeiro andar, onde jogávamos; ao passava no Bar Grabrinus, onde somente entrava quem estava com algum dinheiro. O Bar Astoria outro recanto dos jovens estudantes pensionistas.

Sentamos no bar Avenida e pedimos uma cervejinha bem gelada. Não bebíamos como antigamente, pois, a idade já não permita esta extravagância. As farras e as noites de boêmia tinham saído do seu cardápio, o mais que fazia era ir ate o Mercado da Boa Vista, sentar-se, tomar uma ou duas cervejinhas comer algum petisco e recordar o tempo no aplausível lugar, das tardes dos sábados onde todos se reuniam para ouvir e cantar ao som de um violão tocado por Neco.

Começamos a relembrar os antigos companheiros do pensionato na Boa Vista, alguns ainda vivem em Recife, outros voltaram para suas cidades e, outros faleceram, foi o caso de Napoleão Bonaparte, boêmio de mão cheia. Depois, comentamos o nosso desaparecimento e convívio que devia perdurar, mas, o trabalho e os compromissos às vezes não permitem.

O Giba falou que em 1974 viajou para o Rio de Janeiro, para trabalhar e logo encontrou uma empresa e como era formado em Administração de Empresas, fora logo contratado como Gerente Administrativo. Casou-se com uma pernambucana e teve dois filhos, que ainda moram no Rio de Janeiro. Fazia cinco anos que tinha voltado para o Recife, morando no bairro de Casa Forte, após atender um pedido de sua mulher.

Conversamos bastante, entre um gole e outro de cerveja, contando as nossas peripécias pelas ruas do Bairro da Boa Vista, estendendo-se ao nosso Quartel General, o Bar Savoy em plena Avenida Guararapes, onde íamos sentar no calçadão e ver o anoitecer, ao barulhos dos ônibus e das pessoas que passavam apressadas para a faculdade ou para suas residências.

Que bons tempos! Quantas recordações! Parece que foi ontem!. Levantarmos da mesa do Bar Avenida onde tomamos quatro cervejinhas nesta tarde/noite de alegria. Chamamos o garçom e “rachamos” a despesa como fazíamos antigamente.

Saímos para o centro da cidade atravessando a ponte Buarque de Macedo e chegando a Avenida Guararapes tão desprezada e acabada, doente e precisando de socorro urgente, comentamos, olhando para o existia o Bar Savoy.

Despedimo-nos com um aperto de mão e cada um foi para o seu destino. Como é bom encontrar pessoas que fizeram parte da nossa juventude.


José Antonio Taveira Belo / Zetinho - taveirabelo@hotmail.com
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(*)Fotos do Recife tirados da Internet.

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